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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Brasil deverá exportar derivados dentro de uma década


O Brasil deverá atingir a condição de exportador líquido de petróleo e derivados na próxima década, informou a Empresa de Pesquisas Energética (EPE) no seu Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2008-2017), planejamento decenal para a expansão energética brasileira realizado anualmente pelo órgão.

Segundo a EPE, esse cenário deverá ocorrer em função do desenvolvimento da produção em campos já descobertos e dos investimentos no parque de refino. A instituição disse ainda que a produção de petróleo deverá aumentar significativamente no período, saindo dos atuais 1,85 milhão de barris por dia (bpd) em 2008 para uma produção acima de 3 milhões de bpd em 2017, mantendo a auto-suficiência na relação entre produção e consumo, condição conquistada em 2007.

Além da construção da Refinaria Abreu e Lima e do Comperj, que elevarão a capacidade de produção de derivados de petróleo para 2,375 milhões de bpd a partir de 2013, foram estudadas alternativas de expansão adicional do parque de refino, com a inclusão de uma ou duas novas refinarias.

No caso da implementação de uma refinaria de 600 mil bpd, atende-se plenamente o crescimento da demanda nacional de derivados, ocorrendo até uma pequena exportação líquida de derivados da ordem de 87 mil bpd em 2016 - não ocorrendo este excedente em 2017. Se forem construídas duas novas refinarias, num total de 900 mil bpd, o país teria capacidade de exportar cerca de 300 mil bpd em derivados de petróleo.

Na área de gás natural, projeta-se até 2017 uma ampliação e oferta e da participação deste energético no país, devido ao incremento da produção interna. Além disso, considera-se a perspectiva de novos terminais de gás natural liquefeito (GNL) além dos dois terminais do Rio de Janeiro e do Ceará que iniciam sua operação em 2009. Prevê-se também que a importação de gás importado da Bolívia permanecerá estável nos níveis atuais.

A oferta total de gás nacional alcançará o patamar de 100 milhões de m3/dia em 2017, que acrescidos ao gás boliviano importado e à futura capacidade de importação de 35 milhões de m3/dia via GNL, ampliarão a capacidade de oferta para 165 milhões de m3/dia em 2017 (Fonte: Gazeta Mercantil / InvestNews, 2009-02-06).

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Importação de gás da Bolívia continua importante


O superintendente de Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Gelson Serva, considera que, mesmo com a elevação da produção de gás no Brasil a partir da exploração no pré-sal, a importação de gás da Bolívia continuará sendo importante para o país. Isso porque a produção de gás no caso do pré-sal ocorrerá associada à produção de petróleo, ficando sujeita à variação da exploração do óleo e a problemas técnicos de compressão, tratamento e separação do petróleo. Mas é certo, segundo Serva, que a dependência em relação à produção boliviana vai diminuir, até porque ela deixará de representar metade do consumo nacional, e passará a equivaler a menos de um quarto em 2017, quando a demanda interna (excluindo a região norte) deve chegar a cerca de 140 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
- Proporcionalmente, a dependência da Bolívia vai ser reduzida. Mas quando nós tivermos uma ampliação da oferta de gás do pré-sal, que é um gás associado à produção de petróleo, o gás da Bolívia vai ser fundamental para poder fazer o equilíbrio da oferta, pois existe uma variação natural no sistema de produção de petróleo. Então, nos próximos 20 anos, a importância do que é importado vai ser menor, mas será um elemento relevante para a estabilidade de mercado, garantindo os níveis de oferta, que foi o que efetivamente fez o mercado do Sudeste deslanchar - afirmou nesta terça-feira na Rio Oil & Gas.


O sócio diretor da consultoria Gás Energy Marco Tavares, que participou da mesma mesa de debates que Serva, criticou o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, que na semana passada disse que o país terá 60 usinas nucleares em 50 anos. Segundo ele, essa idéia contraria o planejamento desenvolvido pela EPE para os próximos anos e afasta ainda mais os investimentos para a construção de termelétricas a gás. Tavares criticou a visão de que as termelétricas devem ser acionadas apenas nos momentos de seca, para compensar a queda de geração de energia nas hidrelétricas.


- A concepção de que as termelétricas devem funcionar complementarmente às hidrelétricas não atrai investidores. O volume de gás que eu vamos ter no futuro é tão grande que temos que desenvolver um modelo para o gás. Não é para ele ser complementar à energia elétrica. Isso afasta investimentos e, assim, vamos continuar importando carvão, vamos construir 60 usinas nucleares - disse (Fonte: O Globo Online, 2008-09-16).

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Oferta de gás boliviano ao Brasil pode diminuir

O Brasil corre risco de ver diminuída a oferta do gás boliviano em 2008. O problema não é político, é de falta de investimentos em infra-estrutura, apontam especialistas. Segundo eles, a falta de aporte de recursos do governo da Bolívia nos campos de gás e as restrições à empresas transnacionais no país, podem gerar uma queda na produção do insumo.
O problema é que a Bolívia é responsável pela metade do fornecimento de gás consumido no Brasil. A Petrobras tem um contrato para receber 30 milhões de metros cúbicos diários do país vizinho. Em julho, esse volume foi de 25 milhões e subiu para 27 milhões em agosto, segundo o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. Mas para 2008, especialistas acreditam que a Bolívia não terá condições de mandar um volume próximo do contratado.
"Nos últimos três anos, os investimentos foram paralisados na Bolívia, com a nacionalização de algumas empresas", lembrou o presidente do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Adriano Pires. Segundo ele, isso deve afetar a manutenção de campos de gás, com reflexos na queda de produção. E no médio e longo prazos, ainda poderá ocasionar uma redução das reservas e gás.
A dificuldade da Bolívia é que o país precisa aumentar a sua produção de gás para atender aos contratos com o Brasil e Argentina, e ainda abastecer o seu mercado interno, justo em um momento de restrição de investimentos. Com o Brasil são 30 milhões de metros cúbicos diários, mais 7,7 milhões com a Argentina - que quer ampliar esse volume para 27 milhões de metros cúbicos por dia nos próximos três anos - além de atender ao seu mercado interno. Dos 35 milhões de metros cúbicos disponibilizados diariamente pela Bolívia, apenas 4 milhões são para consumo interno. O restante dos 31 milhões é exportado para o Brasil e para a Argentina, normalmente em quantidades insuficientes.
A primeira baixa no Brasil já foi sentida. A termelétrica de Cuiabá, com capacidade instalada para gerar 300 megawatts (MW) de potência, está sem receber o gás natural da Bolívia. A usina tem um gasoduto próprio que liga a térmica diretamente à Bolívia que não está sendo abastecido.
A própria Petrobras, maior empresa na Bolívia, vai congelar seus investimentos no país até 2012. Em seu plano de investimentos para 2008-2012, divulgado na semana passada, a empresa somente vai fazer investimentos de manutenção na Bolívia. Dos US$ 15 bilhões anunciados, 70% vai para exploração e produção, sendo que os Estados Unidos ficarão com 32% desse total, a maior fatia. A estabilidade do mercado do Golfo do México está atraindo a estatal, diferente do que ocorre na Bolívia.
"A Bolívia corre o risco de virar uma Argentina", disse Pires, ao traçar um cenário futuro para o mercado de gás na Bolívia, comparando com o atual da Argentina, que passou de produtor de gás a importador, por falta de investimentos. A partir de 2002 o preço do gás foi congelado na Argentina e as empresas pararam de investir, o consumo continuou crescendo e as reservas caíram.
O sócio da comercializadora Comerc, Marcelo Parodi, bate na mesma tecla. Ele disse que o Brasil corre risco de desabastecimento do gás vindo da Bolívia, porque o país vizinho sofre com a saída de pessoal especializado. Parodi aponta as restrições que o governo de Evo Morales está impondo a empresas transnacionais, como responsáveis por essa debandada, fator que pode reduzir a produção do país vizinho e impactar no fornecimento de gás para o Brasil. Ele ainda cita a pressão da Argentina como agravante. O vizinho do prata quer renegociar preços para garantir uma maior quantidade de gás. "O receio é a interrupção de nosso fornecimento no curto prazo". (Gazeta Mercantil)

sábado, 8 de setembro de 2007

Brasil pode importar mais gás boliviano

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse, em evento no Rio, que não está descartada a possibilidade de o Brasil vir a aumentar sua importação de gás natural da Bolívia, no longo prazo. Segundo ele, é praticamente certa a renovação do contrato com aquele país, que vence em 2019.Conforme Tolmasquim, o Brasil deverá importar em torno de 72 milhões de metros cúbicos de gás natural em 2030, sendo que 30 milhões serão provenientes da prorrogação do contrato com a Bolívia, além de outros 30 milhões de GNL. Os 12 milhões restantes ainda estão sem origem definida. "A questão política da Bolívia hoje é um problema conjuntural. Temos que pensar na questão no longo prazo. Eles têm gás. Nós precisamos de gás", disse Tolmasquim.O presidente da EPE, no entanto, ressaltou que apesar do esperado aumento do volume de gás importado, a dependência externa vai diminuir relativamente por conta da expansão da produção nacional. A previsão da EPE é de que, em 2030, a participação do gás importado será de 27%, ante os 52% atuais. Ainda segundo Tolmasquim, nessa mesma época a participação do gás na matriz energética deverá ser de 16%, ante os atuais 9%. (Agência Brasil)

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Bolívia pode pagar por refinarias da Petrobras

Bolívia paga primeira parcela por refinarias da Petrobras na 2ª. O governo da Bolívia realizará, na próxima segunda-feira, o primeiro pagamento pelas duas refinarias que recomprou da Petrobras, para tomar imediatamente o controle de ambas, confirmou hoje o vice-presidente do país, Álvaro García Linera. O compromisso equivalerá ao depósito de US$ 56 milhões, a metade do preço combinado entre a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) e a estatal brasileira no mês passado, pelas instalações localizadas nas cidades de Cochabamba e de Santa Cruz. García Linera disse que "é decisão do governo (boliviano) e da Petrobras concretizar a transferência das refinarias", em troca de US$ 112 milhões, no prazo estipulado entre ambos governos. Ele afirmou que o ministro de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, e o presidente-executivo da YPFB, Guillermo Arequipa, estão em Santa Cruz trabalhando na etapa final de elaboração do contrato com a estatal brasileira. O jornal La Prensa diz hoje que a Petrobras já transferiu legalmente, na última semana, as ações das duas instalações, com as quais o governo criará a empresa YPFB Refinación, após quase oito anos de gestão privada. "Na próxima segunda será colocada a sigla brilhante e nova da YPFB e os bolivianos estão muito contentes por isto", declarou o vice-presidente boliviano. As usinas de refino foram compradas como parte do processo de nacionalização dos hidrocarbonetos, iniciado no dia 1º de maio de 2006, e que obrigou uma dúzia de companhias a renegociarem novos contratos de operações na Bolívia. (Invertia)

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Bolívia não poderá usar gás para quitar dívida com Petrobras

A Bolívia não poderá pagar com gás pela compra das duas refinarias adquiridas da Petrobras. Apesar da possibilidade ter sido levantada na semana passada em Brasília, essa operação não é possível, porque o dinheiro que paga pelo gás importado tem destinação específica na Bolívia. Assim como no Brasil, mais de metade é destinada ao pagamento de royalties e participações - divididas para o governo, províncias e até universidades - e o restante vai para os produtores pagarem seus custos. O que sobra é dividido entre as petroleiras e a estatal YPFB. O pagamento terá que sair do caixa do governo, que vem tendo alta extraordinária das receitas desde maio do ano passado, quando aumentou os impostos sobre a produção de gás dos maiores campos da Bolívia, San Alberto e San Antonio. Os dois são operados pela Petrobras, que tem como sócias nos empreendimentos a Andina, controlada pela Repsol YPF, e pela francesa Total. Enquanto ainda discute como será feito o pagamento, os problemas enfrentados pela Petrobras na Bolívia não acabaram com a venda das refinarias. Sem alarde, o governo de Evo Morales está obrigando a estatal brasileira a vender 3 milhões de m³ de gás natural por dia para o mercado interno boliviano, que antes recebia 300 mil m³/dia da empresa brasileira. A medida, que atende à resolução 255 do Ministério de Hidrocarbonetos e Energia, contraria contrato que dá preferência para a estatal exportar seu gás para o Brasil, dentro do acordo de suprimento firmado pelos dois países, o GSA. Ao vender gás para o mercado interno da Bolívia - onde o preço é subsidiado entre US$ 1 a US$ 1,50 por m³ - ao invés de exportar para o Brasil, a Petrobras deixa de ganhar US$ 270 mil por dia. Ainda não é possível falar em perda, porque o Brasil consome cerca de 26 milhões de m³/dia, abaixo do contrato com o Brasil e da capacidade de transporte do Gasbol, que é de 30 milhões de m³/dia. "Enquanto o Brasil não chegar ao limite máximo de consumo, não tem problema. Mas já dissemos que, se o Brasil pedir mais, vamos mandar. Se não aceitarem, será quebra de contrato", explica o presidente da Petrobras Bolívia, José Fernando de Freitas. Deslocando a Petrobras, a Bolívia abre espaço para a Chaco e Andina aumentarem suas receitas. As duas têm participação da YPFB, que negocia a tomada de controle com os sócios majoritários. E essas negociações podem se alongar, já que a Bolívia não aceitar pagar prêmio de controle pelas empresas. Ainda dentro da estratégia para obter aumento de receitas do Estado, a Bolívia continua recebendo mensalmente US$ 32 milhões adicionais sobre a produção em San Alberto e San Antonio. A estatal brasileira e suas sócias entendem que essa cobrança só era devida até outubro do ano passado, quando foram assinados os novos contratos de produção. O ministério e a YPFB insistem que o imposto é devido até a data do registro em cartório desses contratos, que ocorreu no mês passado. Como o imposto deve ser pago com três meses de atraso, o pagamento referente a outubro foi feito em janeiro deste ano. O último, referente a abril, será pago no final de julho ou início de agosto. O pagamento dessa participação adicional levou a Petrobras a registrar no ano passado seu pior resultado na Bolívia, um lucro de US$ 27 milhões. Para pagar esse imposto a Petrobras desembolsou US$ 99 milhões. A empresa entrou com processo administrativo para questionar esses pagamentos e pretende recorrer até a instância superior para reaver o dinheiro. O presidente boliviano quer que o país deixe de ser sócio do Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos (Ciadi), órgão do Banco Mundial para resolução de controvérsias. Esse acordo vem sendo usado como abrigo para as empresas que já ameaçaram entrar com recurso contra a Bolívia nas negociações de retomada do controle das empresas pelo Estado. Ao comemorar a renacionalização das refinarias no sábado, Morales disse que pretende iniciar campanha "mundial" para acabar com o órgão. "Temos que erradicar o Ciadi, porque tribunais de arbitragem só permitem o saque dos nossos recursos." (Valor Econômico)

sábado, 12 de maio de 2007

A brasileira Braskem vai investir na petroquímica da Bolívia

A Braskem está disposta a investir US$ 1,5 bilhão na construção de três instalações petroquímicas na Bolívia, afirmou nesta quinta-feira o vice-presidente de Desenvolvimento de Projetos da petroquímica brasileira, Roberto Ramos. Segundo o executivo, as conversas com o governo boliviano neste sentido já foram iniciadas. Ramos indicou que a intenção de desenvolver megaprojetos na Bolívia, como os que vem desenvolvendo na Venezuela, foi comunicada ao ministro dos Hidrocarbonetos, Carlos Villegas. O executivo da Braskem, filial da brasileira Odebrecht, informou que existe a possibilidade de construir três unidades: duas de polietileno e uma de etileno, mas o lugar ainda não foi decidido. O projeto original, que data de 2000, menciona a zona fronteiriça de Puerto Suárez, no extremo leste da Bolívia, como região para a execução do megaprojeto, mas Ramos garantiu que o tema será parte da discussão. O ministério boliviano dos Hidrocarbonetos informou, por sua vez, que no prazo de um mês voltará a se reunir com a Braskem para dar continuidade às conversas iniciadas. As três instalações petroquímicas que a empresa construiria requerem "cerca de 5 milhões de metros cúbicos diários de gás", afirmou Ramos, destacando que os aspectos técnicos para viabilizar o projeto dependerão do grau de avanço do diálogo com o governo boliviano. A Braskem, uma das maiores empresas petroquímicas da América Latina, se associou à venezuelana Pequiven, filial da petrolífera PDVSA, para formar duas empresas petroquímicas (etileno e polipropileno) em Jose, no estado de Anzoátegui, a 300 km a leste de Caracas, onde se refina petróleo extra-pesado da Faixa do Orinoco. (Invertia)


Petrobras vende refinarias à Bolívia por USD 112 milhões

A Petrobras fechou ontem acordo com o governo boliviano para receber US$ 112 milhões pela totalidade das ações das refinarias que possuía na Bolívia, mas ainda negociava, na noite de ontem, a forma de pagamento, segundo revelou o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau. Segundo proposta da estatal, o pagamento pelas refinarias seria feito em duas parcelas iguais, uma delas quando for formalizado o contrato de venda, e a seguinte, dois meses depois. Mas, ontem, sequer estava definido se o pagamento será em dinheiro, como quer a Petrobras, ou sob a forma de gás para abastecimento do mercado brasileiro. "A questão de como pagar não é o mais importante; temos a garantia, que são 30 milhões de metros cúbicos de gás (fornecidos diariamente ao Brasil)", comentou o ministro, que negou ter havido exigência de pagamento à vista por parte da Petrobras e disse ser "possível" o pagamento em gás. Ele informou que, no preço contratado, estão incluídos os estoques de combustível produzido pela refinaria -
"ativos de trabalho líquido", no jargão contábil. Segundo cálculos informais da Petrobras, esses estoques somam cerca de US$ 40 milhões, o que reduz em mais de um terço o desembolso efetivo dos cofres bolivianos.
"Era o que a Petrobras queria desde o início", garantiu Rondeau. "As refinarias foram vendidas pelo valor de mercado, que é o fluxo de caixa descontado trazido ao valor presente; a capacidade da usina de gerar riqueza". Rondeau não foi claro, porém, ao explicar se o valor de mercado usado como referência para a venda já computou a forte depreciação nas receitas das instalações de refino provocadas pelo decreto do presidente boliviano, Evo Morales, que, na semana passada, confiscou os lucros com a venda de dois derivados importantes do petróleo refinado.
O decreto provocou a mais grave crise entre os dois governos, a ponto de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter dito a auxiliares que está farto com o comportamento "errático" de Morales, e ter ameaçado cancelar todos os acordos firmados nos últimos meses com a Bolívia.
Segundo valores citados oficiosamente durante a negociação, a Petrobras iniciou as conversas pedindo entre US$ 160 milhões e US$ 200 milhões como valor das refinarias, embora aceitasse manter até 30% das ações, durante a transição, por um período mais longo. O endurecimento do governo boliviano, que, de início, chegou a mencionar US$ 40 milhões como valor para as instalações de refino, fez desapropriada. Já no ano passado, executivos da empresa diziam que prefeririam retirar-se do negócio a permanecer como sócios minoritários.
A Petrobras, segundo Rondeau, comprometeu-se a assessorar a estatal boliviana YPFB "pelo tempo que for preciso" para que a empresa local, com experiência mínima no negócio, possa assumir as operações. "Não se pode sair todo mundo, após o pagamento e entregar a chave", argumentou o ministro. "Temos boa vontade, compromisso que a transição seja feita da melhor forma possível", comentou, ao afirmar que o sucesso na operação de refino é "muito importante" para a Bolívia.
Nos últimos dias, técnicos da Petrobras se mostravam céticos em relação a esse sucesso: uma das conseqüências da transferência de controle das operações será o forte aumento de custo nas cadeias de comercialização e no seguro das instalações, hoje a cargo da empresa brasileira, com grande conceito no mercado. Ainda não há prazo, segundo Rondeau, para que se complete a transição e a Petrobras se retire das operações.
"O acordo foi mais uma prova de que o diálogo prevaleceu", disse Rondeau. Ele negou os rumores de que Lula teria pressionado a Petrobras para apressar o acordo. "Desde o início, o presidente sempre apoiou a postura comercial da Petrobras", disse. "Lula não entrou na questão do preço".
A YPFB assumirá os ativos e todas as obrigações, inclusive dívidas que houver nas refinarias, afirmou o ministro. Ele não quis comentar as declarações de executivos da Petrobras, que afirmaram não haver mais condições de investimentos novos na Bolívia. "Não sei dizer como ficarão os investimentos; estamos fechando uma etapa, a das refinarias, e já havíamos fechado a da exploração e produção de hidrocarbonetos."
Embora as refinarias sejam fundamentais para o abastecimento de derivados de petróleo na Bolívia, elas representavam apenas 0,3% dos resultados da Petrobras, o que as tornava pouco relevantes para a estatal brasileira, argumenta Rondeau. (Valôr Econômico)

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Bolívia quer Petrobras como sócia minoritária

Mesmo após o decreto que retirou da Petrobras as fontes mais lucrativas de receita das refinarias da empresa na Bolívia, o governo boliviano tenta fazer com que a estatal brasileira permaneça como sócia minoritária das instalações de refino, expropriadas com a nacionalização determinada pelo presidente Evo Morales.
Ainda sem decisão sobre o preço a pagar pelas ações da Petrobras, o governo Morales constatou que a estatal brasileira pretende sair das refinarias e levar consigo o sistema de gestão usado para operá-las e os contratos que permitem a exportação de derivados, o que deve criar sérios problemas para o sistema de refino no país.
Ontem de manhã, em La Paz, ao receber a proposta definitiva de venda das refinarias, pelas quais a Petrobras quer um pagamento de US$ 112 milhões (bem menos que os US$ 160 milhões a US$ 200 milhões aventados inicialmente), o ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, chegou a sondar o presidente da estatal no país, José Fernando de Freitas, sobre a possível permanência da empresa como sócia minoritária, para operar as usinas. Freitas
negou a possibilidade.
Em um sinal do forte conteúdo político das negociações, Villegas informou à imprensa local que "nas próximas horas" a Petrobras receberá a resposta à proposta de venda das refinarias, em manifestação do próprio ministro, ou do presidente Evo Morales. Até ontem, a Bolívia admitia pagar apenas US$ 60 milhões pelas refinarias, que foram compradas em 1999 por cerca de US$ 104 milhões, e nas quais a Petrobras diz ter investido em torno de US$ 19 milhões.
O governo boliviano foi alertado pelos brasileiros sobre as dificuldades que a estatal boliviana terá para assumir as operações de refino e exportação que expropriou da Petrobras.
Por um decreto, Morales determinou, na segunda-feira, que fosse transferida à estatal YPFB a exportação de petróleo cru reconstituído, com a qual a Petrobras compensava os prejuízos com o tabelamento dos preços na venda de derivados ao mercado interno. A Petrobras argumenta que, com a proibição de exportar, caberá agora à YPFB criar canais de comercialização para o produto, que vem sendo estocado, e, logo, ocupará toda a capacidade de armazenagem das refinarias, o que pode provocar sua paralisação. Além disso, na avaliação da estatal brasileira, como as refinarias passaram a dar prejuízo após o decreto presidencial, elas correm risco de chegar, em poucos meses, a uma situação pré-falimentar.
A Petrobras tem prontos os documentos para iniciar um pedido de arbitragem internacional contra a Bolívia, caso perca as refinarias sem o pagamento que considera adequado. Nesse caso, continuaria operando as instalações, mas sem comprometer recursos da holding para garantir seu equilíbrio financeiro, e sem exportar os produtos nobres, que foram confiscados em favor da YPFB. Villegas, após se declarar "otimista" com a negociação, informou no fim da tarde o resultado das conversas com a estatal brasileira a Evo Morales. No início da noite de ontem, técnicos bolivianos preparavam a resposta a ser anunciada hoje.
Em Brasília, o governo negou rumores de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria exigido da Petrobras que aceitasse uma contra-oferta boliviana, de pagamento de US$ 110 milhões pelas refinarias. "O presidente está ocupado com a visita do papa Bento XVI e não tratou de assuntos da Bolívia", afirmou ao Valor o assessor internacional de Lula, Marco Aurélio Garcia. O próprio Lula declarou, no início da noite, ter se dedicado à visita do Papa. Bolívia é "da alçada da Petrobras", afirmou. Garcia afirmou que o governo brasileiro continuará com uma "política firme e
sóbria" em relação ao governo boliviano. "Se avançarem mais o sinal, serão eles quem perderão, não nós." "O Brasil não é refém do gás boliviano, mas a Bolívia é refém do mercado brasileiro", alertou Garcia, lembrando que, embora uma eventual interrupção no fornecimento de gás ao Brasil possa causar transtornos ao país, a Bolívia teria dificuldades ainda maiores, porque não tem alternativa de mercado para o gás - de cuja extração depende para obter também o petróleo que abastece o mercado interno. "Temos trunfos importantes, que nos dão segurança (na negociação da Petrobras)", disse Garcia. O assessor presidencial reafirmou, porém, o interesse na manutenção do governo de Morales na Bolívia. "Temos claro quais são os problemas lá, as transformações que ocorrem, as forças que governam o país", disse Garcia. "O governo de Evo é a possibilidade objetiva de estabilização na Bolívia, mais além dos comportamentos erráticos", argumentou, lembrando ter conhecido quatro presidentes do país nos
quatro anos em que assessora a Presidência da República. (Valor Econômico)

Bolívia quer Petrobras como sócia minoritária

Mesmo após o decreto que retirou da Petrobras as fontes mais lucrativas de receita das refinarias da empresa na Bolívia, o governo boliviano tenta fazer com que a estatal brasileira permaneça como sócia minoritária das instalações de refino, expropriadas com a nacionalização determinada pelo presidente Evo Morales.
Ainda sem decisão sobre o preço a pagar pelas ações da Petrobras, o governo Morales constatou que a estatal brasileira pretende sair das refinarias e levar consigo o sistema de gestão usado para operá-las e os contratos que permitem a exportação de derivados, o que deve criar sérios problemas para o sistema de refino no país.
Ontem de manhã, em La Paz, ao receber a proposta definitiva de venda das refinarias, pelas quais a Petrobras quer um pagamento de US$ 112 milhões (bem menos que os US$ 160 milhões a US$ 200 milhões aventados inicialmente), o ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, chegou a sondar o presidente da estatal no país, José Fernando de Freitas, sobre a possível permanência da empresa como sócia minoritária, para operar as usinas. Freitas
negou a possibilidade.
Em um sinal do forte conteúdo político das negociações, Villegas informou à imprensa local que "nas próximas horas" a Petrobras receberá a resposta à proposta de venda das refinarias, em manifestação do próprio ministro, ou do presidente Evo Morales. Até ontem, a Bolívia admitia pagar apenas US$ 60 milhões pelas refinarias, que foram compradas em 1999 por cerca de US$ 104 milhões, e nas quais a Petrobras diz ter investido em torno de US$ 19 milhões.
O governo boliviano foi alertado pelos brasileiros sobre as dificuldades que a estatal boliviana terá para assumir as operações de refino e exportação que expropriou da Petrobras.
Por um decreto, Morales determinou, na segunda-feira, que fosse transferida à estatal YPFB a exportação de petróleo cru reconstituído, com a qual a Petrobras compensava os prejuízos com o tabelamento dos preços na venda de derivados ao mercado interno. A Petrobras argumenta que, com a proibição de exportar, caberá agora à YPFB criar canais de comercialização para o produto, que vem sendo estocado, e, logo, ocupará toda a capacidade de armazenagem das refinarias, o que pode provocar sua paralisação. Além disso, na avaliação da estatal brasileira, como as refinarias passaram a dar prejuízo após o decreto presidencial, elas correm risco de chegar, em poucos meses, a uma situação pré-falimentar.
A Petrobras tem prontos os documentos para iniciar um pedido de arbitragem internacional contra a Bolívia, caso perca as refinarias sem o pagamento que considera adequado. Nesse caso, continuaria operando as instalações, mas sem comprometer recursos da holding para garantir seu equilíbrio financeiro, e sem exportar os produtos nobres, que foram confiscados em favor da YPFB. Villegas, após se declarar "otimista" com a negociação, informou no fim da tarde o resultado das conversas com a estatal brasileira a Evo Morales. No início da noite de ontem, técnicos bolivianos preparavam a resposta a ser anunciada hoje.
Em Brasília, o governo negou rumores de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria exigido da Petrobras que aceitasse uma contra-oferta boliviana, de pagamento de US$ 110 milhões pelas refinarias. "O presidente está ocupado com a visita do papa Bento XVI e não tratou de assuntos da Bolívia", afirmou ao Valor o assessor internacional de Lula, Marco Aurélio Garcia. O próprio Lula declarou, no início da noite, ter se dedicado à visita do Papa. Bolívia é "da alçada da Petrobras", afirmou. Garcia afirmou que o governo brasileiro continuará com uma "política firme e
sóbria" em relação ao governo boliviano. "Se avançarem mais o sinal, serão eles quem perderão, não nós." "O Brasil não é refém do gás boliviano, mas a Bolívia é refém do mercado brasileiro", alertou Garcia, lembrando que, embora uma eventual interrupção no fornecimento de gás ao Brasil possa causar transtornos ao país, a Bolívia teria dificuldades ainda maiores, porque não tem alternativa de mercado para o gás - de cuja extração depende para obter também o petróleo que abastece o mercado interno. "Temos trunfos importantes, que nos dão segurança (na negociação da Petrobras)", disse Garcia. O assessor presidencial reafirmou, porém, o interesse na manutenção do governo de Morales na Bolívia. "Temos claro quais são os problemas lá, as transformações que ocorrem, as forças que governam o país", disse Garcia. "O governo de Evo é a possibilidade objetiva de estabilização na Bolívia, mais além dos comportamentos erráticos", argumentou, lembrando ter conhecido quatro presidentes do país nos
quatro anos em que assessora a Presidência da República. (Valor Econômico)

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Petrobras faz nova proposta à Bolívia pelas refinarias

Publicada em 09/05/2007 às 19h29m O Globo, com Agências Internacionais

A Petrobras reduziu para US$ 112 milhões o preço das duas refinarias de sua propriedade em território boliviano, um desconto de 30% em relação ao valor inicial proposto pela estatal brasileira, que girava em torno de US$ 160 milhões. O presidente da Petrobras Bolívia, José
Fernando de Freitas, no entanto, não quis revelar detalhes da "oferta final" da estatal brasileira, apresentada na reunião realizada na manhã desta quarta-feira, em La Paz, com representantes do governo e da estatal petrolífera boliviana YPFB.
Diante de informações que os dois países haviam fechado um acordo em US$ 110 milhões, o Palárcio do Planalto e o ministro Silas Rondeau, das Minas e Energia , negaram que houvesse chegado a um solução final para o impasse. O país ainda aguarda a decisão da Bolívia.
A reunião entre a Petrobras e o governo boliviano terminou sem acordo. Foi o primeiro encontro entre representantes da empresa e autoridades do governo do presidente Evo Morales, após seu decreto sobre as duas refinarias da Petrobras, no território boliviano.
- Foi um encontro cordial, muito tranqüilo, onde detalhamos a proposta da Petrobras às autoridades bolivianas - disse o brasileiro José Fernando de Freitas, presidente da Petrobras Bolívia. - Agora vamos esperar a resposta do governo boliviano para continuar as negociações, acrescentou.
O prazo dado pelo presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, lembrou Freitas, vence nesta
quinta-feira. O governo boliviano deverá responder se aceita o preço pedido pela Petrobras pela
venda total das duas refinarias que comprou nos anos noventa.
No final da tarde desta quarta-feira, a assessoria de imprensa do Ministério de Minas e Energia
confirmou que o prazo de 48 horas dado pela Petrobras a estatal boliviana YPFB para se pronunciar sobre a proposta de venda das refinarias termina na quinta-feira, já que ela foi notificada na última terça-feira. A assessoria informou ainda que o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, não vai se pronunciar até que sejam concluídas as negociações entre as duas empresas.
Expropriação
Com apoio do presidente Lula, Gabrielli, o ministro brasileiro das Minas e Energia, Silas Rondeau, e o Itamaraty reagiram ao decreto de Morales, dizendo tratar-se de uma "expropriação" do fluxo de caixa das refinarias.
A previsão é de que o ministro boliviano de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, entregue a proposta da Petrobras ao presidente Morales no prazo.
A empresa brasileira, dona das duas das seis principais refinarias da Bolívia, teria reduzido sua oferta pelas duas unidades de refino, nas últimas horas.
Assessores do ministro Villegas afirmaram, logo após a reunião, que a "nova proposta" da Petrobras era esperada, assim como a Bolívia também deverá melhorar seu preço por esta compra (agora de 100% das duas refinarias) nas próximas horas.
Não se descarta que Morales aumente "levemente" a proposta de US$ 60 milhões, com o
argumento, para o público boliviano, de que as duas unidades são simbólicas na trajetória da
nacionalização dos hidrocarbonetos no país.
As duas refinarias – Gualberto Villaroel, em Cochabamba, e Guillermo Elder, em Santa Cruz –
levam nomes de defensores históricos deste processo.
Assessores de Morales recordaram, nesta quarta-feira, que ele é a favor do “diálogo” com o Brasil, como ele mesmo disse na véspera, mas que as refinarias são "muito importantes, em termos estratégicos" para fazer valer o decreto de nacionalização do petróleo e gás, assinado em maio do ano passado.
- Todos nós queremos preço justo pelas refinarias - disse um assessor de Morales, repetindo a
palavra "justo" usada pelo presidente Lula ao se referir a esta venda.
As refinarias, relativamente pequenas, possuem capacidade de processar 40 mil barris diários de petróleo, de acordo com a Petrobras, e foram compradas pela estatal no fim de 1999, por US$ 102 milhões.
Este foi o ápice de uma onda de privatizações que, na década passada, abriu as portas da indústria petrolífera boliviana a uma dezena de transnacionais. A recuperação das refinarias por meio de recompra foi estabelecida como um dos objetivos da nacionalização do setor, decretada em 1 de maio de 2006.
As refinarias são o menor negócio da Petrobras na Bolívia, onde a gigante brasileira realiza principalmente operações de produção e transporte para garantir o bombeamento diário de até 30 milhões de metros cúbicos de gás natural ao mercado brasileiro.

Petrobras dá ultimato à Bolívia

Plantão Publicada em 07/05/2007 às 18h26m GloboNews
RIO - O governo brasileiro decidiu vender 100% das duas refinarias da Petrobras ao governo boliviano, diante do decreto anunciado, neste domingo, que proíbe a estatal brasileira de exportar sua produção de gasolina e petróleo naquele país. Segundo o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, o governo brasileiro ficou sabendo pela imprensa , e apenas nesta segunda-feira, a decisão de o governo bolviano nacionalizar também a exportação dos produtos (gasolina e petróleo) de todas as empresas estrangeiras que atuam na Bolívia.
O presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, afirmou, por sua vez, que esta decisão significa uma expropiação do fluxo de caixa da Petrobras e, por causa dela, o governo brasileiro decidiu encaminhar, ainda nesta segunda-feira, uma proposta final ao governo da Bolívia para a venda das duas refinarias.
A Bolívia terá de dois a três dias para dizer se aceita ou não a oferta. Caso não haja acordo entre as partes, segundo Gabrielli, a empresa estatal brasileira vai recorrer a cortes internacionais ou à própria Justiça boliviana, já que esta decisão reduz enormemente o fluxo de caixa da Petrobras.
Sérgio Gabrielli disse ainda que a Petrobras pode cortar investimenos futuros na Bolívia diante desta decisão caso não se chegue a um acordo.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Acordo Brasil-Bolivia sobre preço de gás natural

Finalmente um acordo comercial e a garantia de gás para o futuro. A reunião entre representantes da YPFB e da Petrobras ontem começou às 15:00 e só terminou às 22:00hs. Longe do palco iluminado da "nacionalização boliviana", finalmente foram postos argumentos técnicos, economicos e comerciais sobre a mesa. Os respetivos Ministros das áreas de cada país acompanharam, sem interferir.
Resultado: uma solução de consenso, com defesa plenamente comercial, em favor de um futuro projeto de interesse bi-nacional e da manutenção das condições contratuais do gás suprido ao Brasil.
A solução surgiu a partir do projeto da Brasken para a construção de uma fábrica de eteno que se localizará na fronteira entre Brasil e Bolívia visando dar aproveitamento aos chamados LGNs (líquidos de gás natural - as chamadas "parcelas ricas" do gás que, se vendidas separadamente, garantem valoração maior do que a do metano (C1).
Desde o início das negociações, mesmo nos períodos mais histéricos do imbroglio Brasil-Bolívia, a Petrobras jamais deu sinal de permitir abrir o precedente de alterar a cláusula do contrato de suprimento principal (que alimenta o Gasbol em atuais 24MMm3/d). Fazer isso seria capitular em favor de argumentos meramente retóricos e políticos.
Paixões políticas e nacionalismos à parte, restava aos bolivianos um único argumento justo: o gás comercializado com o Brasil é rico em etano, butano, propano e gasolina natural - elementos não refletidos na cláusula relativa ao metano ('gás natural' propriamente dito). Ontem, finalmente, bolivianos e brasileiros, em reunião de caráter eminentemente técnico, aceitaram transformar em termos comerciais uma diferenciação de poder calorífico que vinha sendo "misturada" ao valor pago pelo gás boliviano.
Tendo em vista a intenção e o projeto (já com viabilidade econômica definida) da instalação de um pólo gás-químico na região fronteiriça (Bolívia-Brasil), o fato é que tais produtos nobres, enquanto não aproveitados ali, deverão seguir uma cláusula de preço diferenciada - tudo de acordo com a paridade com preços internacionais dos mesmo produtos.
Enquanto a planta não sai, a Petrobras utilizará estes componentes de maneira proporcionalmente nobre, agregando-lhes o devido valor. A partir da instalação da nova planta (produção de eteno, polipropilenos etc), tal pagamento corresponderá à compra de matéria prima para o pólo, é só restarão os pagamentos relativos ao gás natural (metano).
A solução de consenso atingida ontem garante não apenas que o projeto irá sair, como também assegura mais volumes de gás (metano) para o Brasil. Isso porque, como decorrência tecnicamente necessária para o cumprimento do acordo anunciado hoje, a Bolivia se comprometerá a aumentar os volumes máximos de suprimento via o mesmo Gasbol (que tem capacidade - com investimentos em compressão adicional e um loop na região PR-SC) de transportar até 34 MMm3/d (sem duplicação).
Além disso, diante da demora excessiva em levá-los à notarização em cartório, pairavam suspeitas de que os contratos de E&P revisados em outubro de 2006 pudessem voltar a ser objeto de "renegociação". A Petrobras aproveitou para também colocar a exigência de que finalize este processo de uma vez (com os contratos sendo oficializados até 15 de março). Também foi acertada a possibilidade da utilização de contratos de troca de gás (swap), por parte da Petrobras, para adequar sua disponibilidade de gás para exportação com as exigências do mercado interno Boliviano.
Mas o principal foi assegurar a aceitação definitiva da cláusula atual do contrato vintenal de suprimento de gás. Agora, acabou a discussão. O valor do gás é justo e a fórmula de reajustes trimestrais (que inclusive beneficiou muito a Bolivia no ano passado, dada a alta do petróleo) também.
(Blog Além do Petróleo, Jean Paul Prates, Globo on Line)