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segunda-feira, 30 de março de 2009

Governo moçambicano aprova Política e Estratégia Nacional de Biocombustíveis


O Governo moçambicano aprovou terça-feira a Política e Estratégia Nacional de Biocombustíveis, o mais importante instrumento para o lançamento da produção em grande escala desta actividade no país.

A estratégia aprovada em Conselho de Ministros “estabelece um quadro regulamentar para a produção de biocombustíveis pelos sectores público e privado, assente nos princípios da transparência, protecção ambiental e social”, disse o porta-voz do Governo moçambicano, Luís Covane.

O executivo moçambicano decidiu também criar o Conselho Nacional de Biocombustíveis, entidade que irá coordenar, supervisionar e avaliar as política e estratégia, que destacam a produção do etanol e biodisel, afirmou.

Este documento estabelece que a produção de biocombustíveis será feita em três etapas: a primeira fase piloto, já a decorrer, estender-se-á até ao ano 2015, seguindo-se o período operacional, que irá até 2020 e, posteriormente, a da expansão da cultura.“Este instrumento centra-se na promoção do etanol e do biodiesel produzidos a partir de matérias-primas agrícolas adequadas aos ambientes agro-climáticos variados no país”, disse Luís Covane, que é igualmente vice-ministro da Educação e Cultura de Moçambique.

O documento define as linhas gerais da política de biocombustíveis no país, nomeadamente a sua compatibilização com a produção de alimentos, bem como um mapa das terras aptas para o cultivo das culturas escolhidas (jatrofa, cana-de-açúcar, sorgo doce e girassol).“Para a produção de etanol, elegemos como culturas essenciais, a cana-de-açúcar e a mapira doce” (sorgo), enquanto “para biodiesel é a jatrofa e o coco”, acrescentou Luís Covane. (Fonte: Macauhub, 2009-03-25).

segunda-feira, 9 de março de 2009

Biodiesel: produtores pedem a ministério a exigência imediata do b5


A União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio) está reivindicando à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e biocombustíveis (ANP) e ao Ministério de Minas e Energia que a adição obrigatória de biodiesel ao diesel derivado de petróleo passe de 3% (B3) para 4% (B4) ou, até mesmo, para 5% (B5), imediatamente. A intenção é que a mudança já houvesse ocorrido antes do leilão realizado pela agência reguladora na última sexta-feira.

O argumento dos produtores de biodiesel é que as usinas estão com capacidade instalada ociosa. Pelas contas da Ubrabio, a demanda atual é de 1,3 bilhão de litros por ano, para uma capacidade de 3 bilhões de litros por ano.

Uma prova desse fato seria o resultado do leilão. Foram comercializados 315 milhões de litros, embora os produtores tivessem disponíveis 800 milhões de litros.

Para cada 1% de biodiesel adicionado ao diesel mineral, a demanda do mercado aumenta em 450 milhões de litros por ano, segundo os produtores.

Considerando os atuais 1,3 bilhão de litros por ano, com a adição de 5%, seriam comercializados anualmente 2,1 bilhões de litros, de acordo com a Ubrabio.O diretor-executivo da associação, Sérgio Beltrão, lança mão ainda de outro argumento de peso em um período de crise. "A medida ajudaria as usinas a gerar emprego. Qualquer alteração incrementa a atividade." Segundo ele, as dificuldades em adquirir insumo ou de logística de entrega às distribuidoras já foram solucionadas e não seriam empecilho. Beltrão defendeu que uma parcela da soja exportada in natura seja destinada à produção de biodiesel, pois,em sua opinião, somaria valor ao grão. As informações partem da Agência Leia (Fonte: Último Segundo, 2009-03-03).

quarta-feira, 4 de março de 2009

Leilão de biodiesel da ANP tem deságio de 8,72%


o 13o leilão de biodiesel do governo brasileiro, realizado na sexta-feira, atingiu deságio de 8,72 por cento e vendeu os 315 milhões de litros ofertados.

A Petrobras comprou 93,85 por cento do total e a refinaria Alberto Pasqualini, também da estatal, o restante.

O preço médio do litro do biocombustível ficou em 2,15 reais.

O volume negociado tem por objetivo atender à adição obrogratória de 3 por cento de biodiesel a todo diesel consumido no país.

Em novembro, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizou leilão de 330 milhões de litros de biodiesel com deságio médio de 0,59 por cento no primeiro lote (2,385,93 reais o litro) e de 0,41 por cento no segundo (2,390,18 reais o litro) (Fonte: Abril / Reuters, 2009-02-28).

Mudanças climáticas e impactos de gases de efeito estufa, associados à instabilidade de preços dos combustíveis fósseis, têm contribuído para uma maior consciência e atitude quanto às mudanças na matriz energética mundial para a energia renovável, oriunda de biomassa. A agroenergia, utilizando-se adequadamente da biodiversidade e da adaptabilidade territorial, deverá ofertar a matéria-prima base de todo um sistema produtivo em função de sua possível sustentabilidade.


O Brasil reúne vantagens comparativas naturais (terra, radiação solar, água, tecnologia de sistemas agrícolas tropicais, mão-de-obra) e necessita aprimorar suas vantagens comparativas construídas (inovações tecnológicas e arranjos produtivos sustentáveis) para sua competitividade e cooperação em energia de biomassa. Fundamentalmente, a oportunidade do Brasil concentra-se na sua capacidade de associar a experiência e os ganhos de excelência em agricultura tropical com a disponibilidade de radiação solar e outros recursos, bem como em favorecer a transformação da biomassa vegetal e animal em alimentos, energia, florestas e aproveitamento de resíduos (co-produtos).


Com os marcos referenciais recentes, a agroenergia no Brasil foca os principais desafios da produção agrícola e industrial de energia renovável, suportada pelos ganhos de inovações tecnológicas e arranjos produtivos sustentáveis, para a produção de etanol, biodiesel, florestas energéticas e resíduos/co-produtos.


O Brasil necessita consolidar o programa biodiesel em dez anos

Os desafios nacionais na área da produção de alimentos, biomassa energética e de florestas (fibras/papel/celulose) são focados em cinco dimensões: econômica, social, ambiental, inserção regional e globalização.

O Plano Nacional de Agroenergia (2006-2011) define quatro grandes plataformas de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I): etanol, biodiesel, florestas energéticas e resíduos/co-produtos.


O Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) está delineado para atender às demandas de curto, médio e longo prazos de metas definidas pela Lei 11.097/05 (Lei de Biodiesel, B2/B5), em consonância às orientações governamentais de produção de biomassa. A partir de julho de 2008, a obrigatoriedade de uso de biodiesel ao diesel é da mistura B3.

O programa de biodiesel necessita incorporar plenamente a dimensão energética (produção de energia renovável). Os próximos três anos serão definidores do futuro do programa do Brasil, e o biênio 2008/09 será especialmente decisivo para aspectos críticos como ordenamento e gestão territorial, matéria-prima, logísticas agrícola e industrial, arranjos produtivos locais/regionais e infraestrutura de produção/armazenagem/escoamento.

Para a produção de biodiesel há necessidade de vencer gargalos desafiadores, que se constituem em grandes oportunidades e riscos: desafios técnico-científicos (agronômicos e industriais), disponibilidade de matéria-prima, disponibilidade de insumos modernos para a agroenergia, resíduos e co-produtos nas cadeias produtivas, maquinaria e motores veiculares e estacionários, investimento e gestão, e mercado e logística.

Uma das áreas estratégicas para PD&I em biodiesel é a dos desafios técnico-científicos, os quais compreendem o desenvolvimento e produção de fontes de óleos e gorduras (vegetal e animal), novos fertilizantes e nutrientes para a agroenergia, domínio da rota de produção etílica, valorização de co-produtos e validação do uso em motores veiculares e estacionários.


Soja e mamona para bio-óleos e bioenergia do Brasil

Até 2010, a soja representará cerca de 80% da disponibilidade de matéria-prima vegetal para o atendimento de produção da mistura legal de biodiesel (2008: B2, 1 bilhão de litros; B3, 1,3 bilhão de litros). E cerca de 12% da logística da soja plantada no Brasil (safra 2007/08: 21 milhões de hectares plantados e um volume de produção de 58 milhões de t, com produtividade média de 2,8 t/ha de grão-18% de óleo) é suficiente para atender o B3.

É fato que o histórico dos dados da produção e uso de soja no Brasil mostram a alta participação (absoluta e relativa) da logística montada da soja para a produção de biodiesel. Temos adequado domínio tecnológico da soja (requerimento para incorporação de matéria-prima ao sistema produtivo) em uma vasta região do país (parâmetros: zoneamento agroclimático, sistemas de produção, materiais certificados – variedades melhoradas e adaptadas, infraestrutura de produção e comercialização de sementes, etc.).

As ações que se esperam focam os mecanismos e instrumentos do mercado (público e privado) que podem ser aplicados visando manter relações de oferta e demanda de produtos (grãos, farelo e óleo de soja) e preços relativos nos mercados nacional e internacional, a fim de fortalecer e consolidar o programa Biodiesel Brasil nos próximos dez anos. O biênio 2008/09 e os próximos 3-5 anos serão decisivos para esta estratégia obter êxito.

A mamona e também o dendê foram incluídos, com isenções fiscais, no PNPB, visando promover a inclusão social (via uso intensivo de mão-de-obra, especialmente em abundância em empreendimentos familiares) e o desenvolvimento regional (para as regiões Norte e Nordeste).


Na safra 2007/08, a mamona foi cultivada em 186 mil hectares, e obteve uma produção de 155 mil t de baga-grão (45% de óleo), com produtividade média de 834 kg/ha. A mamona apresenta peculiaridades de óleo que limitam seu uso como biodiesel. Entretanto, as normas vigentes possibilitam o uso em mistura ao diesel até o B30.

Por estas duas razões – logística e disponibilidade para a soja e bandeira social para a mamona –, as duas matérias-primas são colocadas em destaque para o programa nacional de desenvolvimento de produção e uso de biodiesel. Com o crescimento das metas legais para a produção de B5 (2013 em diante: 2,4 bilhões de litros) e atendimento ao Plano de Aceleração do Crescimento (PAC 2010: 3,3 bilhões de litros), é necessário domínio tecnológico de outras fontes de matéria-prima (oleaginosas convencionais e potenciais, e gorduras animais).

É fato que, correntemente, a disponibilidade de sementes oleaginosas e de matérias-primas animais (sebo e gorduras), sistemas de produção sustentáveis, eficiência de conversão e integração agrícola-industrial são temas de pauta de diferentes atores e agências (públicas e privadas).


As ações e as atividades de produção e de incorporação de inovações tecnológicas, no médio e longo prazos, são objeto de decisões presentes quanto à disponibilidade de matéria-prima. Esta estratégia visa domínio tecnológico de espécies potenciais de alto rendimento, que produzam mais de 2 mil kg de óleo por hectare, a exemplo de pinhão-manso e palmeiras oleíferas.

Nestas cadeias produtivas, a da soja, bem-estruturada nos últimos 30 anos, e a da mamona, ainda sem integração consolidada, o Brasil aprende a necessidade de horizontalizar e verticalizar processos agrícolas e industriais e integrar produtos e resíduos em cadeias produtivas associadas, de alto valor agregado, como as cadeias de produção de proteína animal. Produtividade, destoxificação das tortas, logística e preços de insumos e produtos constituem fatores componentes dessas cadeias e altamente influenciados pelos mercados nacional e internacional.



Palmas para o biodiesel

Há necessidade de estruturação de programas de produção econômica de biomassa em outros patamares de rendimento de óleo por hectare (por exemplo, incentivo à produção de palmeiras oleíferas, como dendê, macaúba, inajá, tucumã, babaçu, e de pinhão-manso) para efeitos no médio e longo prazos, visando consolidação e sustentabilidade do programa do biodiesel. O fato é que as espécies oleaginosas convencionais, sobre as quais temos domínio tecnológico, como soja, girassol, mamona, algodão, amendoim e canola, têm potencial de rendimento de 500 kg a 1,5 mil kg/ha de óleo, mas estão produzindo efetivamente entre 400 kg a 800 kg/ha de óleo.

Espécies das quais ainda não detemos domínio tecnológico e de alto rendimento, como pinhão-manso e palmeiras (macaúba, inajá, tucumã), têm potencial de rendimento de 2 mil a 5 mil kg de óleo por hectare. O dendê da espécie africana (Elaeis guineensis), ou seu híbrido com a espécie amazônica (E. guineensis x E. oleifera), têm alto potencial de rendimento de óleo. Entretanto, além da circunscrição de área cultivada no Brasil (bolsões nos estados do Pará, Amazonas e Bahia), somam apenas cerca de 80 mil hectares cultivados no Brasil.

Uma ação sugerida é a criação do Propalm – Programa de Incentivo à Produção de Palmeiras Oleíferas para a Produção de Biodiesel em Áreas Selecionadas do Brasil, incluindo um “Programa específico para o Plantio e Produção de Óleo de Dendê em regiões selecionadas da Amazônia e Bahia” e um “Programa de Extrativismo Sustentável e Domesticação de Palmeiras Oleíferas Nativas com potencial para plantios comerciais em regiões distintas do Brasil”.

Os dados atuais e as perspectivas futuras, de curto, médio e longo prazos, mostram objetivamente a necessidade de ampliação da estrutura e das ações de PD&I em espécies vegetais potenciais e a exploração racional extrativista de matérias-primas para a produção e uso de biodiesel, visando produtividade, sustentabilidade de sistemas, integração e desenvolvimento regional, e ampliação de emprego e renda. O fato é que o Brasil tem ampla capacidade de produzir com sustentabilidade e critérios de eficiência em três vertentes de agricultura: de alimentos, de biomassa energética e de florestas (fibras/papel/celulose), com recuperação de áreas degradadas e combinando áreas de proteção ambiental com preservação de biomas naturais (Amazônia, Pantanal, Caatinga, Cerrados, Mata Atlântica e Pampas) (Fonte: Brasil Energia, 2009-03-03).

terça-feira, 15 de abril de 2008

Petrobras e Galp estudam abertura de fábrica de biodiesel


A Petrobrás está a estudar a possibilidade de, em conjunto com a Galp, vir a abrir uma fábrica de biodisel em Portugal, disse hoje à Lusa responsável pela área internacional de biodisel da petrolífera brasileira.

Estamos a trabalhar com a Galp e está tudo muito adiantado«, disse à agência Lusa Fernando José Cunha, à margem do Colóquio «1808-2008 e o futuro das relações económicas Portugal/Brasil«, a decorrer em Lisboa.

Segundo o responsável, «a Petrobrás poderá ter uma contribuição muito significativa no âmbito das novas tecnologias dos biocombustíveis - etanol e biodisel«.

«A segunda geração de produção de biodisel poderá ser, certamente, muito importante para Portugal«, considerou Fernando Cunha, adiantando que o plano estratégico da Petrobrás contempla um investimento de 1,5 mil milhões de dólares entre 2008 e 2012 para expansão dos biocombustíveis.

A petrolífera brasileira possui o maior centro de investigação da América do Sul e, no final de 2009, prevê duplicá-lo em área, tornando-se assim num dos maiores do mundo.

A Petrobrás não é apenas um grupo que aposta na cadeia de petróleo e no gás, alargando a sua actividade aos biocombustíveis. A Petrobrás está actualmente presente em 27 países do mundo, é um grupo global e prevê investir nos próximos cinco anos 112 mil milhões de dólares (Fonte: Diario Digital, 2008-04-10).

segunda-feira, 31 de março de 2008

Angola necessita de matriz energética


Angola não possui ainda uma matriz energética nacional. Estima-se que 60 por cento da população angolana vive no meio rural, e encontra na utilização da lenha e do carvão vegetal a sua própria fonte energética.


O director nacional da Agricultura, Pecuária e Floresta, Domingos Nazaré, afirmou que o uso da lenha e carvão representa 56,8 por cento, seguido do petróleo com 41,7%, electricidade com 1,45% e o gás natural representa apenas 0,1 por cento.
Segundo disse, calcula-se que as necessidades anuais de lenha e carvão vegetal rondem os 6 milhões de metros cúbicos por ano, o que corresponde a aproximadamente 510 milhões de dólares. Por isso, defende que Angola deve promover gradualmente a substituição do consumo de lenha e do carvão vegetal por gás de origem vegetal.


Um estudo levado a cabo pelo Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Rural (MINADER) para a apresentação da estratégia dos biodiesel revela que as reservas de gás natural estão estimadas em cerca de 0,53 triliões de metros cúbicos, 85 por cento dos quais são actualmente queimados, o que pode provocar alguma anomalia no meio ambiente.

Domingos Nazaré disse que diversos países, principalmente aqueles capazes de produzir biocombustível com matéria-prima local, estão neste momento a dedicar-se à investigação e desenvolvimento de programas de produção e uso de biocombustíveis (etanol e biodiesel). A lista destes países é liderada pelos Estados Unidos, Canadá, Venezuela, Nigéria e mais vinte Estados europeus.

A produção de biodiesel começou no ano de 1993. Segundo dados da European Biodiesel Board, o consumo de diesel na Europa atingiu até 2005 a fasquia de 138 biliões de litros. E para a produção de 7,9 biliões de litros de biodiesel por ano precisa-se de 7 milhões de hectares para a produção de oleaginosas.


O biodiesel é combustível líquido derivado de biomassa renovável, que substitui total ou parcialmente o óleo diesel de petróleo em motores de ignição por compressão, automóveis e outros.


Entretanto, segundo a Agência Internacional de Energia Atómica, o consumo mundial de energia até 2030 deverá conhecer um crescimento de 71 por cento (Fonte: Angola Digital, 2008-03-28).

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Brasil ainda engatinha em biodiesel.

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que a empresa planeja auxiliar os produtores brasileiros de etanol a aumentarem o volume de exportações e a se concentrarem mais na fabricação de biodiesel. "Estamos na fase da infância de nossa indústria do biodiesel. Queremos ser produtores de biodiesel", afirmou Gabrielli, em Oslo, a um grupo de negócios composto por brasileiros e noruegueses.O executivo disse que a Petrobras destinou para o biodiesel US$ 1,5 bilhão de um orçamento de US$ 112 bilhões para investimentos a longo prazo. Gabrielli lembrou que a Petrobras não tem a intenção de competir com os mais de 300 produtores de etanol brasileiros, mas sim formar uma parceria para melhorar a infra-estrutura de transporte e construir dutos que levariam o produto aos portos. A Petrobras acredita que o Brasil, pioneiro no desenvolvimento de biocombustíveis por conta da grande indústria de cana-de-açúcar, poderia produzir dez vezes mais etanol até 2015 caso investisse em tecnologia agora.O presidente Lula, durante uma passagem pela cidade de Oslo por conta de uma viagem de uma semana pelos países nórdicos, afirmou que, com o apoio da Noruega, seria possível construir mais refinarias de biocombustíveis "não só no Brasil, mas possivelmente na Noruega ou em qualquer lugar do mundo".O ministro de Petróleo e Energia norueguês, Odd Roger Enoksen, disse que o acordo entre a Petrobras e a Statoil foi um passo importante para a cooperação entre os dois países. "A meta do governo é elevar o consumo de biocombustíveis na Noruega. (Jornal do Comércio)

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Brasil vai produzir 50% do biodiesel de Portugal

Das 600 mil toneladas de biodiesel que Portugal necessita por ano, metade será produzida no Brasil, anunciou nesta sexta-feira o presidente da energética lusa Galp Energia, Manuel Ferreira de Oliveira, após encontro em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva."É um projeto ambicioso que é bom para a Petrogal (subsidiária da Galp no Brasil) e para a Petrobras. Queremos produzir 300 mil toneladas de biodiesel com origem em oleaginosas brasileiras, o que corresponde a 50% das necessidades de Portugal no setor", afirmou Oliveira, que não divulgou valores da negociação.Os termos gerais da cooperação com a Petrobras nesta área, que deverão ser definidos ainda no primeiro semestre deste ano, serão anunciados no próximo dia 18, em Lisboa.Na ocasião, será assinado também um protocolo entre a Petrogal, a Petrobras, a Partex (empresa lusa com atuação no Brasil) e o governo português para pesquisa em águas profundas em território luso.A empresa brasileira é líder em tecnologia de produção em águas profundas (mais de 300 metros) e ultraprofundas (mais de dois mil metros). (Jornal da Mídia)

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Petrobras consolida biodiesel em 2007

Depois de ter lançado a campanha do biodiesel, há exatos 259 dias, em 17 de maio de 2006, a Petrobras Distribuidora já comercializa o produto em 3.867 postos de sua rede, localizados em mais de 1.200 municípios de todos os estados brasileiros. Até julho deste ano, todos os 6.800 postos ativos da Petrobras no País deverão oferecer o novo combustível, adicionado na proporção de 2% ao diesel comum. O biodiesel também já é fornecido para 2.525 grandes consumidores, entre transportadoras de carga e passageiros, indústrias, frotas de governo das três esferas (federal, estadual e municipal), termelétricas e ferrovias. Atualmente, a Petrobras Distribuidora recebe, armazena e distribui o biodiesel por intermédio de 48 bases e terminais localizados em todas as regiões do País. Até dezembro de 2007, o número de instalações da Companhia capacitadas para movimentar o produto deve chegar a 64. Nos últimos dois anos foram investidos cerca de R$ 20 milhões para adequar a estrutura logística e operacional da empresa ao novo combustível. "Este é o ano da consolidação do produto na BR. O biodiesel é uma realidade inserida na rotina da Companhia. Não há como voltar atrás. Nos últimos meses enfrentamos obstáculos com determinação e organização e saímos vitoriosos, nós da BR e, certamente, nossos consumidores. Foi um trabalho árduo, mas compensou plenamente, inclusive do ponto de vista comercial. O biodiesel é totalmente rentável", afirma Graça Foster, presidente da Petrobras Distribuidora. Além de ser um combustível renovável e menos poluente, o biodiesel, adicionado na proporção de 2% ao diesel comum, ajudará a diminuir a dependência do País do produto importado e ainda promoverá geração de emprego e renda para o agronegócio. (Jornal do Brasil)

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Os caminhos do biodiesel no Brasil

Projetos ligados ao biodiesel são anunciados a todo momento por empresas nacionais e internacionais. Espera-se que o Brasil, consumidor de 39 bilhões de litros de diesel e produtor de 53 milhões de toneladas de soja, se transforme em uma grande força no mercado mundial desse biocombustível.
Entretanto, nem todas as empresas serão bem-sucedidas. A partir de 2008, ou ainda em 2007, a mistura de 2% de biodiesel (B2) no diesel passará a ser obrigatória, chegando a 5% (B5) em 2013. Com o consumo atual de diesel, isso representa um mercado garantido de 0,8 bilhão de litros a partir de 2008, e de 2 bilhões de litros a partir de 2013.
Estes números deixam claro que, mesmo sem considerar o mercado externo, há muito espaço para projetos ligados ao biodiesel. Para estimular o mercado, a Petrobras realizou três leilões de biodiesel, nos quais comprou 840 milhões de litros, para recebimento em 2006 e 2007. Para entregar este volume com rentabilidade, algumas empresas terão que superar grandes desafios para obter capacidade de produção e gerir riscos.
Para 2006, foi anunciada uma capacidade produtiva de quase 1 bilhão de litros, enquanto o total anunciado para 2007 supera 2 bilhões de litros. Se todos os projetos forem implementados, existirão mais de 50 plantas em operação até o final de 2007 - hoje são menos de 10.
Existem importantes ganhos de escala para plantas com capacidade anual acima de 100 milhões de litros, mas grande parte dos projetos anunciados terá capacidade muito inferior.O principal insumo para a fabricação do biodiesel é o óleo vegetal e, atualmente, apenas o óleo de soja está disponível para produzir grandes quantidades desse combustível no país. Na safra 2005/06, o Brasil produziu 5,7 milhões de toneladas de óleo de soja, dos quais 2,6 milhões foram exportados como produto de baixo valor agregado.
Em 2007, este excedente já será quase totalmente absorvido na produção de biodiesel e, nesse cenário, o Brasil também deixará de importar 2,4 bilhões de litros de diesel/ano. Apesar da hegemonia da soja no curto prazo, qualquer oleaginosa pode ser usada para produzir biodiesel e algumas alternativas, como a mamona e o pinhão manso, estão recebendo muita atenção.
No médio e longo prazo, estas culturas alternativas podem ser até mais vantajosas que a soja, já que apresentam maior rendimento, são mais adequadas à agricultura familiar e não competem com aplicações para consumo humano. O óleo vegetal e o biodiesel têm lógicas de preço distintas, e esta falta de correlação entre os dois preços resulta em altos riscos. Esta situação, certamente, pode mudar, na medida em que o próprio desenvolvimento do mercado de biodiesel venha a criar uma correlação entre alguns destes preços. Com o preço do biodiesel próximo dos níveis praticados nos leilões, e o custo de óleo de soja a US$ 500onelada, o retorno anual é superior a 25%, o que é muito atrativo e explica o grande interesse pelo setor.
Entretanto, para ilustrar o risco do negócio, basta avaliar o impacto do custo do óleo de soja na rentabilidade. Mantendo o preço do biodiesel, mas comprando óleo de soja a US$ 600onelada, a rentabilidade do projeto fica próxima de zero. Não faz muito tempo que o óleo de soja FOB Paranaguá custava US$ 600-650onelada.
Os grandes operadores internacionais de grãos, como ADM, Bunge, Cargill e Dreyfuss, estão bem posicionados para competir no mercado de biodiesel. Além de terem acesso ao óleo vegetal, possuem grandes habilidades de gestão de riscos, como travamento de margens, e têm a filosofia e os recursos para operar em grande escala. Um exemplo é a planta anunciada pela ADM no Mato Grosso com capacidade de 200 milhões de litros/ano.
Outros possíveis vencedores no mercado de biodiesel incluem operadores nacionais de grãos, cooperativas e, ainda, grandes usuários de biodiesel, como operadoras de ferrovias, transportadoras e empresas de ônibus. Ainda não existe muita clareza com relação ao futuro papel da Petrobras neste setor.
Estamos no início do jogo. Apesar de ainda não sabermos quem vencerá, o fato é que haverá uma concentração do mercado e aqueles que tiverem escala, acesso privilegiado à matéria-prima e habilidades de gestão de riscos, terão maiores chances de êxito. (Gazeta Mercantil)