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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

BNDES cria área para empresas de petróleo e gás


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) começa a olhar com mais atenção a cadeia de petróleo e gás. Há cerca de um mês, o banco criou o Departamento da Cadeia Produtiva de Petróleo e Gás, dirigido por Caio Brito de Azevedo, que já começou a conversar com empresários do setor para poder alinhavar quais são as principais demandas.

De acordo com Azevedo, a previsão é de que ainda no primeiro trimestre de 2011 o banco tenha um plano montado para as empresas do setor. Segundo ele, 65% das empresas ligadas ao setor de petróleo e gás faturam até R$ 25 milhões por ano. E o banco terá de se adequar a esse perfil com linhas especiais de crédito. "São empresas que sofrem com o custo elevado do capital. Queremos ter questões como esta equacionadas e com um programa em condições de operar até março do ano que vem."

Azevedo foi um dos palestrantes do evento sobre os desafios do pré-sal no Instituto Fernand Braudel, em São Paulo, na noite de segunda-feira.

A consultoria Booz&Company apresentou um estudo encomendado pela Organização Nacional da Indústria de Petróleo (Onip) que aponta para a urgência de o Brasil investir na formação de mão de obra e na cadeia de fornecedores, principalmente, quando se leva em conta um horizonte até 2020.
Neste ano, a previsão é que a atividade de petróleo e gás no País receba entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões. No acumulado até 2020, a estimativa é que se chegue a US$ 400 bilhões.

Segundo Rodrigo Sousa, coordenador do levantamento da Booz&Company, apesar da exploração do pré-sal só começar de fato daqui a dez anos, os desafios já existem. Sem planejamento, aponta o estudo, a indústria brasileira ligada à atividade de exploração de gás e petróleo não terá condições de competir.

O estudo aponta para a necessidade de coordenação do governo para que a indústria nacional consiga ganhar escala. "Só assim para não depender no futuro da ajuda externa", pondera Sousa.
Prova de que a indústria nacional não tem escala e não é globalizada está no fato de apenas uma em cada quatro empresas exportar a produção. E, para metade das exportadoras, os pedidos internacionais representam menos de 5% do faturamento. O principal destino é a América do Sul, com 50% das encomendas.
O setor de offshore é responsável por cerca de 400 mil empregos, entre diretos e indiretos. Apesar da alta empregabilidade, a falta de mão de obra especializada é uma ameaça.

(Fonte: Estadão / O Estado de S. Paulo, 2010-09-29).

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Petrobras estima ter 12 sondas até o final de 2010 para o pré-sal


O diretor financeiro e de Relações com Investidores da Petrobras, Almir Barbassa, reafirmou ontem a intenção da estatal de continuar a investir de forma intensiva em exploração e produção de petróleo e gás mesmo depois da queda de 20% do lucro da empresa no primeiro semestre de 2009, comparado a 2008. Para isso a companhia espera receber mais duas sondas ainda este ano para aumentar a atividade na área do pré-sal na Bacia de Santos, e outras 6 no ano de 2010. Com isso, somariam 12 unidades. Além disso, o executivo explicou que a empresa está licitando mais oito cascos de navios-plataformas (FPSO, na sigla em inglês) para operar na região.

Esses investimentos estão sendo suportados pela geração de caixa da empresa e pela captação de recursos que tem encontrado no Brasil e no exterior. De acordo com o balanço da empresa sobre o desempenho no primeiro semestre, além do empréstimo de US$ 13,3 bi do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a empresa fechou acordos com o China Development Bank, no valor de US$ 10 bi e com o US EximBank no valor de US$ 2 bi. Ainda no primeiro semestre a Petrobras obteve empréstimo ponte de US$ 6,5 bi para serem trocados por emissões de títulos.


Segundo Barbassa, com esses investimentos, a meta da empresa é chegar ao fim de 2010 com uma produção de 2,25 milhões de barris no Brasil. "Essa é uma meta desafiadora", reconheceu ele. Para a corretora Geração Futuro, esse alvo é considerado agressivo e não descarta nem mesmo o não-cumprimento desse objetivo.


Durante a apresentação dos resultados da companhia a analistas de mercado e investidores, no Rio de Janeiro, Barbassa admitiu que se a empresa mantiver o ritmo dos investimentos do primeiro semestre é bem possível que o orçamento de 2009, de cerca de R$ 60 bi, possa ser revisado para cima. Até junho, a Petrobras já havia empregado R$ 32,5 bi, pouco mais de 53% do total para o ano. A aplicação dessa parcela do orçamento da empresa foi atribuída à disponibilidade e preços mais em conta dos equipamentos, fato não previsto no mercado, resultado da retração da demanda mundial na indústria do petróleo que chegou a frear a atividade de empresas mais fortemente que da brasileira. "Se analisarmos a queda de 20% de nosso lucro no segundo trimestre de 2009 ante 2008, e olharmos o exterior, veremos que estamos bem melhor, pois há casos de companhias que caíram de 70% a 80% na mesma base de comparação", exemplificou ele.

A Petrobras reafirmou ontem a intenção de continuar a investir em exploração e produção. Para isso espera receber mais duas sondas ainda este ano e 6 no ano de 2010. Com isso, se somariam 12 unidades (Fonte: DCI, 2009-08-19).

quinta-feira, 30 de julho de 2009

BNDES e Petrobras trabalham em parceria para fortalecer cadeia produtiva do petróleo


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está trabalhando em parceria com a Petrobras para fortalecer a cadeia produtiva de petróleo e gás no país, informou nesta quinta-feira o presidente do banco, Luciano Coutinho.


- Nós estamos apoiando a construção de estaleiros, apoiando diretamente, ou via Fundo de Marinha Mercante, a construção de embarcações no Brasil. Tudo isso está crescendo.


Coutinho disse que o BNDES está trabalhando também em conjunto com o setor de bens de capital e serviços de engenharia com o mesmo objetivo.

- A gente sabe que o Brasil não pode apenas ambicionar ser uma economia petroleira que importa tudo, como é a maioria dos casos das economias petroleiras. O Brasil tem uma base manufatureira, uma base de serviços e de competência em engenharia que lhe permitem, além de ser um grande produtor de petróleo, também ser um grande exportador de serviços e equipamentos para a cadeia produtiva do petróleo - afirmou.


Coutinho afirmou que esse trabalho terá um efeito dinamizador sobre a estrutura manufatureira do país.


- E nós temos que nos empenhar muito nisso. É um processo que realimenta a economia e cria novas oportunidades - concluiu (Fonte: O Globo - Globo / Agência Brasl, 2009-07-09).

segunda-feira, 29 de junho de 2009

BNDES: Pré-sal terá R$ 269 bilhões de investimentos até 2012

Empenhado em fazer jorrar mais do que petróleo dos campos do pré-sal, o governo decidiu que o país terá uma nova política industrial com a exploração dessa riqueza, envolvendo 18 setores da cadeia produtiva de óleo e gás, revela reportagem de Gustavo Paul publicada na edição deste domingo do jornal O Globo. A meta é tornar realidade - e até aumentar - as previsões de investimentos e geração de empregos desenhadas com as descobertas.

Projeções do BNDES apontam que apenas os aportes diretamente nas atividades de exploração e produção chegarão a R$ 269,7 bilhões até 2012, incluindo Petrobras e empresas privadas. Com uma média de R$ 67,4 bilhões ao ano, os recursos deverão gerar, segundo a estatal, um milhão de vagas, diretas e indiretas, em empresas prestadoras de serviços até 2013.

O grupo interministerial que estuda o marco regulatório do pré-sal deverá anunciar, junto com o projeto das novas regras do setor, diretrizes para a contratação de empresas e fornecedores, para aumentar o conteúdo nacional nessa cadeia. O trabalho começou em julho do ano passado e tem como pano de fundo 18 setores industriais ligados diretamente ao setor. Ainda não existem números tabulados sobre os investimentos nessas áreas, mas um estudo encomendado pelo Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural, ligado à Petrobras, traçou as características e os desafios de cada segmento (Fonte: O Globo - Globo, 2009-06-20).

domingo, 31 de maio de 2009

Lula e Chávez se reúnem em meio a impasses


O presidente venezuelano, Hugo Chávez, estará hoje em Salvador para outro de seus encontros trimestrais com o colega Luiz Inácio Lula da Silva. A ampliação de linhas de financiamento do BNDES à Venezuela será a novidade em meio a antigos impasses da agenda bilateral, como a entrada da Venezuela no Mercosul e a parceria entre Petrobras e PDVSA na refinaria de Pernambuco.


Com problemas de caixa por causa do baixo preço do petróleo, a Venezuela quer financiamento do BNDES para obras já em andamento tocadas por empresas brasileiras. A negociação mais avançada envolve o empréstimo de US$ 732 milhões para o metrô de Caracas, sob responsabilidade da Odebrecht. Para garantia dos eventuais empréstimos, Chávez oferece suas reservas de petróleo como uma das alternativas.


O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, afirmou ontem que o Brasil não teria problema em aceitar petróleo como garantia. Segundo ele, o Brasil já opera sistema similar com Angola "há anos".


Segundo Garcia, os presidentes também discutirão em Salvador o imbróglio envolvendo a refinaria Abreu e Lima (PE). O negócio previa 40% de participação da PDVSA, mas isso até hoje não se concretizou (Fonte: O Globo - Globo / Folha de S. Paulo, 2009-05-26).

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Indústria ligada a setor de petróleo precisa investir US$ 5 bilhões


O diretor de Planejamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), João Carlos Ferraz, afirmou que a indústria nacional de bens e serviços para o setor de petróleo e gás precisará de investimentos de US$ 5 bilhões até 2011 para fazer frente à expansão esperada do setor.


Ferraz afirmou que a demanda aumentará em todos os segmentos da indústria fornecedora, principalmente nas atividades mais ligadas à exploração de petróleo em águas profundas, como tubos e equipamentos de automação.


O diretor afirmou que a crise financeira não teve efeitos sobre este setor no Brasil. "Dado o cenário de baixo crescimento da economia esta é uma ilha na qual deveríamos concentrar muita atenção como sustentáculo do crescimento", afirmou Ferraz, que participou do 21º Fórum Nacional promovido pelo Instituto Nacional Altos Estudos.


Ferraz afirmou que o Brasil representa entre 20% e 25% da demanda mundial prevista para o setor de petróleo nos próximos anos e exemplificou a necessidade de crescimento na capacidade dos estaleiros nacionais para atender às demandas da Petrobras.


Segundo ele, os estaleiros nacionais precisam resolver problemas logísticos que não existem em seus pares sul-coreanos. O diretor ressaltou que a área de todos os estaleiros brasileiros corresponde a 3,5 milhões de metros quadrados, o que equivale, a apenas um estaleiro sul-coreano.


A despeito da diferença de escala, Ferraz destacou que os investimentos que serão feitos pela Petrobras impressionam. Segundo ele, a apresentação dos investimentos da estatal para empresários sul-coreanos provocou alterações nas cotações das ações nos estaleiros asiáticos, tal a grandeza da demanda da companhia brasileira para os próximos anos. "Nunca estivemos tão bem na foto como estamos agora", afirmou (Fonte: O Globo - Globo / Valor Online, 2009-05-20).

Petrobras define crédito de US$ 10 bi com banco chinês


A Petrobras e o Banco de Desenvolvimento da China (BDC) assinaram ontem o contrato de financiamento de US$ 10 bilhões que serão utilizados no programa de investimentos da estatal brasileira. Segundo maior empréstimo individual obtido pela companhia, a operação eleva a captação de recursos nos primeiros cinco meses de 2009 a US$ 30 bilhões, um valor recorde, três vezes maior do que o registrado no ano de 2008. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou que os US$ 30 bilhões suprem as necessidades de financiamento da companhia pelos próximos dois anos. Além dos US$ 10 bilhões do BDC, a estatal obteve US$ 12 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), US$ 6,5 bilhões com um sindicato de bancos e US$ 2 bilhões com o Eximbank.


Segundo Gabrielli, a taxa de juros cobrada pelos chineses está abaixo dos cerca de 6,5% a 7% incidentes nas captações da companhia de prazo semelhante ao do empréstimos do BDC, que será pago em dez anos. O menor custo decorre do fato de que o empréstimo tem como garantia a receita da venda de petróleo da estatal brasileira para a chinesa Sinopec, também fechado ontem, com prazo idêntico.


A Petrobras fornecerá 150 mil barris de petróleo por dia neste ano e 200 mil barris/dia a partir de 2010, quantia que será mantida por nove anos. Isso significa que o financiamento não será pago por meio da entrega de petróleo, como se esperava inicialmente, mas está vinculado à venda do produto durante a vigência do contrato.


Com essas quantias, a Petrobras vai mais que triplicar o volume de exportações para a China, hoje em 60 mil barris/dia. As negociações para os dois acordos tiveram início em novembro de 2008. Os detalhes finais foram definidos em reunião que começou na manhã de segunda-feira e só terminaram às 6h30 de ontem, a tempo de os contratos serem assinados na presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hu Jintao.


A cerimônia ocorreu no Grande Palácio do Povo, em Pequim, depois de reunião de trabalho entre os dois presidentes e ministros. No total, foram assinados 13 documentos, entre os quais acordos de cooperação em diversas áreas.


Gabrielli afirmou que o contrato não está condicionado à compra de máquinas e equipamentos da China. Ainda assim, a empresa deverá realizar operações desse tipo. Segundo ele, várias fabricantes chinesas de máquinas e equipamentos manifestaram interesse de instalar plantas no Brasil para suprir a demanda da estatal, que poderia usar parte do financiamento para pagá-las.


Além da Petrobras, o BDC dará linha de crédito de US$ 800 milhões ao BNDES e de US$ 100 milhões ao Itaú BBA. Os dois bancos atuarão como agentes repassadores dos recursos a empresas brasileiras, com prioridade a projetos relacionados de alguma forma à China.


O BDC também fechou acordo com o Banco do Brasil (BB), que permitirá à instituição brasileira repassar recursos do banco chinês a clientes que tenham negócios com o país asiático. Segundo o gerente regional do BB na Ásia, Admilson Monteiro Garcia, as operações devem beneficiar importadores de produtos da China, mas não está descartada a concessão de crédito para a exportação e realização de investimentos (Fonte: Ultimo Segundo - IG/Agencia Estado, 2009-05-20).

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Mesmo com crise, Petrobras faz apostas ambiciosas, diz 'Economist'

Apesar da crise econômica e da queda no preço do petróleo, a Petrobras continua anunciando investimentos recordes e apostando em objetivos "ambiciosos", diz a revista britânica The Economist, na edição que chegou às bancas nesta sexta-feira.

Intitulado "Pluging In" (uma expressão que tanto pode significar algo como "cavando fundo" ou "apostando alto", em tradução livre), o artigo cita o anúncio de investimentos da ordem de US$ 174 bilhões em cinco anos anunciado no mês passado pela estatal brasileira. "Em um momento em que os gráficos mostram grandes declives que ameaçam empregos e as vendas de veículos, a ousadia da Petrobras pode ser um alívio para os brasileiros", diz a publicação, citando as projeções de produção de barris petróleo e de investimentos em refinarias anunciados pela empresa.

A revista também cita as descobertas das reservas na camada pré-sal, em 2007, "que deixaram os políticos intoxicados com a perspectiva de grandes riquezas" e fizeram com que o governo Lula propusesse a criação de um fundo soberano e a mudança no regime de exploração do combustível nestas áreas.



Ambição

Segundo a publicação, mesmo com a grande queda registrada nos preços do petróleo e a notícia de que a camada pré-sal dificilmente poderá ser explorada antes de 2013 por causa de dificuldades técnicas, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, continua "destemido". "Nós temos a tecnologia, o acesso às reservas e achamos que podemos financiá-la. Por que não?", disse Gabrielli à publicação.

A Economist ainda enumera todos os planos da Petrobras para financiar a exploração das reservas, que vão desde financiamento com o BNDES até empréstimos que "são um voto de confiança de um mercado financeiro hesitante". "O presidente da Petrobras insiste que os investimentos na camada pré-sal podem se pagar mesmo com o petróleo na faixa dos US$ 45."
"Com tantas companhias de petróleo cortando investimentos e produção, o preço do petróleo pode estar bem mais alto na época em que o combustível começar a sair do oceano (em 2013). Esta, pelo menos, é a aposta razoável por trás de um plano ambicioso", diz a revista.
Mesmo assim, muitos brasileiros, segundo a Economist, levantaram suspeitas de que "o plano de investimentos foi inflado para agradar políticos que estão no Conselho (de Administração) da Petrobras, presidido por Dilma Rousseff, apontada pelo presidente Lula como seu candidato favorito para as próximas eleições presidenciais" (Fonte: BBC Brasil, 2009-02-03).

Governo brasileiro aposta em petróleo e gás


O peso do setor de petróleo e gás na economia brasileira nos próximos anos pode crescer com os investimentos de US$ 174,4 bilhões previstos pela Petrobrás até 2013 e o empenho do governo durante a crise em garantir crédito para viabilizá-los.


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) garante cerca de R$ 50 bilhões em 2009 e 2010 para a Petrobrás, se a empresa precisar, mas o presidente da instituição financeira, Luciano Coutinho, torce para que não seja necessário usar tudo isso. O presidente do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Luiz Guilherme Schymura, diz que não é contra o crédito do BNDES à Petrobrás, mas observou que a taxa de investimento brasileira é limitada. "Não vejo como possa ficar acima de 18% do PIB este ano. O cobertor é curto. Se começar a aportar mais recursos para o petróleo, vai faltar para outros setores." (Fonte: Último Segundo - IG, 2009-02-13).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Um plano ousado e estratégico


Os US$ 174,4 bilhões em investimentos que a Petrobras anunciou com seu Plano de Negócios 2009-2013 devem, na verdade, virar US$ 150 bilhões. A redução de cerca de 15% do valor – que, se confirmado, ainda será 33,5% maior que os US$ 112,4 bilhões do plano 2008-2012 – reflete os novos paradigmas que a petroleira traçou para o futuro com base no cenário global atual e nas possibilidades reais de diminuir custos. É o advento de uma nova forma de contratar os projetos previstos em carteira para os próximos cinco anos, com maior detalhamento e uniformização e menores pacotes de equipamentos e serviços. Assim, diversificando fornecedores, espera-se maior competição e, por consequência, menores preços.


Essa meta do ousado plano, que surpreendeu um mercado abalado pela crise econômica, é apenas um dos desafios que surgem para a petroleira brasileira nos próximos cinco anos. Outro deles, que também vai na contramão do cenário atual, diz respeito a seu nível de endividamento. Com a maior parte dos cofres mundo afora fechados e com os (poucos) abertos cobrando muito para liberar recursos, a Petrobras projeta aumentar sua alavancagem de 20%, como traçado no PN 2008-2012, para até 32,4%, chegando a 2013 a 25,5%. Uma sandice, diriam analistas, não fosse o fato de, pelo menos nos próximos dois anos – considerados o “período negro” da crise global –, o governo, via BNDES, garantir boa parte desse quinhão de dívidas. Serão US$ 12,5 bilhões este ano e US$ 10 bilhões em 2010.


O próximo ano, aliás, segundo o detalhamento do PN 2009-2013 apresentado a investidores, deverá ser chave para a petroleira reduzir investimentos e captações com a nova forma de negociar contratos. Tanto é assim que, nas projeções de captação de recursos no mercado em 2010 – um total de US$ 8,9 bilhões –, a Petrobras calcula que a diminuição do valor a ser investido vai derrubar para menos de US$ 4 bilhões a necessidade de captar de fontes além-BNDES. Ou seja, menos de 50% do valor projetado. “Não vamos legitimar os preços atuais”, frisou o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, durante a divulgação do plano para a imprensa. Nem que para isso, segundo o mesmo Gabrielli, a companhia tenha de ir para o exterior contratar, apesar de seu papel de vetor de crescimento da indústria nacional do petróleo.


De fato, se considerada a evolução do Capex entre os planos 2008-2012 e 2009-2013, é fácil verificar onde a Petrobras quer ganhar. O plano atual engloba US$ 111,2 bilhões incluídos no plano anterior e mais US$ 47,9 bilhões em investimentos em novos projetos. Há ainda outros US$ 8,1 bilhões que levam em conta mudanças em modelos de negócios e alterações de cronograma. Sobra então uma fatia formada por aumento de custos, mudança no escopo de projetos e taxa de câmbio, de US$ 23,4 bilhões. É esse valor que a companhia quer economizar.



Investimentos com critério


O PN 2009-2013 prova que a crise não intimidou a Petrobras em relação ao que ela almeja para o futuro: estar entre as maiores companhias de energia do planeta. Por isso está tudo lá no plano: quase US$ 105 bilhões em investimentos em E&P – dos quais US$ 28,9 bilhões no pré-sal – para que a produção total atinja 3,655 milhões de barris de óleo equivalente (BOE)/dia em 2013; aplicação de recursos no Comperj, na Refinaria do Nordeste (RNEST), em revamps em várias plantas e até mesmo nas Premium I e II para que a empresa se torne exportadora de derivados para a Bacia do Atlântico e o Oriente Médio e faça o Brasil ser autossuficiente em óleo diesel ainda este ano; investimento quase em dobro em Gás e Energia para garantir a instalação de mais dois terminais de GNL, a fim de exportar gás – situação impensável em um país que recentemente teve problemas de suprimento; e recursos garantidos na área de biocombustíveis, tanto para aumentar a produção de etanol (principalmente) e biodiesel aqui e no exterior como para criar infraestrutura de escoamento e exportação.


Toda essa ousadia da Petrobras, porém, tem seu pé na realidade. Não à toa a apresentação da petroleira para investidores lembra que quase metade dos projetos incluídos no plano ainda não foi aprovado e contratado pela Petrobras. Portanto, logo depois a companhia reitera que “apenas projetos com VPL (valor presente líquido) positivo e competitivo serão de fato aprovados e implementados. Prova de que as contas, por mais exuberantes que pareçam a princípio, continuarão sendo feitas continuamente no edifício-sede (Fonte: Brasil Energia, 2009-02-03).

terça-feira, 1 de julho de 2008

BNDES defende novas regras para o petróleo


O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, defendeu ontem mudanças no marco regulatório do setor de petróleo no País, principalmente após a disparada do preço da commodity no mercado internacional e a descoberta de novos campos no Brasil. “É necessária uma mudança de regras, essa é uma questão que precisa ser discutida”, disse durante visita aos estúdios da Rede Eldorado de Rádio, em São Paulo.

Segundo Coutinho, quando o marco regulatório atual foi elaborado, o preço do petróleo no mercado internacional estava em US$ 9 o barril e o desconhecimento das plataformas de produção brasileira era muito grande. “O cenário era diferente.” Para ele, com o que se sabe hoje sobre o potencial de petróleo no solo oceânico brasileiro, reduziram-se as incertezas. “O alto risco para exploração não é mais verdadeiro”, considerou.

O presidente do BNDES ressaltou, no entanto, que essas mudanças de regras não devem atropelar os contratos já existentes e as rodadas já licitadas, a fim de não criar incertezas para novos investimentos. Ele enfatizou, porém, que é preciso agir “em alguns meses”.

Coutinho acredita que a cotação atual da commodity - bem como expectativas de que o preço do barril poderá chegar a US$ 150 - está inflada, mas ressaltou que, mesmo com uma correção nos próximos anos, a commodity seguirá cara, sendo, portanto, ainda remuneradora da exploração nessas áreas profundas. “Há um cenário novo, e é preciso pensar em regras adequadas.”

Além disso, segundo ele, há prognósticos de que a produção no País possa ser feita em larga escala. “Em potencial, em alguns anos (o País) poderá se transformar em um grande exportador.” Por esse motivo, a alegação de Coutinho é de que é importante pensar na criação de um fundo baseado nessa riqueza, que deve servir ao desenvolvimento de todo o Brasil, e não apenas dos Estados beneficiados pelos royalties da exploração do petróleo. O presidente do BNDES disse ainda que a descoberta de Tupi é um desafio especial para o banco na obtenção de recursos para financiamento. “O volume de investimentos necessários ao desenvolvimento de novos campos ao arredores de Tupi é tão elevado que será um desafio especial montar o funding para apoiar a Petrobrás.” Ele salientou que a empresa tem crédito e consegue se apoiar também no mercado internacional. “Do que ela precisar do BNDES, o BNDES será um dos seus financiadores, mas teremos de fazer um esforço especial.”

Segundo Coutinho, o volume de recursos para a empresa nos próximos seis anos é de cerca de US$ 90 bilhões (Fonte: O Estado de São Paulo, 2008-06-10).