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sexta-feira, 13 de junho de 2008

Moçambique: Carvão reforça estatuto de potência energética regional


Os projectos de exploração de carvão multiplicaram-se nos últimos meses em Moçambique, promovidos sobretudo por transnacionais e empresas indianas, permitindo ao país exportador de electricidade reforçar o estatuto de potência energética regional.


Abdul Kamara, especialista energético do Banco de Desenvolvimento Africano, previa na semana passada que o investimento na exploração das extensas reservas carboníferas moçambicanas e projectos energéticos relacionados ascenda a 30 mil milhões de dólares na próxima década. “Espera-se que Moçambique se torne o segundo maior produtor africano de carvão (depois da África do Sul) com o desenvolvimento do projecto de Moatize, em 2010”, afirmou Kamara, citado pela Reuters.


O governo de Moçambique entregou oficialmente à brasileira Vale por 25 anos os direitos de exploração de carvão na mina de Moatize em Julho de 2007. Com reservas estimadas em 2,5 mil milhões de toneladas, a mina deverá começar a produzir no primeiro trimestre de 2011, após um investimento de 1.398 milhões de dólares. A Vale pretende extrair 11 milhões de toneladas de carvão por ano, sendo 8,5 milhões de toneladas de coque para a indústria metalúrgica e 2,5 milhões de toneladas de carvão térmico para a produção de energia eléctrica.


Segundo o BAD, a produção carbonífera em África vai crescer em média três por cento ao ano até 2011, especialmente graças ao aumento da procura asiática. O preço da matéria-prima tem vindo a escalar “à boleia” do petróleo, apresentando-se como uma alternativa mais barata. “O carvão voltou a estar na moda recentemente, devido a três vantagens: preços mais baixos por unidade energética, um rácio mais elevado de reservas/produção e uma diferente distribuição geográfica das reservas”, afirmou Kamara.


A Índia e a China serão responsáveis por um aumento de 73 por cento na procura mundial de carvão em 2030, para 4994 milhões de toneladas equivalentes de petróleo, quando em 2005 consumiam 2892 milhões de toneladas, de acordo com a Agência Internacional de Energia.


Depois de uma primeira vaga que trouxe até Moçambique grandes multinacionais do sector mineiro como a Vale ou a Arcellor Mittal, nos últimos meses são principalmente as empresas indianas a assegurar fontes da matéria-prima. A indicação foi dada oficialmente no parlamento indiano pelo ministro do Carvão, Dasari Narayana Rao, quando há poucos meses anunciou que iria ser constituída uma "joint-venture" para aquisição de activos no estrangeiro integrada por empresas estatais de energia e recursos minerais como NTPC, Steel Authority of India, NMDC, Rashtriya Ispat Nigam e Coal India. Este grupo de empresas, que deverá ter um capital próximo de 2,3 mil milhões de dólares, tem vindo a efectuar visitas a Moçambique, para deslocações a minas e conversações com as autoridades, até agora sem “fumo branco”.


Entretanto, na semana passada, a BEML Midwest - uma "joint-venture" entre a Bharat Earth Movers, Midwest Granite e Sumber Mitra Jaya da Indonésia - adquiriu a sua primeira mina moçambicana de carvão, que será exportado para a Índia. No mesmo sentido, a Global Steel Holdings, que reúne as participações siderúrgicas do grupo Ispat, comprou dois blocos para a exploração de carvão, num investimento de 4600 milhões de rupias (cerca de 116 milhões de dólares).


Situados na província de Tete – próximo das áreas em exploração pela ArcelorMittal, Tata Steel e Vale - os blocos cobrem uma área de 30 mil hectares e têm reservas comprovadas de 70 milhões de toneladas de carvão de coque. O carvão será encaminhado para exportação através do porto da Beira, a cerca de 600 quilómetros, através da linha de caminho-de-ferro em reconstrução, que dentro de 12 meses deverá estar operacional.


Associada à Riversdale Mining australiana, a gigante indiana Tata Steel está envolvida em dois dos principais projectos de exploração de carvão em curso em Moçambique: Benga e Tete, que deverão arrancar em 2010. A licença de Benga, distrito de Moatize, deverá ter reservas de 1255 mil milhões de toneladas de carvão, de qualidades adequada ao uso no fabrico de aço e queima para produção de energia. A multinacional ArcelorMittal, também de capital indiano, adquiriu recentemente 35 por cento da "joint-venture" Rio Minjova Mining and Exploration Company, por 2,5 milhões de dólares, enquanto a associada Black Gold Mining (Moc), entrou com as suas concessões de carvão – com 49.360 hectares, na área do rio Minjova, na província de Tete.


A ArcelorMittal tem ainda a opção de passar a accionista maioritário na "joint-venture" desde que pague 2,5 milhões de dólares adicionais e haja confirmação de que as reservas "provadas e prováveis" são em quantidade considerada satisfatória.Também em Tete, a Central African Mining and Exploration (Camec) fez recentemente uma importante descoberta de carvão – até 868 milhões de toneladas.


Mais recentemente, o Japão também vem demonstrando interesse em ganhar posição no sector carbonífero moçambicano. A braços com o aumento do preço das matérias-primas, a japonesa Nippon Steel anunciou recentemente que pretende associar-se à Vale de Rio Doce na mina de Tete. “Nesta circunstância extraordinária de subida dos preços das matérias-primas, temos um grande interesse em fontes alternativas. Queremos investir se tivermos oportunidades”, afirmou Shoji Muneoka, que assumiu a presidência da empresa japonesa em Abril (Fonte: Macauhub, 2008-06-02).

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Maiores consumidores de petróleo querem fim dos subsídios ao produto


Ministros de Energia dos maiores consumidores mundiais de petróleo pediram neste sábado, no Japão, o fim dos subsídios aos combustíveis e aumento da produção. Representantes da China, Índia, Coréia do Sul e Estados Unidos e Japão, que juntos consomem mais da metade do petróleo do mundo, não chegaram, contudo, a um acordo sobre como e quando a mudança deve ser feita. O pedido foi feito um dia depois da alta recorde do petróleo desta sexta-feira, quando o barril do petróleo fechou próxmo dos US$ 139.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Sam Bodman, argumentou que boa parte da responsabilidade pela alta do petróleo são os baixos preços na Ásia, onde as economias apresentam rápido crescimento e os subsídios têm promovido um aumento explosivo no consumo nos últimos anos.

- É impressionante, porque a produção mundial de petróleo tem se mantido em 85 milhões de barris diários. Sabemos que a demanda está aumentando porque muitas nações ainda subsidiam o petróleo - afirmou.

O embaixador da Índia disse que não era possível abandonar o controle dos subsídios, que ajudam a proteger a população de mais de um bilhão de pessoas e implicaria risco a estabilidade política e social da região.

- Como um país em desenvolvimento, não temos condição de abandonar totalmente os subsídios - disse Hemant Krishnan Singh, que participaou do encontro representando o ministro de Energia da Índia.

Tentativas recentes de reduzir os subsídios na Índia e na Malásia levaram a greves e confrontos.

Segundo analistas, esse tipo de problema deve se repetir antes do fim da crise causada pela alta nos preços do petróleo e dos alimentos.

Nesta semana, a Índia, Indonésia e Siri Lanka elevaram os preços do petróleo no mercado doméstico, pela segunda vez em dois anos. Mas analistas afirmam que um aumento de 10% tem pouco impacto para deter uma alta acelerada dos preços. A China, segundo maior consumidor de petróleo do mundo, já havia elevado seus preços em meados de 2006 e depois aumentou de novo em 10% em novembro. Os analistas vêem poucas chances do governo daquele país tomar medidas eficazes para combater a inflação. Analistas temem petróleo a US$ 150 em julho.

O salto registrado sexta-feira na cotação do petróleo - que subiu mais de US$ 10 em um único dia, batendo US$ 139,12 - trouxe o fantasma de um barril a US$ 150 às vésperas das férias de verão no Hemisfério Norte. Como mostra reportagem publicada pelo Globo, neste sábado, o banco de investimentos Morgan Stanley afirmou, em relatório, que o barril pode chegar a US$ 150 até 4 de julho, o Dia da Independência nos EUA, em que muitos americanos viajam. Em maio, o Goldman Sachs previra que, em dois anos, o barril chegaria a US$ 200.
"As exportações de petróleo do Oriente Médio estão estáveis, mas a Ásia está tomando uma fatia sem precedentes", afirmou o relatório, lembrando que os estoques americanos já caíram em 35 milhões de barris desde março.

Este ano, os preços do petróleo avançaram 44%, ameaçando o crescimento da economia dos principais países consumidores, incluindo os EUA, já abalados pela crise no mercado imobiliário. Segundo analistas, a dramática alta da commodity tem sido puxada pela demanda da China e de outros emergentes, bem como por investidores buscando proteção contra a desvalorização do dólar e a inflação nas economias desenvolvidas.

A alta do preço da commoditie se deveu ao recuo do dólar frente ao euro, após a divulgação do aumento do desemprego nos Estados Unidos, e às ameaças de um ataque israelense ao Irã. Em Nova York, o barril do tipo leve americano saltou US$ 10,75 (8,41%), para o recorde de US$ 138,54, tendo sido negociado a US$ 139,12 durante o pregão. Nos EUA e no resto do mundo, as bolsas desabaram. O índice DOW Jones recuou 3,1%. A Bolsa de São Paulo caiu 2% (Fonte: O Globo, 2008-06-07).

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Petrobras divulga que investimentos em refinaria de Okinawa ainda não estão aprovados


A Petrobras divulgou nota oficial hoje dizendo que ainda não definiu seus investimentos na refinaria Nansei Sekiyu, em Okinawa (Japão), adquirida neste ano. Ainda não está aprovado projeto que poderá prever novos investimentos na refinaria de Okinawa, no Japão, com vistas à adaptar a unidade para o processamento de petróleo pesado.

A nota faz referência às divulgações que ocorrem desde ontem em agências internacionais, de que a Petrobras já teria fechado investimento de 100 bilhões de ienes, equivalentes a US$ 975 milhões, para reformar a refinaria japonesa e processar petróleo pesado a ser fornecido ao mercado asiático. A refinaria tem participação de 87,5% da Petrobras e de 12,5% da Sumitomo.
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, lidera a comitiva que está em visita de quatro dias pelo país asiático. Em entrevista coletiva concedida ontem, em Tóquio, Gabrielli destacou que a refinaria de Okinawa representa um importante passo na estratégia da companhia de ampliar sua presença no mercado de derivados de petróleo.

Estamos estudando a possibilidade de crescer a capacidade de refino e permitir o processamento de petróleo pesado nessa unidade, comentou ontem. Além da unidade de refino, a refinaria possui um terminal de petróleo e derivados para armazenamento de 9,6 milhões de barris, três piers com potencial para receber navios de produtos de até 97.000 toneladas e uma monobóia para navios de até 280.000 toneladas (Fonte: Valor Online/O Globo, 2008-04-08).

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Petrobras quer realizar processamento de petróleo brasileiro no Japão

A Petrobras deve adaptar a refinaria recém-adquirida no Japão para processar óleo pesado, segundo informou o presidente da companhia brasileira, José Sérgio Gabrielli, nesta segunda-feira.

Ele afirmou que a Petrobras avalia exportar petróleo pesado do Brasil para o Japão para fins de processamento, o que poderia reduzir o volume de petróleo leve comprado da Austrália e da África. "A refinaria não pode processar petróleo pesado, somente petróleo leve. Para obtermos uma conversão profunda na refinaria, precisamos ter um investimento para trazer unidades que provem ser capazes de processar petróleo pesado", acrescentou. "Provavelmente utilizaremos a unidade de tratamento de água, ou HDT, que permite processamento de petróleo pesado", antecipou.

A unidade também poderá ser utilizada para outro projeto da companhia, como o de comercializar etanol no mercado japonês. Gabrielli acrescentou que a Petrobras conduz pesquisas logísticas sobre como obter maior vantagem da longa experiência da companhia no mercado de etanol e utilizar a refinaria como um centro de operações na Ásia. "Podemos levar etanol utilizando grandes navios de transporte, descarregar em Okinawa, e de Okinawa para os países asiáticos", concluiu.

A Petrobras assumiu oficialmente o controle da Nansei Sekiyu K.K. no dia 1o de abril, adquirindo uma participação de 87,5 por cento por 5,5 bilhões de ienes (54,09 milhões de dólares) de um grupo de refinarias japonês ligado à Exxon Mobil . A refinaria, localizada na ilha de Okinawa, no sul do Japão, possui capacidade instalada de 100 mil barris por dia (bpd). Segundo Gabrielli, a produção da unidade será ampliada de 35 mil bpd para 50 mil bpd em breve, avançando para a capacidade máxima futuramente.

O executivo acrescentou que há um estudo para o aperfeiçoamento da refinaria por um valor de aproximadamente 1 bilhão de dólares, mas não soube dizer quando será concluído. Gabrielli afirmou que a trading japonesa Sumitomo, que controla os 12,5 por cento restantes da refinaria, pode elevar a participação no empreendimento até um percentual indeterminado.

A Petrobras abastecerá a demanda por combustíveis na ilha de Okinawa e na região continental do Japão, além de China, Cingapura, Taiwan e Vietnã, informou o executivo, acrescentando que a empresa não tem planos para construir unidades petroquímicas na refinaria Nansei.

Os investimentos internacionais previstos pela Petrobras em 2008 somam 15 bilhões de dólares até 2012, mas Gabrielli disse que a empresa não tinha interesse em novos investimentos em refinarias na Ásia ou na Europa, no momento (Fonte: O Globo, 2008-04-07).