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domingo, 12 de setembro de 2010

Pré-sal deve ter recursos chineses e coreanos


Uma radiografia do perfil das empresas e de seus negócios estratégicos mostra que as estatais de petróleo da China e da Coreia do Sul deverão liderar os investimentos estrangeiros na exploração do pré-sal brasileiro.


As empresas estatais e as grandes companhias da Europa, como a britânica BP e anglo-holandesa Shell, são as que detêm capital suficiente para as demandas do pré-sal. No entanto, as companhias europeias estão hoje mais interessadas em explorar fontes não convencionais, como gás betuminoso ou areias de petróleo. Ou atravessam um momento turbulento - como é o caso da BP, ainda às voltas com as consequências do megavazamento de petróleo no Golfo do México.


Já as empresas estatais de petróleo investem prioritariamente em adquirir reservas que lhes garantam o abastecimento futuro. E esse é exatamente o perfil de empreendimento a ser oferecido no pré-sal brasileiro.


As análises e previsões foram feitas por um especialista em indústria do petróleo, o advogado Giovani Loss, que atua no escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga. 'O que é a mola propulsora dessas empresas não é só a lucratividade', afirmou.


'As estatais de países onde a produção interna já não supre a demanda, ou não vai suprir, estão mais dispostas a desembolsar dinheiro no curto prazo para garantir a segurança do suprimento energético no futuro.'



Vantagem diplomática.


No ano passado, as empresas estatais chinesas lideraram os investimentos em petróleo fora do próprio país, com um total de US$ 16 bilhões. As grandes empresas europeias ficaram em segundo lugar nesse ranking, com US$ 5,6 bilhões. Em seguida, vêm as coreanas, com US$ 5,25 bilhões.


'As chinesas são as que têm destaque internacional hoje', comentou o advogado. 'Elas fizeram 45% das grandes transações, que são as que interessam para o pré-sal.'
As estatais têm outra vantagem sobre as companhias privadas: a diplomática. 'Quando o governo brasileiro está lidando com a Sinopec (China Petroleum and Chemical Corporation), ele está necessariamente lidando também com o governo daquele país', explicou. 'Isso exerce um impacto no relacionamento.'


As estatais chinesas contam ainda com regras de repatriação de capital que lhes são favoráveis do ponto de vista de tributação. Isso é importante para a empresa estruturar suas operações e conseguir fôlego para fazer negócios que chegam à casa dos US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões, como será necessário no pré-sal.


Em países como os Estados Unidos, por exemplo, a repatriação de recursos é cara. 'Existem regras de imposto de renda sobre ganhos de capital muito pesadas. O sistema é desfavorável', disse Loss.


Não por acaso, a Sinopec já fechou um acordo com a Petrobrás, no qual as duas empresas se comprometem a atuar juntas em investimentos de interesse comum nas áreas de produção, exploração e refino de petróleo.


A estatal brasileira já havia feito, em maio do ano passado, um acerto com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB, na sigla em inglês) envolvendo um empréstimo de US$ 10 bilhões.



Desfavorável.


De acordo com o advogado, o pré-sal brasileiro é no momento um investimento atraente para as companhias petrolíferas porque a maior parte das mais recentes descobertas de jazidas de petróleo se deu em águas profundas. A taxa de sucesso naquela área tem sido da ordem de 80%.


Além disso, a indústria de petróleo se encontra num bom momento, pois o barril está a US$ 75 e deverá chegar a US$ 85 no ano que vem. Apesar de ainda estar longe do pico de quase US$ 150 registrado em julho de 2008, esses são valores considerados 'confortáveis'.


No entanto, o Brasil não é bem avaliado pelos potenciais investidores no setor por causa da elevada carga tributária e, também, da instabilidade de regras. 'Acho que é uma reflexão que teremos de fazer, dado o interesse do governo - se é que há mesmo interesse - em atrair empresas estrangeiras para fazer investimentos no pré-sal', disse Loss.


Em termos de qualidade regulatória, por exemplo, o Brasil fica atrás de países como Egito, Angola, Moçambique e Suriname, de acordo com pesquisa elaborada pelo Instituto Fraser, do Canadá.


'A imagem do Brasil, nesse aspecto, pode se tornar ainda pior, dependendo de como forem tratadas as novas leis (o novo marco regulatório do petróleo)', observou Loss, que criticou o excesso de flexibilidade que as novas regras dão ao governo.


Além disso, o advogado lembra do risco jurídico da questão. 'Se isso for levado ao Supremo (Tribunal Federal) para uma discussão que levará longos anos, haverá desinteresse ou depreciação de investimentos na área do pré-sal.'


RAZÕES PARA...

China e Coreia serem parceiras da Petrobrás

1. A extração do petróleo do pré-sal exigirá investimentos pesados, e as estatais de petróleo com atuação internacional responderam por 50% dos negócios de mais de US$ 1 bilhão no ano passado.
2. Estatais chinesas investiram US$ 16 bilhões, as coreanas US$ 5,25 bilhões e as grandes europeias, US$ 5,6 bilhões em 2009.
3. Mais do que lucro, a prioridade das estatais é garantir reservas. O petróleo do pré-sal tem exatamente esse perfil de investimento. Já as grandes empresas estatais europeias preferem ativos não convencionais, como gás betuminoso e areias de petróleo.
4. Estatais têm vantagem diplomática sobre as empresas privadas. O governo brasileiro, ao lidar com uma estatal estrangeira, está se relacionando também com o governo daquele país.

(Fonte: MSN - Estadão, 2010-09-05).

segunda-feira, 22 de junho de 2009

REN, EDP e Portucel pedem 375 milhões para projectos em Portugal e Espanha


A REN, a EDP e a Portucel pediram ao Banco Europeu de Investimento um financiamento total de 375 milhões de euros para vários projectos separados em Espanha e Portugal no sector da energia.


A REN pediu ao BEI um financiamento de 150 milhões de euros destinados a "apoiar o plano de investimentos que visa reforçar e alargar o sistema de gás natural em Portugal", indica uma nota no site do banco.


Os beneficiários deste pedido, que deu entrada no BEI na segunda-feira, são a REN Gasodutos, a REN Atlântico e a REN Armazenagem.

O custo total do investimento da REN - empresa pública que gere em Portugal a rede de transporte de electricidade e gás natural - está estimado em 300 milhões de euros.

Já a EDP Energia pediu ao BEI um financiamento de 140 milhões de euros para construir e operar a central de ciclo combinado (a gás natural) Soto 5, em Soto de Ribera, na província espanhola das Astúrias (a oito quilómetros de Oviedo).

De acordo com a descrição do pedido, que também deu entrada no BEI na segunda-feira, a central - com uma potência de 425 MegaWatts - será construída "ao lado da Soto 4, uma unidade semelhante já em funcionamento".

Os custos totais estimados do projecto da EDP para a unidade Soto 5 ascendem a 280 milhões de euros.

O pedido da Portucel Energy, de 85 milhões de euros, destina-se "ao 'design', à construção e à operação de quatro novas unidades energéticas - uma de gás natural, duas fábricas de biomassa e uma turbina - em três instalações de pasta de papel e papel em Portugal (Setúbal, Cacia e Figueira da Foz).

"A energia produzida vai ser consumida ou pelas instalações de papel e pasta de papel ou vendida à rede pública", indica a descrição anexada ao pedido de financiamento, que entrou no BEI na terça-feira.

"O interesse económico do projecto está ligado à sua contribuição para as políticas europeias e nacionais sobre energias renováveis e alterações climáticas, bem como à eficiência energética", indica a nota do BEI nos "objectivos" do pedido.

O projecto da Portucel tem um custo total estimado em 176 milhões de euros.

Os três pedidos, indica o BEI, estão "sob apreciação". (Fonte: Aeiou Expresso, 2009-06-17).

domingo, 31 de maio de 2009

Lula e Chávez se reúnem em meio a impasses


O presidente venezuelano, Hugo Chávez, estará hoje em Salvador para outro de seus encontros trimestrais com o colega Luiz Inácio Lula da Silva. A ampliação de linhas de financiamento do BNDES à Venezuela será a novidade em meio a antigos impasses da agenda bilateral, como a entrada da Venezuela no Mercosul e a parceria entre Petrobras e PDVSA na refinaria de Pernambuco.


Com problemas de caixa por causa do baixo preço do petróleo, a Venezuela quer financiamento do BNDES para obras já em andamento tocadas por empresas brasileiras. A negociação mais avançada envolve o empréstimo de US$ 732 milhões para o metrô de Caracas, sob responsabilidade da Odebrecht. Para garantia dos eventuais empréstimos, Chávez oferece suas reservas de petróleo como uma das alternativas.


O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, afirmou ontem que o Brasil não teria problema em aceitar petróleo como garantia. Segundo ele, o Brasil já opera sistema similar com Angola "há anos".


Segundo Garcia, os presidentes também discutirão em Salvador o imbróglio envolvendo a refinaria Abreu e Lima (PE). O negócio previa 40% de participação da PDVSA, mas isso até hoje não se concretizou (Fonte: O Globo - Globo / Folha de S. Paulo, 2009-05-26).

Alta do petróleo afasta Petrobras de novas captações


Se o petróleo continuar acima dos 65 dólares a Petrobras não precisa mais captar recursos no mercado, afirmou à Reuters o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, lembrando que somente nos primeiros cinco meses desse ano a empresa já obteve 30 bilhões de dólares em financiamentos e captações. "Se os preços continuarem acima de 65 dólares não precisamos mais pegar empréstimos para o plano de negócios", afirmou o executivo, recém chegado de uma viagem à China onde obteve 10 bilhões de dólares em financiamento para ajudar a executar o plano de investimentos de 174,4 bilhões de dólares da empresa até 2013.


A companhia calcula que para cada dólar que o preço do petróleo ficar acima do nível projetado pela estatal nos anos do plano de investimentos, o ganho extra será de 500 milhões de dólares por ano. A Petrobras estimou seus gastos projetando um preço do petróleo tipo Brent de 37 dólares o barril em 2009 e de 40 dólares em 2010. Nesta sexta-feira, o Brent foi negociado perto dos 66 dólares o barril, o maior valor em seis meses.


A alta da commodity, porém, não arquiva a possibilidade da companhia reduzir os preços da gasolina e do diesel no mercado interno, congelados desde o início do ano passado quando o petróleo girava em torno dos 100 dólares o barril. "O que vai determinar (a queda) é a estabilidade de preços", disse Gabrielli, explicando que a decisão envolve também a taxa de câmbio, que no momento registra valorização do real, diminuindo o preço em dólar dos combustíveis no mercado interno, o que pode favorecer a queda de preços.



FOCO NO BRASIL


O foco no mercado interno está fazendo a empresa reavaliar o portfólio internacional de maneira geral, depois de ter congelado os investimentos externos em 16 bilhões de dólares para o período de cinco anos até 2013. Ele explicou que a intenção de possíveis vendas de participações em blocos no Golfo do México ou na África, onde possui forte atuação, não tem por objetivo conseguir recursos, mas focar nos projetos brasileiros. "Venda de ativo não é o motivo para viabilizar o investimento, é foco de atenção, é priorização de atenção, concentração de equipes e viabilização da otimização dos nossas intervenções internacionais", explicou.


Apesar da necessidade de sondas para exploração do pré-sal e de outros projetos da empresa, Gabrielli disse estar tranquilo em relação ao recebimento dos equipamentos, e negou que esteja pensando em trazer sondas de explorações de fora do país para acelerar as descobertas no Brasil. "A mobilidade de equipamento não é tão fácil, sair do Mar Negro e vir para cá não é tão fácil, e temos sondas para receber", disse o executivo.


Para 2009, segundo Gabrielli, são esperadas nove novas sondas com capacidade para perfurações até 2,5 mil metros e em breve será lançada a licitação do primeiro pacote de 28 sondas para serem entregues a partir de 2013. "Hoje nós somos a empresa que tem mais sondas contratadas para chegar até 2012", informou (Fonte: Estadao / Reuters, 2009-05-29).

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Petrobras define crédito de US$ 10 bi com banco chinês


A Petrobras e o Banco de Desenvolvimento da China (BDC) assinaram ontem o contrato de financiamento de US$ 10 bilhões que serão utilizados no programa de investimentos da estatal brasileira. Segundo maior empréstimo individual obtido pela companhia, a operação eleva a captação de recursos nos primeiros cinco meses de 2009 a US$ 30 bilhões, um valor recorde, três vezes maior do que o registrado no ano de 2008. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou que os US$ 30 bilhões suprem as necessidades de financiamento da companhia pelos próximos dois anos. Além dos US$ 10 bilhões do BDC, a estatal obteve US$ 12 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), US$ 6,5 bilhões com um sindicato de bancos e US$ 2 bilhões com o Eximbank.


Segundo Gabrielli, a taxa de juros cobrada pelos chineses está abaixo dos cerca de 6,5% a 7% incidentes nas captações da companhia de prazo semelhante ao do empréstimos do BDC, que será pago em dez anos. O menor custo decorre do fato de que o empréstimo tem como garantia a receita da venda de petróleo da estatal brasileira para a chinesa Sinopec, também fechado ontem, com prazo idêntico.


A Petrobras fornecerá 150 mil barris de petróleo por dia neste ano e 200 mil barris/dia a partir de 2010, quantia que será mantida por nove anos. Isso significa que o financiamento não será pago por meio da entrega de petróleo, como se esperava inicialmente, mas está vinculado à venda do produto durante a vigência do contrato.


Com essas quantias, a Petrobras vai mais que triplicar o volume de exportações para a China, hoje em 60 mil barris/dia. As negociações para os dois acordos tiveram início em novembro de 2008. Os detalhes finais foram definidos em reunião que começou na manhã de segunda-feira e só terminaram às 6h30 de ontem, a tempo de os contratos serem assinados na presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hu Jintao.


A cerimônia ocorreu no Grande Palácio do Povo, em Pequim, depois de reunião de trabalho entre os dois presidentes e ministros. No total, foram assinados 13 documentos, entre os quais acordos de cooperação em diversas áreas.


Gabrielli afirmou que o contrato não está condicionado à compra de máquinas e equipamentos da China. Ainda assim, a empresa deverá realizar operações desse tipo. Segundo ele, várias fabricantes chinesas de máquinas e equipamentos manifestaram interesse de instalar plantas no Brasil para suprir a demanda da estatal, que poderia usar parte do financiamento para pagá-las.


Além da Petrobras, o BDC dará linha de crédito de US$ 800 milhões ao BNDES e de US$ 100 milhões ao Itaú BBA. Os dois bancos atuarão como agentes repassadores dos recursos a empresas brasileiras, com prioridade a projetos relacionados de alguma forma à China.


O BDC também fechou acordo com o Banco do Brasil (BB), que permitirá à instituição brasileira repassar recursos do banco chinês a clientes que tenham negócios com o país asiático. Segundo o gerente regional do BB na Ásia, Admilson Monteiro Garcia, as operações devem beneficiar importadores de produtos da China, mas não está descartada a concessão de crédito para a exportação e realização de investimentos (Fonte: Ultimo Segundo - IG/Agencia Estado, 2009-05-20).