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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Petrobras no Golfo do México


O Escritório de Administração, Regulamentação e Supervisão de Energia Oceânica dos EUA concedeu, na quinta-feira (17), uma licença para a Petrobras iniciar a produção de petróleo e gás natural em seu projeto nos campos de Cascade e Chinook, no golfo do México.

A direção do órgão ressaltou a colaboração entre a indústria e o governo americano para a produção de recursos de energia no país.

Com a obtenção dessa licença, a Petrobras iniciará em breve a produção no golfo do México, em campos localizados a uma profundidade de 2.500 metros.

Será o primeiro navio-plataforma tipo FPSO (navio que tem instalações de produção e estocagem) a operar na região do golfo, nos EUA. A Petrobras tem experiência com operação de FPSOs em águas profundas e ultraprofundas no Brasil, inclusive nos campos do pré-sal.

A plataforma tem capacidade para produzir 80 mil barris de petróleo e 500 mil metros cúbicos de gás por dia. Entre as principais vantagens do navio-plataforma está a mobilidade. Em caso de condições climáticas adversas, a embarcação pode ser separada do sistema de poços e navegar para áreas seguras. (Fonte: Folha - UOL, 2011-03-19).


quinta-feira, 16 de abril de 2009

Brasil alivia freada na produção de biocombustíveis


Depois de anos em rápida expansão, o crescimento da produção mundial de biocombustíveis sofrerá dramática desaceleração em 2009, de acordo com projeções da Agência Internacional de Energia (AIE). A perda de fôlego só não será maior em razão da elevada produção de etanol no Brasil.


Neste levantamento mais recente, a AIE ajustou para baixo sua estimativa para o incremento da produção global em um volume equivalente a 220 mil barris de petróleo por dia. A entidade prevê, agora, que a produção global de biocombustíveis só aumentará 95 mil barris por dia (6,6%) este ano, ante alta de 345 mil barris/dia (31,55%) registrada em 2008.


A recessão global, a queda dos preços do petróleo, o aperto de crédito, os problemas nos subsídios concedidos pelos governos e a redução da demanda de combustíveis para transporte " conspiram " para minar a produção e a viabilidade econômica dos biocombustíveis, de acordo com avaliação da agência.


Mas a forte revisão mascara realidades diferentes. Os maiores problemas são verificados nos países desenvolvidos, com usinas de etanol ou biodiesel nos Estados Unidos e na União Europeia em falência ou com capacidade ociosa. Ao mesmo tempo, a produção brasileira - que, conforme a AIE, foi maior do que a esperada em 2008 - deverá continuar relativamente estável este ano.


Nos EUA, a projeção é de que entre 15% e 20% da capacidade total de produção de 800 mil barris por dia de etanol já tenha sido cortada ou esteja ociosa, enquanto o restante segue a operar, mas abaixo do potencial. E a lucratividade também diminuiu.


O declínio de 115 mil barris diários na produção de etanol nos EUA tende a ser compensado por maior volume brasileiro. Dessa forma, o " declínio líquido " deverá vir da Europa, da China e de outros paises asiáticos. A expectativa é de que um aumento na mistura de etanol na gasolina nos EUA, para 685 mil barris por dia (10,5 bilhões de galões ou 39,7 bilhões de litros), possam oferecer um certo suporte à produção local.


Para a Europa, a AIE projeta estagnação na produção de biodiesel, mesmo com a decisão da UE de sobretaxar as importações procedentes dos EUA. De um lado, pesa o fraco apoio governamental e o excesso de capacidade na Alemanha - maior país produtor do bloco; de outro, a importação de 25 mil barris diários procedente dos EUA deverá ser substituída por ofertas de America Latina e Ásia, mais do que pela própria produção doméstica europeia.


França, Itália, Espanha e Grã-Bretanha elevaram suas metas de produção de biocombustíveis para 2009, mas a alta será pequena. Na América Latina, a estimativa é de aumento da produção em quase 60 mil barris equivalentes por dia, ante os 85 mil barris do ano passado. A maior parte do crescimento vem do etanol brasileiro, que teve média de produção de 460 mil barris por dia em 2008, nos cálculos da agência.


A AIE se apoia em relatório da Unica (entidade que reúne as usinas do Centro-Sul do Brasil) para destacar o que chama de " crescentes barreiras econômicas " que contiveram a expansão do etanol brasileiro. Apenas de 15 a 20 de 35 novas usinas planejadas para este ano verão a luz do dia. Além disso, maior parte da produção de cana vai para a produção de açúcar, que hoje oferece melhores margens (Fonte: O Globo/Valor Online, 2009-04-14).

sexta-feira, 13 de março de 2009

Obama quer petróleo brasileiro, diz El País


O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou ontem que o Brasil tem interesse em ampliar as exportações de petróleo para os Estados Unidos e admitiu que o tema pode ser tratado na viagem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia esta semana àquele país.


Com a perspectiva de descobertas gigantes no pré-sal, o Brasil atraiu o interesse de grandes consumidores do combustível, como a China, que acena com financiamento à Petrobrás em troca de garantia de fornecimento de petróleo.


O tema vem provocando especulações na imprensa internacional. Ontem, o jornal espanhol El País publicou reportagem afirmando que já há conversas informais sobre um acordo comercial bilateral que aumente o fluxo de petróleo entre Brasil e EUA. Segundo o texto, o interesse pela compra de petróleo brasileiro já foi anunciado pela administração Barack Obama que, assim, reduziria sua dependência da Venezuela, de Hugo Chávez.


Petrobrás e Itamaraty dizem desconhecer tratativas sobre o tema, mas Lobão diz que há um interesse mútuo que poderia se transformar em acordo comercial. "O mundo inteiro quer comprar nosso petróleo. Há uma fila para comprar nosso petróleo", disse o ministro, explicando que o Brasil tem excesso de petróleo pesado e os países precisam fazer "um mix" dos óleos pesados e leves. Ele lembra que, com a exploração da camada do pré-sal, o Brasil também terá elevada produção de óleo leve."Eventualmente, pode ocorrer uma negociação na viagem (de Lula aos EUA), comentou Lobão. A agenda, porém, não prevê o fechamento de nenhum acordo durante o primeiro encontro entre Lula e Obama. No mês passado, a Petrobrás firmou um acordo de cooperação com empresas chinesas, segundo o qual garantiu um financiamento de US$ 10 bilhões em troca do fornecimento de petróleo. Os detalhes sobre volume ou preços de exportação do óleo brasileiro ainda não foram definidos.


Lobão disse que um eventual acordo com os Estados Unidos não deve provocar atritos com Hugo Chávez. "Ele é quem mais vende petróleo. Vende 2 milhões de barris por dia, mais do que consumimos no Brasil", afirmou. "O Chávez é amigo do Brasil", contemporizou, dizendo que os EUA não deixarão de comprar da Venezuela.


A Petrobrás exportou, em 2008, a média de 439 mil barris de petróleo por dia, e a tendência é que o número cresça à medida que novos campos entrem em operação. Segundo os planos da empresa, o pré-sal estará produzindo, em 2020, 1,8 milhão de barris, o equivalente a todo o consumo atual do País.


Para o consultor político Thiago de Aragão, da Arko Advice, porém, as possibilidades de um acordo com os EUA no curto prazo para venda de petróleo são remotas. Ele acredita que a agenda americana com o Brasil está hoje mais voltada para o etanol. O tema, no entanto, foi retirado da pauta do encontro presidencial, informou Lobão. "O Palácio achou melhor deixar o tema para outro momento", disse o ministro, sem dar mais detalhes. "O que não impede Lula de falar sobre o assunto", acrescentou.



NÚMEROS


US% 10 bi é quanto a Petrobrás vai obter em financiamento do governo chinës em troca defornecimento de petróleo


439 mil barris de petróleo por dia foi quanto o Brasil exportou no ano passado


2 milhões de barris de petróleo por dia é quanto a Venezuela exporta


1,8 milhão de barris de petróleo por dia será quanto o País vai produzir em 2020 no pré-sal, o equivalente a todo o consumo atual do País

(Fonte: Porto Gente / O Estado de S.Paulo, 2009-03-10).

Investidor recebe com frieza os resultados da Petrobras


Logo depois de anunciar um lucro anual recorde de R$ 33 bilhões, a Petrobras não teve um grande desempenho das suas ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). As ações preferenciais subiram apenas 0,11%, enquanto as ordinárias (com direito a voto) apresentaram valorização de 0,25%. No ano, as ações preferenciais têm alta de 12,47%, mas nos últimos 12 meses a perda chega a 32,48%. O Ibovespa, principal indicador da Bolsa paulista, encerrou o dia com retração de 0,98%, aos 36.741 pontos.


Para George Sanders, estrategista de renda variável da Infinity Asset Management, alguns fatores fizeram com que as ações apresentassem este desempenho. "Primeiro, foram as bolsas lá fora, que estão em queda. Depois, tem a questão do petróleo, que está com um valor muito baixo. E, por fim, o balanço da companhia que veio dividido e os investidores não gostaram do alto preço na produção e de o resultado ter sido ajudado pelo movimento cambial", explica Sanders.


Luiz Otávio Broad Nunes, analista do setor petrolífero da Ágora Corretora, creditou o desempenho apagado das ações da companhia ao desempenho do Ibovespa. "A Bolsa caiu quase 1%, este foi o principal fator de a Petrobras não conseguir um bom dia no mercado", afirma o analista.


O volume financeiro da Bolsa foi de R$ 2,7 bilhões, com 221.870 contratos negociados no dia. As ações PN da Petrobras foram as mais negociadas no pregão desta segunda-feira, com volume financeiro de R$ 692 milhões. As ON ficaram com a terceira maior negociação, com montante de apenas R$ 165,7 milhões.


O plano de investimentos da Petrobras para o período de 2009 a 2013 será de US$ 174,4 bilhões, e este também é um dos pontos que preocupam alguns investidores, principalmente os de curto e médio prazo. "Na minha opinião, a Petrobras esta caminhando na contramão do mercado, realizando investimentos enquanto o mundo passa por um período de desaceleração e recessão", acredita Sanders.


Quanto ao audacioso plano de investimentos, Broad é mais confiante e afirma que esta não é a principal preocupação do investidor no momento. "Com este plano, fica claro que a companhia vai ter mais despesas, mas, pensando no longo prazo, a Petrobras poderá se beneficiar de um aumento de produção vindo dos investimentos realizados", diz ele.


Para fazer uma análise de o que o mercado pode querer com as ações da Petrobras, Sanders prefere esperar porque ainda faltam divulgações que podem mudar o destino de alguns investidores. "A cautela deve continuar até a companhia divulgar seus resultados no mercado externo, acho que isso deve ocorrer até dez dias após a divulgação do Brasil. Como lá fora a regra contábil é mais exigente, é mais correto esperar para ver o que vai acontecer", disse ele.


Neste mês a WinTrade, home broker da Alpes Corretora, colocou em sua carteira recomendada as ações preferenciais da estatal. "A petrolífera reagiu bem tanto às declarações de seu presidente - de que não pretende, por enquanto, ajustar para baixo os preços da gasolina - quanto ao comportamento do preço do petróleo, que pelo terceiro mês consecutivo conseguiu se sustentar acima dos US$ 45,00 o barril", explicou a corretora, em sua carteira recomendada, que segue a mesma recomendação do mês de fevereiro. Não só a estatal fez parte da continuidade, como as demais companhias brasileiras.



Mercado externo


Ontem a Petrobras começou a explorar o campo de petróleo de Akpo, localizado em águas profundas da Nigéria. A estatal detém 16% de participação, em parceria com a francesa Total (operadora do bloco), as nigerianas Nigerian National Petroleum Corporation (NNPC) e South Atlantic Petroleum (Sapetro), além de uma petrolífera chinesa. O início da produção estava previsto para abril, mas a operadora conseguiu antecipar o cronograma em um mês.


Outro ponto que pode ser positivo para os investidores brasileiros e estrangeiros, e será aguardado no mercado de hoje, foi a publicação em um jornal espanhol de que o presidente dos EUA, Barack Obama, tem interesse em mais petróleo brasileiro.


Possível acordo para aumentar fluxo de venda de petróleo brasileiro para os Estados Unidos impediram que as ações da Petrobras fechassem em queda ontem, mesmo com baixa da Bolsa de Valores (Fonte: DCI, 2009-03-10).

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Angola vai receber 5 por cento do investimento da Petrobras no estrangeiro até 2013


A petrolífera brasileira Petrobras anunciou sexta-feira o seu plano de investimento internacional 2009/2013 no montante de 15,9 mil milhões de dólares, 44 por cento dos quais ficaram reservados para os Estados Unidos da América e para a Argentina.

Nos Estados Unidos da América, com 28 por cento do total a investir, a Petrobras concentrará a sua actividade nas concessões do golfo do México e na refinaria de Pasadena, Texas e na Argentina continuará a ser um dos principais produtores de petróleo e de gás natural.

Em África, a Nigéria e Angola receberão 12 por cento e 5 por cento, respectivamente, do investimento ficando outros 17 por cento para os restantes países onde a Petrobras tem negócios.

A Petrobras anunciou prever um crescimento anual da produção de 8,8 por cento até 2013, de 240 mil barris por dia em 2008 para 341 mil barris em 2013.

A Petrobras tem negócios ma Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, Cuba, Estados Unidos da América, México, Portugal, Reino Unido, Turquia, China, Singapura, Índia, Irão, Japão, Paquistão, Angola, Líbia, Moçambique, Nigéria, Senegal e Tanzânia (Fonte: Macauhub, 2009-02-16).

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Os produtores africanos e seu melhor cliente*


A Indústria do Petróleo africana, que figura a cada dia mais importante geopoliticamente, caminha hoje entre o tênue fio que separa o potencial desenvolvimento de um país da submissão econômica. Seus produtores mais significativos são Líbia e Argélia (países do norte africano) e Nigéria e Angola (situados na costa oeste da África Subsaariana).

Altamente dependentes do petróleo, esses quatro produtores africanos respondem por estimadamente 9% da produção mundial, com uma produção diária de 8 milhões de barris. No que se refere às reservas, os quatro representam cerca de 8% das reservas mundiais, uma vez que estas totalizam 100 bilhões de barris. Dos quatro, somente Angola possui um R/P baixo. No quesito “consumo”, o quadro muda, pois quase todo o petróleo é para exportação. O consumo diário dos quatro produtores não totaliza sequer 1 milhão de barris/dia ( 876 mil por dia) – ou seja, cerca de 10% de sua produção. Entretanto, cabe ressaltar que este quadro poderá se modificar através das mudanças que certamente virão com as novas perspectivas econômicas e políticas.

Os caminhos de saída do continente africano favorecem os principais produtores. Enquanto Líbia e Argélia se beneficiam do Mar Mediterrâneo para atingir o mercado europeu, Nigéria e Angola têm à sua disposição o Oceano Atlântico, o qual lhes possibilita exportar com tranqüilidade também para as Américas (em 2007, as exportações de Angola para o Brasil praticamente duplicaram graças ao petróleo). O Egito, apesar de possuir reservas bem mais modestas, é largamente compensado por seu potencial logístico. Seu grande trunfo é o Canal de Suez, principal passagem africana para o mercado asiático. O canal detém tanto valor que chegou a ser o estopim para a segunda crise do petróleo (quando, em 1956, Gamal Nasser decidiu nacionalizar o Canal de Suez).

A situação dos dois principais “pares” de produtores é bastante distinta. Enquanto Líbia e Argélia estão posicionados entre os melhores IDHs do continente, Nigéria e Angola apresentam níveis baixos e sofrem com sérios conflitos internos (Angola vive em estado de paz nos últimos anos, o que torna as previsões mais otimistas). O único fio que realmente une estes países é a forte competição econômica envolvendo China e EUA, ambos investidores pesados do continente (a Índia, outro país em desenvolvimento, também investe, no entanto de maneira menos expressiva).

Dependendo das circunstâncias, esta competição pode ser saudável para a África. Na Líbia, país onde o nível de pobreza é baixo em comparação a países vizinhos, a força do Estado e a relativa consistência da economia impedem que os fortes investimentos americanos (e agora chineses) coloquem o país sob jugo estrangeiro e ao mesmo tempo garantem que os contratos internacionais sejam cumpridos. Na Argélia, onde a China ainda tem dificuldades para penetrar, a situação é semelhante, ainda que os EUA tenham bases militares instaladas no país.

Para os países subsaarianos, a situação é mais complexa. A Nigéria é um exemplo bastante ilustrativo: envolvida em conflitos internos, marcada pela pobreza e pela fragilidade da economia nacional, pode vir a tornar-se um alvo fácil para o domínio estrangeiro. Por ora, tanto a Nigéria quanto outros países subsaarianos vêm aproximando-se da China, aproveitando-se da postura chinesa de auxiliar na reconstrução do continente (ao mesmo tempo em que ocupa seu espaço no mercado africano). Em 2004, o crescimento do comércio entre China e África foi de impressionantes 50%, o que prova não ser por acaso a recente decisão dos chineses de injetar dois bilhões de dólares em Angola para a construção de infraestrutura offshore.

Apesar da expressiva produção, o consumo de petróleo dos países africanos é quase insignificante. Há poucas refinarias na África e a distribuição de combustíveis é limitada. Tomemos como exemplo a indústria automobilística: somando os quatro maiores produtores (Líbia, Argélia, Nigéria e Angola), não chegamos nem a quatro milhões de automóveis; com o mesmo número de habitantes (192 milhões de habitantes), a frota do Brasil é de quase 50 milhões de veículos.

É importante lembrar que a China, que tanto ambiciona o petróleo africano para atender sua demanda crescente (contribuindo para uma preocupante disparada nas cotações), também olha com atenção para o mercado consumidor africano. A China investe pesadamente em sua Indústria Automobilística e – com seus preços “tradicionalmente” baixos – poderá, em um futuro não muito distante, revolucionar a frota de automóveis africana. Isso sem contar com os investimentos destinados ao downstream, a ampliação da malha rodoviária, a geração de empregos e o aumento de renda (ou seja, tudo que é necessário para estimular o aumento da frota e, conseqüentemente, do consumo de derivados).

O aumento da frota mundial de veículos tende a crescer, e esta é apenas uma das ramificações de mercado a serem exploradas a partir do petróleo africano. Uma tendência que se pode apontar a partir da questão africana é a manutenção das elevadas cotações do petróleo. Esta tendência poderia ser freada se a produção mundial e o descobrimento de novas reservas viessem a aumentar consideravelmente, mas essas são situações que não dependem somente de questões técnicas e objetivas. Tudo dependerá de fato da geopolítica intercontinental, a cada dia mais complexa.


Mauro Kahn & Pedro Nobrega - Clube do Petróleo - Leia outros artigos e os primeiros desta série acessando o site
www.clubedopetroleo.com.br

Na próxima semana abordaremos as questões que envolvem a exploração e produção do petróleo na América do Norte, comentando particularmente os casos do Alasca (EUA) e do Canadá. Demonstraremos como, mesmo em uma região de grande tranqüilidade internacional, o petróleo ainda encontra obstáculos dentro da própria organização política, econômica e social do país produtor.


* Publicação e divulgação integral deste artigo estão autorizadas desde que sejam preservados os créditos de autoria e mantido inalterado o conteúdo.

(Fonte: Clube do Petróleo).

Exploração e Produção no Hemisfério Norte*

Em 1956, o geólogo da Shell M. King Hubbert previu durante uma conferência o auge e posterior declínio das reservas americanas a partir do final dos anos 60 e início dos anos 70. Com o passar das décadas, sua teoria comprovou-se na prática e os EUA passaram a temer o fim de suas reservas. Hubbert, no entanto, desconhecia o petróleo do Alasca, estado que hoje é a grande promessa dos EUA em termos de reservas. Embora a quantidade precisa de barris a serem explorados na região seja nebulosa e pouco divulgada por órgãos americanos, é provável que seja o suficiente para manter o nível de produção do país por mais algum bom tempo (os americanos permanecem como os terceiros maiores produtores do mundo). Apenas na National Petroleum Reserve a estimativa é de mais de 10 bilhões de barris.

No entanto, alguns obstáculos para que esse petróleo passe de fato a assumir um papel de destaque na produção nacional colocam-se no caminho. O principal deles diz respeito a questões ambientais. Cercada por reservas, a região já sofreu com o grave derramamento da Exxon Valdez em 1989 (até hoje considerado um dos mais traumáticos da História) e com mais um derramamento em 2006 (de menores proporções, mas suficiente para despertar a atenção dos órgãos de proteção ambiental). A pressão vem sendo muito forte por parte dos ambientalistas e – ainda que não impeçam o avanço nos projetos de coligação entre os dutos do Alasca e do Canadá – fazem com que investidores e políticos re-avaliem os benefícios de seguir por este caminho.

A pressão recai especialmente sobre os republicanos, acusados de querer aumentar a produção americana a qualquer custo. A escolha da governadora do Alasca Sarah Palin para integrar a chapa de John McCain é um indício das intenções republicanas, embora o atual governo esteja optando por investir no Golfo do México e fortalecer relações com o Canadá. Uma alternativa capitaneada pelos democratas para atenuar a demanda americana concerne o investimento em bioenergia. Por outro lado, apesar da capacidade americana de produzir o etanol a partir do milho, a quantidade de grãos necessária para produzir combustível de qualidade satisfatória é alta, o que leva a um aumento de preços preocupante para os criadores de gado e ativa os protestos de quem clama ser absurdo plantar energia no lugar de comida.

O Canadá vive uma situação semelhante ao Alasca em relação à questão ambiental. Extraído do arenito betuminoso, o mais promissor petróleo canadense (com reservas estimadas em 175 bilhões de barris) produz pelo menos cinco vezes mais dióxido de carbono, dentre outros danos relacionados ao ar, ao solo, às florestas e à água (a organização não-governamental Greenpeace posiciona-se como um dos mais ferrenhos adversários deste método de produção do petróleo). O gasto com gás natural também é extremamente alto; vale lembrar que os dispêndios atuais seriam o suficiente para alimentar 3,2 milhões de casas (isto se formos nos basear em dados atuais, desconsiderando o futuro aumento de produção).

Outra dificuldade para a extração do petróleo canadense é o custo de produção (o arenito betuminoso é mais caro de refinar e o aproveitamento do material bruto costuma ser menor). Durante muito tempo, devido à falta de tecnologia apropriada, a produção foi barrada por não gerar lucro. Mesmo hoje – quando o custo de extração baixou consideravelmente e o índice de recuperação saltou de 10% para 25% - existe a preocupação com a queda no preço do barril e com os altos investimentos necessários para habilitar uma infraestrutura capaz de suportar a produção em larga escala. O projeto canadense é produzir 4.8 milhões de barris/dia em 2020, o que lhes colocaria entre os 5 maiores produtores de petróleo do mundo.

Logisticamente, o Canadá não tem do que reclamar. Próximo de seu principal consumidor, os EUA, o país pode exportar facilmente seu petróleo através do Atlântico para a União Européia e, em um futuro próximo, poderá também transportá-lo até a China (falta ainda uma rede de dutos que leve o petróleo até o Pacífico). Hoje uma das principais discussões que envolvem o petróleo canadense é exatamente acerca do destino desse petróleo: enquanto alguns defendem que o Canadá se torne um exportador praticamente exclusivo dos EUA, apoiando-se na longa e fértil relação entre ambos os países, outros enxergam nas “areias oleosas” uma oportunidade de reforçar a independência econômica do Estado em relação aos vizinhos.

Como podemos constatar, o problema do petróleo no Hemisfério Norte – ao contrário da maior parte dos produtores – já não é a disputa com vizinhos ou as dificuldades de transporte (embora tais questões sempre existam). Daqui a algum tempo, com novos avanços tecnológicos, talvez nem mesmo a infraestrutura seja mais tão cara. E então o problema continuará sendo, acima de tudo, a responsabilidade internacional de dois países de primeiro mundo em buscar soluções para atender às suas necessidades e interesses, sempre de grande dimensão, sem causar um grande prejuízo ao planeta.


Mauro Kahn & Pedro Nobrega - Clube do Petróleo - Leia outros artigos e os primeiros desta série acessando o site
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* Publicação e divulgação integral deste artigo estão autorizadas desde que sejam preservados os créditos de autoria e mantido inalterado o conteúdo.
(Fonte: Clube do Petróleo)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Maiores consumidores de petróleo querem fim dos subsídios ao produto


Ministros de Energia dos maiores consumidores mundiais de petróleo pediram neste sábado, no Japão, o fim dos subsídios aos combustíveis e aumento da produção. Representantes da China, Índia, Coréia do Sul e Estados Unidos e Japão, que juntos consomem mais da metade do petróleo do mundo, não chegaram, contudo, a um acordo sobre como e quando a mudança deve ser feita. O pedido foi feito um dia depois da alta recorde do petróleo desta sexta-feira, quando o barril do petróleo fechou próxmo dos US$ 139.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Sam Bodman, argumentou que boa parte da responsabilidade pela alta do petróleo são os baixos preços na Ásia, onde as economias apresentam rápido crescimento e os subsídios têm promovido um aumento explosivo no consumo nos últimos anos.

- É impressionante, porque a produção mundial de petróleo tem se mantido em 85 milhões de barris diários. Sabemos que a demanda está aumentando porque muitas nações ainda subsidiam o petróleo - afirmou.

O embaixador da Índia disse que não era possível abandonar o controle dos subsídios, que ajudam a proteger a população de mais de um bilhão de pessoas e implicaria risco a estabilidade política e social da região.

- Como um país em desenvolvimento, não temos condição de abandonar totalmente os subsídios - disse Hemant Krishnan Singh, que participaou do encontro representando o ministro de Energia da Índia.

Tentativas recentes de reduzir os subsídios na Índia e na Malásia levaram a greves e confrontos.

Segundo analistas, esse tipo de problema deve se repetir antes do fim da crise causada pela alta nos preços do petróleo e dos alimentos.

Nesta semana, a Índia, Indonésia e Siri Lanka elevaram os preços do petróleo no mercado doméstico, pela segunda vez em dois anos. Mas analistas afirmam que um aumento de 10% tem pouco impacto para deter uma alta acelerada dos preços. A China, segundo maior consumidor de petróleo do mundo, já havia elevado seus preços em meados de 2006 e depois aumentou de novo em 10% em novembro. Os analistas vêem poucas chances do governo daquele país tomar medidas eficazes para combater a inflação. Analistas temem petróleo a US$ 150 em julho.

O salto registrado sexta-feira na cotação do petróleo - que subiu mais de US$ 10 em um único dia, batendo US$ 139,12 - trouxe o fantasma de um barril a US$ 150 às vésperas das férias de verão no Hemisfério Norte. Como mostra reportagem publicada pelo Globo, neste sábado, o banco de investimentos Morgan Stanley afirmou, em relatório, que o barril pode chegar a US$ 150 até 4 de julho, o Dia da Independência nos EUA, em que muitos americanos viajam. Em maio, o Goldman Sachs previra que, em dois anos, o barril chegaria a US$ 200.
"As exportações de petróleo do Oriente Médio estão estáveis, mas a Ásia está tomando uma fatia sem precedentes", afirmou o relatório, lembrando que os estoques americanos já caíram em 35 milhões de barris desde março.

Este ano, os preços do petróleo avançaram 44%, ameaçando o crescimento da economia dos principais países consumidores, incluindo os EUA, já abalados pela crise no mercado imobiliário. Segundo analistas, a dramática alta da commodity tem sido puxada pela demanda da China e de outros emergentes, bem como por investidores buscando proteção contra a desvalorização do dólar e a inflação nas economias desenvolvidas.

A alta do preço da commoditie se deveu ao recuo do dólar frente ao euro, após a divulgação do aumento do desemprego nos Estados Unidos, e às ameaças de um ataque israelense ao Irã. Em Nova York, o barril do tipo leve americano saltou US$ 10,75 (8,41%), para o recorde de US$ 138,54, tendo sido negociado a US$ 139,12 durante o pregão. Nos EUA e no resto do mundo, as bolsas desabaram. O índice DOW Jones recuou 3,1%. A Bolsa de São Paulo caiu 2% (Fonte: O Globo, 2008-06-07).

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Petrobras pode aumentar refino nos EUA

A Petrobras avalia a possibilidade de ter uma segunda refinaria nos Estados Unidos, que seria necessária para dar conta do esperado aumento da produção de petróleo na região, informou nesta segunda-feira o diretor da Área Internacional da estatal, Nestor Cerveró.
O diretor afirmou a jornalistas que além da ampliação da refinaria de Pasadena, no Texas, uma joint-venture da Petrobras com a Astra, a estatal discute outras alternativas para elevar sua capacidade de refino.
"Não é só a questão de ampliação, estamos examinando outro negócio de refino lá", afirmou Cerveró.
A Petrobras pretende processar de 200 mil a 250 mil barris de petróleo por dia nos EUA até 2012, dependendo das negociações para elevar a capacidade de refino no país, disse o executivo.
A refinaria de Pasadena processa cerca de 100 mil barris por dia e há planos para elevar sua capacidade.
Os Estados Unidos serão o principal destino dos investimentos no exterior da Petrobras.
Dos 15 bilhões de dólares de investimentos externos previstos no plano de negócios 2008-2012, 4,9 bilhões, ou 32 por cento, serão aplicados nos EUA.
A Petrobras é operadora em dois campos no Golfo norte-americano, Chinook e Cascade, onde começará a produzir em 2010.
Além dos EUA, Cerveró também comentou a situação no Japão. A Petrobras negocia desde o ano passado a compra de uma refinaria em Okinawa, mas até agora não houve um acordo.
"Estamos negociando há algum tempo com eles e até com outros. Essa questão do tempo causa um certo desgaste. Estamos examinando a possibilidade e vamos manter sigilo". Ele ainda descartou a possibilidade de ter uma refinaria em Roterdã, na Holanda. "Chegamos a examinar mas o processo não avançou". (Agência Estado)

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Petrobras arremata 34 áreas nos EUA

A Petrobras adquiriu ontem direitos de exploração em mais 34 blocos na seção americana do Golfo do México, uma região que voltou a despertar grande interesse da indústria do petróleo nos últimos anos e se tornou uma das prioridades do ambicioso projeto de expansão internacional da empresa brasileira. Num leilão realizado ontem pelo governo americano, a estatal arrematou a maioria das áreas que lhe pareceram atraentes. Ela apresentou ofertas para 40 blocos e só perdeu seis para outras companhias. Com o leilão de ontem, subiu para 336 o número de áreas do golfo em que a Petrobras tem interesse. Desde 2001, quando passou a investir mais agressivamente na região, a Petrobras já gastou US$ 135 milhões para adquirir novos blocos nos leilões organizados pelo governo. Para arrematar as áreas cujos direitos foram adquiridos ontem, a empresa vai desembolsar mais US$ 29 milhões. Haverá outro leilão nos EUA neste ano, em outubro. A Petrobras tem reservas equivalentes a 57 milhões de barris de petróleo e produz atualmente cerca de 20 mil barris de óleo por dia no golfo. É muito pouco perto do que a companhia tem em lugares como a Bolívia, a Argentina e a Nigéria. Mas os investimentos da estatal têm crescido mais aceleradamente nos EUA do que em outros países. Nos próximos cinco anos, a empresa espera aumentar em seis vezes sua produção no golfo, com o desenvolvimento de jazidas de óleo e gás descobertas recentemente e sem contar com a possibilidade de que novos depósitos sejam encontrados. O orçamento da Petrobras tem investimentos de US$ 4,5 bilhões previstos para os EUA até 2011. O Golfo do México voltou a atrair o interesse da indústria do petróleo nos últimos anos por causa de uma combinação de fatores. Avanços nas tecnologias de prospecção e exploração tornaram promissores investimentos em áreas onde ninguém nunca encontrara nada que valesse a pena extrair, e a alta dos preços internacionais do petróleo estimulou as companhias a fazer apostas mais arriscadas. A Petrobras e outras grandes empresas do setor encontraram reservas significativas em áreas do golfo que nunca tinham sido exploradas antes, afastadas da costa dos EUA e em grandes profundidades. Mas os analistas que acompanham a indústria acreditam que ainda será preciso esperar algum tempo para saber se elas vão superar várias dificuldades que as condições geológicas desses blocos apresentam. A britânica BP foi a empresa que mais se destacou no leilão de ontem, arrematando 91 dos 108 blocos que disputou. Quem mais gastou foi a norueguesa Statoil, que se comprometeu a pagar US$ 139 milhões por 36 áreas. A Petrobras adquiriu os direitos de alguns blocos em parceria com a americana Devon Energy. Elas ficaram com a área mais disputada do leilão, um bloco que teve sete ofertas. (Campo Grande News)

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Apesar dos EUA, Petrobras mantém projetos no Irã

Cláudia Schüffner (Valor Econômico)

A tentativa do governo americano de bloquear investimentos da Petrobras no Irã não tiveram qualquer efeito sobre os planos da estatal brasileira naquele país. A companhia vai concluir este mês a perfuração de um poço chamado "taftan1" no bloco Tusan que fica no Golfo Pérsico iraniano. Esse primeiro poço vai custar cerca de US$ 50 milhões, segundo estimativa do gerente-executivo da estatal responsável pela Américas, África e Eurásica, Samir Awad.

Outro poço será perfurado em data ainda não definida, que custará cerca de US$ 30 milhões, mais barato por ser tecnicamente mais simples e em águas rasas. A partir daí, e caso seja feita alguma descoberta, a Petrobras teria que assinar um contrato de prestação de serviços com a estatal National Iranian Oil Co. (Nioc).

Questionado sobre as possíveis repercussões na estatal sobre as preocupações americana com os investimentos da Petrobras no Irã, Awad explicou que não há nenhuma negociação em andamento com o governo iraniano, ou pelo menos, nada concreto. "Existem apenas conversas, apenas prospecção de negócios", explicou Awad, que está em Houston para a Offshore Technology Conference (OTC).

Ele confirmou que o governo americano procurou a Petrobras para "tentar entender o que estava por trás das notícias na mídia (sobre investimentos da companhia no Irã) e qual era o ponto da verdade. E a Petrobras foi absolutamente clara ao dizer que hoje não há nenhum investimento previsto", frisou Awad.

O executivo lembrou que o presidente Lula já disse que as decisões de investimento da Petrobras são uma questão de soberania nacional. "A Petrobras investe aonde ela bem entender, dentro ou fora do Brasil. E temos hoje exemplos de empresas de grande porte que mostram que não deve haver constrangimento nenhum. Não é por isso que a Petrobras seria mal vista (no exterior)", disse o executivo.

À noite, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, tentou desmentir a informação do diretor e disse que o governo americano não levou qualquer preocupação dessa natureza à companhia. Gabrielli participou de um coquetel para comemorar o prêmio obtido pelo gerente geral de Engenharia Básica da Petrobras, Marcos Assayag, o "Distinguished Achievement Award for Individuals", da OTC.

Pela regra iraniana, as empresas estrangeiras que produziram no país precisam entregar todo o óleo para a Nioc já que não podem ter a titularidade do óleo. Se fizerem descobertas, elas assinam contrato de prestação de serviços que prevê a recuperação dos custos e de prestação de serviços. Segundo Awad, o acordo firmado pela Petrobras e a Nioc estabelece apenas a obrigação da brasileira perfurar dois poços. A partir daí, se ela encontrar petróleo, passará para o estágio de negociação de contrato de prestação de serviços.

O governo americano estabelece pesadas sanções para indivíduos e empresas americanas que investem no Irã, ou que vendam produtos e serviços para o país. Agora o governo Bush tem tentado ampliar o escopo dessas restrições, com o objetivo de demover investimentos estrangeiros. Mas até agora eles não tiveram muito sucesso com empresas estrangeiras.