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quarta-feira, 27 de março de 2013

Exportações de petróleo angolano em Maio aproximam-se de nível recorde de Agosto de 2012

As exportações de petróleo angolano em maio vão aproximar-se do nível recorde alcançado em agosto, quando foi vendido o correspondente a 1,831 milhões de barris diários, segundo dados de várias agências internacionais.

Segundo a Bloomberg, Angola já assegurou para maio a venda de 56.740 milhões de barris, o que corresponde a 1,830 milhões de barris diários.

As vendas confirmadas de petróleo angolano em abril totalizaram 52.900 milhões de barris ou 1.760 milhões de barris diários.

Outra agência, a Reuters, que cita um operador do mercado de compra e venda de petróleo, refere que metade do petróleo angolano exportado em maio se destina à China.

"A China comprou metade da produção angolana (de maio), e a procura tem sido consistente nos últimos meses", acrescentou a fonte.

Angola é atualmente o segundo maior produtor de petróleo da África subsaariana, atrás da Nigéria, que produz em diariamente, em média, 2 milhões de barris.

A importância de Angola e da Nigéria foi hoje destacada em Libreville, na abertura dos trabalhos da 30ª Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da Associação de Produtores de Petróleo Africano (APPA), pelo primeiro-ministro do Gabão, Raymond Ndong Sima.

Os dois países têm sido fundamentais no crescimento da APPA, frisou o chefe do governo gabonês.

Angola está presente na conferência com uma missão chefiada pelo seu ministro dos Petróleos, Botelho de Vasconcelos, e as delegações nacionais presentes participam terça-feira no 5º Congresso Africano de Petróleo, que decorrerá também em Libreville até à próxima quinta-feira.

O petróleo é o principal produto de exportação de Angola, com o setor petrolífero a representar 45 por cento do Produto Interno bruto, 70 por cento das receitas fiscais e 90 por cento das exportações.

Fonte: inonline - Agência Lusa, 2013-03-25.

http://www.ionline.pt/mercados/exportacoes-petroleo-angolano-maio-aproximam-se-nivel-recorde-agosto-2012

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Exportação brasileira de petróleo despenca em janeiro

As exportações brasileiras de petróleo despencaram 66,4 por cento no mês de janeiro ante o mesmo período de 2012, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior divulgados nesta sexta-feira.

Os embarques somaram 735 mil toneladas em janeiro, enquanto um ano antes totalizaram 2,19 milhões de toneladas, segundo a Secex, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Em comparação com o volume exportado no mês de dezembro, quando os embarques somaram 3,3 milhões de toneladas, houve uma queda ainda maior, de 77,7 por cento.

Em termos financeiros, também houve baixa relevante: as receitas despencaram 69 por cento em relação ao ano anterior, totalizando neste ano 473 milhões de dólares.

Na comparação com dezembro, quando o faturamento somou 2,3 bilhões de dólares com as vendas externas, houve redução de 79 por cento na receita de janeiro de 2013.


(Fonte: Exame.Abril, 2013-02-01).

domingo, 19 de setembro de 2010

Brasil se tornará exportador líquido de petróleo em 2011, diz AIE


O Brasil se tornará exportador líquido de petróleo em 2011, afirma a Agência Internacional de Energia (AIE), no relatório mensal sobre o setor. A entidade estima que a produção brasileira de óleo crescerá de 2,2 milhões de barris por dia em 2010 para 2,4 milhões de barris por dia no próximo ano.

"(2011) será o primeiro ano do Brasil como exportador líquido de petróleo, embora volumes mais significativos só devam ficar disponíveis para o mercado mundial nos anos seguintes", diz o relatório.

A agência nota que a produção de Tupi avançará até o fim deste ano, saindo do atual estágio de piloto, com 20 mil barris diários, para a próxima fase, com 100 mil barris diários. Trata-se do primeiro desenvolvimento em larga escala do pré-sal. Em junho, os campos de Uruguá e Cachalote iniciaram produção com capacidade de 35 mil e 100 mil barris por dia, respectivamente.

Na avaliação da AIE, ainda não está claro qual será o impacto da interrupção da produção da P-33, na Bacia de Campos, e das reclamações dos trabalhadores sobre questões de segurança.

"Greve e protestos dos funcionários realçaram preocupações com a segurança das plataformas mais velhas e o sindicato vem, desde então, pedindo a suspensão do trabalho em outros locais, incluindo a P-31 e a P-35."

As atividades da P-33 foram suspensas, em meados de agosto, pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Segundo a Petrobras, antes da interrupção a plataforma registrava produção de 19 mil barris diários, bem abaixo da capacidade de 60 mil. O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense alega problemas em pelo menos outras quatro plataformas na Bacia de Campos. (Fonte: Estadão/Agência Estado, 2010-09-10).

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Petrobras e Sinopec devem assinar acordo para petróleo este mês


A Petrobras deve assinar em abril com a gigante chinesa Sinopec um acordo de cooperação que prevê o fornecimento de petróleo não refinado, afirmou um executivo da estatal asiática.

"As discussões estão caminhando para uma maior cooperação entre ambas as companhias... Um acordo será assinado em meados ou no final deste mês quando visitarmos o Brasil", disse o executivo nesta quinta-feira. "A Sinopec possui a responsabilidade de importar petróleo não refinado para a China, então acreditamos que o acordo deve incluir o fornecimento da commodity."

A visita planejada pela Sinopec ao Brasil deve acontecer antes da visita do presidente chinês, Hu Jintao, prevista para o final de abril, segundo o oficial. (Fonte: O Globo - Globo / Reuters / Brasil Online, 2010-04-01).

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Exportação de petróleo angolano deverá ter pico em outubro


As exportações de petróleo angolanas deverão atingir 1,903 milhões de barris diários em outubro - o nível mais elevado do ano -, e acima da cota do país africano estabelecida pela Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), segundo os programas de exportação.

Os programas preliminares das grandes petrolíferas que operam no país, segundo a agência de informações financeiras
Bloomberg, apontam para um total de 62 carregamentos em outubro, num valor total de 59,1 milhões de barris, uma média diária de 1,903 milhões de barris. Trata-se do nível mais elevado desde dezembro do passado, quando a Opep fez sucessivos cortes de produção para tentar conter a derrubada dos preços do produto nos mercados internacionais.

Em setembro, as exportações atingiram uma média diária de 1,854 milhões de barris, num total de 58 carregamentos.
Segundo o ministro angolano do Petróleo, Botelho de Vasconcelos, o atual objetivo de produção do país é de cerca de 1,656 milhões de barris, no âmbito da Opep. O cartel petrolífero aumentou o nível de produção em julho, após recuperação dos preços registrada nos últimos meses.


Melhora

As melhores perspectivas para o setor petrolífero angolano têm levado os analistas que acompanham a economia do país a rever em alta as previsões de crescimento, afastando o cenário de recessão profunda estimada no início do ano.

Na semana passada, o Banco Mundial reviu a quebra de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) para um crescimento nulo, afirmou à Agência Lusa o economista-chefe da instituição para Angola, Ricardo Gazel.

O economista brasileiro afirma que o crescimento angolano poderá até ser positivo, se o setor petrolífero crescer mais de 10%.
Mas, entretanto, o preço do petróleo subiu e a produção de petróleo angolana inscrita no Orçamento de Estado revisto, 1,8 milhões de barris diários, está apenas 6,5 % abaixo da registrada no ano passado.

Apesar da quebra, afirma Gazel, o valor previsto para a produção está "acima do que seria se todos os cortes acordados com a OPEP fossem implementados".


"Mas a verdade é que nenhum país está a implementar a 100%" os cortes do cartel, frisou. (Fonte: Agência Lusa, 2009-08-19).

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Companhias dos EUA exploram 50% do petróleo angolano


O petróleo está no centro das relações econômicas bilaterais entre Angola e os Estados Unidos, com duas petrolíferas norte-americanas operando poços que representam cerca de metade das exportações angolanas do combustível em estado bruto.

Segundo dados da Administração para a Informação Energética, organismo estatístico de Washington para o setor, o Bloco 15 (off-shore do Soyo), representa perto de 30% da produção angolana, e é operado pelo "gigante" norte-americano ExxonMobil, através da subsidiária Esso, com uma participação de 40% no consórcio.
Além dela, a Chevron opera o Bloco 0 (Cabinda), de onde sai aproximadamente 20% da produção angolana, tendo como parceiros a Sonangol, a TotalFinaElf e a ENI-Agip.
A Chevron ainda opera o Bloco 14, o primeiro de águas ultraprofundas a entrar em produção (105 mil barris em 2006).
O país tem ainda a também norte-americana Marathon, que recentemente chegou a acordo com duas petrolíferas chinesas - Sinopec e CNOOC - para vender, por US$ 1,2 bilhão, 20% da sua participação no Bloco 32, considerado "altamente promissor" nos trabalhos de prospecção já realizados.

De acordo com a Bloomberg, o negócio contava ainda com o interesse da indiana ONGC e da Petrobras.


China

Angola é o sexto maior fornecedor petrolífero dos Estados Unidos, sendo a venda da Marathon emblemática da sobreposição dos interesses norte-americanos com os da China.

O gigante asiático já tem em Angola o seu principal fornecedor petrolífero africano - 599 milhões de barris em 2008, no valor de US$ 59,9 bilhões, segundo dados da Agência Internacional de Energia.

"As exportações para os países asiáticos cresceram rapidamente nos últimos anos, particularmente para a China (...) A Sonangol e a Sinopec vão também estar atentas a futuras concessões, particularmente nos 23 blocos na Bacia do Kwanza e áreas abandonadas dos blocos 15, 17 e 18", diz a Administração para a Informação Energética norte-americana.

Juntos, Estados Unidos e China recebem atualmente 90% das exportações petrolíferas angolanas, que por sua vez contribuem com mais de 80% do PIB e 83% das receitas do Estado (2008) (Fonte TN Petróleo / Agência Lusa, 2009-08-06).

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Galp informa que primeiro navio com petróleo de Tupi chega a porto paulista


O primeiro navio com petróleo de Tupi chegará em breve ao porto de São Sebastião, no Estado de São Paulo. A portuguesa Galp, que tem participação de 10% do bloco BM-S-11, onde foram econtrados os campos de Tupi, Iara e Iacema, informou onte e Lisboa que foram transferidos 315 mil barris de petróeo da plataforma (FPSO) Cidade de São Vicente para o navio Nordic Spirit. A viagem até o porto de São Sebastião demora cerca de 15 horas.


O óleo foi extraído do poço chamado Tupi Sul, que começou a produzir oficialmente, e um teste de longa duração (TLD) no dia 1º de maio. Como a plataforma de produção não tem grande capacidade de armazenamento, assim que ela fica "cheia" tem que ser esvaziada com a transferência do petróleo para o navio chamado de aliviador, que leva o produto até uma unidade em terra para ser refinado.


Segundo a Galp, estão sendo produzidos por meio desse poço cerca de 14 mil barris de petróleo por dia. Na nota divulgada ontem, o presidente da Galp, Manuel Ferreira de Oliveira, ressaltou que o dia 23 de junho representa a incorporação no mercado das primeiras quantidades de óleo cru provenientes do pré-sal da Bacia de Santos, sendo assim outro dia que ficará na história desse grande projeto.


Além do BM-S-21, onde até agora foram encontrados três reservatórios, a portuguesa Galp tem a participação acionária em blocos com descobertas importantes de petróleo e gás no pré-sal: BM-S-8 (Bem-te-Vi), BM-S-24 (Júpiter), BM-S-21 (Caramba). Contabilizando as áreas ultra-profundas em alto mar, a Galp tem participação em 20 projetos no Brasil, todos em parceria com a Petrobras.


Procurada ontem, a estatal brasileira não confirmou as informações dadas pela Galp. O Valor apurou que a produção em Tupi não foi contínua desde o dia1º de maio porque houve paradas de produção para testes em horizontes mais profundos para checar o comportamento do reservatório. Se opoço Tupi Sul estivesse produzindo há 54 dias - de 1º de maio a 23 de junho, data informada pela Galp para início de transferência do petróleo armazenado - a produção acumulada seria de 756 mil barris de petróleo e não os 315 mil informados pela portuguesa. Até o fechamento da edição a Petrobras não informou qual o destino desse óleo e nem se a parte da Galp será exportada. Tupi é operada pela Petrobras (65%) tendo como sócias a BG Group (25%) e a própria Galp (10%) (Fonte: Valor Econômico, 2009-06-26)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Petrobras define crédito de US$ 10 bi com banco chinês


A Petrobras e o Banco de Desenvolvimento da China (BDC) assinaram ontem o contrato de financiamento de US$ 10 bilhões que serão utilizados no programa de investimentos da estatal brasileira. Segundo maior empréstimo individual obtido pela companhia, a operação eleva a captação de recursos nos primeiros cinco meses de 2009 a US$ 30 bilhões, um valor recorde, três vezes maior do que o registrado no ano de 2008. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou que os US$ 30 bilhões suprem as necessidades de financiamento da companhia pelos próximos dois anos. Além dos US$ 10 bilhões do BDC, a estatal obteve US$ 12 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), US$ 6,5 bilhões com um sindicato de bancos e US$ 2 bilhões com o Eximbank.


Segundo Gabrielli, a taxa de juros cobrada pelos chineses está abaixo dos cerca de 6,5% a 7% incidentes nas captações da companhia de prazo semelhante ao do empréstimos do BDC, que será pago em dez anos. O menor custo decorre do fato de que o empréstimo tem como garantia a receita da venda de petróleo da estatal brasileira para a chinesa Sinopec, também fechado ontem, com prazo idêntico.


A Petrobras fornecerá 150 mil barris de petróleo por dia neste ano e 200 mil barris/dia a partir de 2010, quantia que será mantida por nove anos. Isso significa que o financiamento não será pago por meio da entrega de petróleo, como se esperava inicialmente, mas está vinculado à venda do produto durante a vigência do contrato.


Com essas quantias, a Petrobras vai mais que triplicar o volume de exportações para a China, hoje em 60 mil barris/dia. As negociações para os dois acordos tiveram início em novembro de 2008. Os detalhes finais foram definidos em reunião que começou na manhã de segunda-feira e só terminaram às 6h30 de ontem, a tempo de os contratos serem assinados na presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hu Jintao.


A cerimônia ocorreu no Grande Palácio do Povo, em Pequim, depois de reunião de trabalho entre os dois presidentes e ministros. No total, foram assinados 13 documentos, entre os quais acordos de cooperação em diversas áreas.


Gabrielli afirmou que o contrato não está condicionado à compra de máquinas e equipamentos da China. Ainda assim, a empresa deverá realizar operações desse tipo. Segundo ele, várias fabricantes chinesas de máquinas e equipamentos manifestaram interesse de instalar plantas no Brasil para suprir a demanda da estatal, que poderia usar parte do financiamento para pagá-las.


Além da Petrobras, o BDC dará linha de crédito de US$ 800 milhões ao BNDES e de US$ 100 milhões ao Itaú BBA. Os dois bancos atuarão como agentes repassadores dos recursos a empresas brasileiras, com prioridade a projetos relacionados de alguma forma à China.


O BDC também fechou acordo com o Banco do Brasil (BB), que permitirá à instituição brasileira repassar recursos do banco chinês a clientes que tenham negócios com o país asiático. Segundo o gerente regional do BB na Ásia, Admilson Monteiro Garcia, as operações devem beneficiar importadores de produtos da China, mas não está descartada a concessão de crédito para a exportação e realização de investimentos (Fonte: Ultimo Segundo - IG/Agencia Estado, 2009-05-20).

sexta-feira, 13 de março de 2009

Obama quer petróleo brasileiro, diz El País


O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou ontem que o Brasil tem interesse em ampliar as exportações de petróleo para os Estados Unidos e admitiu que o tema pode ser tratado na viagem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia esta semana àquele país.


Com a perspectiva de descobertas gigantes no pré-sal, o Brasil atraiu o interesse de grandes consumidores do combustível, como a China, que acena com financiamento à Petrobrás em troca de garantia de fornecimento de petróleo.


O tema vem provocando especulações na imprensa internacional. Ontem, o jornal espanhol El País publicou reportagem afirmando que já há conversas informais sobre um acordo comercial bilateral que aumente o fluxo de petróleo entre Brasil e EUA. Segundo o texto, o interesse pela compra de petróleo brasileiro já foi anunciado pela administração Barack Obama que, assim, reduziria sua dependência da Venezuela, de Hugo Chávez.


Petrobrás e Itamaraty dizem desconhecer tratativas sobre o tema, mas Lobão diz que há um interesse mútuo que poderia se transformar em acordo comercial. "O mundo inteiro quer comprar nosso petróleo. Há uma fila para comprar nosso petróleo", disse o ministro, explicando que o Brasil tem excesso de petróleo pesado e os países precisam fazer "um mix" dos óleos pesados e leves. Ele lembra que, com a exploração da camada do pré-sal, o Brasil também terá elevada produção de óleo leve."Eventualmente, pode ocorrer uma negociação na viagem (de Lula aos EUA), comentou Lobão. A agenda, porém, não prevê o fechamento de nenhum acordo durante o primeiro encontro entre Lula e Obama. No mês passado, a Petrobrás firmou um acordo de cooperação com empresas chinesas, segundo o qual garantiu um financiamento de US$ 10 bilhões em troca do fornecimento de petróleo. Os detalhes sobre volume ou preços de exportação do óleo brasileiro ainda não foram definidos.


Lobão disse que um eventual acordo com os Estados Unidos não deve provocar atritos com Hugo Chávez. "Ele é quem mais vende petróleo. Vende 2 milhões de barris por dia, mais do que consumimos no Brasil", afirmou. "O Chávez é amigo do Brasil", contemporizou, dizendo que os EUA não deixarão de comprar da Venezuela.


A Petrobrás exportou, em 2008, a média de 439 mil barris de petróleo por dia, e a tendência é que o número cresça à medida que novos campos entrem em operação. Segundo os planos da empresa, o pré-sal estará produzindo, em 2020, 1,8 milhão de barris, o equivalente a todo o consumo atual do País.


Para o consultor político Thiago de Aragão, da Arko Advice, porém, as possibilidades de um acordo com os EUA no curto prazo para venda de petróleo são remotas. Ele acredita que a agenda americana com o Brasil está hoje mais voltada para o etanol. O tema, no entanto, foi retirado da pauta do encontro presidencial, informou Lobão. "O Palácio achou melhor deixar o tema para outro momento", disse o ministro, sem dar mais detalhes. "O que não impede Lula de falar sobre o assunto", acrescentou.



NÚMEROS


US% 10 bi é quanto a Petrobrás vai obter em financiamento do governo chinës em troca defornecimento de petróleo


439 mil barris de petróleo por dia foi quanto o Brasil exportou no ano passado


2 milhões de barris de petróleo por dia é quanto a Venezuela exporta


1,8 milhão de barris de petróleo por dia será quanto o País vai produzir em 2020 no pré-sal, o equivalente a todo o consumo atual do País

(Fonte: Porto Gente / O Estado de S.Paulo, 2009-03-10).

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Brasil deverá exportar derivados dentro de uma década


O Brasil deverá atingir a condição de exportador líquido de petróleo e derivados na próxima década, informou a Empresa de Pesquisas Energética (EPE) no seu Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2008-2017), planejamento decenal para a expansão energética brasileira realizado anualmente pelo órgão.

Segundo a EPE, esse cenário deverá ocorrer em função do desenvolvimento da produção em campos já descobertos e dos investimentos no parque de refino. A instituição disse ainda que a produção de petróleo deverá aumentar significativamente no período, saindo dos atuais 1,85 milhão de barris por dia (bpd) em 2008 para uma produção acima de 3 milhões de bpd em 2017, mantendo a auto-suficiência na relação entre produção e consumo, condição conquistada em 2007.

Além da construção da Refinaria Abreu e Lima e do Comperj, que elevarão a capacidade de produção de derivados de petróleo para 2,375 milhões de bpd a partir de 2013, foram estudadas alternativas de expansão adicional do parque de refino, com a inclusão de uma ou duas novas refinarias.

No caso da implementação de uma refinaria de 600 mil bpd, atende-se plenamente o crescimento da demanda nacional de derivados, ocorrendo até uma pequena exportação líquida de derivados da ordem de 87 mil bpd em 2016 - não ocorrendo este excedente em 2017. Se forem construídas duas novas refinarias, num total de 900 mil bpd, o país teria capacidade de exportar cerca de 300 mil bpd em derivados de petróleo.

Na área de gás natural, projeta-se até 2017 uma ampliação e oferta e da participação deste energético no país, devido ao incremento da produção interna. Além disso, considera-se a perspectiva de novos terminais de gás natural liquefeito (GNL) além dos dois terminais do Rio de Janeiro e do Ceará que iniciam sua operação em 2009. Prevê-se também que a importação de gás importado da Bolívia permanecerá estável nos níveis atuais.

A oferta total de gás nacional alcançará o patamar de 100 milhões de m3/dia em 2017, que acrescidos ao gás boliviano importado e à futura capacidade de importação de 35 milhões de m3/dia via GNL, ampliarão a capacidade de oferta para 165 milhões de m3/dia em 2017 (Fonte: Gazeta Mercantil / InvestNews, 2009-02-06).

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Angola se torna maior fornecedor de petróleo à China


Angola se tornou o maior fornecedor de petróleo à China, ficando à frente da Arábia Saudita, afirma nesta sexta-feira o jornal China Daily, num suplemento especial de quatro páginas dedicado ao país africano.

“Angola ultrapassou recentemente a Nigéria como principal produtor de petróleo em todo o continente africano e há poucos meses tornou-se o maior fornecedor de petróleo à China, à frente da Arábia Saudita”, diz o artigo de abertura do suplemento.

No texto, intitulado “Crescimento mútuo marca parceria sino-angolana”, Angola é descrita como “um gigante africano que depois de muitos anos de guerra, alcançou a estabilidade e cuja economia tem crescido cerca de 20% (em média, ao ano)”.

Devido ao petróleo, Angola se tornou também o maior parceiro comercial da China na África e grandes empresas chinesas estão envolvidas no programa angolano de reconstrução nacional, que conta com um financiamento chinês estimado em US$ 5 bilhões (Fonte: Angonoticias, 2009-01-23).

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Presidente da Opep espera que corte de produção ajude preços


A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) está fortemente comprometida com seu maior corte de produção da história, que deve ser suficiente para impulsionar os preços da commodity que chegaram a menos de 40 dólares o barril, disse o presidente do grupo à Reuters nesta terça-feira.


Em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo no começo do mês, Botelho de Vasconcelos também disse que a Opep não deve se reunir antes da próxima reunião formal do cartel, em 15 de março, em Viena. "Em março nós iremos nos reunir para avaliar os cortes acordados em dezembro. Mas eu acredito que se todos os cortes forem feitos dentro do prazo programado, haverá um impacto no mercado que levará a uma tendência positiva em termos de preços do petróleo", disse Vasconcelos, que também é o ministro do Petróleo de Angola. "Eu acredito que todos os cortes estão sendo realizados, apesar de nem todos países poderem aderir ao acordo de corte no primeiro dia."


Os ministros do petróleo da Opep concordaram no último mês em remover 2,2 milhões de barris por dia a partir de 1o de janeiro, em uma corrida para equilibrar o fornecimento ante o rápido declínio da demanda por combustível (Fonte: Reuters, 2009-01-20).

sábado, 20 de setembro de 2008

Angola: Avaria no campo Plutónio faz cair exportação de petróleo angolano


Uma avaria no campo Plutónio vai fazer com que as exportações de petróleo de Angola caiam 10 por cento em Novembro para o valor mais baixo dos últimos nove meses, informou a agência noticiosa Bloomberg.


A agência cita petrolíferas como a BP, Total, Chevron e outras que prevêem exportar um total de 1,76 milhões de barris diários em Novembro, abaixo do recorde de 1,96 milhões de barris previstos para Outubro.


A agência adianta que a previsão é a mais baixa desde Fevereiro deste ano, em que Angola tem exportado uma média de 1,9 milhões de barris diários, a quota atribuída pela Organização de Países Exportadores de Petróleo.


Angola afirmou-se este ano como o maior produtor petrolífero da África sub-saariana, ultrapassando a Nigéria, cuja produção tem sido afectada por ataques armados contra as infra-estruturas produtivas, nomeadamente da Royal Dutch Shell.


Para o aumento deste ano contribuem principalmente a subida das exportações dos campos Mondo (mais 93,6 por cento, para 122,6 mil barris diários) e Cabinda (mais 29 por cento, para 245,16 mil barris).


Segundo estatísticas da BP, no ano passado Angola produziu 1,72 milhões de barris de petróleo, atrás dos 2,36 milhões de barris diários da Nigéria (Macauhub, 2008-09-18).

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Os produtores africanos e seu melhor cliente*


A Indústria do Petróleo africana, que figura a cada dia mais importante geopoliticamente, caminha hoje entre o tênue fio que separa o potencial desenvolvimento de um país da submissão econômica. Seus produtores mais significativos são Líbia e Argélia (países do norte africano) e Nigéria e Angola (situados na costa oeste da África Subsaariana).

Altamente dependentes do petróleo, esses quatro produtores africanos respondem por estimadamente 9% da produção mundial, com uma produção diária de 8 milhões de barris. No que se refere às reservas, os quatro representam cerca de 8% das reservas mundiais, uma vez que estas totalizam 100 bilhões de barris. Dos quatro, somente Angola possui um R/P baixo. No quesito “consumo”, o quadro muda, pois quase todo o petróleo é para exportação. O consumo diário dos quatro produtores não totaliza sequer 1 milhão de barris/dia ( 876 mil por dia) – ou seja, cerca de 10% de sua produção. Entretanto, cabe ressaltar que este quadro poderá se modificar através das mudanças que certamente virão com as novas perspectivas econômicas e políticas.

Os caminhos de saída do continente africano favorecem os principais produtores. Enquanto Líbia e Argélia se beneficiam do Mar Mediterrâneo para atingir o mercado europeu, Nigéria e Angola têm à sua disposição o Oceano Atlântico, o qual lhes possibilita exportar com tranqüilidade também para as Américas (em 2007, as exportações de Angola para o Brasil praticamente duplicaram graças ao petróleo). O Egito, apesar de possuir reservas bem mais modestas, é largamente compensado por seu potencial logístico. Seu grande trunfo é o Canal de Suez, principal passagem africana para o mercado asiático. O canal detém tanto valor que chegou a ser o estopim para a segunda crise do petróleo (quando, em 1956, Gamal Nasser decidiu nacionalizar o Canal de Suez).

A situação dos dois principais “pares” de produtores é bastante distinta. Enquanto Líbia e Argélia estão posicionados entre os melhores IDHs do continente, Nigéria e Angola apresentam níveis baixos e sofrem com sérios conflitos internos (Angola vive em estado de paz nos últimos anos, o que torna as previsões mais otimistas). O único fio que realmente une estes países é a forte competição econômica envolvendo China e EUA, ambos investidores pesados do continente (a Índia, outro país em desenvolvimento, também investe, no entanto de maneira menos expressiva).

Dependendo das circunstâncias, esta competição pode ser saudável para a África. Na Líbia, país onde o nível de pobreza é baixo em comparação a países vizinhos, a força do Estado e a relativa consistência da economia impedem que os fortes investimentos americanos (e agora chineses) coloquem o país sob jugo estrangeiro e ao mesmo tempo garantem que os contratos internacionais sejam cumpridos. Na Argélia, onde a China ainda tem dificuldades para penetrar, a situação é semelhante, ainda que os EUA tenham bases militares instaladas no país.

Para os países subsaarianos, a situação é mais complexa. A Nigéria é um exemplo bastante ilustrativo: envolvida em conflitos internos, marcada pela pobreza e pela fragilidade da economia nacional, pode vir a tornar-se um alvo fácil para o domínio estrangeiro. Por ora, tanto a Nigéria quanto outros países subsaarianos vêm aproximando-se da China, aproveitando-se da postura chinesa de auxiliar na reconstrução do continente (ao mesmo tempo em que ocupa seu espaço no mercado africano). Em 2004, o crescimento do comércio entre China e África foi de impressionantes 50%, o que prova não ser por acaso a recente decisão dos chineses de injetar dois bilhões de dólares em Angola para a construção de infraestrutura offshore.

Apesar da expressiva produção, o consumo de petróleo dos países africanos é quase insignificante. Há poucas refinarias na África e a distribuição de combustíveis é limitada. Tomemos como exemplo a indústria automobilística: somando os quatro maiores produtores (Líbia, Argélia, Nigéria e Angola), não chegamos nem a quatro milhões de automóveis; com o mesmo número de habitantes (192 milhões de habitantes), a frota do Brasil é de quase 50 milhões de veículos.

É importante lembrar que a China, que tanto ambiciona o petróleo africano para atender sua demanda crescente (contribuindo para uma preocupante disparada nas cotações), também olha com atenção para o mercado consumidor africano. A China investe pesadamente em sua Indústria Automobilística e – com seus preços “tradicionalmente” baixos – poderá, em um futuro não muito distante, revolucionar a frota de automóveis africana. Isso sem contar com os investimentos destinados ao downstream, a ampliação da malha rodoviária, a geração de empregos e o aumento de renda (ou seja, tudo que é necessário para estimular o aumento da frota e, conseqüentemente, do consumo de derivados).

O aumento da frota mundial de veículos tende a crescer, e esta é apenas uma das ramificações de mercado a serem exploradas a partir do petróleo africano. Uma tendência que se pode apontar a partir da questão africana é a manutenção das elevadas cotações do petróleo. Esta tendência poderia ser freada se a produção mundial e o descobrimento de novas reservas viessem a aumentar consideravelmente, mas essas são situações que não dependem somente de questões técnicas e objetivas. Tudo dependerá de fato da geopolítica intercontinental, a cada dia mais complexa.


Mauro Kahn & Pedro Nobrega - Clube do Petróleo - Leia outros artigos e os primeiros desta série acessando o site
www.clubedopetroleo.com.br

Na próxima semana abordaremos as questões que envolvem a exploração e produção do petróleo na América do Norte, comentando particularmente os casos do Alasca (EUA) e do Canadá. Demonstraremos como, mesmo em uma região de grande tranqüilidade internacional, o petróleo ainda encontra obstáculos dentro da própria organização política, econômica e social do país produtor.


* Publicação e divulgação integral deste artigo estão autorizadas desde que sejam preservados os créditos de autoria e mantido inalterado o conteúdo.

(Fonte: Clube do Petróleo).

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Segundo ANP, Brasil fecha primeiro semestre como importador de petróleo


Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam que o Brasil fechou o primeiro semestre de 2008 como importador líquido de petróleo e derivados, o que confirma a dificuldade que a Petrobrás enfrenta para sustentar a auto-suficiência nacional na produção de petróleo.


Segundo a ANP, o País importou uma média de 97,9 mil barris por dia a mais do que exportou nos primeiros seis meses do ano. Trata-se da primeira vez, desde a conquista da auto-suficiência, em 2005, que o País fecha um semestre com saldo negativo no volume de importações. As estatísticas da agência, que usa como base números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divergem dos dados divulgados pela estatal na semana passada. Segundo a empresa, a auto-suficiência teria sido retomada com o crescimento da produção no segundo trimestre.


A balança comercial da companhia, disse o diretor financeiro, Almir Barbassa, fechou o semestre positiva em 27 mil barris por dia.


Diferenças

Há basicamente duas principais diferenças entre os dados. A primeira refere-se ao fato de a Petrobrás não contabilizar importações de petróleo e derivados por terceiros - o setor petroquímico, por exemplo, importa grande parte da nafta que utiliza. A segunda, diz a Petrobrás, é que a Secex contabiliza apenas operações contabilizadas pela Receita Federal, procedimento que pode demorar até 60 dias.


Segundo os dados da Secex, o Brasil importou um total de 129,779 milhões de barris no primeiro semestre (sendo 73,989 milhões de barris de petróleo e 55,790 milhões de barris de derivados). Já as exportações no período somaram 111,864 milhões de barris (59,104 milhões de barris de petróleo e 52,760 milhões de barris de derivados). Juntando petróleo e derivados, o déficit totaliza 17,915 milhões de barris. Do ponto de vista financeiro, os déficits são recorrentes, uma vez que os produtos importados são mais caros do que aqueles que o Brasil vende ao exterior. Este ano, o mercado estima que o déficit chegue a até US$ 8 bilhões.


As dificuldades para o fechamento positivo da balança devem-se ao forte ritmo de crescimento do consumo, que chegou perto dos 10% no primeiro semestre. Só as vendas de diesel cresceram 10,7% no período - o Brasil sempre foi importador de diesel, uma vez que o petróleo nacional costuma produzir derivados mais pesados. A produção de petróleo, porém, cresceu apenas 2,7% nos primeiros seis meses do ano, atingindo 1,794 milhão de barris por dia (Fonte: A Tarde, 2008-08-19).

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Petrobras bate recorde de exportação de petróleo em abril


A Petrobras bateu, em abril, recorde na exportação de petróleo bruto, com média de 530 mil barris/dia. O diretor de abastecimento e refino da estatal, Paulo Roberto Costa, disse que esse desempenho foi decisivo para que o déficit na balança de pagamentos da empresa fosse reduzido em abril. No mês passado, a Petrobras registrou déficit de US$ 550 milhões na conta, ante US$ 775 milhões em março. "O saldo foi positivo em abril e, como já previ antes, a tendência é que este déficit seja revertido. Vamos fechar o ano com a balança superavitária", afirmou Costa em evento em que foram divulgados os projetos sociais que a estatal apoiará neste ano.

Costa calculou que o déficit da balança seja revertido entre julho e agosto. Além do aumento das exportações de petróleo, ele ressaltou que o retorno das operações de uma das unidades de refino da Replan, em Paulínia (SP), foi decisivo para o saldo de abril. "Nosso parque de refino está trabalhando em alta capacidade. Devemos passar, em maio, de 1,8 milhão de barris/dia de capacidade", afirmou.

O diretor negou que a Petrobras tenha interesse de adquirir postos de combustíveis nos Estados Unidos. Costa não quis comentar as declarações do ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), de que uma nova refinaria da empresa seria construída no Ceará (Fonte: Folha Online, 2008-05-30).

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Crise do crude vai acabar?


Depois de uma sessão de meditação colectiva e de alguns discursos, os presentes organizaram-se em grupos para discutir um pouco de tudo, dos transportes que não usam petróleo como combustível à estratégia a adoptar para persuadir os políticos locais a aderir ao mote do movimento das ‘Transition Towns’: reduzir a pegada de carbono em resposta às preocupações em torno do decréscimo das reservas de hidrocarbonetos e do aquecimento global.

Estes encontros foram, durante anos, considerados manifestações excêntricas. Grande parte dos executivos que trabalha na indústria petrolífera, dos governos, dos analistas e dos consultores rejeitou a teoria do “pico do petróleo”, que se baseia no trabalho desenvolvido pelo geofísico Marion King Hubbert nos anos 50, quando se encontrava ao serviço da Shell, e que defende que a produção de crude vai, em breve, entrar numa fase de declínio terminal. Os seus críticos alegam que descura aspectos como as reservas remanescentes, subestima o contributo dos desenvolvimentos tecnológicos e ignora o papel das forças de mercado, cuja influência pode determinar as futuras reservas.

Mas numa altura em que o preço do petróleo atingiu novo máximo histórico, 135 dólares por barril, isto é, mais mil por cento do que há uma década, os receios de que a era dos hidrocarbonetos está a chegar ao fim começa a contagiar todas as áreas do mercado. Muitos profissionais da indústria petrolífera aceitam hoje que os preços não se devem apenas ao forte aumento da procura, mas também às restrições da oferta. Os apelos a novos investimentos são cada vez mais uma constante e estiveram no topo da agenda dos ministros da Energia dos principais países consumidores e produtores de petróleo, na reunião que teve lugar o mês passado em Roma. Poucas semanas depois, os analistas da Goldman Sachs e de outras empresas de referência, bem como os ministros dos países da OPEP, chegavam a uma conclusão: os preços do petróleo podem atingir os 200 dólares/barril dentro de dois anos.

O facto de a produção petrolífera da Rússia ter decrescido perto de meio ponto percentual em Abril – a primeira quebra em dez anos – foi suficientemente alarmante para o mundo em geral e para a indústria em particular. Porquê? Porque até há cinco anos o segundo maior produtor mundial mantinha uma taxa de produção anual na ordem dos 12%. Mas há mais: alguns executivos da indústria petrolífera, como Leonid Fedun, vice-presidente da Lukoil, declararam entretanto que a produção russa já atingiu o pico.

Dias depois de Fedun ter feito esta declaração, a Arábia Saudita, o maior produtor e exportador mundial de petróleo, anunciou que suspendera os planos que visavam aumentar a capacidade de produção. O ministro saudita da Energia, Ali Naimi, realçou que as previsões para a procura não permitem expandir a produção além dos 12,5 milhões de barris/dia, limite a atingir no próximo ano, apesar de o reino saudita ter investido nos últimos anos mais de 12,9 mil milhões de euros no aumento da capacidade.

O problema é que ninguém sabe o que se passa no seio da indústria petrolífera saudita. Riad é um “segredo bem guardado”. Tão bem guardado que os analistas da Sanford Berstein, uma empresa de serviços financeiros, optaram por espiar via satélite as actividades de perfuração e extracção na maior jazida petrolífera do mundo, Ghawar, ao longo dos últimos nove meses, para confirmarem se houve, ou não, alguma alteração no padrão de exploração. E qual foi a sua conclusão? A Arábia Saudita terá de se esforçar mais do que aquilo que os seus engenheiros e geólogos haviam previsto em 2004, e explorar ao máximo a vertente norte de Ghawar.

Matthew Simmons, banqueiro de investimento na área das energias, mostra-se mais pessimista quanto à “saúde” de Ghawar. Por uma razão muito simples: se a Arábia Saudita não tenciona expandir a sua produção para 15 milhões de barris/dia, isso significa que está a fazer tudo para evitar o colapso das suas jazidas. Mas o mais dramático, na opinião de Simmons, é o mundo depender de um “punhado” de jazidas que hoje se encontram em acentuado declínio. Mais: desde a década de 70 que não se descobrem novas jazidas com igual capacidade. Um em cinco barris consumidos diariamente provém de uma jazida com mais de 40 anos. Nenhuma das jazidas descobertas nos últimos 30 anos tem capacidade para produzir mais de 1 milhão de barris/dia. Pior: a sua dimensão tem vindo a diminuir drasticamente.

As preocupações em torno da oferta alastraram à maioria dos gabinetes das petrolíferas internacionais. James Mulva, CEO da norte-americana ConocoPhillips, e Christophe de Margerie, seu homólogo na francesa Total, manifestaram recentemente o seu pessimismo ao reconhecerem que a produção petrolífera mundial nunca irá ultrapassar a fasquia dos 100 milhões de barris/dia. É este o volume que a Agência Internacional de Energia estima ser necessário para satisfazer a procura mundial dentro de sete anos, a qual deverá disparar para os 16 milhões de barris/dia em 2030.

Mulva e Margerie, tal como um número crescente de executivos do sector e de ministros, estão cientes de que a era do “petróleo fácil” tem os dias contados e de que as barreiras políticas – como a instabilidade na Nigéria, o processo de nacionalização das empresas energéticas na Rússia e as tensões internacionais que, desde há duas décadas, vêm a mitigar o potencial energético do Iraque – têm impedido as empresas de explorar em pleno os 2.400-4.400 milhares de milhões de barris remanescentes.

As petrolíferas, em vez de se prepararem para o dia do “Juízo Final”, têm usado a tecnologia para extrair o crude que ainda existe nas suas velhas jazidas e procurado novas reservas em terrenos mais remotos e hostis. Mas sublinham que seria importante que os consumidores, habituados a depender do crude para tudo, não desperdiçassem este valioso recurso.

Os executivos da indústria reconhecem que as jazidas nos países desenvolvidos, como as do Mar do Norte e do Alasca, estão prestes a atingir o “pico”. (Segundo a Sanford Bernstein, a produção exterior à OPEP deverá atingir o pico já este ano). No entanto, lembram que a capacidade das jazidas não convencionais, como Alberta, no Canadá, ou a Faixa do Orinoco, na Venezuela, já ultrapassaram o número de barris de petróleo produzidos pela Arábia Saudita. Acontece que estas duas alternativas têm grandes desvantagens: a primeira por se tratar de uma exploração que obriga ao uso intensivo de água e energia, e a segunda por estar sob a alçada do Governo populista de Hugo Chávez, facto que leva muitas empresas a recear investir na Faixa do Orinoco.

Guy Caruso, presidente da Administração da Informação Energética (AIE) do Departamento de Energia dos EUA, acredita que o mercado tem poder suficiente para influir nas políticas dos governos e no comportamento dos consumidores e das petrolíferas. A AIE estima que as importações norte-americanas de petróleo irão diminuir ligeiramente nos próximos 22 anos. Ora, isto quer dizer que a dependência das importações de petróleo do maior consumidor mundial vai decrescer entre 60% a 50% até 2015, antes de voltar a crescer para os 54% até 2030. As razões para esta descida são a crescente eficiência energética nos automóveis, a redução da procura, o aumento do consumo de biocombustíveis e o crescimento da produção dos EUA em um milhão de barris/dia no Golfo do México até 2012. “Hubbert nunca poderia ter previsto que a tecnologia ia evoluir desta maneira. Que hoje se usaria a perfuração horizontal e se poderia extrair petróleo do oceano a 3.600 metros de profundidade”, sublinha Caruso.

Uma versão mais pessimista deveria incluir um declínio ainda mais acentuado e generalizado à medida que os países em desenvolvimento vergam sob o peso dos subsídios que são obrigados a pagar para suprir as necessidades energéticas e de alimentação da sua população. As opiniões de Jeremy Leggett, um geólogo convertido em empresário e autor de “Half Gone: Oil, Gas, Hot Air and the Global Energy Crisis”, vai ainda mais longe na sua parábola para o pior cenário: “Os preços da habitação colapsaram. Os mercados de acções entraram em ruptura… As empresas foram à falência… Primeiro centenas de milhar, depois milhões, de trabalhadores foram atirados para o desemprego. Onde antes havia cidades prósperas com cafés e esplanadas vêem-se hoje filas de pessoas na chamada ‘sopa dos pobres’ e um exército de pedintes nas ruas”.

Os executivos da indústria petrolífera rejeitam este cenário quase apocalíptico que, de tão corrosivo, tem o poder de deturpar políticas e decisões de investimento. Mas são visões como esta que levam as pessoas a agir e a usar a energia de uma forma mais eficiente. Os tocadores de gaita-de-foles e inseridos nas ‘Transition Towns’ são parte – ainda que pequena – da solução para as incertezas do futuro. Mesmo que o mundo nunca venha a viver a catástrofe que eles prevêem (Fonte: Diário Ecónomico/Financial Times, 2008-05-26).

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Angola se torna maior fornecedor de petróleo da China

Angola se tornou, no primeiro trimestre de 2008, o maior fornecedor de petróleo da China - ultrapassando a Arábia Saudita graças a um aumento de 55% em suas exportações para o país asiático na comparação com mesmo período de 2007.

Entre janeiro e março, as exportações angolanas alcançaram 688 mil barris diários, totalizando 8,48 milhões de toneladas, segundo dados da Administração Geral de Alfândegas da China, divulgados nesta terça-feira.

Com o aumento, Angola superou Arábia Saudita (8,18 milhões de toneladas, 38% a mais do que no mesmo período de 2007), Irã (5,8 milhões), Omã (3,3 milhões) e Rússia (3,1 milhões).

No ano passado, Angola exportou para a China 25 milhões de toneladas, 10% a mais do que em 2006. Caso o crescimento se mantenha, as exportações angolanas podem chegar a 34 milhões de toneladas até o final do ano.No total, as importações petrolíferas chinesas aumentaram 25% no primeiro trimestre, para o valor recorde de 17,3 milhões de toneladas (Fonte: Agência Lusa, 2008-04-22).

domingo, 27 de abril de 2008

Angola exportará menos petróleo em Junho


As exportações diárias de crude angolano vão diminuir em 1,7% em Junho. A Galp, BP, Total, Chevron, Exxon Mobil e outras petrolíferas irão expedir uma média de 1,92 milhões de barris por dia em Junho, contra 1,95 milhões de barris diários agendados para Maio, refere a Bloomberg citando o programa de carregamento de navios-taque.

Em Junho, está previsto o carregamento de 60 petroleiros, totalizando 57,6 milhões de barris, contra 63 (correspondentes a 60,6 milhões de barris) em Maio. Dos 60 carregamentos previstos, um deles será feito por conta da Galp Energia, com crude Nemba.

O crude angolano representou 5% do total das importações dos Estados Unidos em 2006, correspondendo a 513 mil barris por dia, de acordo com a Administração de Informação Energética (EIA) norte-americana.

Os petroleiros de Angola normalmente abarcam, em termos dimensões, entre 875.000 e um milhão de barris cada um.

Angola, que em Janeiro do ano passado se tornou membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), tem uma quota de produção de 1,9 milhões de barris por dia estabelecida pelo cartel na reunião de Abu Dhabi de 2007. A produção de crude de Angola aumentou 18% no ano passado, para 1,61 milhões de barris por dia, segundo a Agência Internacional da Energia.

Angola assume actualmente (desde o passado dia 11 de Novembro) a vice-presidência da OPEP. Além disso, de acordo com a presidência rotativa da organização, deverá presidir à OPEP em 2009, cargo actualmente assumido pela Argélia.

A Galp Energia concentra a sua actividade em Angola em duas empresas principais: a Petrogal Angola e a Sonangalp.

A Petrogal Angola, detida pela Petrogal (88,7%) e pela Galp Exploração (11,3%) assegura a gestão das participações das restantes empresas e a comercialização de lubrificantes.

A Sonangalp é detida pela Petrogal Angola (49%) e pela Sonangol (51%). A sua actividade centra-se na distribuição e comercialização de combustíveis líquidos e lubrificantes e na exploração de postos de abastecimento e estações de serviço. O grupo detém ainda um participação minoritária (0,44%) na Fina – Petróleos de Angola, que tem por actividade a refinação, armazenagem e distribuição de produtos petrolíferos.

Segundo o "site" da Galp, de acordo com o relatório da Degolyer Macnaughton, a 31 de Dezembro de 2007, as reservas provadas e prováveis da Galp Energia no Bloco 14, em Angola, eram de 31 milhões de barris. Ainda segundo o mesmo relatório, os recursos contingentes da Galp Energia ascendiam aos 742 milhões de barris, dos quais 500 milhões correspondiam a recursos do Tupi, no Bloco BM-S-11 no Brasil, e o restante aos blocos 14, 14K e 32 em Angola.

Em 31 de Dezembro de 2006, as reservas e recursos contingentes da Galp Energia eram de 119 milhões de barris.

Na exploração "offshore" em Angola, a Galp Energia está presente no bloco 32, bloco 33, bloco 14 e bloco 14K/A-IMI (Fonte: Jornal de Negócios, 2008-04-27).