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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Chevron produz em Angola

A subsidiária da Chevron Cabinda Gulf Oil Company Limited (CABGOC) produziu hoje o primeiro óleo do projeto Mafumeira Norte, em Angola, no continente africano.

Em lâmina d'água de 49 m e a cerca de 24 km da costa angolana, o projeto Mafumeira Norte é a primeira fase do exploração do campo de Mafumeira, localizado na area A do bloco 0, e conta com 14 poços.

O pico de produção deve ser atingido em 2011, com 30 mil b/d de óleo bruto e cerca de 0,85 milhão de m³/dia de gás natural.

A CABGOC é a operadora do bloco, com 39,2%. O consórcio inclui também Sonangol P & P (41%), Total (10%) e ENI (9,8%) (Fonte: Energa Hoje, 2009-07-03).

domingo, 31 de maio de 2009

Timor-Leste elege Angola como parceiro estratégico


O Primeiro-Ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, transmitiu, ontem, em Luanda, ao Presidente José Eduardo dos Santos, a vontade do seu Governo em construir com Angola uma “parceria estratégica com interesses mútuos”.


Xanana Gusmão discutiu com o Presidente angolano as perspectivas de cooperação entre Timor-Leste e Angola, durante um encontro, de cerca de uma hora, no Palácio Presidencial da Cidade Alta, onde, acompanhado do ministro angolano das Relações Exteriores, Assunção dos Anjos, foi recebido com honras militares.


À imprensa, no final do encontro, Xanana Gusmão disse que pediu ao Presidente de Angola apoio material e humano para a exploração do petróleo timorense. A produção de petróleo arrancou recentemente em Timor-Leste, que pretende obter a ajuda de Angola para melhorar as suas capacidades humanas e técnicas na exploração deste recurso.


No encontro com o Presidente angolano, Xanana Gusmão disse que expressou a sua admiração pelo ritmo de desenvolvimento económico de Angola.


- Timor-Leste - afirmou o histórico líder da resistência timorense - está numa fase de consolidação das suas instituições do Estado e deseja desenvolver a cooperação com Angola em várias áreas.


Xanana Gusmão considerou produtivo o encontro com José Eduado dos Santos, precisando que as conversações entre ambos deu para explorar as intenções de cooperação entre os dois países. O líder histórico da resistência timorense está em Angola, desde domingo último, em visita oficial, a convite do Primeiro-Ministro angolano, António Paulo Kassoma (Fonte: Jornal de Angola, 2009-05).

Irã em Angola


A petrolífera estatal iraniana Petropars meteu um peão em África ao conseguir a sua primeira licença de exploração. Teerão procurava há muito penetrar no mundo do petróleo africano, conseguiu-o agora... em Angola (Correio da Manha, 2009-05-30).

sábado, 4 de abril de 2009

RDC reclama revisão de fronteiras petrolíferas


Membro do Governo RDC reclama traçado das fronteias com o territóio angolano, sublinhando a vontade de ver transitada para a República Democrática do Congo, parte da região petrolífera que hoje pertence a Angola.


"Inevitavelmente as fronteiras serão rdefinidas e neste contexto é provável que as plataformas dos blocos que se encontram no país X passem para o país Y" - disse o ministro congolês dos Hidrocarbonetos.


Isekemanga Nkeka tornou público tal desejo terça-feira últma no termo da vigésima sexta sessão do Conselho de Ministros da Associação dos Produtores Africanos de Petróleo, que decorreu em Brazzaville, da qual Angola é também membro.


O governante congolês, que falava em entrevista à agência "France Press" recusou-se, no entanto, a comentar os motivos que estariam na base da revisão das fronteiras, com realce para o sudoeste do país, onde limita com a região petrolífera angolana baseada no município do Soyo.


Angola e a RDC partilham umafronteira comum de mais de 2500 quilômetros. Alguns incidentes têm ocorrido, sobretudo com o trânsito de garimpeiros e as duas partes têm tratado o assunto nmo quadro da Comissão Mista Conjunta.


Os dois países são incomparáveis em termos de produção de petróleo. Angola é neste momento o maior produtor de petróleo em África.


A expressão do ministro Isekemanga Nkeka representado a vontade do Governo de Kinshasa constitui nota significativa no quadro em que os dois Governos têm abordado o problema secular das fronteiras, um caso que marca o continente.


Ainda não existe uma reação da parte das autoridades angolanas, pelo que retornaremos o assunto nas próximas edições (Fone: Angonotícias / France Press, 2009-04-02).

segunda-feira, 30 de março de 2009

APPA tem novo secretário executivo


O beninense Gabriel Lokosso é desde sábado o novo secretário executivo da Associação dos Países Africanos Produtores de Petróleo (APPA), conforme decisão saída da XXVI sessão ordinária do Conselho de Ministros da Associação reunida em Brazzaville, República do Congo.

Gabriel Lokosso substitui assim o camaronês David Ekoume que exercia o cargo, há um ano, interinamente.

O Conselho de Ministros decidiu também aprovar a candidatura do nigeriano Oyewole Babafemi para o cargo de director executivo do Fundo APPA, substituindo desse modo o argelino Mohamed Souidi.

Outra novidade da XXVI sessão ordinária do Conselho de Ministros da APPA é a adesão da Mauritânia e do Sudão como décimo quinto e décimo sexto membros da Associação Africana dos Países Produtores de Petróleo.

A sessão ordinária aprovou também o seu plano de acção para o biénio 2009/2010 elaborado com base no VII Programa de Acção 2008/2011.

Consta no plano de acção 2009/2010, a organização da Conferência de Directores dos Institutos de Formação em Petróleos, preparação do IX Fórum das Companhias Nacionais dos Países Membros da APPA, realização de estudos dos contratos petrolíferos, comércio interafricano de petróleo e produtos petrolíferos e harmonização das bacias sedimentares.

O Plano de Acção prevê igualmente a realização de um seminário sobre Poluição Marítima de Hidrocarbonetos, alimentação do banco de dados e transferência do servidor principal para a África do Sul, organização da IV edição do Congresso Africano de Petróleos e Exibição, seminário sobre maximização das receitas petrolíferas e o lançamento do concurso para obtenção de estudos sobre o comércio internacional de produtos petrolíferos.

No âmbito desse Plano terá lugar em Luanda nos próximos dias 13 e 14 de Abril, um seminário sobre contratos petrolíferos, no qual participarão todos os países membros da APPA.

O ministro dos Petróleos, Botelho de Vasconcelos, chefiou a delegação angolana a XXVI sessão ordinária do Conselho de Ministros da APPA que elegeu a República Democrátida do Congo para interinamente assumir a presidência da associação, por um ano, e a Côte d'Ivoire para vice-presidência.

A próxima sessão ordinária do Conselho de Ministros da APPA terá lugar em Março de 2010, na República Democrática do Congo (Fonte: Agência Angola Press, 2009-03-29).

quarta-feira, 4 de março de 2009

Campo terrestre em Carmópolis era no pré-sal

Especialistas e empresários do setor alertam que a demora do Brasil em definir o marco regulatório para a exploração no pré-sal, em discussão há dois anos, pode fazer com que as gigantes petrolíferas dêem prioridade a investimentos na exploração do pré-sal africano.


Demora para início de exploração é criticada

Para Wagner Freire, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (Abpip), que representa as companhias petrolíferas de médio e pequeno porte, o risco de o país perder a atratividade para a África aumenta com a crise mundial que reduziu os recursos das companhias, sobretudo devido à queda dos preços do petróleo. Freire alerta ainda que, com as indefinições regulatórias, a retração nas atividades exploratórias poderá ameaçar a sustentabilidade da auto-suficiência.


Um gráfico da Agência Nacional do Petróleo (ANP) sobre as reservas atualmente conhecidas - sem contar com as do pré-sal ainda não comprovadas -, que circula entre empresários e especialistas, mostra que a auto-suficiência está garantida até por volta de 2016, considerando-se a produção atual prevista com base nas reservas existentes, as descobertas feitas da 1 ª à 7ª Rodada de Licitações da ANP (realizadas entre 1999 e 2005), e ainda os planos atuais em avaliação e em desenvolvimento. "O problema é que, depois de 2005, as rodadas seguintes não ofereceram novas áreas para exploração. Isso é muito grave, pois os prazos para se encontrar petróleo e iniciar a produção são longos. Esses campos no pré-sal foram descobertos em 2000, e a primeira produção prevista em Tupi é em 2010" - disse Freire.



Continentes eram unidos há 150 milhões de anos


Acredita-se que possam existir grandes reservas de petróleo no pré-sal na costa Oeste da África, por razões geológicas. O geólogo e colaborador do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) Antonio Manuel de Figueiredo explicou que, há cerca de 150 milhões de anos, parte do Hemisfério Sul era um só, com a América do Sul e a África unidos em um só bloco. Há cerca de 120 milhões de anos as duas regiões começaram a se separar, com a movimentação subterrânea das placas tectônicas, que estão em constante movimento.
O geólogo explicou que, ao longo do período de separação dos dois continentes, em determinado momento se formou um golfo, semelhante ao Mar Vermelho atual. O golfo se formou na costa brasileira, entre Pernambuco e Santa Catarina. Foi a partir de então que começou a se formar a camada de sal e a surgir o Oceano Atlântico. Na época, formou-se a camada de sal e, abaixo, as bacias sedimentares, propícias à formação de hidrocarbonetos (petróleo ou gás natural).

Na altura de Florianópolis, em Santa Catarina, formou-se uma barreira vulcânica que impediu a continuação da formação da camada de pré-sal no Sul do país e na Argentina. E, dentre as áreas que se descolaram, os blocos do pré-sal na Bacia de Santos estão de frente para Angola, no continente africano. "Por isso é que as companhias de petróleo estão por lá, procurando petróleo, desde Angola ao Gabão e Sul da Nigéria" - disse Figueiredo.

Por sua vez, o presidente da Abpip lembra que a costa africana, nas proximidades das ilhas de São Tomé e Príncipe, é área de ocorrências excepcionais abaixo do pré-sal e, por isso, com grandes expectativas de que existam reservas significativas de petróleo. "E todas as grandes companhias, incluindo as chinesas, estão lá. Como o Brasil despertou a atenção ao descobrir petróleo no pré-sal, todos estão interessados agora naquela região no continente africano" - disse Freire.
"O que acontece numa área, as companhias procuram em outros lugares, como é o caso do pré-sal na África. Se for mais fácil ir para lá do que no Brasil, eles irão para lá, com certeza".

Comissão entregará a Lula propostas para o setor
A advogada especialista em petróleo Marilda Rosado, do escritório Doria, Jacobina, Rosado e Gondinho Advogados, também alerta para o risco de o país perder a autossuficiência com a demora em se definir a regulamentação do setor. "O governo pôs um freio no processo exploratório no Brasil por algo que não é novo nem aqui nem no mundo. O campo terrestre de Carmópolis, em Sergipe, descoberto em 1963, era no pré-sal. O país não precisa mudar do atual modelo de concessão para o de partilha. Foi um erro parar as licitações". - lamentou Rosado.

A Comissão Interministerial que estudou o assunto deverá entregar nas próximas semanas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva suas conclusões, com as propostas da nova regulamentação (Fonte: Faxaju / O Globo, 2009-03-01).

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Roc Oil anuncia descoberta de petróleo em Cabinda


A empresa petrolífera australiana Roc Oil anunciou a descoberta de pteróleo no onshore de Cabinda, norte de Angloa, adiantando que novas perfurações serão necessárias para determinar se o achado tem valor comercial.


Em comunicado ao mercado de capitais, a Roc Oil, principal accionista e operadora da sociedade responsável pelos trabalhos de exploração, aponta que a descoberta, feita no poço "Massambala-1", consiste numa coluna de petróleo com 9,5 metros.


A empresa afirma que está prevista a ralização de um segundo furo, antes da sus´penão dos trabalhos devido à época das chuvas.


O petróleo de Massambalala é do tipo pesado e viscoso, em vez do valioso e mais "leve", característico dos países ocidentais africanos.


Em Massambalala, os dados disponíveis indicam a presença potencial de 170 milhoões de barris de petróleo "pesado".


Iniciados há um ano, os trablahos conduziram à identificação de duas reservas potenciais de pteróleo "pesado" ("Massambala-1" e "Côco-1"), cuja viabilidade comercial será testada entre o final deste ano e início de 2009.


Outro poço, "Sésamo-1", foi recentemente dado como "seco".


O consórcio operado pela Roc Oil Cabinda (paerticpação de 60%) integra ainda a Force Petroleum e a Sonangol, petrolífera estatal angolana, cada uma com 20% da sociedade (Fonte: Angonoticias/Lusa, 2008-10-09).

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Os produtores africanos e seu melhor cliente*


A Indústria do Petróleo africana, que figura a cada dia mais importante geopoliticamente, caminha hoje entre o tênue fio que separa o potencial desenvolvimento de um país da submissão econômica. Seus produtores mais significativos são Líbia e Argélia (países do norte africano) e Nigéria e Angola (situados na costa oeste da África Subsaariana).

Altamente dependentes do petróleo, esses quatro produtores africanos respondem por estimadamente 9% da produção mundial, com uma produção diária de 8 milhões de barris. No que se refere às reservas, os quatro representam cerca de 8% das reservas mundiais, uma vez que estas totalizam 100 bilhões de barris. Dos quatro, somente Angola possui um R/P baixo. No quesito “consumo”, o quadro muda, pois quase todo o petróleo é para exportação. O consumo diário dos quatro produtores não totaliza sequer 1 milhão de barris/dia ( 876 mil por dia) – ou seja, cerca de 10% de sua produção. Entretanto, cabe ressaltar que este quadro poderá se modificar através das mudanças que certamente virão com as novas perspectivas econômicas e políticas.

Os caminhos de saída do continente africano favorecem os principais produtores. Enquanto Líbia e Argélia se beneficiam do Mar Mediterrâneo para atingir o mercado europeu, Nigéria e Angola têm à sua disposição o Oceano Atlântico, o qual lhes possibilita exportar com tranqüilidade também para as Américas (em 2007, as exportações de Angola para o Brasil praticamente duplicaram graças ao petróleo). O Egito, apesar de possuir reservas bem mais modestas, é largamente compensado por seu potencial logístico. Seu grande trunfo é o Canal de Suez, principal passagem africana para o mercado asiático. O canal detém tanto valor que chegou a ser o estopim para a segunda crise do petróleo (quando, em 1956, Gamal Nasser decidiu nacionalizar o Canal de Suez).

A situação dos dois principais “pares” de produtores é bastante distinta. Enquanto Líbia e Argélia estão posicionados entre os melhores IDHs do continente, Nigéria e Angola apresentam níveis baixos e sofrem com sérios conflitos internos (Angola vive em estado de paz nos últimos anos, o que torna as previsões mais otimistas). O único fio que realmente une estes países é a forte competição econômica envolvendo China e EUA, ambos investidores pesados do continente (a Índia, outro país em desenvolvimento, também investe, no entanto de maneira menos expressiva).

Dependendo das circunstâncias, esta competição pode ser saudável para a África. Na Líbia, país onde o nível de pobreza é baixo em comparação a países vizinhos, a força do Estado e a relativa consistência da economia impedem que os fortes investimentos americanos (e agora chineses) coloquem o país sob jugo estrangeiro e ao mesmo tempo garantem que os contratos internacionais sejam cumpridos. Na Argélia, onde a China ainda tem dificuldades para penetrar, a situação é semelhante, ainda que os EUA tenham bases militares instaladas no país.

Para os países subsaarianos, a situação é mais complexa. A Nigéria é um exemplo bastante ilustrativo: envolvida em conflitos internos, marcada pela pobreza e pela fragilidade da economia nacional, pode vir a tornar-se um alvo fácil para o domínio estrangeiro. Por ora, tanto a Nigéria quanto outros países subsaarianos vêm aproximando-se da China, aproveitando-se da postura chinesa de auxiliar na reconstrução do continente (ao mesmo tempo em que ocupa seu espaço no mercado africano). Em 2004, o crescimento do comércio entre China e África foi de impressionantes 50%, o que prova não ser por acaso a recente decisão dos chineses de injetar dois bilhões de dólares em Angola para a construção de infraestrutura offshore.

Apesar da expressiva produção, o consumo de petróleo dos países africanos é quase insignificante. Há poucas refinarias na África e a distribuição de combustíveis é limitada. Tomemos como exemplo a indústria automobilística: somando os quatro maiores produtores (Líbia, Argélia, Nigéria e Angola), não chegamos nem a quatro milhões de automóveis; com o mesmo número de habitantes (192 milhões de habitantes), a frota do Brasil é de quase 50 milhões de veículos.

É importante lembrar que a China, que tanto ambiciona o petróleo africano para atender sua demanda crescente (contribuindo para uma preocupante disparada nas cotações), também olha com atenção para o mercado consumidor africano. A China investe pesadamente em sua Indústria Automobilística e – com seus preços “tradicionalmente” baixos – poderá, em um futuro não muito distante, revolucionar a frota de automóveis africana. Isso sem contar com os investimentos destinados ao downstream, a ampliação da malha rodoviária, a geração de empregos e o aumento de renda (ou seja, tudo que é necessário para estimular o aumento da frota e, conseqüentemente, do consumo de derivados).

O aumento da frota mundial de veículos tende a crescer, e esta é apenas uma das ramificações de mercado a serem exploradas a partir do petróleo africano. Uma tendência que se pode apontar a partir da questão africana é a manutenção das elevadas cotações do petróleo. Esta tendência poderia ser freada se a produção mundial e o descobrimento de novas reservas viessem a aumentar consideravelmente, mas essas são situações que não dependem somente de questões técnicas e objetivas. Tudo dependerá de fato da geopolítica intercontinental, a cada dia mais complexa.


Mauro Kahn & Pedro Nobrega - Clube do Petróleo - Leia outros artigos e os primeiros desta série acessando o site
www.clubedopetroleo.com.br

Na próxima semana abordaremos as questões que envolvem a exploração e produção do petróleo na América do Norte, comentando particularmente os casos do Alasca (EUA) e do Canadá. Demonstraremos como, mesmo em uma região de grande tranqüilidade internacional, o petróleo ainda encontra obstáculos dentro da própria organização política, econômica e social do país produtor.


* Publicação e divulgação integral deste artigo estão autorizadas desde que sejam preservados os créditos de autoria e mantido inalterado o conteúdo.

(Fonte: Clube do Petróleo).

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Moçambique: Carvão reforça estatuto de potência energética regional


Os projectos de exploração de carvão multiplicaram-se nos últimos meses em Moçambique, promovidos sobretudo por transnacionais e empresas indianas, permitindo ao país exportador de electricidade reforçar o estatuto de potência energética regional.


Abdul Kamara, especialista energético do Banco de Desenvolvimento Africano, previa na semana passada que o investimento na exploração das extensas reservas carboníferas moçambicanas e projectos energéticos relacionados ascenda a 30 mil milhões de dólares na próxima década. “Espera-se que Moçambique se torne o segundo maior produtor africano de carvão (depois da África do Sul) com o desenvolvimento do projecto de Moatize, em 2010”, afirmou Kamara, citado pela Reuters.


O governo de Moçambique entregou oficialmente à brasileira Vale por 25 anos os direitos de exploração de carvão na mina de Moatize em Julho de 2007. Com reservas estimadas em 2,5 mil milhões de toneladas, a mina deverá começar a produzir no primeiro trimestre de 2011, após um investimento de 1.398 milhões de dólares. A Vale pretende extrair 11 milhões de toneladas de carvão por ano, sendo 8,5 milhões de toneladas de coque para a indústria metalúrgica e 2,5 milhões de toneladas de carvão térmico para a produção de energia eléctrica.


Segundo o BAD, a produção carbonífera em África vai crescer em média três por cento ao ano até 2011, especialmente graças ao aumento da procura asiática. O preço da matéria-prima tem vindo a escalar “à boleia” do petróleo, apresentando-se como uma alternativa mais barata. “O carvão voltou a estar na moda recentemente, devido a três vantagens: preços mais baixos por unidade energética, um rácio mais elevado de reservas/produção e uma diferente distribuição geográfica das reservas”, afirmou Kamara.


A Índia e a China serão responsáveis por um aumento de 73 por cento na procura mundial de carvão em 2030, para 4994 milhões de toneladas equivalentes de petróleo, quando em 2005 consumiam 2892 milhões de toneladas, de acordo com a Agência Internacional de Energia.


Depois de uma primeira vaga que trouxe até Moçambique grandes multinacionais do sector mineiro como a Vale ou a Arcellor Mittal, nos últimos meses são principalmente as empresas indianas a assegurar fontes da matéria-prima. A indicação foi dada oficialmente no parlamento indiano pelo ministro do Carvão, Dasari Narayana Rao, quando há poucos meses anunciou que iria ser constituída uma "joint-venture" para aquisição de activos no estrangeiro integrada por empresas estatais de energia e recursos minerais como NTPC, Steel Authority of India, NMDC, Rashtriya Ispat Nigam e Coal India. Este grupo de empresas, que deverá ter um capital próximo de 2,3 mil milhões de dólares, tem vindo a efectuar visitas a Moçambique, para deslocações a minas e conversações com as autoridades, até agora sem “fumo branco”.


Entretanto, na semana passada, a BEML Midwest - uma "joint-venture" entre a Bharat Earth Movers, Midwest Granite e Sumber Mitra Jaya da Indonésia - adquiriu a sua primeira mina moçambicana de carvão, que será exportado para a Índia. No mesmo sentido, a Global Steel Holdings, que reúne as participações siderúrgicas do grupo Ispat, comprou dois blocos para a exploração de carvão, num investimento de 4600 milhões de rupias (cerca de 116 milhões de dólares).


Situados na província de Tete – próximo das áreas em exploração pela ArcelorMittal, Tata Steel e Vale - os blocos cobrem uma área de 30 mil hectares e têm reservas comprovadas de 70 milhões de toneladas de carvão de coque. O carvão será encaminhado para exportação através do porto da Beira, a cerca de 600 quilómetros, através da linha de caminho-de-ferro em reconstrução, que dentro de 12 meses deverá estar operacional.


Associada à Riversdale Mining australiana, a gigante indiana Tata Steel está envolvida em dois dos principais projectos de exploração de carvão em curso em Moçambique: Benga e Tete, que deverão arrancar em 2010. A licença de Benga, distrito de Moatize, deverá ter reservas de 1255 mil milhões de toneladas de carvão, de qualidades adequada ao uso no fabrico de aço e queima para produção de energia. A multinacional ArcelorMittal, também de capital indiano, adquiriu recentemente 35 por cento da "joint-venture" Rio Minjova Mining and Exploration Company, por 2,5 milhões de dólares, enquanto a associada Black Gold Mining (Moc), entrou com as suas concessões de carvão – com 49.360 hectares, na área do rio Minjova, na província de Tete.


A ArcelorMittal tem ainda a opção de passar a accionista maioritário na "joint-venture" desde que pague 2,5 milhões de dólares adicionais e haja confirmação de que as reservas "provadas e prováveis" são em quantidade considerada satisfatória.Também em Tete, a Central African Mining and Exploration (Camec) fez recentemente uma importante descoberta de carvão – até 868 milhões de toneladas.


Mais recentemente, o Japão também vem demonstrando interesse em ganhar posição no sector carbonífero moçambicano. A braços com o aumento do preço das matérias-primas, a japonesa Nippon Steel anunciou recentemente que pretende associar-se à Vale de Rio Doce na mina de Tete. “Nesta circunstância extraordinária de subida dos preços das matérias-primas, temos um grande interesse em fontes alternativas. Queremos investir se tivermos oportunidades”, afirmou Shoji Muneoka, que assumiu a presidência da empresa japonesa em Abril (Fonte: Macauhub, 2008-06-02).

Grupo chinês vai investir US$ 40 bi em biocombustível na África


A Geocapital, empresa de Macau criada para desenvolver negócios em países de língua portuguesa, vai investir até US$ 40 bilhões na África, nos próximos dez anos, para produzir biocombustível em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, disse nesta sexta-feira à Agência Lusa um dos administradores da companhia, Ambrose So. A produção será iniciada em dois ou três anos e deve atingir a capacidade máxima (de 14 milhões de toneladas anuais) dentro de 10 a 15 anos, afirmou o responsável.

Ambrose So afirmou que a produção de biocombustível é "um projeto suficientemente grande e prioritário para a Geocapital" e a companhia tem planos de produção e comercialização em todos os países de língua portuguesa onde desenvolve atividades, inclusive no Brasil.

A empresa de Macau pretende produzir biocombustível na África tendo como matéria-prima o pinhão-manso, planta comum na África e na América, e, segundo alguns especialistas, um dos meios mais confiáveis e de melhor rendimento para a finalidade.

A Geocapital nasceu da parceria entre o magnata chinês Stanley Ho, ligado ao setor de cassinos de Macau, e o investidor português Jorge Ferro Ribeiro.


Retorno local

Ferro Ribeiro explicou que os estudos que antecedem o investimento na África prevêem a criação de "projetos integrados, contemplando a existência de uma cadeia industrial em cada um dos países, abastecida em matéria-prima por produção agrícola local".

Além da produção garantida pela própria Geocapital, a empresa também se valerá de agricultores independentes, que terão acesso a apoio financeiro, assistência técnica e tecnológica, para assegurar um melhor aproveitamento das terras, disse Ferro Ribeiro.

Além de assegurar que "nenhuma das terras ligadas ao projeto interfere na produção agrícola tradicional", o empreendedor defendeu que os projetos vão contribuir para o "aumento e a melhoria da qualidade de outras produções agrícolas para fins alimentares, através da ampliação do quadro de apoio financeiro, técnico e tecnológico a agricultores locais e a associações de agricultores independentes".


Emissões

Para Ferro Ribeiro, a fixação da empresa "terá como principais beneficiários as respectivas economias e as populações locais".

"Quer pelos impactos econômicos, quer pelos milhares de empregos diretos e indiretos gerados, os projetos serão uma importante contribuição para a melhoria da qualidade de vida nesses países", afirmou o empresário luso.

Ferro Ribeiro destacou ainda que o projeto é importante na redução das emissões de carbono, o que será "uma significativa ajuda para o esforço internacional de reequilíbrio e sustentabilidade ambiental" (Fonte: Folha Online/Lusa, 2008-06-06).

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Angola deve diminuir dependência do petróleo, defende banco


O economista-chefe do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Louis Austin Kasekende, afirmou nesta quarta-feira, em Maputo, que os países como Angola precisam se libertar da elevada dependência em relação ao petróleo. "A sustentabilidade do crescimento é uma grande questão para a África, sobretudo para os países exportadores de petróleo, como Angola. Até agora, o preço das mercadorias tem sido a mola propulsora do crescimento nos últimos cinco anos", disse Kasekende à Agência Lusa.

Segundo o dirigente do BAD, "se houver uma desaceleração na economia dos países desenvolvidos e a procura por estas mercadorias diminuir, o risco de uma desaceleração é muito elevado".

O economista participa em Maputo na 43ª reunião anual do Banco Africano de Desenvolvimento, que acontece até quinta-feira.Confirmando as previsões de crescimento no relatório do BAD, Kasekende defendeu que Angola e outros países africanos produtores de petróleo devem aproveitar com urgência a "janela de oportunidade" proporcionada pela alta do preço das matérias-primas."Estes países estão muito, muito dependentes do petróleo. A Nigéria, por exemplo, tem uma dependência de 93%. Mas têm agora uma janela de oportunidade para garantirem a sustentabilidade do seu crescimento e desenvolvimento", disse."É preciso que tomem agora um conjunto de decisões, relativas à diversificação das suas economias, educação, infra-estruturas, saúde. É isso que vai mudar estas economias", disse (Fonte: Agencia Lusa, 2008-05-14).

Angola ultrapassou Nigéria como maior produtor de petróleo no continente africano


A produção petrolífera de Angola foi a maior do continente africano no mês de Abril, superando a da Nigéria, afectada por ataques a instalações petrolíferas, segundo dados hoje divulgados pela Organização de Países Exportadores d Petróleo (OPEP).

A OPEP indica que em Abril, Angola produziu em média 1,873 milhões de barris de petróleo, mais 55 mil do que a Nigéria.

No final de Abril, a produção petrolífera da Nigéria estava nos 1,36 milhões de barris, 40 por cento da capacidade instalada no país, que é anualmente o maior produtor de petróleo em África desde 1978, e no ano passado atingiu um débito de perto de 2,4 milhões de barris diários.

A redução deve-se aos constantes ataques por parte de rebeldes no Delta do Níger, "coração" da produção de petróleo no país, que reclamam contra a poluição causada pela indústria petrolífera e exigem parte da riqueza produzida na região.

A produção na Nigéria foi entretanto regularizada, mas a situação no terreno continua a ser instável, e a generalidade dos analistas admitem a ocorrência de novos ataques a plataformas petrolíferas ou oleodutos.

Angola aderiu à OPEP no início deste ano, e tem uma quota de produção de 1,9 milhões de barris.

Entre os três maiores produtores africanos está ainda a Líbia, com 1,72 milhões de barris (Fonte: RTP/Lusa, 2008-05-15).

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

EUA, China e Índia disputam petróleo africano com europeus


No momento, os europeus dominam o mercado de petróleo africano.

A britânica Royal Dutch Shell é a maior produtora de petróleo na Nigéria, apesar dos tumultos que têm surgido no Delta do Níger. No Gabão, está a francesa Total. Entretanto, na Guiné Equatorial, encontra-se a americana Exxon Mobil e, em Angola, a Chevron, com a mesma nacionalidade.

Ghazvinian, autor do "Derrame: a luta pelo petróleo da África", prevê que cerca de US$ 50 bilhões devem ser investidos em três anos neste setor, com empresas americanas respondendo por um terço do valor. O Oeste da África já é responsável por 17% do petróleo importado pelos Estados Unidos. Com Washington propenso a reduzir sua dependência do óleo do Oriente Médio, o Conselho Nacional de Inteligência, think-tank da CIA, prevê que esse percentual deve subir para 25% até 2015. Os EUA inclusive já aumentaram sua presença militar no Golfo da Guiné, com uma equipe naval permanente. No momento, procuram um local para estabelecer um novo comando na África. Entretanto, nesta disputa, o dinheiro pode falar mais alto do que a presença militar.

A China e a Índia têm sede de petróleo e vêm colocando bilhões de dólares na Nigéria, Angola e Guiné Equatorial. Os benefícios já estão aparecendo. Angola se tornou a principal fornecedora de petróleo da China, enviando 900 mil barris por dia em dezembro. A chinesa CNOOC espera receber petróleo pela primeira vez este ano da gigante nigeriana de águas profundas no campo de Akpo, depois de pagar US$ 2 bilhões em um contrato em 2006.

A maior parte da produção ainda está nas mãos dos europeus. As empresas chinesas e indianas ainda não têm o know-how para competir com a Shell e a Exxon Mobil, mas estão aprendendo rápido - disse Nicholas Shaxson, autor do livro "Poços envenenados: a suja política do óleo africano" (Fonte: O Globo Online, 2008-02-22).