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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

China quer depender menos de petróleo angolano


As petrolíferas chinesas continuam "famintas" por petróleo angolano, competindo mesmo entre si. Contudo, Pequim prepara-se para diminuir a dependência do "ouro negro" angolano, segundo um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Chatham House.


"A China tem estado a modernizar as suas refinarias para reduzir as necessidades de petróleo da África. É de esperar que se torne menos dependente nos próximos anos", indica o relatório do centro de estudos estratégicos britânico.


De acordo com a Chatham House, a petrolífera Sinopec "continua faminta por novas aquisições em Angola", estando pré-qualificada para a próximo leilão de blocos petrolíferos (adiado devido à conjuntura depressiva do mercado), através da SIG e da SSI, um parceria com a estatal angolana Sonangol.


A recente aquisição da norte-americana Marathon Oil pela Sinopec de uma participação de 20% no Bloco 32 em Angola, negócio que contou com o interesse paralelo da também chinesa CNPC, demonstra uma nova tendência de disputa entre as petrolíferas de Pequim, defende.


"Pela primeira vez, as petrolíferas chinesas estão a concorrer abertamente entre elas por concessões angolanas", aponta o estudo.


O documento destaca também que são "altamente exagerados" os medos de que o setor petrolífero de Angola e Nigéria sejam apropriados por petrolíferas asiáticas, uma vez que são as grandes petrolíferas norte-americanas ou europeias que reclamam uma maioria das reservas.


"Nem Nigéria nem Angola encaixam no estereótipo dos frágeis estados africanos explorados implacavelmente por tigres asiáticos famintos de recursos", diz.



Abordagem


Os pesquisadores destacam ainda a abordagem mais pragmática da China em relação a Angola, em contraste com a de outros países asiáticos, sobretudo a Índia.


"Os laços entre negócios privados e estatais são um fator chave no sucesso das estratégias petrolíferas chinesas em Angola, face às de outros países asiáticos. As profundas relações políticas e empresariais entre China e Angola contrastam fortemente com a abordagem da Índia", frisa.


Angola é o maior fornecedor petrolífero africano da China - 599 milhões de barris em 2008, no valor de US$ 59,9 bilhões, segundo dados da Agência Internacional de Energia. Além disso, os empréstimos da China, que tem o petróleo como garantia, têm financiado a reconstrução do país africano.


A assistência chinesa permitiu o início de cerca de 120 projetos desde 2004, e até março deste ano o volume de ajuda financeira estava estimado em US$ 15 bilhões.


Atualmente, destaca o relatório, os empréstimos já não são exclusivamente garantidos por petróleo e o último empréstimo chinês ( de US$ 1 bilhão, em março) está direcionado para o desenvolvimento da agricultura (Fonte: TN Petróleo / Agência Lusa, 2009-08-10).

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Angola vai parar importação de petróleo refinado


Angola vai parar importação de petróleo refinado por dois anos depois da abertura de nova refinaria, noticiou ontem (13) a imprensa local.


Nos últimos dez anos, o governo angolano tem planejado a construção da segunda refinaria em Lobito, cujas obras já foram iniciadas. A Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola afirmou que vai investir oito bilhões de dólares na construção de portos e auto-estrada, a fim de favorecer o transporte de produtos de Lobito.

Angola tem a segunda maior reserva de petróleo na África subsaariana, depois da Nigéria. Devido à baixa produtividade, mais de 60% do petróleo consumido no país é importado (Fonte: China Radio International, 2009-04-14).

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Empresários moçambicanos vão construir refinaria em Maputo


A Oilmoz vai construir uma refinaria na província de Maputo com capacidade para processar 350 mil barris de petróleo por dia quando ficar pronta em 2013 com um investimento de 8 mil milhões de dólares, afirmou quinta-feira em Maputo o presidente da empresa.


A Oilmoz, fundada por Leonardo Simão, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, dará emprego a 15 mil pessoas durante a construção da refinaria e a 2000 quando estiver a funcionar em pleno, adiantou Fausto Cruz, presidente executivo da empresa, no decurso de uma apresentação do projecto realizada na capital Maputo.


Esta refinaria será a primeira a ser construída em Moçambique desde que a única outra existente fechou há 24 anos, deixando o país totalmente depende de importações de combustíveis.


Fausto Cruz anunciou ainda estarem em curso e numa fase bastante adiantada negociações com um consórcio bancário com vista ao financiamento, ao mesmo tempo que estão em curso estudos de viabilidade técnico-ambiental para a instalação da refinaria.


Além da refinaria propriamente dita, a projecto integra a construção de outras infra-estruturas, como uma fábrica de petroquímicos, central termoeléctrica de 500 megawatts, estação de tratamento de lixo e de resíduos, um “tank farm” (parque de tanques) para armazenamento de petróleo em rama e combustíveis refinados, um terminal portuário em "off-shore" e casas para funcionários.


A Shell Global Solutions será responsável pelo aconselhamento técnico, estudo de viabilidade económica e concepção do projecto e posteriormente pelo fornecimento de petróleo em rama e manter-se-á como parceiro técnico por um período de 30 a 40 anos, segundo afirmou Robert Trout, director da empresa para serviços a terceiros.


O projecto é integralmente de capitais moçambicanos, tendo como accionistas a Petromoc, Leonardo Simão, que é também director-executivo da Fundação Joaquim Chissano, ex-Presidente moçambicano, e Fausto Cruz.


No ano passado, a Ayr-Petro-Nacala, da norte-americana Ayr Logistics, anunciou também a construção de uma refinaria na cidade portuária de Nacala, na província de Nampula, norte de Moçambique (Fonte: Macauhub, 2009-02-06).

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Importação de gás da Bolívia continua importante


O superintendente de Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Gelson Serva, considera que, mesmo com a elevação da produção de gás no Brasil a partir da exploração no pré-sal, a importação de gás da Bolívia continuará sendo importante para o país. Isso porque a produção de gás no caso do pré-sal ocorrerá associada à produção de petróleo, ficando sujeita à variação da exploração do óleo e a problemas técnicos de compressão, tratamento e separação do petróleo. Mas é certo, segundo Serva, que a dependência em relação à produção boliviana vai diminuir, até porque ela deixará de representar metade do consumo nacional, e passará a equivaler a menos de um quarto em 2017, quando a demanda interna (excluindo a região norte) deve chegar a cerca de 140 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
- Proporcionalmente, a dependência da Bolívia vai ser reduzida. Mas quando nós tivermos uma ampliação da oferta de gás do pré-sal, que é um gás associado à produção de petróleo, o gás da Bolívia vai ser fundamental para poder fazer o equilíbrio da oferta, pois existe uma variação natural no sistema de produção de petróleo. Então, nos próximos 20 anos, a importância do que é importado vai ser menor, mas será um elemento relevante para a estabilidade de mercado, garantindo os níveis de oferta, que foi o que efetivamente fez o mercado do Sudeste deslanchar - afirmou nesta terça-feira na Rio Oil & Gas.


O sócio diretor da consultoria Gás Energy Marco Tavares, que participou da mesma mesa de debates que Serva, criticou o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, que na semana passada disse que o país terá 60 usinas nucleares em 50 anos. Segundo ele, essa idéia contraria o planejamento desenvolvido pela EPE para os próximos anos e afasta ainda mais os investimentos para a construção de termelétricas a gás. Tavares criticou a visão de que as termelétricas devem ser acionadas apenas nos momentos de seca, para compensar a queda de geração de energia nas hidrelétricas.


- A concepção de que as termelétricas devem funcionar complementarmente às hidrelétricas não atrai investidores. O volume de gás que eu vamos ter no futuro é tão grande que temos que desenvolver um modelo para o gás. Não é para ele ser complementar à energia elétrica. Isso afasta investimentos e, assim, vamos continuar importando carvão, vamos construir 60 usinas nucleares - disse (Fonte: O Globo Online, 2008-09-16).

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Segundo ANP, Brasil fecha primeiro semestre como importador de petróleo


Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam que o Brasil fechou o primeiro semestre de 2008 como importador líquido de petróleo e derivados, o que confirma a dificuldade que a Petrobrás enfrenta para sustentar a auto-suficiência nacional na produção de petróleo.


Segundo a ANP, o País importou uma média de 97,9 mil barris por dia a mais do que exportou nos primeiros seis meses do ano. Trata-se da primeira vez, desde a conquista da auto-suficiência, em 2005, que o País fecha um semestre com saldo negativo no volume de importações. As estatísticas da agência, que usa como base números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divergem dos dados divulgados pela estatal na semana passada. Segundo a empresa, a auto-suficiência teria sido retomada com o crescimento da produção no segundo trimestre.


A balança comercial da companhia, disse o diretor financeiro, Almir Barbassa, fechou o semestre positiva em 27 mil barris por dia.


Diferenças

Há basicamente duas principais diferenças entre os dados. A primeira refere-se ao fato de a Petrobrás não contabilizar importações de petróleo e derivados por terceiros - o setor petroquímico, por exemplo, importa grande parte da nafta que utiliza. A segunda, diz a Petrobrás, é que a Secex contabiliza apenas operações contabilizadas pela Receita Federal, procedimento que pode demorar até 60 dias.


Segundo os dados da Secex, o Brasil importou um total de 129,779 milhões de barris no primeiro semestre (sendo 73,989 milhões de barris de petróleo e 55,790 milhões de barris de derivados). Já as exportações no período somaram 111,864 milhões de barris (59,104 milhões de barris de petróleo e 52,760 milhões de barris de derivados). Juntando petróleo e derivados, o déficit totaliza 17,915 milhões de barris. Do ponto de vista financeiro, os déficits são recorrentes, uma vez que os produtos importados são mais caros do que aqueles que o Brasil vende ao exterior. Este ano, o mercado estima que o déficit chegue a até US$ 8 bilhões.


As dificuldades para o fechamento positivo da balança devem-se ao forte ritmo de crescimento do consumo, que chegou perto dos 10% no primeiro semestre. Só as vendas de diesel cresceram 10,7% no período - o Brasil sempre foi importador de diesel, uma vez que o petróleo nacional costuma produzir derivados mais pesados. A produção de petróleo, porém, cresceu apenas 2,7% nos primeiros seis meses do ano, atingindo 1,794 milhão de barris por dia (Fonte: A Tarde, 2008-08-19).

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Crise do crude vai acabar?


Depois de uma sessão de meditação colectiva e de alguns discursos, os presentes organizaram-se em grupos para discutir um pouco de tudo, dos transportes que não usam petróleo como combustível à estratégia a adoptar para persuadir os políticos locais a aderir ao mote do movimento das ‘Transition Towns’: reduzir a pegada de carbono em resposta às preocupações em torno do decréscimo das reservas de hidrocarbonetos e do aquecimento global.

Estes encontros foram, durante anos, considerados manifestações excêntricas. Grande parte dos executivos que trabalha na indústria petrolífera, dos governos, dos analistas e dos consultores rejeitou a teoria do “pico do petróleo”, que se baseia no trabalho desenvolvido pelo geofísico Marion King Hubbert nos anos 50, quando se encontrava ao serviço da Shell, e que defende que a produção de crude vai, em breve, entrar numa fase de declínio terminal. Os seus críticos alegam que descura aspectos como as reservas remanescentes, subestima o contributo dos desenvolvimentos tecnológicos e ignora o papel das forças de mercado, cuja influência pode determinar as futuras reservas.

Mas numa altura em que o preço do petróleo atingiu novo máximo histórico, 135 dólares por barril, isto é, mais mil por cento do que há uma década, os receios de que a era dos hidrocarbonetos está a chegar ao fim começa a contagiar todas as áreas do mercado. Muitos profissionais da indústria petrolífera aceitam hoje que os preços não se devem apenas ao forte aumento da procura, mas também às restrições da oferta. Os apelos a novos investimentos são cada vez mais uma constante e estiveram no topo da agenda dos ministros da Energia dos principais países consumidores e produtores de petróleo, na reunião que teve lugar o mês passado em Roma. Poucas semanas depois, os analistas da Goldman Sachs e de outras empresas de referência, bem como os ministros dos países da OPEP, chegavam a uma conclusão: os preços do petróleo podem atingir os 200 dólares/barril dentro de dois anos.

O facto de a produção petrolífera da Rússia ter decrescido perto de meio ponto percentual em Abril – a primeira quebra em dez anos – foi suficientemente alarmante para o mundo em geral e para a indústria em particular. Porquê? Porque até há cinco anos o segundo maior produtor mundial mantinha uma taxa de produção anual na ordem dos 12%. Mas há mais: alguns executivos da indústria petrolífera, como Leonid Fedun, vice-presidente da Lukoil, declararam entretanto que a produção russa já atingiu o pico.

Dias depois de Fedun ter feito esta declaração, a Arábia Saudita, o maior produtor e exportador mundial de petróleo, anunciou que suspendera os planos que visavam aumentar a capacidade de produção. O ministro saudita da Energia, Ali Naimi, realçou que as previsões para a procura não permitem expandir a produção além dos 12,5 milhões de barris/dia, limite a atingir no próximo ano, apesar de o reino saudita ter investido nos últimos anos mais de 12,9 mil milhões de euros no aumento da capacidade.

O problema é que ninguém sabe o que se passa no seio da indústria petrolífera saudita. Riad é um “segredo bem guardado”. Tão bem guardado que os analistas da Sanford Berstein, uma empresa de serviços financeiros, optaram por espiar via satélite as actividades de perfuração e extracção na maior jazida petrolífera do mundo, Ghawar, ao longo dos últimos nove meses, para confirmarem se houve, ou não, alguma alteração no padrão de exploração. E qual foi a sua conclusão? A Arábia Saudita terá de se esforçar mais do que aquilo que os seus engenheiros e geólogos haviam previsto em 2004, e explorar ao máximo a vertente norte de Ghawar.

Matthew Simmons, banqueiro de investimento na área das energias, mostra-se mais pessimista quanto à “saúde” de Ghawar. Por uma razão muito simples: se a Arábia Saudita não tenciona expandir a sua produção para 15 milhões de barris/dia, isso significa que está a fazer tudo para evitar o colapso das suas jazidas. Mas o mais dramático, na opinião de Simmons, é o mundo depender de um “punhado” de jazidas que hoje se encontram em acentuado declínio. Mais: desde a década de 70 que não se descobrem novas jazidas com igual capacidade. Um em cinco barris consumidos diariamente provém de uma jazida com mais de 40 anos. Nenhuma das jazidas descobertas nos últimos 30 anos tem capacidade para produzir mais de 1 milhão de barris/dia. Pior: a sua dimensão tem vindo a diminuir drasticamente.

As preocupações em torno da oferta alastraram à maioria dos gabinetes das petrolíferas internacionais. James Mulva, CEO da norte-americana ConocoPhillips, e Christophe de Margerie, seu homólogo na francesa Total, manifestaram recentemente o seu pessimismo ao reconhecerem que a produção petrolífera mundial nunca irá ultrapassar a fasquia dos 100 milhões de barris/dia. É este o volume que a Agência Internacional de Energia estima ser necessário para satisfazer a procura mundial dentro de sete anos, a qual deverá disparar para os 16 milhões de barris/dia em 2030.

Mulva e Margerie, tal como um número crescente de executivos do sector e de ministros, estão cientes de que a era do “petróleo fácil” tem os dias contados e de que as barreiras políticas – como a instabilidade na Nigéria, o processo de nacionalização das empresas energéticas na Rússia e as tensões internacionais que, desde há duas décadas, vêm a mitigar o potencial energético do Iraque – têm impedido as empresas de explorar em pleno os 2.400-4.400 milhares de milhões de barris remanescentes.

As petrolíferas, em vez de se prepararem para o dia do “Juízo Final”, têm usado a tecnologia para extrair o crude que ainda existe nas suas velhas jazidas e procurado novas reservas em terrenos mais remotos e hostis. Mas sublinham que seria importante que os consumidores, habituados a depender do crude para tudo, não desperdiçassem este valioso recurso.

Os executivos da indústria reconhecem que as jazidas nos países desenvolvidos, como as do Mar do Norte e do Alasca, estão prestes a atingir o “pico”. (Segundo a Sanford Bernstein, a produção exterior à OPEP deverá atingir o pico já este ano). No entanto, lembram que a capacidade das jazidas não convencionais, como Alberta, no Canadá, ou a Faixa do Orinoco, na Venezuela, já ultrapassaram o número de barris de petróleo produzidos pela Arábia Saudita. Acontece que estas duas alternativas têm grandes desvantagens: a primeira por se tratar de uma exploração que obriga ao uso intensivo de água e energia, e a segunda por estar sob a alçada do Governo populista de Hugo Chávez, facto que leva muitas empresas a recear investir na Faixa do Orinoco.

Guy Caruso, presidente da Administração da Informação Energética (AIE) do Departamento de Energia dos EUA, acredita que o mercado tem poder suficiente para influir nas políticas dos governos e no comportamento dos consumidores e das petrolíferas. A AIE estima que as importações norte-americanas de petróleo irão diminuir ligeiramente nos próximos 22 anos. Ora, isto quer dizer que a dependência das importações de petróleo do maior consumidor mundial vai decrescer entre 60% a 50% até 2015, antes de voltar a crescer para os 54% até 2030. As razões para esta descida são a crescente eficiência energética nos automóveis, a redução da procura, o aumento do consumo de biocombustíveis e o crescimento da produção dos EUA em um milhão de barris/dia no Golfo do México até 2012. “Hubbert nunca poderia ter previsto que a tecnologia ia evoluir desta maneira. Que hoje se usaria a perfuração horizontal e se poderia extrair petróleo do oceano a 3.600 metros de profundidade”, sublinha Caruso.

Uma versão mais pessimista deveria incluir um declínio ainda mais acentuado e generalizado à medida que os países em desenvolvimento vergam sob o peso dos subsídios que são obrigados a pagar para suprir as necessidades energéticas e de alimentação da sua população. As opiniões de Jeremy Leggett, um geólogo convertido em empresário e autor de “Half Gone: Oil, Gas, Hot Air and the Global Energy Crisis”, vai ainda mais longe na sua parábola para o pior cenário: “Os preços da habitação colapsaram. Os mercados de acções entraram em ruptura… As empresas foram à falência… Primeiro centenas de milhar, depois milhões, de trabalhadores foram atirados para o desemprego. Onde antes havia cidades prósperas com cafés e esplanadas vêem-se hoje filas de pessoas na chamada ‘sopa dos pobres’ e um exército de pedintes nas ruas”.

Os executivos da indústria petrolífera rejeitam este cenário quase apocalíptico que, de tão corrosivo, tem o poder de deturpar políticas e decisões de investimento. Mas são visões como esta que levam as pessoas a agir e a usar a energia de uma forma mais eficiente. Os tocadores de gaita-de-foles e inseridos nas ‘Transition Towns’ são parte – ainda que pequena – da solução para as incertezas do futuro. Mesmo que o mundo nunca venha a viver a catástrofe que eles prevêem (Fonte: Diário Ecónomico/Financial Times, 2008-05-26).

sábado, 8 de setembro de 2007

Brasil pode importar mais gás boliviano

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse, em evento no Rio, que não está descartada a possibilidade de o Brasil vir a aumentar sua importação de gás natural da Bolívia, no longo prazo. Segundo ele, é praticamente certa a renovação do contrato com aquele país, que vence em 2019.Conforme Tolmasquim, o Brasil deverá importar em torno de 72 milhões de metros cúbicos de gás natural em 2030, sendo que 30 milhões serão provenientes da prorrogação do contrato com a Bolívia, além de outros 30 milhões de GNL. Os 12 milhões restantes ainda estão sem origem definida. "A questão política da Bolívia hoje é um problema conjuntural. Temos que pensar na questão no longo prazo. Eles têm gás. Nós precisamos de gás", disse Tolmasquim.O presidente da EPE, no entanto, ressaltou que apesar do esperado aumento do volume de gás importado, a dependência externa vai diminuir relativamente por conta da expansão da produção nacional. A previsão da EPE é de que, em 2030, a participação do gás importado será de 27%, ante os 52% atuais. Ainda segundo Tolmasquim, nessa mesma época a participação do gás na matriz energética deverá ser de 16%, ante os atuais 9%. (Agência Brasil)