sábado, 7 de fevereiro de 2009

OPEP: Angola admite "novas medidas" para aumentar preço do petróleo



O ministro dos Petróleos angolano e presidente da OPEP, Botelho Vasconcelos, admitiu hoje à Agência Lusa, em Luanda, que a organização poderá tomar "novas medidas" se os actuais cortes na produção não resultarem na subida do preço do barril.

Segundo o presidente da OPEP, se o preço não subir quando se atingir o limite estabelecido para os actuais cortes, 4,2 milhões de barris/dia, "haverá nova reflexão e, em função da análise feita, tomar-se-ão outras medidas".

Botelho Vasconcelos estimou que "a tendência (nos preços) seja diferente" no início do segundo trimestre de 2009 porque "os cortes de 4,2 milhões de barris/dia tiveram início em Janeiro" e esse valor "ainda não foi atingido".

"A organização tem feito o acompanhamento da evolução dos preços. Passou o primeiro mês, está a decorrer o segundo e creio que os sinais positivos, que possam permitir algum conforto, poderão começar a aparecer no segundo trimestre", notou.

Referindo-se especificamente a Angola, Botelho Vasconcelos afirmou que o preço do barril de petróleo nos 75 dólares "já era muito bom", sublinhando que o preço actual, cerca de 40 dólares, "não permite levar a cabo os investimentos e os projectos, bem como manter todos os programas de aumentar as capacidades de reservas".

Estas declarações do presidente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) surgem depois de o secretário geral da organização, Abdullah Al-Badri, ter admitido, em Davos, a 30 de Janeiro, que poderão ser definidos novos cortes na próxima reunião dos países-membros, marcada para 15 de Fevereiro.

Em consonância com Botelho Vasconcelos, Al-Badri justifica a eventual opção de novos cortes "se o mercado não estiver equilibrado".

Angola, que preside à OPEP desde 01 de Janeiro e por um ano, produz uma média de 1,9 milhões de barris/dia e cortou a sua produção em cerca de 250 mil.

Os cortes e os preços baixos do petróleo são a principal razão pela qual o Banco Mundial, no seu relatório de Janeiro sobre a economia angolana, estimou 2009 como um ano "muito difícil" e apontou como cenário provável a contracção da economia (Fonte: Sapo / Lusa, 2009-02-03).

Ibama implanta escritório de Petróleo e Gás


Sergipe vai sediar o segundo escritório de Petróleo e Gás do Brasil. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) será o órgão responsável pela instalação do escritório. De acordo com Manuel Rezende, superintendente do Ibama, com essa implantação Sergipe será responsável pelo licenciamento de obras e monitoramento de estudos de impactos ambientais nas atividades de Petróleo e Gás das regiões Norte e Nordeste.

O primeiro escritório dessa área fica no Estado do Rio de Janeiro. “Vamos ampliar nossa capacidade de análise dos impactos ambientais e os licenciamentos de Petróleo e Gás no Norte e Nordeste vão fluir mais. Além disso, as atividades terão um maior monitoramento. Vai dar mais segurança”, informou Rezende, ao ressaltar que o Ibama está se preparando para atender essas atividades.

“Por enquanto o Ibama vai continuar funcionando no mesmo local, mas temos o propósito de construir um sede para o órgão, para uma melhor acomodação dos nossos profissionais e dos novos que vão trabalhar no escritório de Petróleo e Gás”, disse (Fonte: Globo, 2009-02-03).

Galp à procura de fontes alternativas ao gás


Empresa assinou acordo com Venezuela para o fornecimento de 2 mil milhões de metros cúbicos


O chairman da Galp Energia, Francisco Murteira Nabo, admite que Portugal "tem um problema de gás complicado". A explicação é simples: o mercado português está dependente apenas de dois países, a Argélia e a Nigéria.


O responsável diz ainda que a empresa está a lutar para "duplicar o fornecimento ao país devido ao aumento do consumo. Para isso estamos a tentar encontrar fontes alternativas do gás", refere durante o seminário «Energia: Propostas para Portugal».


Daí, a petrolífera ter assinado um acordo com a Venezuela para o fornecimento de 2 mil milhões de metros cúbicos e estar a tentar um entendimento com a Guiné Equatorial.


Além da Venezuela e Guiné "também estão à procura de oportunidades no Médio Oriente" e "em Angola, à semelhança da Venezuela, estamos em negociações para participar em projectos de liquefacção", rematou (Fonte: Agência Financeira, 2009-02-05).

Petrobras vai licitar seis plataformas


A Petrobras vai lançar editais de licitação ainda neste ano para a contratação de seis novas plataformas de produção de petróleo e gás e outras 28 de sondas de prospecção, todas no Brasil. A estatal não informou, porém, o valor a ser investido.


Entre as seis, estão duas que vão antecipar a produção dos campos de Guará e Iara, no pré-sal da bacia de Santos. A Petrobras não descarta cancelar licitações se os valores pedidos não se ajustarem à nova realidade da cotação do petróleo (Fonte: Gazeta Mercantil / Folha de São Paulo, 2009-02-05).

Galp prevê produzir até 2 mil barris de petróleo no Brasil


A Galp Energia vai começar a extrair ainda este ano os primeiros barris de petróleo. A garantia foi dada esta quinta-feira pelo chairman da petrolífera, Francisco Murteira Nabo. "Durante o primeiro semestre de 2009 contamos ter entre 1.500 a 2 mil barris vindo do poço do Tupi", referiu o responsável, durante o seminário «Energia: Propostas para Portugal». Para 2010, a empresa garante que será possível atingir entre 8.500 a 10 mil barris por dia.


De referir que a produção da Galp é de 15 mil barris diários. O objectivo é multiplicar por 10 a capacidade de produzir petróleo que estima ser alcançado dentro de 10 anos (150 mil barris por dia). Recorde-se que, a petrolífera portuguesa está presente no mercado brasileiro, em parceria com a Petrobras.



Empresa vai apresentar plano estratégico


Além disso, a empresa anunciou que vai apresentar um plano estratégico 2009/2013. "Ainda não foi discutido [o plano] com o Conselho de Administração". O plano de investimentos (até agora) contou com um investimento de 5,3 mil milhões de euros, dos quais 27% se dedicam à área «Energy and Power» (E&P). "O objectivo é manter esta linha. Já está tudo financiado até ao final de 2009", disse Murteira Nabo que admitiu ainda que "as actuais condições não são fáceis" e que a parte da produção, no novo plano estratégico, poderá contar com uma melhoria.


Em matéria de renováveis, o responsável reconheceu ainda que "há falta de oportunidades para entrar". Especificamente nos biocombustíveis, disse que é "um projecto difícil de montar", uma vez que envolve a "produção de 600 mil toneladas que vêm de vários países". Quando questionado se pode estar em causa a meta de incorporar 10% de biocombustíveis até 2010, Murteira Nabo respondeu: "talvez não" (Fonte: Agência Financeira, 2009-02-05).

Empresários moçambicanos vão construir refinaria em Maputo


A Oilmoz vai construir uma refinaria na província de Maputo com capacidade para processar 350 mil barris de petróleo por dia quando ficar pronta em 2013 com um investimento de 8 mil milhões de dólares, afirmou quinta-feira em Maputo o presidente da empresa.


A Oilmoz, fundada por Leonardo Simão, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, dará emprego a 15 mil pessoas durante a construção da refinaria e a 2000 quando estiver a funcionar em pleno, adiantou Fausto Cruz, presidente executivo da empresa, no decurso de uma apresentação do projecto realizada na capital Maputo.


Esta refinaria será a primeira a ser construída em Moçambique desde que a única outra existente fechou há 24 anos, deixando o país totalmente depende de importações de combustíveis.


Fausto Cruz anunciou ainda estarem em curso e numa fase bastante adiantada negociações com um consórcio bancário com vista ao financiamento, ao mesmo tempo que estão em curso estudos de viabilidade técnico-ambiental para a instalação da refinaria.


Além da refinaria propriamente dita, a projecto integra a construção de outras infra-estruturas, como uma fábrica de petroquímicos, central termoeléctrica de 500 megawatts, estação de tratamento de lixo e de resíduos, um “tank farm” (parque de tanques) para armazenamento de petróleo em rama e combustíveis refinados, um terminal portuário em "off-shore" e casas para funcionários.


A Shell Global Solutions será responsável pelo aconselhamento técnico, estudo de viabilidade económica e concepção do projecto e posteriormente pelo fornecimento de petróleo em rama e manter-se-á como parceiro técnico por um período de 30 a 40 anos, segundo afirmou Robert Trout, director da empresa para serviços a terceiros.


O projecto é integralmente de capitais moçambicanos, tendo como accionistas a Petromoc, Leonardo Simão, que é também director-executivo da Fundação Joaquim Chissano, ex-Presidente moçambicano, e Fausto Cruz.


No ano passado, a Ayr-Petro-Nacala, da norte-americana Ayr Logistics, anunciou também a construção de uma refinaria na cidade portuária de Nacala, na província de Nampula, norte de Moçambique (Fonte: Macauhub, 2009-02-06).

Pré-sal só é viável com barril a US$ 60, diz BP


A BP (British Petroleum), a segunda maior companhia petroleira europeia, afirmou que a exploração de petróleo em águas profundas no Brasil, como é o caso do pré-sal, é viável comercialmente apenas com o barril valendo ao menos US$ 60. A afirmação contrasta com as mais recentes declarações do governo brasileiro, que estima que o barril deva valer entre US$ 30 e US$ 40.


Nos últimos meses, com a queda na cotação do barril nos mercados internacionais, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, vêm afirmando que a exploração do petróleo do pré-sal é viável mesmo com o preço atual -que gira em torno de US$ 40. Em seu plano de investimentos para os próximos anos, a Petrobras usa como referência a cotação do petróleo a US$ 37 o barril.


A visão do grupo britânico, no entanto, é diferente da brasileira. Para a BP, o preço do barril precisa subir logo para que ela não precise se endividar para conseguir manter seu nível de investimento.


De acordo com ela, se a recuperação na cotação demorar a chegar, as empresas petrolíferas ficarão em uma situação cada vez mais desconfortável.


Para chegar ao nível desejado pela companhia britânica, o preço do barril precisaria subir cerca de 50% em relação à cotação atual. Não faz muito tempo que a commodity valia ao menos US$ 60: a última vez ocorreu no início de novembro do ano passado. O problema é que a cotação do produto, que chegou ao recorde de US$ 145,29 em julho do ano passado, vem despencando, após ficarem mais claros os sinais de que a economia mundial está em crise e que o consumo de combustível deverá cair. O FMI estima para este ano o menor avanço do PIB global desde 1945.


Uma das consequências na queda do preço do barril foi sentida no balanço das grandes empresas petrolíferas mundiais. A ExxonMobil, a maior petroleira com ações negociadas em Bolsa do mundo, teve uma queda de 33% no lucro do quarto trimestre. A sua principal rival, a Shell, teve um prejuízo de US$ 2,8 bilhões no período, e a BP perdeu US$ 3,3 bilhões, o primeiro resultado negativo em sete anos.


O recuo na cotação também é observado nos investimentos globais para a descoberta de novos poços e, consequentemente, a manutenção do fornecimento do produto. No final do ano passado, a AIE (Agência Internacional de Energia) alertou sobre que os gastos para a descoberta de petróleo estão abaixo do necessário, com vários projetos sendo adiados (Fonte: Gazeta Mercantil / Folha de São Paulo, 2009-02-06).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Um plano ousado e estratégico


Os US$ 174,4 bilhões em investimentos que a Petrobras anunciou com seu Plano de Negócios 2009-2013 devem, na verdade, virar US$ 150 bilhões. A redução de cerca de 15% do valor – que, se confirmado, ainda será 33,5% maior que os US$ 112,4 bilhões do plano 2008-2012 – reflete os novos paradigmas que a petroleira traçou para o futuro com base no cenário global atual e nas possibilidades reais de diminuir custos. É o advento de uma nova forma de contratar os projetos previstos em carteira para os próximos cinco anos, com maior detalhamento e uniformização e menores pacotes de equipamentos e serviços. Assim, diversificando fornecedores, espera-se maior competição e, por consequência, menores preços.


Essa meta do ousado plano, que surpreendeu um mercado abalado pela crise econômica, é apenas um dos desafios que surgem para a petroleira brasileira nos próximos cinco anos. Outro deles, que também vai na contramão do cenário atual, diz respeito a seu nível de endividamento. Com a maior parte dos cofres mundo afora fechados e com os (poucos) abertos cobrando muito para liberar recursos, a Petrobras projeta aumentar sua alavancagem de 20%, como traçado no PN 2008-2012, para até 32,4%, chegando a 2013 a 25,5%. Uma sandice, diriam analistas, não fosse o fato de, pelo menos nos próximos dois anos – considerados o “período negro” da crise global –, o governo, via BNDES, garantir boa parte desse quinhão de dívidas. Serão US$ 12,5 bilhões este ano e US$ 10 bilhões em 2010.


O próximo ano, aliás, segundo o detalhamento do PN 2009-2013 apresentado a investidores, deverá ser chave para a petroleira reduzir investimentos e captações com a nova forma de negociar contratos. Tanto é assim que, nas projeções de captação de recursos no mercado em 2010 – um total de US$ 8,9 bilhões –, a Petrobras calcula que a diminuição do valor a ser investido vai derrubar para menos de US$ 4 bilhões a necessidade de captar de fontes além-BNDES. Ou seja, menos de 50% do valor projetado. “Não vamos legitimar os preços atuais”, frisou o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, durante a divulgação do plano para a imprensa. Nem que para isso, segundo o mesmo Gabrielli, a companhia tenha de ir para o exterior contratar, apesar de seu papel de vetor de crescimento da indústria nacional do petróleo.


De fato, se considerada a evolução do Capex entre os planos 2008-2012 e 2009-2013, é fácil verificar onde a Petrobras quer ganhar. O plano atual engloba US$ 111,2 bilhões incluídos no plano anterior e mais US$ 47,9 bilhões em investimentos em novos projetos. Há ainda outros US$ 8,1 bilhões que levam em conta mudanças em modelos de negócios e alterações de cronograma. Sobra então uma fatia formada por aumento de custos, mudança no escopo de projetos e taxa de câmbio, de US$ 23,4 bilhões. É esse valor que a companhia quer economizar.



Investimentos com critério


O PN 2009-2013 prova que a crise não intimidou a Petrobras em relação ao que ela almeja para o futuro: estar entre as maiores companhias de energia do planeta. Por isso está tudo lá no plano: quase US$ 105 bilhões em investimentos em E&P – dos quais US$ 28,9 bilhões no pré-sal – para que a produção total atinja 3,655 milhões de barris de óleo equivalente (BOE)/dia em 2013; aplicação de recursos no Comperj, na Refinaria do Nordeste (RNEST), em revamps em várias plantas e até mesmo nas Premium I e II para que a empresa se torne exportadora de derivados para a Bacia do Atlântico e o Oriente Médio e faça o Brasil ser autossuficiente em óleo diesel ainda este ano; investimento quase em dobro em Gás e Energia para garantir a instalação de mais dois terminais de GNL, a fim de exportar gás – situação impensável em um país que recentemente teve problemas de suprimento; e recursos garantidos na área de biocombustíveis, tanto para aumentar a produção de etanol (principalmente) e biodiesel aqui e no exterior como para criar infraestrutura de escoamento e exportação.


Toda essa ousadia da Petrobras, porém, tem seu pé na realidade. Não à toa a apresentação da petroleira para investidores lembra que quase metade dos projetos incluídos no plano ainda não foi aprovado e contratado pela Petrobras. Portanto, logo depois a companhia reitera que “apenas projetos com VPL (valor presente líquido) positivo e competitivo serão de fato aprovados e implementados. Prova de que as contas, por mais exuberantes que pareçam a princípio, continuarão sendo feitas continuamente no edifício-sede (Fonte: Brasil Energia, 2009-02-03).

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Em Angola, empresas estão otimistas em relação à crise


Empresas que atuam em Angola encaram com otimismo 2009, apesar da crise e da queda do preço do barril de petróleo e de um cenário traçado pelo Banco Mundial que aponta para um recuo da economia angolana.


Olivier Langavant, diretor geral da Total-Angola, uma das mais importantes petrolíferas do país, disse que a sua empresa encara uma “situação de crise”, mas garantiu que “não estão em causa quaisquer cortes importantes” nos investimentos. “A realidade atual é que estamos numa situação de crise com os baixos preços do petróleo e estamos agora a ver de forma muito restrita todos os investimentos que temos”, declarou.


Contudo, Langavant afirmou que a Total-Angola não prevê “cancelar os investimentos maiores” e os de caráter social, embora esteja “a rever tudo como todas as companhias”. A produção de referência da Total Angola é acima de 500 mil barris/dia.


Langavant que os grandes investimentos, como o projeto Paz Flor, de cerca de US$ 9 bilhões, com dezenas de poços de petróleo que deverão começar a produzir em 2011, “não serão afetados”.



Contração

A economia angolana pode contrair-se em 2009, pela primeira vez nos últimos anos, devido ao recuo "dramático" das receitas petrolíferas, alertou o relatório de janeiro do Banco Mundial.


O estudo indica que a quebra nominal do PIB pode atingir 17% em relação a 2008, com a média anual do preço do petróleo a US$ 50 e o setor não-petrolífero crescendo 10% ao ano, e 23% num cenário do barril a US$ 40. "Em qualquer cenário", aponta ainda o BM, "o governo vai perder receitas em relação a 2008" e a quebra pode atingir os 50%, num cenário "pessimista" de petróleo a US$ 40 e um corte de produção de 13%.


Apesar deste cenário pessimista, José César Macedo, presidente do Conselho de Administração da Lactiangol, empresa de lacticínios angolana, o reflexo da crise na atividade da empresa “ainda não deu sinais”. “Pelo contrário", explicou Macedo, "o setor não demonstra sinais da crise porque, neste momento, a acompanhar um aumento constante da produção de leite em Angola, o preço da matéria prima importada tem baixado, ao mesmo tempo que o mercado nacional ainda apresenta uma procura superior à oferta” (Fonte: Agência Lusa, 2009-02-04).

Fonte dos royalties secou


Com a queda dos preços do petróleo, municípios perdem até 36% das receitas - A queda no preço do petróleo no mercado internacional e a apreciação do dólar em relação ao real já impactam as finanças de municípios brasileiros dependentes de royalties.


Os dois fatores entram no cálculo das compensações pagas por empresas produtoras de petróleo e gás natural pela exploração dessas matérias-primas. Levantamento da Agência Estado com base em dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que regula o setor, mostra queda de até 36% no valor repassado às cidades no intervalo de apenas um mês, de dezembro de 2008 a janeiro de 2009.


Os dez maiores municípios beneficiários de royalties no país receberam, em janeiro, no mínimo, R$ 1 milhão a menos do que em dezembro passado. Em Campos de Goytacazes, no Norte fluminense, a diferença ultrapassa R$ 11,8 milhões.


Os reflexos da redução do valor dos royalties se manifestaram quase instantaneamente na rotina financeira dos municípios. Prefeituras já admitem cortes de até 30% no Orçamento de 2009, adiam obras, suspendem contratos de funcionários terceirizados e prometem fechar o cerco contra a sonegação de impostos.


As medidas, no entanto, não mexem no principal fator de garroteamento das cidades: a gastança com o pagamento de juros, que, em 2008, subtraiu R$ 162 bilhões de União, estados e municípios.


Com isso, os efeitos sobre a queda dos preços do petróleo são ainda mais fortes nas cidades com maior dependência dos royalties.


A maioria dos governos, porém, manteve intactos os recursos destinados à educação e à saúde, graças a determinação de percentuais mínimos garantidos pelas constituições locais. "Estamos com o freio de mão puxado", resume o prefeito de Quissamã (RJ), Armando Carneiro, do PSC.


A cidade fluminense recebeu, em janeiro, royalties 32% inferiores aos do mês anterior. São R$ 2,4 milhões a menos (Fonte: Monitor Mercantil, 2009-02-03).

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Consórcio da Galp e Petrobras encontra mais petróleo em Potiguar


O consórcio detido em partes iguais pela Petrobras e pela Galp Energia encontraram evidências de petróleo em mais um poço na bacia de Potiguar, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo.


Segundo os dados publicados no site do regulador brasileiro, a evidência de petróleo foi observada no poço 1GALP26RN, no Bloco POT-T-354, situado no Potiguar.


Os dados publicados pela ANP apontam para várias descobertas de petróleo em Potiguar, nomeadamente nos Blocos POT-T-559, POT-T-520, POT-T-794. Segundo a agência Bloomberg, a Galp e a Petrobras ainda não determinaram se o petróleo encontrado em viável comercialmente (Fonte: Jornal de Negócios, 2009-02-02).

Brasil fecha mercado para estatal venezuelana


O Governo do Brasil não vai deixar a estatal de petróleo venezuelana PDVSA entrar no mercado de distribuição de combustíveis na Região Nordeste do país, como é intenção da companhia. Nesta sexta-feira, o Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, deixou clara essa posição brasileira, argumentando que se a PDVSA entrasse na venda de combustíveis, principalmente de óleo diesel, acabaria com o mercado de distribuição no Nordeste.


Com essa posição do Brasil ficará difícil a PDVSA se associar com a Petrobras na construção da refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, como estava sendo negociado entre os dois países e as duas empresas há três anos. O ministro Edison Lobão disse, no Rio de Janeiro, que o governo brasileiro não vai aceitar a intenção da PDVSA de vender a sua parcela de combustíveis na região Nordeste do Brasil. Segundo ministro, se a PDVSA vender óleo diesel como pretende, destruiria totalmente o mercado brasileiro de distribuição de combustíveis no Nordeste, pois eles venderiam a preços muito baixos.


"A Venezuela quer levar o diesel para vender para onde quiser, para a própria Venezuela ou outros países, ou então vender no Brasil diretamente. E nós não aceitamos essa venda lá no Pernambuco e no Nordeste, porque será uma competição que vai fechar muitas distribuidoras. Vai quebrar nossas distribuidoras porque vão vender a preços de banana" - destacou o ministro.

A Petrobras e a PDVSA discutem a sociedade na refinaria já há três anos, pela qual a Petrobras ficaria com 60% do negócio e a PDVSA com os outros 40%. A refinaria Abreu Lima terá capacidade para processar 300 mil barris por dia de petróleo pesado, dos quais metade serão da produção nacional da Petrobras e a outra metade viria da Venezuela. Outro ponto polêmico em discussão é em relação aos preços de venda do petróleo da PDVSA para a refinaria. A estatal venezuelana quer fixar preços para o petróleo bem acima das cotações internacionais.


O ministro Edison Lobão disse que a decisão final sobre a participação ou não da PDVSA na refinara de Pernambuco será definida em reunião no próximo dia 17 de fevereiro.


"A PDVSA ainda não entrou no projeto da refinaria. Só tem acordo de intenções assinado. Ainda não se fez um acordo definitivo, o que deve ocorrer no dia 17 de fevereiro, (quando) vamos fechar o acordo ou não fechar mais" - concluiu o ministro (Fonte: Jornal Dia Dia, 2009-02-01).

sábado, 31 de janeiro de 2009

Petróleo nosso, um afrodisíaco


Se olharmos o passado, a Petrobras nunca se meteu em aventuras. Sempre foi cautelosa em anunciar descobertas ou o aumento de suas reservas, de forma conservadora. O melhor exemplo disso é o comportamento adotado na questão do petróleo do pré-sal no litoral de Santos.


Em 2001, os levantamentos por satélite do Geological Survey dos Estados Unidos, já apontavam a localização de importantes jazimentos de óleo a grande profundidade na região da bacia de Santos, em volumes que podiam chegar a 30 bilhões de barris.


Desde então a Petrobras se dedicou a pesquisar com mais intensidade a área, atraindo discretamente parcerias privadas nacionais e estrangeiras, até que as perfurações exploratórias confirmaram a existência de óleo e gás em escala comercial.


Os primeiros anúncios oficiais datam de três ou quatro anos atrás, sempre com números conservadores em relação aos volumes mas hoje não é mais segredo que a soma das descobertas comprovadas está em torno de 80 bilhões de barris. Para se ter uma ideia, semana passada o presidente da Exxon (maior empresa mundial de petróleo), que se associou à exploração de uma pequena área de Tupi, deixou o Brasil calculando que tem lá entre 8 e 10 bilhões de barris. É algo equivalente ao que nós temos hoje em reservas.


Há quem levante dúvidas sobre nossa capacidade técnica e quanto às limitações financeiras para a extração, transporte e industrialização do óleo e gás em grandes profundidades e à distância de 200 ou 300 quilômetros da costa. A Petrobras apresentou um programa bem razoável de exploração, equilibrado, que vai atrair investimentos tanto nacionais como do exterior, estimulados pela demanda do setor nos próximos anos.


Quanto aos recursos tecnológicos, a Petrobras tem uma liderança mundial na exploração a grandes profundidades no mar e nossa indústria já alcançou um estágio de sofisticação que lhe permite atender à substanciais encomendas de equipamentos.


O certo é que vai ter uma demanda nova para a fabricação de equipamentos para o setor de petróleo que a nossa indústria terá que atender. Obviamente que uma parte das encomendas será suprida por fabricantes estrangeiros. Acredito que alguns terão que se instalar aqui para aproveitar as oportunidades de um negócio com enorme potencial de crescimento.


Joelmir Betting no jornal da TV Bandeirantes esta semana, com seu habitual senso de humor, referiu-se ao "efeito afrodisíaco" que plano estratégico da Petrobras para 2009/2013 vai exercer na economia brasileira. É uma boutade perfeitamente adequada, pois o programa do pré-sal tem tudo para se tornar o estímulo que faltava para a aceleração do crescimento pelos próximos anos, garantindo à atual geração de brasileiros que o processo não será interrompido nem por crises de energia nem por déficits em conta corrente.


Vai exigir trabalho inteligente - sem afobações ou surtos midiáticos - e paciência necessária para a maturação do programa que deverá atingir a "velocidade de cruzeiro" daqui a seis ou sete anos.


Não vai depender somente da Petrobras, mas principalmente de ajustes na política de juros, para reduzir as atuais taxas dos níveis indecentes que só o Brasil pratica, a alguma coisa próxima a 3% ao ano reais, como existe nos demais países (Fonte: Diário Comércia Indústria, 2009-01-30).

Angolanização em bom ritmo


O processo de angolanização em curso no sector dos petróleos decorre a bom ritmo, de acordo com o ministro dos Petróleos, Botelho de Vasconcelos, que falava durante a curta visita de trabalho que efectuou no passado fim-de-semana, ao município do Soyo, província do Zaire, para constatar o andamento das obras de construção da fábrica de gás natural liquefeito, a Angola LNG, empreendimento que o governante qualificou de "estrurante nacional, consubstanciados no aproveitmento do gás natural".


O outro benefício que a futura fábrica de gás natural liquefeito pode proporcionar à sociedade, tem a ver com absorção de uma mão-de-obra significativa de angolanos, estimada em cerca de 7.000 postos de trabalho durante a fase de construção. "Até o momento, 2.000 pessoas já trabalham no projecto, 1.500 dos quais, são cidadãos angolanos" afirmou o ministro Botelho de Vasconcelos.


A segunda componente, continuou o governante, "consiste na integração do empresariado nacional na prestação de vários serviços no sector, para tornar o processo da angolanização cada vez mais, uma realidade". No âmbito do projecto Angola LNG, o ministro Botelho Vasconcelos recebeu explicações do director-geral do empreendimento, Paul Oen, e ficou satisfeito com o andamento das obras da construção da fábrica, cujo fim das obras está previsto para o ano de 2012.


O projecto Angola LNG vai processar 5,2 milhões de toneladas de gás natural por ano, 125 milhões de metros cúbicos dos quais se destinam ao consumo interno.


No final da visita, o ministro dos Petróleos explicou o processo de angolanização em curso: "consiste na formação e na integração dos quadros nacionais nas distintas empresas do ramo, entre operadoras e empresas de prestação de serviços, no sentido dos angolanos e expatriados terem as mesmas regalias".


O ministro na sua deslocação ao Soyo estava acompanhado por uma comitiva do seu sector e foi recebido no aeroporto pelo governador em exercício do Zaire, Regerio Eduardo Zabila, que o conduziu a visitar a nova Central Elétrica a gás, a base logística de apoio às empresas petrolíferas, Kwanda e o projecto residencial Cooperativa Cajueiro com 189 casas unifamiliares (Fonte: Angonotícias, 2009-01-28).

Liberado Teste de Longa Duração em Tupi

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio-Ambiente) emitiu a licença prévia para a Petrobras realizar o Teste de Longa Duração do prospecto de Tupi, no bloco BM-S-11, na Bacia de Santos (5 a 8 bilhões de barris de reserva). A estatal deve iniciar em fevereiro o lançamento da linha de produção e da árvore de natal do TLD. O primeiro óleo está programado para 30 de março.
Está prevista a produção alternada em dois poços, em lâmina d’água de 2.200 m. O teste vai durar cerca de 15 meses e deve produzir algo em torno de 15 mil barris/dia de óleo leve.
A audiência pública para análise do projeto piloto de Tupi, previsto para dezembro de 2010, deve acontecer no mês de março, provavelmente, no município de Niterói (RJ). O órgão ambiental aguarda agora o EIA/Rima do projeto, que deve ser encaminhado pela Petrobras ainda em 2008. (Fonte: Energia Hoje - Felipe Maciel)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Petróleo fraco e crédito limitarão planos da Petrobras

Grande parte do setor de energia do Brasil acredita que a companhia estatal Petrobras não será capaz de executar seu plano de cinco anos para aumentar os investimentos em 55 por cento. "O plano da Petrobras é um trabalho de ficção, é um exercício acadêmico que será revisado nos próximos anos", disse Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.
As ações das empresas de serviços e equipamentos do setor de petróleo subiram após a Petrobras ter anunciado na sexta-feira passada planos de investir 174,4 bilhões de dólares até 2013, quantia 55 por cento maior em relação ao plano de 2008-2012, de 112,4 bilhões de dólares. Outros importantes produtores de matéria-prima estão reduzindo os gastos em meio ao declínio dos preços das commodities e à fraqueza do mercado de crédito.
Céticos observaram que historicamente, a Petrobras gastou entre 85 e 95 por cento do seu orçamento com investimentos. Muitos projetos foram anunciados quando os preços do petróleo estavam bem acima de 100 dólares o barril. A companhia adiou o lançamento do seu plano de investimento quatro vezes nos últimos seis meses devido à deterioração da economia global. Analistas esperavam que a Petrobras fosse limitar seus grandiosos projetos para se adequar à queda nos preços do petróleo. Muitos analistas dizem que o plano reflete mais as necessidades do governo do que as do mercado. Eles afirmaram que o presidente Luiz Inacio Lula da Silva tentará ajudar seu escolhido para sucessor nas eleições de 2010, quando encerra o segundo mandato. Lula foi o primeiro presidente da República a comparecer a uma reunião de trabalho do Conselho de Administração da Petrobras, na última sexta-feira, em Brasília.
Mônica Araújo, analista da corretora Ativa, declarou que os gastos com exploração e produção eram compreensíveis, dada as amplas reservas na camada do pré-sal descobertas recentemente. A companhia elevará os investimentos na área para 104,6 bilhões de dólares, contra 65,1 bilhões de dólares anteriormente. Mas ela ficou perplexa com o crescimento dos gastos com a área de Abastecimento --um aumento de 47 por cento, ou quase 14 bilhões de dólares--, em uma série de refinarias em Estados onde o governo está tentando reforçar o apoio de partidos aliados e eleitores. "A expectativa de que a companhia apresentasse um plano mais coerente com o setor de petróleo e às condições de financiabilidade deixam a sensação de um plano ousado e arrojado e, portanto, será difícil executá-lo sem arriscar a estrutura de capital da companhia", explicou Mônica em um relatório. Administrações anteriores frequentemente utilizavam a Petrobras para ganhar votos em ano de eleição. "Não seria surpreendente ver os preços do combustível da Petrobras mais baixos em 2010", afirmou um gerente de um fundo de investimentos multinacional, em São Paulo. "Mas se o candidato do Lula não ganhar, você pode jogar fora esse plano de investimento".
As vendas de combustível no Brasil respondem por quase metade das receitas da Petrobras. A redução dos preços tornará a companhia mais dependente de financiamento externo, que tem sido escasso. A Petrobras tem um saudável fluxo de capital anual de mais de 100 bilhões de dólares por ano, que até agora está sendo usado para financiar a maior parte dos seus investimentos. No passado, a companhia utilizou seu próprio capital para ancorar 80 por cento dos seus investimentos, lembrou Nelson Rodrigues de Matos, analista de energia do Banco do Brasil. "Agora nós estamos falando em 65 por cento das necessidades de crédito sendo abastecidas pelo mercado de capitais", disse o analista. "Eu não estou dizendo que esse plano não é possível, mas se for, será totalmente dependente da alta dos preços do petróleo, da melhoria dos mercados de crédito e da estabilidade dos preços dos equipamentos e serviços". A Petrobras recebeu 11,9 bilhões de dólares para 2009 e outros 10 bilhões de dólares para 2010 do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) a taxas favoráveis e prazo de 30 anos. "O BNDES salvou a Petrobras", declarou de Matos. "Mas 2009 não é o problema. Eles terão que investir 36 bilhões de dólares por ano a partir de 2010 para cumprir o plano e não está claro de onde virá esse capital extra agora".
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse que já conseguiu 5 bilhões de dólares do setor privado em 2009, com prazo de dois anos, mas analistas afirmaram que a companhia buscava o dobro dessa quantia. "Em 2009, o BNDES pode financiar uma grande parte das necessidades de crédito da companhia", disse o analista Vladimir Pinto em um relatório do Unibanco (Fonte: Estadão. 2009-01-27).

Angola se torna maior fornecedor de petróleo à China


Angola se tornou o maior fornecedor de petróleo à China, ficando à frente da Arábia Saudita, afirma nesta sexta-feira o jornal China Daily, num suplemento especial de quatro páginas dedicado ao país africano.

“Angola ultrapassou recentemente a Nigéria como principal produtor de petróleo em todo o continente africano e há poucos meses tornou-se o maior fornecedor de petróleo à China, à frente da Arábia Saudita”, diz o artigo de abertura do suplemento.

No texto, intitulado “Crescimento mútuo marca parceria sino-angolana”, Angola é descrita como “um gigante africano que depois de muitos anos de guerra, alcançou a estabilidade e cuja economia tem crescido cerca de 20% (em média, ao ano)”.

Devido ao petróleo, Angola se tornou também o maior parceiro comercial da China na África e grandes empresas chinesas estão envolvidas no programa angolano de reconstrução nacional, que conta com um financiamento chinês estimado em US$ 5 bilhões (Fonte: Angonoticias, 2009-01-23).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Proprietários e inquilinos do mar Cáspio: Entre a fome, a sede e os carros (cap. III)

Em 1876, quando os irmãos Nobel instalaram sua companhia (Branobel) na cidade de Baku – capital do atual Azerbaijão – e iniciaram a exploração em larga escala do petróleo do Mar Cáspio, já se fazia notar o potencial petrolífero da região. Conhecida como “a capital do ouro negro” e responsável por 50% da produção mundial de petróleo no início do século XX, Baku teve o curso de sua história completamente alterado ao ser apropriada pelos soviéticos em 1920, o que naturalmente afastou toda a produção do Mar Cáspio dos grandes consumidores capitalistas. No entanto, esse afastamento não significou o esquecimento do tesouro oculto no maior lago do mundo. O próprio Adolf Hitler, após o fracasso em tomar Moscou, decidiu abrir uma nova frente em terras soviéticas para apoderar-se de Baku, mas acabou contido em Stalingrado.
Passados quase trinta anos do esfacelamento do bloco soviético, o Mar Cáspio volta à ordem do dia. Em seus mares – por vezes ultra-profundos – estima-se que haja em torno de 160 bilhões de barris a serem extraídos, o suficiente para um longo período de prosperidade e muito mais do que o necessário para reorganizar a dinâmica geopolítica global.
Apesar da elevada complexidade política da região, o Mar Cáspio ainda surge como uma alternativa menos incerta para o Ocidente do que os produtores filiados à OPEP. A mesma vantagem vale também para a China, que ainda conta com a segurança de manter seus fornecedores por perto. Para a Ásia Central e países periféricos (ex: Turquia), é a promessa de força política e consolidação econômica através dos dutos que cruzam seus territórios. Para a Rússia, é a possibilidade de aproveitar-se do considerável aumento de reservas em sua área de influência e de firmar-se como principal ponte entre a Europa e o Mar Cáspio.
No entanto, nem tudo são flores neste jardim. Com essa profusão de riqueza cada vez mais próxima, todos os países olham em torno com desconfiança, temendo perder suas vantagens para o vizinho. Assim as rivalidades se sublinham, os obstáculos vêm à tona e a situação assume formas indefinidas.
A divisão dos setores correspondentes a cada país é um primeiro problema. Quando o Mar Cáspio dividia-se apenas entre a Pérsia (Irã) e a antiga URSS, a demarcação parecia simples: a fronteira marítima deveria ser uma extensão natural da fronteira terrestre. Hoje, com cinco países envolvidos na partilha (são eles: Rússia, Azerbaijão, Cazaquistão, Turcomenistão e Irã), a situação é outra. Embora a atual divisão supostamente siga as avaliações de um tratado estabelecido entre Rússia, Cazaquistão e Azerbaijão – o qual divide o Mar Cáspio de acordo com a dimensão da costa de cada país ribeirinho – o Irã afirma desconhecer esse tratado e clama por uma divisão igualitária, de 1/5 para cada país (o que lhes favoreceria, pois o país conta hoje com a menor parte, algo como 13%).
O maior atrito causado por esta partilha ocorre entre Irã e Azerbaijão. Este último, por enquanto, tem tratado a questão com cautela, e promete não explorar as regiões em disputa até que se chegue a um acordo. No entanto, neste meio tempo o Azerbaijão estreita relações com os EUA e assiste o Irã aproximar-se da Armênia, seu adversário histórico e localizado a apenas 30 milhas da rota de escoamento do petróleo de Baku via Turquia. Os dutos, aliás, constituem-se em uma outra questão de fundamental importância geopolítica. De um lado, os maiores produtores (Azerbaijão, Turcomenistão e Cazaquistão) aguardam pelas melhores propostas; de outro, os países com maior força econômica/bélica (Rússia, Irã, China e EUA) ocupam-se do jogo político.
Em primeira instância, a Rússia se beneficia da vantagem de ser o fornecedor mais “direto” da Europa. Como todas as rotas de alguma maneira devem chegar ao continente europeu, o país pode ser considerado aquele com o maior potencial de domínio sobre esta riqueza. Sua forte influência sobre o Azerbaijão e o Cazaquistão também pesa a seu favor. Hoje, o principal duto russo é o de Baku-Novorossiysk, e existe a proposição de expandi-lo através do Mar Negro até a Turquia.
A Turquia é um país-chave nesta dinâmica geopolítica. Em seu território está construída grande parte da rota Baku-Cehyan, favorecida pelo governo e companhias americanas e também favorável aos interesses europeus (visto que desemboca no Mediterrâneo). Por outro lado, os turcos também abriram negociações com os russos, adquirindo cada vez mais poder de barganha. Uma nova ligação com Baku (passando pela Geórgia) e projetos envolvendo a exportação do gás iraniano também fazem parte dos planos da Turquia.O Irã vive o problema de estar isolado na política do Mar Cáspio. Embora tenha a vantagem de poder escoar seus recursos para o Golfo Pérsico – e apesar das relações amigáveis com Turquia e Turcomenistão – as desavenças com outros Estados e com o governo americano ainda impedem o país de despontar. O Irã poderia, por exemplo, exportar seu gás para a Índia, no entanto precisaria passar por Afeganistão e Paquistão, o que é dificultado por sua política agressiva com os aliados dos EUA.
Os americanos certamente não se colocam de fora desta partilha. Seu projeto mais ambicioso envolve a construção de um duto no Afeganistão ligando o Turcomenistão ao Mar Arábico, a partir de onde o petróleo seria repassado para o promissor mercado asiático sem ter que atravessar regiões mais distantes e conflituosas como o norte da China e o Golfo Pérsico.
A China, embora disponha da fronteira com o Cazaquistão – que sozinho possui mais da metade de todas as reservas estimadas – sofre com a questão da província separatista de Xinjiang. A região, que mesmo após o comunismo manteve-se firme em suas tradições, é um obstáculo considerável tanto para o consumo chinês quanto para suas ambições em relação ao mercado asiático.
Como fica evidente, o maior fator de complicação na dinâmica geopolítica do Mar Cáspio tem uma resposta simples: o grande número de países envolvidos. O inevitável jogo de interesses dos países envolvidos acaba fazendo emergir velhos e novos conflitos, que através de alianças ganham proporções perigosas. Recentemente, assistimos a uma séria crise de gás envolvendo a Rússia e a Ucrânia, quando os russos decidiram praticamente quintuplicar o preço do gás fornecido para a Ucrânia e, diante da recusa, cortaram o suprimento ucraniano em pleno inverno (ignorando o fato de que grande parte do gás exportado para o resto da Europa passa necessariamente pelo país). O perigo de se atravessar território estrangeiro com oleodutos e gasodutos é este, e no caso do Mar Cáspio torna-se um perigo necessário. Nas últimas semanas, a operação militar russa dentro da Geórgia foi mais do que apenas a conseqüência de um conflito local: foi uma demonstração de força de quem não pretende deixar de dar as cartas na região.
A verdade é que, embora a riqueza do Mar Cáspio seja inquestionável, o preço que esta riqueza custará e a maneira como será aproveitada ainda são bastante incertos. Com tantas fatias para repartir, o bolo pode não ser tão grande como na imagem que vemos dele (Fonte: Mauro Kahn & Pedro Nobrega - Clube do Petróleo - Leia outros artigos e os primeiros desta série acessando o site www.clubedopetroleo.com.br).

A Inflação dos Alimentos e o Meio Ambiente: Entre a fome, a sede e os carros (cap II)

Quando nos deparamos com alguma crise, nossa atenção tende sempre a recair sobre relações de causalidade direta. Ao se falar, por exemplo, na crise da água, é natural que transbordem campanhas apelando para a redução do consumo doméstico. No entanto, ao assumirmos este tipo de abordagem, ignoramos outros hábitos que, postos em números, demonstram-se muito mais prejudiciais. Neste artigo, nos dedicamos a analisar um deles – o alto consumo de recursos naturais para produção de carne bovina – que consiste em um pequeno capricho na nossa dieta, porém um grande impacto em nosso meio ambiente.

Pesquisas apontam para um explosivo aumento per capita no consumo da carne no lugar dos vegetais, e estima-se que até 2020 esse aumento seja de mais 50% (em especial graças às adesões de China e Índia aos hábitos alimentícios do Ocidente). Nossa razão para preocupação vai muito além de uma alimentação saudável: engloba os expressivos gastos envolvidos na produção da carne. Ainda permanecendo na questão da água, é suficiente lembrar que, para produzir-se 3 kg de carne bovina, gasta-se tanta água quanto uma pessoa tomando um banho diário de chuveiro, durante cinco minutos, por um ano.

A partir de estimativas do Conselho Mundial de Água, para produzirmos um quilo de batata gastamos de 100 a 200 litros de água (lembrando que é possível produzir mais de 23.000 kg por hectare de batata no Brasil). Entretanto, se desejamos carne bovina acompanhando a batata, devemos nos preparar para consumir em média 13.000 litros de água por quilo (com uma produção em torno de apenas 47 kg de carne equivalente-carcaça/ha). A situação se agrava quando analisamos a energia gasta através de todo o processo. Fora os gastos com combustível para transportar os grãos que alimentam o gado, é necessário manter em funcionamento tratores, caminhões e equipamentos para preparar o gado até ele chegar em nossas mesas. Ao confrontar estes aspectos, enxergamos com maior nitidez o impacto que o aumento do petróleo causa na inflação dos alimentos.

Outro ponto de interesse para nós é a poluição causada pela criação de gado. Segundo um relatório das Nações Unidas, o gado é responsável pela emissão de 18% dos gases poluentes. Além disso, a pecuária também apresenta altos índices de esgotamento do solo. Sabe-se, por exemplo, que um terço de todo o território próprio para cultivo dos EUA foi definitivamente perdido por erosão.

A poluição das águas é um caso à parte. Estima-se que a quantidade de resíduos gerados pela agropecuária (durante todos os níveis do processo) supere todas as fontes industriais e municipais combinadas. Segundo a Embrapa, a poluição gerada pelo gado entre os anos 1990 e 1994 praticamente igualou a poluição gerada pelo setor energético.

Embora não seja a pretensão de nossos argumentos criar uma sociedade vegetariana – seria exagero propor a exclusão da carne de nossa dieta – não é difícil constatar que existe um excesso em nosso consumo, desnecessário e prejudicial para todos: para nossa saúde, nosso meio ambiente e nossa economia. Percebam que, com a entrada no mercado de milhões de novos consumidores asiáticos, a situação se desenha de maneira perturbadora.

Se no passado muitas vezes não havia solução senão caçar (quando não era tempo de colheita, etc.) – e mesmo assim nossos ancestrais consumiam muito menos carne (além de não precisarem alimentar sua caça) – hoje temos uma vasta gama de possibilidades de nutrição, consideravelmente mais adequadas para a quantidade de pessoas que habitam o planeta e para os novos bilhões que habitarão em um futuro próximo. A plantação de frutas e vegetais em larga escala, os quais demandam gastos naturais mínimos e são compostos de um importante valor nutritivo, é um exemplo. Outros são a soja, o trigo e assim por diante. Em um mundo sem alimentos, fica a dúvida: é válido gastar 7 quilos de soja para gerar um quilo de carne? (Fonte: Mauro Kahn & Pedro Nobrega - Clube do Petróleo - Leia outros artigos e os primeiros desta série acessando o site www.clubedopetroleo.com.br).

Entre a fome, a sede e os carros (cap. I)

A partir da próxima segunda-feira, o Clube do Petróleo inicia uma série de artigos apresentando algumas tendências geopolíticas e ambientais que prometem marcar as discussões das próximas décadas e definir os rumos da nova organização mundial. Pretendemos, através de um compreensivo estudo, chegar a um modesto e objetivo rascunho do que acontece hoje à nossa volta, bem como traçar perspectivas futuras e, naturalmente, observar possíveis maneiras de lidar com esta nova realidade.
Em um primeiro momento, buscaremos analisar a questão do preço crescente dos alimentos – levando em conta seu vínculo (geralmente esquecido) com nossa própria cultura alimentar – e também expor o quanto pequenos sacrifícios em nossos hábitos alimentares já poderiam minimizar de maneira significativa a demanda dos recursos naturais necessários (incluindo a água e a energia gerada a partir do petróleo, vital para o processo de “produção” dos alimentos).
Outra temática será a água e seu desperdício, essencialmente devido ao uso inadequado, à má distribuição e à desastrosa e crescente poluição. Interessante observar como o maior potencial de água do planeta costuma estar devidamente preservado em regiões onde não se aglomeram grandes populações, em contrapartida com a água escassa e geralmente poluída das regiões mais densamente povoadas. O ponto de suma importância é exatamente pensar como faremos para reduzir a poluição e garantir que estes recursos hídricos fluam até os lugares onde a demanda é maior.
Teremos oportunidade de analisar também a crise energética mundial, explorando em especial a questão da balança de produção/consumo, a qual aparentemente acusa um desequilíbrio de complexa reversão, uma vez que, apesar do elevado preço do petróleo, a frota de automóveis mundial continua em rápida expansão (potencializada pelo aumento progressivo da frota chinesa e indiana). Tanto a China quanto a Índia, assim como os EUA, mantêm uma política de tributação sobre os derivados que vêm estimulando o consumo, evidentemente agravando a questão.
Outro foco de nossa atenção – assunto que não poderíamos deixar de analisar em se tratando de uma nova ordem mundial – será a evolução econômica da China e as maneiras como a nova potência poderá contornar os obstáculos gerados pela falta de recursos naturais finitos (entre eles a água) e sustentar sua expansão meteórica. Sabemos que hoje a potência emergente já coloca-se em busca de fornecedores de petróleo, gás natural e inclusive terras para a geração de alimentos em países do continente africano e até mesmo no vizinho Cazaquistão – o que conseqüentemente nos remete à complexa situação geopolítica envolvendo o Mar Cáspio, região que há muitos anos se apresenta como uma promessa de novas reservas de petróleo e gás suficientes para equilibrar o aumento do consumo mundial e amenizar os graves problemas energéticos do mercado europeu, da China e do Japão.
Será com estes temas e outros pontos em torno deste eixo que contamos poder identificar algumas das mais relevantes causas que limitam a humanidade em seu crescimento objetivo e que a levam a cometer equívocos e ignorar oportunidades relativamente simples de evitar a poluição do solo, da água e do ar. Enquanto esperamos o tempo passar, prosseguimos desperdiçando nossas energias não-renováveis e todo o potencial de nossa espécie (Fonte: Mauro Kahn & Pedro Nobrega - Clube do Petróleo - Leia outros artigos e os primeiros desta série acessando o site www.clubedopetroleo.com.br).

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Presidente da Opep espera que corte de produção ajude preços


A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) está fortemente comprometida com seu maior corte de produção da história, que deve ser suficiente para impulsionar os preços da commodity que chegaram a menos de 40 dólares o barril, disse o presidente do grupo à Reuters nesta terça-feira.


Em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo no começo do mês, Botelho de Vasconcelos também disse que a Opep não deve se reunir antes da próxima reunião formal do cartel, em 15 de março, em Viena. "Em março nós iremos nos reunir para avaliar os cortes acordados em dezembro. Mas eu acredito que se todos os cortes forem feitos dentro do prazo programado, haverá um impacto no mercado que levará a uma tendência positiva em termos de preços do petróleo", disse Vasconcelos, que também é o ministro do Petróleo de Angola. "Eu acredito que todos os cortes estão sendo realizados, apesar de nem todos países poderem aderir ao acordo de corte no primeiro dia."


Os ministros do petróleo da Opep concordaram no último mês em remover 2,2 milhões de barris por dia a partir de 1o de janeiro, em uma corrida para equilibrar o fornecimento ante o rápido declínio da demanda por combustível (Fonte: Reuters, 2009-01-20).

Petrobras é primeira em índice ético de suíços na área de petróleo


A Petrobras é apontada como a companhia com melhor reputação ética entre as multinacionais do petróleo e gás, num índice anual publicado hoje na Suíça. Só outra companhia brasileira aparece entre 541 multinacionais: a Vale, que fica em oitavo lugar entre as dez primeiras na área de mineração.


O índice anual de ética foi publicado pela empresa suíça Covalence, que há quatro anos mede responsabilidade social, desenvolvimento sustentável, investimento ético e reputação das companhias como maior capitalização nas bolsas.


Assim como existem Moody´s ou Fitch para classificar risco-país, a Covalence quer ser a agência de classificação social das empresas. Ela baseia seu índice em informações publicadas na Internet, originárias de oito mil fontes em inglês, francês, alemão e espanhol.


Essas informações são julgadas positivas ou negativas por uma equipe de analistas seguindo 45 critérios, como impacto ambiental da produção, promoção social, gestão de detritos, informação ao consumidor, inovação ecológica de produtos, presença internacional, riscos ambientais, padrões trabalhistas, política anticorrupção.

Segundo o diretor da Covalence, o índice vem sendo usado pelas próprias companhias, e é divulgado no setor financeiro pelas agências Bloomberg, Thompson e Reuters.

Este ano, o índice global de ética aponta como líderes este ano o banco britânico HSBC, a companhia americana Intel e a britânica-holandesa Unilever. Enquanto a situação da maioria dos outros bancos internacionais caiu, inclusive por causa das 293 mil demissões anunciadas no rastro da crise, o HSBC se sai bem, anunciando projetos ambientais e inovadores, segundo a empresa.


Entram na lista das dez primeiras a Xerox (5º), General Electric e DuPont (10º), substituindo IBM , Hewlett-Packard e Toyota.

A Petrobras aparece como líder entre as companhias de petróleo e gás, seguida pela canadense Suncor Energia e pela StatoilHydro da Noruega. No ano passado, Petrobras tinha ficado em sétimo lugar, que agora ficou com a BP britânica, que justamente tinha sido a líder em 2008. Globalmente, a Petrobras foi classificada em 38º posição na lista de 541 multinacionais mais éticas.


O diretor da Covalence explicou que os dados foram levantados até o mês de novembro. Portanto, não levou em conta a exclusão da Petrobras do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - índice financeiro para empresas que minimizam os impactos ambientais de suas ações -, por causa da polêmica sobre enxofre na gasolina. A Petrobras se retirou depois do Instituto Ethos.

Quanto a Vale, globalmente ficou em 201 posição. E no setor de mineração, sua posição é bem atrás das concorrentes como Alcoa, Rio Tinto e AngloAmerican, mas melhorou suas posições (Fonte: Valor Online/O Globo, 2009-01-20).

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Exxon faz descoberta de megacampo de petróleo na Bacia de Santos


Uma das notícias mais aguardadas nos últimos dias sobre exploração de petróleo na região do pré-sal nos últimos dias finalmente se materializou.



A ExxonMobil, maior petrolífera privada do mundo, notificou à Agência Nacional de Petróleo (ANP) a descoberta de petróleo no bloco 22 da bacia de Santos.



Trata-se de uma das áreas com mais potencial do pré-sal de Santos e que pode ter reservas do mesmo porte das encontradas no campo de Tupi, onde a Petrobras estima existir de 5 a 8 bilhões de barris de petróleo equivalente.



Qualquer que seja o volume, são grandes as chances de que a área abrigue um campo gigante. Mas nenhuma empresa é obrigada a detalhar estimativas de reservas neste estágio da exploração e o que a Exxon fez foi informar indícios à ANP.



O BM-S-22, que vem sendo chamado informalmente de "Azulão", é o único bloco do pré-sal operado por uma multinacional e também o único onde a Petrobras, que tem presença dominante na área, é sócia minoritária, com participação de 20%. (Fonte: Em Tempo Real, 2009-01-21).

PETROBRAS e PDVSA divergem por preço de petróleo


A Petrobras está encontrando dificuldades para fechar acordo com a estatal venezuelana PDVSA sobre o preço do petróleo que será fornecido pelo país vizinho para a refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, informou nesta quarta-feira o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.


Projeto em parceria das duas estatais, sendo 60 por cento para Petrobras e 40 por cento da PDVSA, a refinaria já tem acordo de acionistas e estatuto, segundo Costa, mas ainda não conseguiu fechar um preço para a compra do pesado petróleo da Venezuela que pelo contrato seria fornecido para a refinaria.


Segundo Costa, ao contrário da Petrobras, os venezuelanos não querem utilizar um parâmetro internacional como referência para o preço do petróleo. "Nós queremos preço de mercado para o contrato, a referência pode ser (tipo) Brent ou WTI, eles querem mais (valor maior)", disse ele a jornalistas após inauguração do centro de integração do Comperj, em São Gonçalo (RJ). "Já fechamos o acordo de acionistas, o estatuto, mas não fechamos o contrato de fornecimento de petróleo...a PDVSA não fez nenhum aporte na refinaria até agora, todo o dinheiro foi da Petrobras, estamos fazendo sozinhos", disse o executivo.

Ele explicou que a expectativa era de ter fechado acordo sobre o preço do petróleo no ano passado, porém não houve consenso. Costa garantiu no entanto a construção da refinaria mesmo que os venezuelanos desistam do investimento. "O projeto não vai parar, a intenção é fechar com a PDVSA...se demorar não vai parar o projeto, petróleo pesado nós temos o suficiente para fornecer", garantiu.


O executivo destacou que as propostas de licitações para a construção da refinaria já recebidas pela Petrobras ficaram acima das expectativas da empresa e serão canceladas para reavaliação, como ocorreu recentemente com as licitações das plataformas P-61 e P-63. "Vamos cancelar mais de um pacote da Abreu Lima por preço excessivo, vamos chamar as empresas para ver o que aconteceu e exigir uma redução significativa", afirmou ele, sem dar detalhes.


Já no caso do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), cujo Centro de Integração que visa qualificar e capacitar mão de obra local, o valor do investimento, de 8,5 bilhões de dólares, deverá ser revisto para cima no novo plano de negócios que a Petrobras divulga na sexta-feira, se aprovado pelo Conselho de Administração. Segundo Costa, o motivo seria o dólar baixo da época do projeto comparado ao atual.

BALANÇA
O diretor não quis antecipar o saldo da balança comercial da Petrobras em 2008, limitando-se a comentar que apesar do déficit de 1,3 bilhão de dólares acumulado até novembro, o mês de dezembro foi bom para a companhia por conta de um grande volume de exportações -recorde de 620 mil barris por dia- e a queda na importação de diesel com a economia menos aquecida. "Os números finais ainda não foram contabilizados, o que podemos dizer é que dezembro foi um mês muito bom para a balança de líquidos da Petrobras", disse Costa sem especificar se o volume de dezembro foi suficiente para zerar o déficit.


O diretor descartou ainda mudança nos preços da gasolina e do diesel no curto prazo, afirmando que a empresa vai manter a política de não transferir a volatilidade internacional para o mercado interno. "A Petrobras trabalha com horizonte de longo prazo e não passa para o mercado a volatilidade. Na hipótese desse preço estacionar na faixa de 30, 30 e alguns dólares, vamos fazer uma reavaliação...esse momento ainda não chegou", afirmou (Fonte: Reuters/O Globo, 2009-01-21).

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Angola sem aplicações em “produtos de risco”


O ministro das Finanças, Severim de Morais, garantiu que o país não tem aplicações em produtos de risco no mercado financeiro internacional e que a maior preocupação reside na queda dos preços do petróleo.“É evidente que temos boa parte dos nossos depósitos em bancos correspondentes no exterior, mas não estão aplicados em produtos de risco”, garantiu o ministro, acrescentando que “pode haver uma ligação indirecta com a crise, mas no preço do petróleo”.


O principal produto de exportação de Angola, responsável por mais de 90 por cento das exportações do país e 80 por cento das receitas do Estado, já desvalorizou-se 53 por cento, desde Julho, altura em que atingiu 147, 27 dólares em Nova Iorque. Ontem, o preço caiu para 69,95 dólares em Nova Iorque, o valor mais baixo desde Maio de 2007. “O nosso Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2008 foi elaborado com o preço do barril a 55 dólares e para 2009 temos um preço de 65 dólares. Por isso, ainda não é preocupante, mas estamos a seguir os acontecimentos com muita atenção, para podermos tomar as medidas correctivas necessárias”, garantiu o ministro.


Severim de Morais esclarece que o OGE para 2009 é bastante equilibrado, em termos de receitas e despesas, e visa dar corpo financeiro aos objectivos do programa de médio e longo prazo (2009-2013). O ministro desdramatizou os receios quanto à relação entre os bancos angolanos e a crise internacional. Explicou que o sector financeiro angolano é ainda bastante insípido, com uma bancarização da economia na ordem dos 6,5 por cento. “Isto, até certo ponto, funciona como uma certa protecção contra possíveis crises que surjam no mercado financeiro”, afirmou Severim de Morais, sublinhando que o Banco Nacional de Angola tem exercido forte intervenção no mercado interbancário, através de acções do Departamento de Supervisão Bancária.


Igual posição foi defendida pelo antigo ministro da Indústria e do Trabalho de Portugal, Luís Mira Amaral, durante uma conferência sobre o Acordo de Basileia e a Crise Financeira que decorreu, no princípio da semana, em Luanda, numa organização do Banco Bic. Mira Amaral, que tem o master em Economia e é actualmente presidente do Banco Bic português, disse que os efeitos da crise podem ser sentidos na economia real, com a redução das receitas provenientes do petróleo. Ainda assim, salientou que a queda dos preços das matérias-primas é uma questão conjuntural e que podem subir tão logo a economia aqueça e a procura aumente.


Especialistas afirmam que os preços das principais matérias-primas, incluindo o petróleo, seguem o mesmo movimento de sobe e desce das bolsas, desde que a crise de hipotecas nos Estados Unidos (subprime) atingiu o pico, em Setembro, arrasando os maiores bancos de investimento norte-americanos e espalha agora os seus efeitos ao consumo das famílias e à economia real.


O Banco Mundial prevê que os preços ainda vão subir e se vão manter em alta pelo menos nos próximos três anos, recuando a partir daí por acção das forças do mercado (Fonte: Jornal de Angola, 2008-10).

Petrobras diz ainda não ter comprovado comercialidade do BM-S-12


A Petrobras informou nesta quarta-feira que ainda não é possível confirmar a comercialidade da descoberta feita no bloco BM-S-12, na bacia de Santos, uma parceria da empresa com a Queiroz Galvão, que tem 30 por cento do bloco.


A Petrobras, operadora do bloco com os 70 por cento restantes, informou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis na segunda-feira que tinha encontrado indícios de hidrocarbonetos (petróleo e gás natural) no poço 1-SCS-13 (1-BRSA-617-SCS) do bloco BM-S-12.


Uma fonte da agência disse à Reuters que a Petrobras havia descoberto boa quantidade de óleo, após uma perfuração mais profunda no mesmo poço onde já havia descoberto pequena quantidade de gás no passado.


Segundo a empresa, no entanto, por problemas operacionais a sonda não terminou o trabalho e voltará para o local a fim de continuar as perfurações. "Embora a notificação de indícios de hidrocarbonetos seja um dado positivo, ela não implica em descoberta comercial de óleo ou gás. Isto só poderá ser avaliado com a conclusão do poço e a continuidade das operações no bloco BM-S-12", afirmou a companhia em um comunicado à Comissão de Valores Mobiliários.

"Após a conclusão da perfuração do poço e caso as avaliações subsequentes demonstrem relevância técnico-econômica, a Petrobras fará tempestivamente a divulgação simultânea à ANP e ao mercado", concluiu a nota (Fonte: O Globo, 2008-10-15).

Mais uma vítima da crise, petróleo deve continuar pressionado no curto prazo


A deterioração das condições econômicas nos últimos meses e a perspectiva de desaceleração de importantes centros consumidores deve pressionar ainda mais as cotações do petróleo no curto prazo. Basicamente, é essa a leitura que o Unibanco faz em seu relatório mensal sobre a commodity.


Segundo os analistas da instituição, desde a última publicação do release há cerca de um mês, as condições dos mercados pioraram de forma significativa em decorrência dos preocupantes desdobramentos da crise financeira internacional no período.

Em conseqüência, os temores de uma recessão em importantes economias, como a norte-americana, se ampliaram e exerceram forte pressão nas cotações das matérias-primas, principalmente tendo em vista os prováveis impactos de tal cenário na demanda pelo produto.

Dentro deste contexto, os contratos futuros de petróleo acumulam em 2008 expressiva desvalorização nos mercados internacionais. Em Nova York, o barril registra queda próxima a 23% no ano e é cotado a menos de US$ 75, menor patamar desde setembro do ano passado. Em Londres, a baixa no período é de quase 25%.

Volatilidade deve seguir no curto prazo
O Unibanco também cita o relatório publicado recentemente pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), no qual foram reduzidas as estimativas para o crescimento da economia global neste e no próximo ano. Frente aos novos números, a AIE (Agência Internacional de Energia) revisou para baixo suas projeções para o mercado do petróleo, lembra o banco.

No caso da demanda global pela commodity, por exemplo, a agência - que reúne os principais países consumidores de energia membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) - reduziu suas projeções para o crescimento em 2008 e 2009, piorando ainda mais as perspectivas para o já deteriorado cenário do setor petrolífero.

Desta forma, os analistas do Unibanco acreditam que a retomada da trajetória de ganhos para o petróleo está relacionada a uma melhora nas condições econômicas das nações consumidoras. No curto prazo, a expectativa é de que as cotações continuem apresentando forte volatilidade.

Ainda há espaço para correção
Outra instituição que divulgou as perspectivas de seus analistas para o barril do petróleo foi a Itaú Corretora, mostrando uma visão semelhante à do Unibanco para o rumo dos preços da commodity nos próximos meses.

A equipe da Itaú acredita que, apesar da queda de mais de 50% das cotações do produto desde que atingiram seus picos em meados de junho, ainda existe espaço para alguma correção adicional justamente em função do enfraquecimento da demanda por combustível.

Á exemplo do Unibanco, a corretora também afirma que os preços devem continuar marcados pela forte volatilidade no curto prazo. No entanto, espera que o barril volte à casa dos US$ 80 até o fim do ano e permaneça neste patamar durante os próximos meses (Fonte: Yahoo Noticias, 2008-10-16).

Roc Oil anuncia descoberta de petróleo em Cabinda


A empresa petrolífera australiana Roc Oil anunciou a descoberta de pteróleo no onshore de Cabinda, norte de Angloa, adiantando que novas perfurações serão necessárias para determinar se o achado tem valor comercial.


Em comunicado ao mercado de capitais, a Roc Oil, principal accionista e operadora da sociedade responsável pelos trabalhos de exploração, aponta que a descoberta, feita no poço "Massambala-1", consiste numa coluna de petróleo com 9,5 metros.


A empresa afirma que está prevista a ralização de um segundo furo, antes da sus´penão dos trabalhos devido à época das chuvas.


O petróleo de Massambalala é do tipo pesado e viscoso, em vez do valioso e mais "leve", característico dos países ocidentais africanos.


Em Massambalala, os dados disponíveis indicam a presença potencial de 170 milhoões de barris de petróleo "pesado".


Iniciados há um ano, os trablahos conduziram à identificação de duas reservas potenciais de pteróleo "pesado" ("Massambala-1" e "Côco-1"), cuja viabilidade comercial será testada entre o final deste ano e início de 2009.


Outro poço, "Sésamo-1", foi recentemente dado como "seco".


O consórcio operado pela Roc Oil Cabinda (paerticpação de 60%) integra ainda a Force Petroleum e a Sonangol, petrolífera estatal angolana, cada uma com 20% da sociedade (Fonte: Angonoticias/Lusa, 2008-10-09).