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quarta-feira, 27 de março de 2013

Actual preço do barril de petróleo satisfaz os países produtores e consumidores

O Ministro dos Petróleos, Botelho de Vasconcelos considera que o actual preço do barril de petróleo, no mercado internacional satisfaz os países produtores e os consumidores.

De acordo com Botelho de Vasconcelos, os investimentos a nível da pesquisa e produção de petróleo no país, rondam os vinte mil milhões de dólares, por ano.

“Nós, no seio da organização, da OPEP, temos vindo a defender o preço acima de cem dólares, o que satisfaz os países produtores, como os consumidores. Neste momento há uma variação, entre cento e sete e cento e dez dólares e é um nível que se aceita. Os investimentos variam muito com os planos de desenvolvimento de determinados blocos”, sublinhou.

O Ministro dos Petróleos representa Angola, na 30ª Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da Associação de Produtores de Petróleo Africano (APPA), e no quinto congresso da organização em Libreville, Gabão, de 25 à 28 de Março.

Fonte: AngoNotícias, 2013-03-26.

http://www.angonoticias.com/Artigos/item/38053/actual-preco-do-barril-de-petroleo-satisfaz-os-paises-produtores-e-consumidores 

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Participação no G-8 dá visibilidade a Angola


Maior visibilidade internacional e mais responsabilidade interna são as consequências imediatas da participação do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, na cúpula do G-8, que acontece na quarta-feira na Itália, segundo analistas angolanos ouvidos pela Agência Lusa.


O convite feito pelo primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi, para estar em L'Aquila, deve-se ao crescente papel de Luanda na política mundial graças à sua condição de grande produtor de petróleo e o seu papel decisivo no jogo diplomático africano, especialmente na África Austral.


Segundo Justino Pinto de Andrade, professor universitário, sendo Angola atualmente “um parceiro internacional interessante” no que diz respeito ao petróleo, detendo a atual presidência rotativa da Organização de Países Produtores de Petróleo (OPEP), sua importância se torna ainda maior.


“Angola não pode ficar de fora na discussão de problemas internacionais, como a crise econômica e financeira mundial, por onde passam também os problemas energéticos”, disse Andrade. Porém, ele destaca que o convite não pode ser visto na perspectiva pessoal, mas sim “no que ele representa”.


Além de Angola, foram convidados a participar da reunião outros países africanos, como África do Sul, Argélia, Egito, Nigéria e Senegal.



Responsabilidade interna


Por outro lado, Alcides Sakala, dirigente do partido de oposição angolano Unita, acredita que a participação vai requerer “maior responsabilidade na política interna, no que diz respeito aos direitos humanos, a necessidade de combate à corrupção, maior transparência nos atos de gestão dos recursos do país, combate à pobreza”. Já o analista político Sebastião Isata, antigo vice-ministro das Relações Exteriores, também é da opinião que o papel importante de Angola na geopolítica africana, a presidência da OPEP e a consolidação da democracia angolana, ampliada no ano passado com a realização de eleições, constituíram pontos essenciais para o convite.


“O convite constitui um reconhecimento do papel importante que Angola vem desempenhando na região Austral de África, bem como do seu crescimento econômico registrado nos últimos tempos”, afirmou.



Importância


Para o ministro angolano da Economia, Manuel Nunes Júnior, o convite surge porque o país possuiu “uma das economias que mais crescem em África” e é, por isso, um importante pólo de atração para os grandes investidores internacionais.


“É um reconhecimento internacional de vigor do nosso crescimento econômico, das transformações que têm sido introduzidas e das várias reformas que também têm sido implementadas e que nos devem orgulhar e aumentar a nossa auto-estima como angolanos”, disse.


O ministro considerou ainda que se trata de uma oportunidade para Angola manifestar as suas preocupações.


“Sempre que se está a conversar com as economias mais fortes do mundo, está-se perante uma oportunidade em que se podem colocar as nossas preocupações, inquietações, sempre no sentido de fazer com que as nossas economias sejam cada vez mais equilibradas e consigam resolver os problemas sociais e outros que afetam as suas populações”, concluiu (Fonte: Agência Lusa, 2009-07-07).

segunda-feira, 23 de março de 2009

Petrobras pode perfurar em Cuba em um ano


A Petrobras pode começar a perfurar poços de petróleo no litoral de Cuba dentro de cerca de um ano, afirmou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que está participando do 4º seminário internacional da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), realizado em Viena.


O Brasil ainda está em negociações finais com Cuba, que precisam ser concluídas antes que a perfuração realmente possa começar, segundo o ministro.


A Petrobras e a estatal Cuba Petróleo (Cupet) assinaram em outubro do ano passado um acordo de exploração e produção de 32 anos que prevê sete anos de exploração no bloco 37, na costa cubana. O diretor internacional da Petrobras, Jorge Zelada, disse em janeiro que a companhia está em processo de contratação de estudos sísmicos para Cuba. As informações são da Dow Jones (Fonte: Estadão, 2009-03-19).

sábado, 7 de fevereiro de 2009

OPEP: Angola admite "novas medidas" para aumentar preço do petróleo



O ministro dos Petróleos angolano e presidente da OPEP, Botelho Vasconcelos, admitiu hoje à Agência Lusa, em Luanda, que a organização poderá tomar "novas medidas" se os actuais cortes na produção não resultarem na subida do preço do barril.

Segundo o presidente da OPEP, se o preço não subir quando se atingir o limite estabelecido para os actuais cortes, 4,2 milhões de barris/dia, "haverá nova reflexão e, em função da análise feita, tomar-se-ão outras medidas".

Botelho Vasconcelos estimou que "a tendência (nos preços) seja diferente" no início do segundo trimestre de 2009 porque "os cortes de 4,2 milhões de barris/dia tiveram início em Janeiro" e esse valor "ainda não foi atingido".

"A organização tem feito o acompanhamento da evolução dos preços. Passou o primeiro mês, está a decorrer o segundo e creio que os sinais positivos, que possam permitir algum conforto, poderão começar a aparecer no segundo trimestre", notou.

Referindo-se especificamente a Angola, Botelho Vasconcelos afirmou que o preço do barril de petróleo nos 75 dólares "já era muito bom", sublinhando que o preço actual, cerca de 40 dólares, "não permite levar a cabo os investimentos e os projectos, bem como manter todos os programas de aumentar as capacidades de reservas".

Estas declarações do presidente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) surgem depois de o secretário geral da organização, Abdullah Al-Badri, ter admitido, em Davos, a 30 de Janeiro, que poderão ser definidos novos cortes na próxima reunião dos países-membros, marcada para 15 de Fevereiro.

Em consonância com Botelho Vasconcelos, Al-Badri justifica a eventual opção de novos cortes "se o mercado não estiver equilibrado".

Angola, que preside à OPEP desde 01 de Janeiro e por um ano, produz uma média de 1,9 milhões de barris/dia e cortou a sua produção em cerca de 250 mil.

Os cortes e os preços baixos do petróleo são a principal razão pela qual o Banco Mundial, no seu relatório de Janeiro sobre a economia angolana, estimou 2009 como um ano "muito difícil" e apontou como cenário provável a contracção da economia (Fonte: Sapo / Lusa, 2009-02-03).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Proprietários e inquilinos do mar Cáspio: Entre a fome, a sede e os carros (cap. III)

Em 1876, quando os irmãos Nobel instalaram sua companhia (Branobel) na cidade de Baku – capital do atual Azerbaijão – e iniciaram a exploração em larga escala do petróleo do Mar Cáspio, já se fazia notar o potencial petrolífero da região. Conhecida como “a capital do ouro negro” e responsável por 50% da produção mundial de petróleo no início do século XX, Baku teve o curso de sua história completamente alterado ao ser apropriada pelos soviéticos em 1920, o que naturalmente afastou toda a produção do Mar Cáspio dos grandes consumidores capitalistas. No entanto, esse afastamento não significou o esquecimento do tesouro oculto no maior lago do mundo. O próprio Adolf Hitler, após o fracasso em tomar Moscou, decidiu abrir uma nova frente em terras soviéticas para apoderar-se de Baku, mas acabou contido em Stalingrado.
Passados quase trinta anos do esfacelamento do bloco soviético, o Mar Cáspio volta à ordem do dia. Em seus mares – por vezes ultra-profundos – estima-se que haja em torno de 160 bilhões de barris a serem extraídos, o suficiente para um longo período de prosperidade e muito mais do que o necessário para reorganizar a dinâmica geopolítica global.
Apesar da elevada complexidade política da região, o Mar Cáspio ainda surge como uma alternativa menos incerta para o Ocidente do que os produtores filiados à OPEP. A mesma vantagem vale também para a China, que ainda conta com a segurança de manter seus fornecedores por perto. Para a Ásia Central e países periféricos (ex: Turquia), é a promessa de força política e consolidação econômica através dos dutos que cruzam seus territórios. Para a Rússia, é a possibilidade de aproveitar-se do considerável aumento de reservas em sua área de influência e de firmar-se como principal ponte entre a Europa e o Mar Cáspio.
No entanto, nem tudo são flores neste jardim. Com essa profusão de riqueza cada vez mais próxima, todos os países olham em torno com desconfiança, temendo perder suas vantagens para o vizinho. Assim as rivalidades se sublinham, os obstáculos vêm à tona e a situação assume formas indefinidas.
A divisão dos setores correspondentes a cada país é um primeiro problema. Quando o Mar Cáspio dividia-se apenas entre a Pérsia (Irã) e a antiga URSS, a demarcação parecia simples: a fronteira marítima deveria ser uma extensão natural da fronteira terrestre. Hoje, com cinco países envolvidos na partilha (são eles: Rússia, Azerbaijão, Cazaquistão, Turcomenistão e Irã), a situação é outra. Embora a atual divisão supostamente siga as avaliações de um tratado estabelecido entre Rússia, Cazaquistão e Azerbaijão – o qual divide o Mar Cáspio de acordo com a dimensão da costa de cada país ribeirinho – o Irã afirma desconhecer esse tratado e clama por uma divisão igualitária, de 1/5 para cada país (o que lhes favoreceria, pois o país conta hoje com a menor parte, algo como 13%).
O maior atrito causado por esta partilha ocorre entre Irã e Azerbaijão. Este último, por enquanto, tem tratado a questão com cautela, e promete não explorar as regiões em disputa até que se chegue a um acordo. No entanto, neste meio tempo o Azerbaijão estreita relações com os EUA e assiste o Irã aproximar-se da Armênia, seu adversário histórico e localizado a apenas 30 milhas da rota de escoamento do petróleo de Baku via Turquia. Os dutos, aliás, constituem-se em uma outra questão de fundamental importância geopolítica. De um lado, os maiores produtores (Azerbaijão, Turcomenistão e Cazaquistão) aguardam pelas melhores propostas; de outro, os países com maior força econômica/bélica (Rússia, Irã, China e EUA) ocupam-se do jogo político.
Em primeira instância, a Rússia se beneficia da vantagem de ser o fornecedor mais “direto” da Europa. Como todas as rotas de alguma maneira devem chegar ao continente europeu, o país pode ser considerado aquele com o maior potencial de domínio sobre esta riqueza. Sua forte influência sobre o Azerbaijão e o Cazaquistão também pesa a seu favor. Hoje, o principal duto russo é o de Baku-Novorossiysk, e existe a proposição de expandi-lo através do Mar Negro até a Turquia.
A Turquia é um país-chave nesta dinâmica geopolítica. Em seu território está construída grande parte da rota Baku-Cehyan, favorecida pelo governo e companhias americanas e também favorável aos interesses europeus (visto que desemboca no Mediterrâneo). Por outro lado, os turcos também abriram negociações com os russos, adquirindo cada vez mais poder de barganha. Uma nova ligação com Baku (passando pela Geórgia) e projetos envolvendo a exportação do gás iraniano também fazem parte dos planos da Turquia.O Irã vive o problema de estar isolado na política do Mar Cáspio. Embora tenha a vantagem de poder escoar seus recursos para o Golfo Pérsico – e apesar das relações amigáveis com Turquia e Turcomenistão – as desavenças com outros Estados e com o governo americano ainda impedem o país de despontar. O Irã poderia, por exemplo, exportar seu gás para a Índia, no entanto precisaria passar por Afeganistão e Paquistão, o que é dificultado por sua política agressiva com os aliados dos EUA.
Os americanos certamente não se colocam de fora desta partilha. Seu projeto mais ambicioso envolve a construção de um duto no Afeganistão ligando o Turcomenistão ao Mar Arábico, a partir de onde o petróleo seria repassado para o promissor mercado asiático sem ter que atravessar regiões mais distantes e conflituosas como o norte da China e o Golfo Pérsico.
A China, embora disponha da fronteira com o Cazaquistão – que sozinho possui mais da metade de todas as reservas estimadas – sofre com a questão da província separatista de Xinjiang. A região, que mesmo após o comunismo manteve-se firme em suas tradições, é um obstáculo considerável tanto para o consumo chinês quanto para suas ambições em relação ao mercado asiático.
Como fica evidente, o maior fator de complicação na dinâmica geopolítica do Mar Cáspio tem uma resposta simples: o grande número de países envolvidos. O inevitável jogo de interesses dos países envolvidos acaba fazendo emergir velhos e novos conflitos, que através de alianças ganham proporções perigosas. Recentemente, assistimos a uma séria crise de gás envolvendo a Rússia e a Ucrânia, quando os russos decidiram praticamente quintuplicar o preço do gás fornecido para a Ucrânia e, diante da recusa, cortaram o suprimento ucraniano em pleno inverno (ignorando o fato de que grande parte do gás exportado para o resto da Europa passa necessariamente pelo país). O perigo de se atravessar território estrangeiro com oleodutos e gasodutos é este, e no caso do Mar Cáspio torna-se um perigo necessário. Nas últimas semanas, a operação militar russa dentro da Geórgia foi mais do que apenas a conseqüência de um conflito local: foi uma demonstração de força de quem não pretende deixar de dar as cartas na região.
A verdade é que, embora a riqueza do Mar Cáspio seja inquestionável, o preço que esta riqueza custará e a maneira como será aproveitada ainda são bastante incertos. Com tantas fatias para repartir, o bolo pode não ser tão grande como na imagem que vemos dele (Fonte: Mauro Kahn & Pedro Nobrega - Clube do Petróleo - Leia outros artigos e os primeiros desta série acessando o site www.clubedopetroleo.com.br).

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Presidente da Opep espera que corte de produção ajude preços


A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) está fortemente comprometida com seu maior corte de produção da história, que deve ser suficiente para impulsionar os preços da commodity que chegaram a menos de 40 dólares o barril, disse o presidente do grupo à Reuters nesta terça-feira.


Em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo no começo do mês, Botelho de Vasconcelos também disse que a Opep não deve se reunir antes da próxima reunião formal do cartel, em 15 de março, em Viena. "Em março nós iremos nos reunir para avaliar os cortes acordados em dezembro. Mas eu acredito que se todos os cortes forem feitos dentro do prazo programado, haverá um impacto no mercado que levará a uma tendência positiva em termos de preços do petróleo", disse Vasconcelos, que também é o ministro do Petróleo de Angola. "Eu acredito que todos os cortes estão sendo realizados, apesar de nem todos países poderem aderir ao acordo de corte no primeiro dia."


Os ministros do petróleo da Opep concordaram no último mês em remover 2,2 milhões de barris por dia a partir de 1o de janeiro, em uma corrida para equilibrar o fornecimento ante o rápido declínio da demanda por combustível (Fonte: Reuters, 2009-01-20).

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Crise do crude vai acabar?


Depois de uma sessão de meditação colectiva e de alguns discursos, os presentes organizaram-se em grupos para discutir um pouco de tudo, dos transportes que não usam petróleo como combustível à estratégia a adoptar para persuadir os políticos locais a aderir ao mote do movimento das ‘Transition Towns’: reduzir a pegada de carbono em resposta às preocupações em torno do decréscimo das reservas de hidrocarbonetos e do aquecimento global.

Estes encontros foram, durante anos, considerados manifestações excêntricas. Grande parte dos executivos que trabalha na indústria petrolífera, dos governos, dos analistas e dos consultores rejeitou a teoria do “pico do petróleo”, que se baseia no trabalho desenvolvido pelo geofísico Marion King Hubbert nos anos 50, quando se encontrava ao serviço da Shell, e que defende que a produção de crude vai, em breve, entrar numa fase de declínio terminal. Os seus críticos alegam que descura aspectos como as reservas remanescentes, subestima o contributo dos desenvolvimentos tecnológicos e ignora o papel das forças de mercado, cuja influência pode determinar as futuras reservas.

Mas numa altura em que o preço do petróleo atingiu novo máximo histórico, 135 dólares por barril, isto é, mais mil por cento do que há uma década, os receios de que a era dos hidrocarbonetos está a chegar ao fim começa a contagiar todas as áreas do mercado. Muitos profissionais da indústria petrolífera aceitam hoje que os preços não se devem apenas ao forte aumento da procura, mas também às restrições da oferta. Os apelos a novos investimentos são cada vez mais uma constante e estiveram no topo da agenda dos ministros da Energia dos principais países consumidores e produtores de petróleo, na reunião que teve lugar o mês passado em Roma. Poucas semanas depois, os analistas da Goldman Sachs e de outras empresas de referência, bem como os ministros dos países da OPEP, chegavam a uma conclusão: os preços do petróleo podem atingir os 200 dólares/barril dentro de dois anos.

O facto de a produção petrolífera da Rússia ter decrescido perto de meio ponto percentual em Abril – a primeira quebra em dez anos – foi suficientemente alarmante para o mundo em geral e para a indústria em particular. Porquê? Porque até há cinco anos o segundo maior produtor mundial mantinha uma taxa de produção anual na ordem dos 12%. Mas há mais: alguns executivos da indústria petrolífera, como Leonid Fedun, vice-presidente da Lukoil, declararam entretanto que a produção russa já atingiu o pico.

Dias depois de Fedun ter feito esta declaração, a Arábia Saudita, o maior produtor e exportador mundial de petróleo, anunciou que suspendera os planos que visavam aumentar a capacidade de produção. O ministro saudita da Energia, Ali Naimi, realçou que as previsões para a procura não permitem expandir a produção além dos 12,5 milhões de barris/dia, limite a atingir no próximo ano, apesar de o reino saudita ter investido nos últimos anos mais de 12,9 mil milhões de euros no aumento da capacidade.

O problema é que ninguém sabe o que se passa no seio da indústria petrolífera saudita. Riad é um “segredo bem guardado”. Tão bem guardado que os analistas da Sanford Berstein, uma empresa de serviços financeiros, optaram por espiar via satélite as actividades de perfuração e extracção na maior jazida petrolífera do mundo, Ghawar, ao longo dos últimos nove meses, para confirmarem se houve, ou não, alguma alteração no padrão de exploração. E qual foi a sua conclusão? A Arábia Saudita terá de se esforçar mais do que aquilo que os seus engenheiros e geólogos haviam previsto em 2004, e explorar ao máximo a vertente norte de Ghawar.

Matthew Simmons, banqueiro de investimento na área das energias, mostra-se mais pessimista quanto à “saúde” de Ghawar. Por uma razão muito simples: se a Arábia Saudita não tenciona expandir a sua produção para 15 milhões de barris/dia, isso significa que está a fazer tudo para evitar o colapso das suas jazidas. Mas o mais dramático, na opinião de Simmons, é o mundo depender de um “punhado” de jazidas que hoje se encontram em acentuado declínio. Mais: desde a década de 70 que não se descobrem novas jazidas com igual capacidade. Um em cinco barris consumidos diariamente provém de uma jazida com mais de 40 anos. Nenhuma das jazidas descobertas nos últimos 30 anos tem capacidade para produzir mais de 1 milhão de barris/dia. Pior: a sua dimensão tem vindo a diminuir drasticamente.

As preocupações em torno da oferta alastraram à maioria dos gabinetes das petrolíferas internacionais. James Mulva, CEO da norte-americana ConocoPhillips, e Christophe de Margerie, seu homólogo na francesa Total, manifestaram recentemente o seu pessimismo ao reconhecerem que a produção petrolífera mundial nunca irá ultrapassar a fasquia dos 100 milhões de barris/dia. É este o volume que a Agência Internacional de Energia estima ser necessário para satisfazer a procura mundial dentro de sete anos, a qual deverá disparar para os 16 milhões de barris/dia em 2030.

Mulva e Margerie, tal como um número crescente de executivos do sector e de ministros, estão cientes de que a era do “petróleo fácil” tem os dias contados e de que as barreiras políticas – como a instabilidade na Nigéria, o processo de nacionalização das empresas energéticas na Rússia e as tensões internacionais que, desde há duas décadas, vêm a mitigar o potencial energético do Iraque – têm impedido as empresas de explorar em pleno os 2.400-4.400 milhares de milhões de barris remanescentes.

As petrolíferas, em vez de se prepararem para o dia do “Juízo Final”, têm usado a tecnologia para extrair o crude que ainda existe nas suas velhas jazidas e procurado novas reservas em terrenos mais remotos e hostis. Mas sublinham que seria importante que os consumidores, habituados a depender do crude para tudo, não desperdiçassem este valioso recurso.

Os executivos da indústria reconhecem que as jazidas nos países desenvolvidos, como as do Mar do Norte e do Alasca, estão prestes a atingir o “pico”. (Segundo a Sanford Bernstein, a produção exterior à OPEP deverá atingir o pico já este ano). No entanto, lembram que a capacidade das jazidas não convencionais, como Alberta, no Canadá, ou a Faixa do Orinoco, na Venezuela, já ultrapassaram o número de barris de petróleo produzidos pela Arábia Saudita. Acontece que estas duas alternativas têm grandes desvantagens: a primeira por se tratar de uma exploração que obriga ao uso intensivo de água e energia, e a segunda por estar sob a alçada do Governo populista de Hugo Chávez, facto que leva muitas empresas a recear investir na Faixa do Orinoco.

Guy Caruso, presidente da Administração da Informação Energética (AIE) do Departamento de Energia dos EUA, acredita que o mercado tem poder suficiente para influir nas políticas dos governos e no comportamento dos consumidores e das petrolíferas. A AIE estima que as importações norte-americanas de petróleo irão diminuir ligeiramente nos próximos 22 anos. Ora, isto quer dizer que a dependência das importações de petróleo do maior consumidor mundial vai decrescer entre 60% a 50% até 2015, antes de voltar a crescer para os 54% até 2030. As razões para esta descida são a crescente eficiência energética nos automóveis, a redução da procura, o aumento do consumo de biocombustíveis e o crescimento da produção dos EUA em um milhão de barris/dia no Golfo do México até 2012. “Hubbert nunca poderia ter previsto que a tecnologia ia evoluir desta maneira. Que hoje se usaria a perfuração horizontal e se poderia extrair petróleo do oceano a 3.600 metros de profundidade”, sublinha Caruso.

Uma versão mais pessimista deveria incluir um declínio ainda mais acentuado e generalizado à medida que os países em desenvolvimento vergam sob o peso dos subsídios que são obrigados a pagar para suprir as necessidades energéticas e de alimentação da sua população. As opiniões de Jeremy Leggett, um geólogo convertido em empresário e autor de “Half Gone: Oil, Gas, Hot Air and the Global Energy Crisis”, vai ainda mais longe na sua parábola para o pior cenário: “Os preços da habitação colapsaram. Os mercados de acções entraram em ruptura… As empresas foram à falência… Primeiro centenas de milhar, depois milhões, de trabalhadores foram atirados para o desemprego. Onde antes havia cidades prósperas com cafés e esplanadas vêem-se hoje filas de pessoas na chamada ‘sopa dos pobres’ e um exército de pedintes nas ruas”.

Os executivos da indústria petrolífera rejeitam este cenário quase apocalíptico que, de tão corrosivo, tem o poder de deturpar políticas e decisões de investimento. Mas são visões como esta que levam as pessoas a agir e a usar a energia de uma forma mais eficiente. Os tocadores de gaita-de-foles e inseridos nas ‘Transition Towns’ são parte – ainda que pequena – da solução para as incertezas do futuro. Mesmo que o mundo nunca venha a viver a catástrofe que eles prevêem (Fonte: Diário Ecónomico/Financial Times, 2008-05-26).

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Angola ultrapassou Nigéria como maior produtor de petróleo no continente africano


A produção petrolífera de Angola foi a maior do continente africano no mês de Abril, superando a da Nigéria, afectada por ataques a instalações petrolíferas, segundo dados hoje divulgados pela Organização de Países Exportadores d Petróleo (OPEP).

A OPEP indica que em Abril, Angola produziu em média 1,873 milhões de barris de petróleo, mais 55 mil do que a Nigéria.

No final de Abril, a produção petrolífera da Nigéria estava nos 1,36 milhões de barris, 40 por cento da capacidade instalada no país, que é anualmente o maior produtor de petróleo em África desde 1978, e no ano passado atingiu um débito de perto de 2,4 milhões de barris diários.

A redução deve-se aos constantes ataques por parte de rebeldes no Delta do Níger, "coração" da produção de petróleo no país, que reclamam contra a poluição causada pela indústria petrolífera e exigem parte da riqueza produzida na região.

A produção na Nigéria foi entretanto regularizada, mas a situação no terreno continua a ser instável, e a generalidade dos analistas admitem a ocorrência de novos ataques a plataformas petrolíferas ou oleodutos.

Angola aderiu à OPEP no início deste ano, e tem uma quota de produção de 1,9 milhões de barris.

Entre os três maiores produtores africanos está ainda a Líbia, com 1,72 milhões de barris (Fonte: RTP/Lusa, 2008-05-15).

domingo, 27 de abril de 2008

Angola exportará menos petróleo em Junho


As exportações diárias de crude angolano vão diminuir em 1,7% em Junho. A Galp, BP, Total, Chevron, Exxon Mobil e outras petrolíferas irão expedir uma média de 1,92 milhões de barris por dia em Junho, contra 1,95 milhões de barris diários agendados para Maio, refere a Bloomberg citando o programa de carregamento de navios-taque.

Em Junho, está previsto o carregamento de 60 petroleiros, totalizando 57,6 milhões de barris, contra 63 (correspondentes a 60,6 milhões de barris) em Maio. Dos 60 carregamentos previstos, um deles será feito por conta da Galp Energia, com crude Nemba.

O crude angolano representou 5% do total das importações dos Estados Unidos em 2006, correspondendo a 513 mil barris por dia, de acordo com a Administração de Informação Energética (EIA) norte-americana.

Os petroleiros de Angola normalmente abarcam, em termos dimensões, entre 875.000 e um milhão de barris cada um.

Angola, que em Janeiro do ano passado se tornou membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), tem uma quota de produção de 1,9 milhões de barris por dia estabelecida pelo cartel na reunião de Abu Dhabi de 2007. A produção de crude de Angola aumentou 18% no ano passado, para 1,61 milhões de barris por dia, segundo a Agência Internacional da Energia.

Angola assume actualmente (desde o passado dia 11 de Novembro) a vice-presidência da OPEP. Além disso, de acordo com a presidência rotativa da organização, deverá presidir à OPEP em 2009, cargo actualmente assumido pela Argélia.

A Galp Energia concentra a sua actividade em Angola em duas empresas principais: a Petrogal Angola e a Sonangalp.

A Petrogal Angola, detida pela Petrogal (88,7%) e pela Galp Exploração (11,3%) assegura a gestão das participações das restantes empresas e a comercialização de lubrificantes.

A Sonangalp é detida pela Petrogal Angola (49%) e pela Sonangol (51%). A sua actividade centra-se na distribuição e comercialização de combustíveis líquidos e lubrificantes e na exploração de postos de abastecimento e estações de serviço. O grupo detém ainda um participação minoritária (0,44%) na Fina – Petróleos de Angola, que tem por actividade a refinação, armazenagem e distribuição de produtos petrolíferos.

Segundo o "site" da Galp, de acordo com o relatório da Degolyer Macnaughton, a 31 de Dezembro de 2007, as reservas provadas e prováveis da Galp Energia no Bloco 14, em Angola, eram de 31 milhões de barris. Ainda segundo o mesmo relatório, os recursos contingentes da Galp Energia ascendiam aos 742 milhões de barris, dos quais 500 milhões correspondiam a recursos do Tupi, no Bloco BM-S-11 no Brasil, e o restante aos blocos 14, 14K e 32 em Angola.

Em 31 de Dezembro de 2006, as reservas e recursos contingentes da Galp Energia eram de 119 milhões de barris.

Na exploração "offshore" em Angola, a Galp Energia está presente no bloco 32, bloco 33, bloco 14 e bloco 14K/A-IMI (Fonte: Jornal de Negócios, 2008-04-27).

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Angola emerge como potencia petrolífera regional

A primeira visita de cortesia do secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Abdallah el-Badri, a um país membro realizou-se em um momento de grande orgulho nacional para os angolanos. Na noite da chegada de El-Badri à capital de Angola, no final do mês passado, milhares de fãs do basquete locais animadíssimos tomaram as ruas de Luanda para comemorar a vitória do país sobre Camarões no final do campeonato africano de basquete, Afrobasket. Foi uma demonstração forte de nacionalismo, cinco anos depois de uma prolongada e devastadora guerra civil. As comemorações refletiram o orgulho de Angola pela sua rápida ascensão como referência nacional, que ultrapassa as façanhas na área do esporte. Um chamado dividendo da paz e o aumento das receitas petrolíferas estão impulsionando a expansão econômica que levou os analistas locais a apostar que poderá superar a Nigéria como principal país regional, dentro de alguns anos. "Angola está em pleno boom", disse El-Badri, em uma entrevista durante sua visita. "Seu povo é muito amistoso, no que me diz respeito". Angola, uma das economias que mais crescem no continente, tornou-se o 12º membro da Opep em meados de dezembro. Foi uma importante realização para o cartel petrolífero, que bombeia aproximadamente 40% do atual consumo mundial de petróleo de 86 milhões de barris diários. Angola é o segundo maior produtor da África Subsaariana, depois da Nigéria, com uma produção de cerca de 1,65 milhão de barris diários, e com ambições de aumentar em 20% sua produção petrolífera no próximo ano, para 2 milhões de barris/dia. "O ingresso de Angola na Opep assinala para o mundo que se tornou um importante produtor de hidrocarbonetos, e isto é importante em termos de credibilidade internacional", disse David Fyfe, analista de produção petrolífera da Agência Internacional de Energia (AIE). O surgimento de novos participantes nos mercados petrolíferos mundiais ocorre no momento em que os principais consumidores de energia em todo o mundo procuram reduzir sua dependência do petróleo da região do Oriente Médio, hoje extremamente volátil. Os consumidores americanos estão dependendo cada vez mais de produtores como a Nigéria e Angola em matéria de petróleo, que é mais fácil de refinar em produtos como a gasolina devido ao seu baixo teor de enxofre. Pelo menos no que se refere à produção de hidrocarbonetos, Angola está rapidamente se aproximando da Nigéria. "Não há muitos produtores no mundo que deram passos tão grandes" como os de Angola, cuja produção dobrou de 2000 a 2006, diz Fyfe. Somente produtores que não fazem parte da Opep, como o Brasil e a Rússia, registraram um avanço tão fantástico na produção de petróleo, nos últimos anos. As metas de produção de Angola não estão muito distantes das da produção atual da Nigéria, de 2,18 milhões b/d. A violência política na região do Delta do Niger e os atrasos de importantes projetos no setor petrolífero afetam cerca de meio milhão de barris diários do total da capacidade de produção nigeriana, segundo estimativas de Fyfe. O isolamento natural dos campos angolanos localizados em alto mar, onde é bombeada a maior parte do petróleo do país, também contribui para reduzir os riscos para a segurança relacionados às operações petrolíferas. A economia angolana poderá chegar a uma expansão de 30%, este ano, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para o período 2008-2012, o Fundo prevê que o crescimento econômico do país será em média de 7,5%. O governo tem previsões menos ambiciosas, projetando um crescimento acima de 19%, este ano, depois que o Produto Interno Bruto (PIB) do país saltou para cerca de 18%, em 2006. O Banco BPI de Portugal, que gere ampla rede de bancos de varejo em Angola, destacou em uma recente nota para os investidores o potencial de crescimento e o dinamismo econômico da antiga colônia portuguesa. A nota citava um estudo da Universidade Católica de Luanda, que projetava que a economia angolana superaria a da Nigéria até 2010. As diferenças econômicas e demográficas entre os dois países são consideráveis. A economia da Nigéria, que movimenta US$ 115,35 bilhões, e seus 134,4 milhões de habitantes fazem sombra à economia de US$ 43,76 bilhões e à sua população de 16,4 milhões de habitantes de Angola, segundo dados da Opep. Cristina Casalinho, analista do BPI, acredita que esta previsão ambiciosa será difícil de cumprir e dependerá em grande parte da produção petrolífera, que representa mais da metade da economia de Angola e 80% dos gastos públicos. O governo de Angola prevê que o setor petrolífero do país atrairá investimentos por um total de US$ 50 bilhões nos próximos seis anos, para garantir o cumprimento das metas da produção petrolífera, segundo a imprensa oficial. As metas de produção poderão ser reduzidas agora que o país é um membro da Opep, pois a organização estabelece os tetos de produção para seus integrantes a fim de manter um piso para os preços do petróleo. Durante sua visita, El-Badri discutiu a possibilidade de Angola ter uma cota de produção, algo que se acredita possa acontecer no próximo ano. Como o petróleo Girassol de Angola faz parte da cesta petrolífera de referência da Opep, este mês, El-Badri espera um compromisso total do novo membro da organização. Angola não "poderá agir por conta própria", pois desse modo terá muito a perder se os preços do produto baixarem e muito a ganhar com preços razoáveis, dise ele. A cesta de referência da Opep inclui petróleos dos membros do grupo, e fornece um quadro do valor da produção da organização. A cesta é tipicamente negociada abaixo dos contratos futuros do petróleo leve de referência da Bolsa de Mercadorias de Nova York. Greg Priddy, analista de energia global da Eurasia Group, uma empresa de consultoria de risco, acredita que o ingresso de Angola na organização representa mais um complicador no cartel, pois o rápido crescimento de sua produção poderá fazer com que seja mais difícil concordar com a fixação de uma cota. "Angola está obviamente experimentando uma grande projeção de seu status de produtor petrolífero", disse Priddy. "No longo prazo, será um membro mais ativo, à medida que a produção crescer". (Gazeta Mercantil)





domingo, 26 de agosto de 2007

Secretário-Geral da OPEP visita Angola

O Secretário Geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), o líbio Abdalla Salem El-Hadri, está desde a madrugada de hoje em Luanda para uma visita de quatro dias, a convite do ministro angolano dos petróleos, Desidério Costa. Abdalla El-Hadri chefia uma delegação de técnicos da organização, que durante a estada em Angola vai tratar de questões relacionadas com o "Preço do Cabaz de Referência da OPEP", incluindo o crude angolano, de acordo com o programa de visita que a Angop teve acesso. O "Relatório de Monitorização da produção" e "Requisitos do Relatório da Produção Mensal", "Questionário e Boletim Estatístico Anual de 2006" e "Planos relativos a capacidade de produção da OPEP: Perspectivas a médio prazo" vão ser revistos durante a visita. Ainda de acordo com o programa do ministério angolano dos Petróleos, o secretário geral da OPEP deverá visitar a Sonangol Pesquisa e Produção, a Base de Apoio à Actividade Petrolífera (Sonils) e a Barra do Kwanza. Angola foi admitida na OPEP como 12º membro da Organização, no dia 14 de Dezembro de 2006, numa reunião extraordinária realizada em Abuja (Nigéria). Criada a 17 de Setembro de 1960 no Iraque, a OPEP é composta por países que retêm algumas das maiores reservas de petróleo do Mundo, como é o caso da Arábia Saudita, e tem como objectivo unificar a política petrolífera das nações membros.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

OPEP alimenta aumento do preço do petróleo

Preços de petróleo encerram em alta; Brent ultrapassa US$ 71. Os preços do petróleo subiram nesta quinta-feira, por preocupações com a oferta da commodity depois de comentários da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). O petróleo tipo Brent, atualmente visto como melhor indicador do mercado global, fechou a US$ 71,22 por barril, uma valorização de 0,20 dólar. Na Nymex, o barril da commodity avançou US$ 0,97, para US$ 66,93. O presidente da Opep, Mohammed bin Dhaen al-Hamli, disse que a oferta de petróleo é "atualmente suficiente" e que não vê necessidade de a entidade realizar encontro de emergência para conter os preços. A próxima reunião da Opep está marcada para setembro, em Viena. (Invertia)

quarta-feira, 7 de março de 2007

Angola no mapa da OPEP

O mapa do petróleo está mudando nos últimos meses, isso porque, com a entrada de Angola na Opep e, claro, a saída dela da conta dos não-Opep, isso significou uma queda da participação do grupo não-Opep no fornecimento de petróleo mundial. A queda foi de 51,48 milhões de barris/dia para 50,54 milhões de barris/dia. Na participação no mercado, os não-Opep caíram de 60,3% para 59,1%. Alguns analistas de petróleo acreditam que esses números também sinalizam que a produção dos países não-Opep não vem crescendo como se esperava, independentemente da saída de Angola do grupo.

Adriano Pires, do CBIE, acredita que, apesar de essa saída de Angola não significar tanto assim no que diz respeito à produção, ela faz diferença, sim, quando se trata de reservas de petróleo. Antes de Angola ter ido para o outro lado, os países integrantes da Opep respondiam por pouco mais de 75% das reservas mundiais; agora são 80%. Isso é um sinal claro de que, no futuro, caso não haja nenhuma surpresa, o mundo estará muito mais dependente das decisões do cartel do petróleo, como era antes dos choques do fim dos anos 70.

- No Mar do Norte, o petróleo está acabando; agora o Equador, que é também um grande produtor, está pensando em passar a fazer parte da Opep. O contra-peso é a Rússia, que não faz parte da Opep e hoje segunda maior exportadora de petróleo do mundo, atrás apenas da Arábia Saudita, e dona de grandes reservas de gás e de petróleo - diz Adriano.

Atualmente com pouco mais de 40% do mercado internacional de petróleo, a Opep não tem o poder que já teve há algumas décadas, mas, ainda assim, o cartel tem uma força enorme na hora de formação dos preços. (Míriam Leitão - O Globo)