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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Petrobras perde espaço na Argentina para a Repsol YPF


A Petrobras está perdendo participação de mercado na Argentina. De acordo com relatório da consultoria econômica IES sobre a produção e vendas de combustíveis no país, nos primeiros cinco meses de 2009 a filial local da estatal brasileira ficou com 12,2% das vendas de diesel, comparado a quase 14,4% no mesmo período do ano passado. A fatia foi abocanhada pela espanhola Repsol YPF, que avançou quase 3,5 pontos percentuais para 58,7%, tomando espaço também das outras grandes empresas do setor.


O diesel é o combustível mais usado na Argentina, com 63,8% do consumo - a maioria dos carros particulares do país roda a diesel, além de caminhões e tratores e praticamente não existe carro a álcool. No mercado de gasolina, a Petrobras ficou com 11,6%, ou 2,1 pontos a menos que no ano passado. O mercado de gasolina se divide entre a comum, que responde por apenas 2% do consumo; a " super " (de melhor qualidade), com 28,6%; e a de aviação com o restante.



De acordo com o levantamento da IES, a produção total dos principais combustíveis baixou 3,6% comparado ao mesmo período de 2008, para 8,216 milhões de metros cúbicos (m3). Só a gasolina super teve um crescimento de 2,9%, enquanto a comum caiu 44% e o diesel, 3,5%.


A forte desaceleração econômica causada pela crise financeira internacional e a queda da atividade agropecuária devido à seca explicam a queda de produção e vendas de combustíveis, diz o economista Alejandro Ovando, sócio da consultoria e responsável pela análise do setor.



Como consequência, todas as empresas tiveram queda nas vendas, tanto de diesel quanto de gasolina, nos primeiros cinco meses de 2009. Mas a Repsol YPF, líder de mercado no país, ganhou espaço das demais por uma " política de preços " , diz Ovando. " Enquanto as outras empresas mantiveram os preços ao consumidor final, a YPF reduziu, ganhando espaço. "



O negócio de petróleo na Argentina está em baixa. Segundo dados do Instituto Argentino de Petróleo (IAP), as reservas comprovadas do país em petróleo e gás caíram 27,8% no período 2003-2007, coincidente com a fase de recuperação da economia pós-crise. Em 2008, caiu mais 2,2%. Ou seja, as reservas caíram 30% em um período no qual a economia argentina cresceu 60%. A produção caiu 6% em 2007 e 3% em 2008.



As vendas consolidadas da Petrobras Energia no primeiro trimestre deste ano caíram 16,8% comparado ao mesmo período de 2008, totalizando 2,666 bilhões de pesos (US$ 720,5 milhões, aproximadamente). Com a queda dos preços do petróleo no ano passado e início deste, a empresa ficou no vermelho. No primeiro trimestre de 2009, a companhia registrou prejuízo de 205 milhões de pesos (US$ 55 milhões) comparado a um lucro de US$ 76 milhões no mesmo período do ano passado (Fonte: O Globo - Globo / Valor Online, 2009-07-15).

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Acesso a reservas de petróleo é maior preocupação das indústrias do setor


As dificuldades cada vez maiores ao acesso às reservas de petróleo, a forte volatilidade nas cotações desse produto, a incerteza com respeito às políticas energéticas dos diferentes países, a necessidade de reduzir gastos e os riscos de mudanças nas políticas fiscais (regulação) são os principais fantasmas que assombram empresas de petróleo de todo o mundo este ano.


Estas preocupações fazem parte de uma lista de dez maiores riscos para este ano, apontados por executivos de companhias petrolíferas e de analistas de Europa e Estados Unidos no "Relatório Global sobre Riscos nos Negócios do Setor de Petróleo e Gás", elaborado pela Ernst&Young com a Oxford Analytica, inédito no Brasil, mostra reportagem publicada neste domingo pelo jornal O GLOBO.


O sócio da Ernst&Young José Carlos Pinto explicou que os maiores riscos apontados no levantamento mostram as preocupações das empresas globais em todos os países onde atuam, e também no Brasil.


O executivo destacou que o estudo mostra uma mudança em comparação aos riscos apontados na pesquisa de 2008, já como reflexo da crise mundial. O acesso às reservas, que em 2008 ocupava o quarto lugar na lista de preocupações, este ano é listado em primeiro lugar (Fonte: O Globo - Globo, 2009-07-11).

domingo, 7 de junho de 2009

A crise financeira internacional e o petróleo de Angola


A crise financeira que o mundo atravessa actualmente tem origens inéditas associadas à construção de um mundo financeiro virtual sem muita base na realidade produtiva. Essa crise tem raízes na incrível expansão que o mercado de capitais experimentou nas últimas décadas, conduzido por novos e diversificados instrumentos financeiros que permitiram o crescimento exuberante da comercialização de papéis com garantias que nem sempre eram muito claras, mesmo para os próprios economistas e agentes económicos.

A multiplicação de instrumentos financeiros, ao mesmo tempo que introduziu novas formas de investimentos, não só consumiram recursos financeiros que de outra forma seriam aplicados no sistema produtivo, como também aumentou o risco intrínseco do sistema sem que isso tivesse sido claramente entendido pela comunidade financeira e governos. O diagrama abaixo sumariza as origens e consequências da crise sobre uma economia análoga à angolana.

A perda de confiança nas instituições financeiras varreu o mundo e trouxe consigo um crescimento da percepção de risco na avaliação de qualquer projecto de investimento. Essa percepção de risco elevado provoca, por sua vez, um comportamento conservador nos mercados, que se traduz por queda de encomendas, adiamento de projectos e redução das actividades produtivas.




As consequências da crise financeira na economia angolana são diversificadas porque essa é uma economia altamente dependente das receitas petrolíferas, que sofrem impacto directo da desaceleração do crescimento mundial.

Um dos remédios contra a crise que os governos de vários países estão a adoptar, além, é claro, dos pacotes de resgate de empresas insolventes, é a injecção maciça de recursos dos Estados em projectos de infra-estruturas que contribuam para a redução dos custos da economia, aumentem encomendas e mantenham o nível de empregos. Esse tratamento pode não ser aplicável em sua plenitude ao caso de Angola devido às limitações de reservas internacionais disponíveis para investimentos.

Na economia angolana, a maior parte dos investimentos nos sectores não petrolíferos é oriunda de projectos de infra-estrutura e sociais do Governo, cujo orçamento deverá sofrer ajuste considerável em função da variação das receitas petrolíferas, mesmo com a utilização das reservas existentes. Uma retracção real da economia em 2009 não será surpresa.
O impacto potencial da queda dos preços internacionais do petróleo e os cortes de produção orientados pela OPEP são os factores mais importantes a serem compreendidos (Por Renato Pimenta de Azevedo, Fonte: Revista Petroleo, 2009-Janeiro/Fevereiro/Março).

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Refinaria de Nacala cada vez mais distante


A instalação de uma refinaria de petróleo no distrito de Nacala-a-Velha, em Nampula, parece cada vez mais distante devido ao afastamento dos investidores e à dificuldade em angariar 5 mil milhões de dólares para a sua construção, de acordo com o jornal Notícias, de Maputo.


O jornal adianta que devido a constrangimentos de natureza financeira a firma Five International, que de parceria com a Air Logistic constituíam o consórcio responsável pela construção da refinaria, anunciou recentemente a sua retirada do projecto, tendo, inclusivamente, colocado à venda as acções que detinha no empreendimento.


Francisco Mucanheia, secretário permanente da província de Nampula, reconheceu ao Notícias que a dinâmica que caracterizou o projecto na sua fase inicial de execução esmoreceu nos últimos tempos, sobretudo a partir da altura em que o impacto da crise económica começou a fazer-se sentir também no país.


Por outro lado, segundo Francisco Mucanheia, os bancos com quem o referido consórcio trabalhava também foram afectados pela crise, outra das razões que condicionam o decurso normal do projecto.


Em meados de 2008 a Air Logistic e o grupo Five Internacional reuniram-se com o governo distrital para definir as linhas de orientação do processo de implantação física do mega-projecto da refinaria, tendo na altura ficado acordado que o consórcio pagaria as indemnizações às populações residentes na área do projecto de aproximadamente 800 hectares (Fonte: Macauhub, 2009-05-22).

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Lula diz que investimentos da Petrobras podem baratear gasolina


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira (21) que a Petrobras não deve ter medo de fazer investimentos em novas oportunidades. "Isso ajudará a companhia a ter mais acesso a fontes de petróleo", disse. "Com isso, a gasolina, que já está barata no Brasil, pode ficar ainda mais barata." A Petrobras assina na sexta (22) acordo para exploração de petróleo no Mar Negro. A empresa estima que o Mar Negro possa ser uma nova fronteira para exploração da matéria-prima e prevê que até o fim deste ano a primeira sonda para prospecção já chegará à região.

O governo turco estima que as reservas do Mar Negro sejam de 10 bilhões de barris. "Deus queira que a Petrobras encontre petróleo", afirmou.



Crise

Sobre a crise financeira, Lula apontou que os problemas dos bancos fizeram a máscara cair. "A crise precisa servir de um lembrete de que não podemos no século 21 cometer os mesmos erros do século 20. Foi vendida a ideia de que o mercado por si só resolvia. Mas hoje a máscara caiu", disse.

Ele classificou como mentira a acusação de que a alta dos preços do petróleo e das commodities no ano passado fosse culpa do etanol brasileiro ou do aumento da demanda da China (Fonte: G1 - Globo, 2009-05-21).

segunda-feira, 30 de março de 2009

Lula sugere fundo de petróleo no modelo norueguês


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que está interessado na eventual criação de um "Fundo de Petróleo" tal como o existente na Noruega. As declarações do presidente foram dadas segundos antes do início da reunião que ele manteve com o primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, no balneário chileno de Viña del Mar.


Lula e Stoltenberg participaram da Cúpula de Líderes Progressistas, que reuniu chefes de governo e intelectuais de centro-esquerda de todo o mundo no Chile. Ali, os líderes e pensadores fizeram um apelo para uma maior participação do Estado na economia, como forma de enfrentar as borrascas financeiras internacionais atuais.


"Agora que encontramos muito petróleo no Brasil estamos interessados em conhecer o Fundo de Petróleo que existe na Noruega, para que a gente possa criar algo que tenha similaridade", disse Lula. "Esse (tipo de) fundo é importante para que utilizemos as riquezas do petróleo para ajudar nossa gente...e não apenas para queimar combustível", afirmou o presidente, que, na sequência, recordou que seus vínculos com a Noruega vêm de longa data, desde os tempos em que era um líder sindical no ABC.


O modelo norueguês criado em 1990 pelo Storting (o parlamento em Oslo) para proteger o país de futuros déficits orçamentários consiste em um fundo estatal proveniente dos lucros obtidos pela empresa estatal Statoil (que em 2000 passou por um processo de privatização de 30% de sua composição). O Fundo, investido no exterior, é o resultado do fluxo de tesouraria líquido do governo norueguês proveniente das atividades petrolíferas e dos juros obtidos com esse capital.


Antes do encontro com o premiê escandinavo, Lula reuniu-se com a presidente chilena Michelle Bachelet, anfitriã do encontro progressista de Viña del Mar.


Oito chefes de governo participaram da reunião, entre eles o presidente Lula, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, o primeiro-ministro da Espanha José Luis Zapatero, além do vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden.


A cúpula reuniu líderes políticos e intelectuais das mais diversas partes do mundo para discutir uma ofensiva "progressista" ou de "centro-esquerda" para combater a atual crise mundial por intermédio de uma maior presença do Estado na economia. A cúpula progressista foi organizada pelo think tank britânico Policy Network, o chileno Instituto Igualdad e o governo da presidente Bachelet (Fonte: Estadao, 2009-03-28).

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Mesmo com crise, Petrobras faz apostas ambiciosas, diz 'Economist'

Apesar da crise econômica e da queda no preço do petróleo, a Petrobras continua anunciando investimentos recordes e apostando em objetivos "ambiciosos", diz a revista britânica The Economist, na edição que chegou às bancas nesta sexta-feira.

Intitulado "Pluging In" (uma expressão que tanto pode significar algo como "cavando fundo" ou "apostando alto", em tradução livre), o artigo cita o anúncio de investimentos da ordem de US$ 174 bilhões em cinco anos anunciado no mês passado pela estatal brasileira. "Em um momento em que os gráficos mostram grandes declives que ameaçam empregos e as vendas de veículos, a ousadia da Petrobras pode ser um alívio para os brasileiros", diz a publicação, citando as projeções de produção de barris petróleo e de investimentos em refinarias anunciados pela empresa.

A revista também cita as descobertas das reservas na camada pré-sal, em 2007, "que deixaram os políticos intoxicados com a perspectiva de grandes riquezas" e fizeram com que o governo Lula propusesse a criação de um fundo soberano e a mudança no regime de exploração do combustível nestas áreas.



Ambição

Segundo a publicação, mesmo com a grande queda registrada nos preços do petróleo e a notícia de que a camada pré-sal dificilmente poderá ser explorada antes de 2013 por causa de dificuldades técnicas, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, continua "destemido". "Nós temos a tecnologia, o acesso às reservas e achamos que podemos financiá-la. Por que não?", disse Gabrielli à publicação.

A Economist ainda enumera todos os planos da Petrobras para financiar a exploração das reservas, que vão desde financiamento com o BNDES até empréstimos que "são um voto de confiança de um mercado financeiro hesitante". "O presidente da Petrobras insiste que os investimentos na camada pré-sal podem se pagar mesmo com o petróleo na faixa dos US$ 45."
"Com tantas companhias de petróleo cortando investimentos e produção, o preço do petróleo pode estar bem mais alto na época em que o combustível começar a sair do oceano (em 2013). Esta, pelo menos, é a aposta razoável por trás de um plano ambicioso", diz a revista.
Mesmo assim, muitos brasileiros, segundo a Economist, levantaram suspeitas de que "o plano de investimentos foi inflado para agradar políticos que estão no Conselho (de Administração) da Petrobras, presidido por Dilma Rousseff, apontada pelo presidente Lula como seu candidato favorito para as próximas eleições presidenciais" (Fonte: BBC Brasil, 2009-02-03).

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Angola sem aplicações em “produtos de risco”


O ministro das Finanças, Severim de Morais, garantiu que o país não tem aplicações em produtos de risco no mercado financeiro internacional e que a maior preocupação reside na queda dos preços do petróleo.“É evidente que temos boa parte dos nossos depósitos em bancos correspondentes no exterior, mas não estão aplicados em produtos de risco”, garantiu o ministro, acrescentando que “pode haver uma ligação indirecta com a crise, mas no preço do petróleo”.


O principal produto de exportação de Angola, responsável por mais de 90 por cento das exportações do país e 80 por cento das receitas do Estado, já desvalorizou-se 53 por cento, desde Julho, altura em que atingiu 147, 27 dólares em Nova Iorque. Ontem, o preço caiu para 69,95 dólares em Nova Iorque, o valor mais baixo desde Maio de 2007. “O nosso Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2008 foi elaborado com o preço do barril a 55 dólares e para 2009 temos um preço de 65 dólares. Por isso, ainda não é preocupante, mas estamos a seguir os acontecimentos com muita atenção, para podermos tomar as medidas correctivas necessárias”, garantiu o ministro.


Severim de Morais esclarece que o OGE para 2009 é bastante equilibrado, em termos de receitas e despesas, e visa dar corpo financeiro aos objectivos do programa de médio e longo prazo (2009-2013). O ministro desdramatizou os receios quanto à relação entre os bancos angolanos e a crise internacional. Explicou que o sector financeiro angolano é ainda bastante insípido, com uma bancarização da economia na ordem dos 6,5 por cento. “Isto, até certo ponto, funciona como uma certa protecção contra possíveis crises que surjam no mercado financeiro”, afirmou Severim de Morais, sublinhando que o Banco Nacional de Angola tem exercido forte intervenção no mercado interbancário, através de acções do Departamento de Supervisão Bancária.


Igual posição foi defendida pelo antigo ministro da Indústria e do Trabalho de Portugal, Luís Mira Amaral, durante uma conferência sobre o Acordo de Basileia e a Crise Financeira que decorreu, no princípio da semana, em Luanda, numa organização do Banco Bic. Mira Amaral, que tem o master em Economia e é actualmente presidente do Banco Bic português, disse que os efeitos da crise podem ser sentidos na economia real, com a redução das receitas provenientes do petróleo. Ainda assim, salientou que a queda dos preços das matérias-primas é uma questão conjuntural e que podem subir tão logo a economia aqueça e a procura aumente.


Especialistas afirmam que os preços das principais matérias-primas, incluindo o petróleo, seguem o mesmo movimento de sobe e desce das bolsas, desde que a crise de hipotecas nos Estados Unidos (subprime) atingiu o pico, em Setembro, arrasando os maiores bancos de investimento norte-americanos e espalha agora os seus efeitos ao consumo das famílias e à economia real.


O Banco Mundial prevê que os preços ainda vão subir e se vão manter em alta pelo menos nos próximos três anos, recuando a partir daí por acção das forças do mercado (Fonte: Jornal de Angola, 2008-10).

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Petrobras: preço do petróleo ainda não afeta, mas crise pode ameaçar investimentos


Os desdobramentos da crise de crédito que vem derrubando os mercados acionários começam a afetar as perspectivas operacionais das companhias. Vislumbrando um horizonte de grande volume de investimentos para a exploração das reservas do pré-sal, a Petrobras ( PETR4 , PETR3 ) já considera repensar seu plano de investimentos para a região.


No evento Rio Oil & Gas, em que a estatal expõe diversas opiniões a respeito de suas atividades, seus executivos comentaram a atual conjuntura econômica internacional de um ponto de vista cauteloso. Pedro Bonésio, gerente-executivo de Finanças da companhia, admitiu que a crise deve impactar as captações de recurso.


Ainda assim, deixou claro que o plano de investimentos da Petrobras não será afetado no curto prazo. Mas tendo em vista o horizonte estipulado para estes investimentos, o médio e longo prazo pode demandar uma alteração da estratégia.


Outra vertente que preocupa diz respeito à cotação do petróleo. O cenário de redução dos patamares de consumo em nível global tem acarretado expressivas desvalorizações aos contratos da commodity, fonte de receitas da estatal.


Petróleo ainda não incomoda


Após bater na casa de US$ 145 por barril em Nova York, o petróleo já opera abaixo de US$ 100 no mercado internacional. Segundo comentários de Bonésio à imprensa, os projetos da companhia suportam as variação no preço e os atuais patamares da cotação ainda não prejudicam os futuros investimentos previstos.


Comentários anteriores do presidente da companhia, José Sergio Gabrielli, já apontavam para a mesma direção. Gabrielli ressaltou que novas captações não serão necessárias no curto prazo, mas podem virar problema se a crise se estender, o que viria a limitar a capacidade de financiamento da estatal (Fonte: Yahoo Notícias, 2008-09-17).

terça-feira, 1 de julho de 2008

Galp abre postos na Guiné-Bissau, sem energia há dois dias


Os postos de abastecimento de combustível da petrolífera portuguesa Galp na Guiné-Bissau abriram nesta terça-feira e irão fornecer diesel, mas apenas a veículos, para minimizar a crise energética que vive o país, onde desde domingo não é possível comprar o combustível.


Fonte da empresa contatada pela Agência Lusa disse ainda que os postos da Galp foram vistoriados pela Polícia Judiciária e inspeção da energia durante a madrugada de hoje.


Os postos de abastecimento na Guiné-Bissau fecharam domingo e desde então nenhum combustível é vendido, principalmente diesel, fundamental para o funcionamento do país. A capital guineense funciona a diesel e a sua falta pode levar ao fechamento de estabelecimentos comerciais, unidades hoteleiras e impedir o funcionamento de várias empresas.


A falta de diesel pode ainda afetar o funcionamento das telecomunicações do país.O administrador da Total, empresa francesa de distribuição de combustíveis, Idrissa Djaló, afirmou domingo que a Guiné-Bissau é o único país que baixou preço dos combustíveis, apesar da crise de preços que afeta o setor. O preço do diesel aumentou 30% no mercado internacional e o governo guineense não determina um aumento do combustível há três meses.


Segunda-feira, fonte do gabinete do primeiro-ministro guineense, Martinho N'Dafa Cabi, afirmou que havia escassez no estoque no país, mas as empresas distribuidoras negam a informação, alegando que não podem comprar o produto mais caro e vendê-lo mais barato. Durante a noite de segunda-feira e madrugada de hoje, a Eletricidade e Águas da Guiné-Bissau (EAGB) começou a fornecer água canalizada e alguma luz elétrica, mas não atendeu a toda capital guineense. O diretor da EAGB, Florentino Mendes, afirmou segunda-feira que iria tentar minimizar o problema, porque hoje o presidente do Gabão inicia uma visita oficial à Guiné-Bissau, que termina quinta-feira (Fonte: Lusa, 2008-06-10).

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Crise do crude vai acabar?


Depois de uma sessão de meditação colectiva e de alguns discursos, os presentes organizaram-se em grupos para discutir um pouco de tudo, dos transportes que não usam petróleo como combustível à estratégia a adoptar para persuadir os políticos locais a aderir ao mote do movimento das ‘Transition Towns’: reduzir a pegada de carbono em resposta às preocupações em torno do decréscimo das reservas de hidrocarbonetos e do aquecimento global.

Estes encontros foram, durante anos, considerados manifestações excêntricas. Grande parte dos executivos que trabalha na indústria petrolífera, dos governos, dos analistas e dos consultores rejeitou a teoria do “pico do petróleo”, que se baseia no trabalho desenvolvido pelo geofísico Marion King Hubbert nos anos 50, quando se encontrava ao serviço da Shell, e que defende que a produção de crude vai, em breve, entrar numa fase de declínio terminal. Os seus críticos alegam que descura aspectos como as reservas remanescentes, subestima o contributo dos desenvolvimentos tecnológicos e ignora o papel das forças de mercado, cuja influência pode determinar as futuras reservas.

Mas numa altura em que o preço do petróleo atingiu novo máximo histórico, 135 dólares por barril, isto é, mais mil por cento do que há uma década, os receios de que a era dos hidrocarbonetos está a chegar ao fim começa a contagiar todas as áreas do mercado. Muitos profissionais da indústria petrolífera aceitam hoje que os preços não se devem apenas ao forte aumento da procura, mas também às restrições da oferta. Os apelos a novos investimentos são cada vez mais uma constante e estiveram no topo da agenda dos ministros da Energia dos principais países consumidores e produtores de petróleo, na reunião que teve lugar o mês passado em Roma. Poucas semanas depois, os analistas da Goldman Sachs e de outras empresas de referência, bem como os ministros dos países da OPEP, chegavam a uma conclusão: os preços do petróleo podem atingir os 200 dólares/barril dentro de dois anos.

O facto de a produção petrolífera da Rússia ter decrescido perto de meio ponto percentual em Abril – a primeira quebra em dez anos – foi suficientemente alarmante para o mundo em geral e para a indústria em particular. Porquê? Porque até há cinco anos o segundo maior produtor mundial mantinha uma taxa de produção anual na ordem dos 12%. Mas há mais: alguns executivos da indústria petrolífera, como Leonid Fedun, vice-presidente da Lukoil, declararam entretanto que a produção russa já atingiu o pico.

Dias depois de Fedun ter feito esta declaração, a Arábia Saudita, o maior produtor e exportador mundial de petróleo, anunciou que suspendera os planos que visavam aumentar a capacidade de produção. O ministro saudita da Energia, Ali Naimi, realçou que as previsões para a procura não permitem expandir a produção além dos 12,5 milhões de barris/dia, limite a atingir no próximo ano, apesar de o reino saudita ter investido nos últimos anos mais de 12,9 mil milhões de euros no aumento da capacidade.

O problema é que ninguém sabe o que se passa no seio da indústria petrolífera saudita. Riad é um “segredo bem guardado”. Tão bem guardado que os analistas da Sanford Berstein, uma empresa de serviços financeiros, optaram por espiar via satélite as actividades de perfuração e extracção na maior jazida petrolífera do mundo, Ghawar, ao longo dos últimos nove meses, para confirmarem se houve, ou não, alguma alteração no padrão de exploração. E qual foi a sua conclusão? A Arábia Saudita terá de se esforçar mais do que aquilo que os seus engenheiros e geólogos haviam previsto em 2004, e explorar ao máximo a vertente norte de Ghawar.

Matthew Simmons, banqueiro de investimento na área das energias, mostra-se mais pessimista quanto à “saúde” de Ghawar. Por uma razão muito simples: se a Arábia Saudita não tenciona expandir a sua produção para 15 milhões de barris/dia, isso significa que está a fazer tudo para evitar o colapso das suas jazidas. Mas o mais dramático, na opinião de Simmons, é o mundo depender de um “punhado” de jazidas que hoje se encontram em acentuado declínio. Mais: desde a década de 70 que não se descobrem novas jazidas com igual capacidade. Um em cinco barris consumidos diariamente provém de uma jazida com mais de 40 anos. Nenhuma das jazidas descobertas nos últimos 30 anos tem capacidade para produzir mais de 1 milhão de barris/dia. Pior: a sua dimensão tem vindo a diminuir drasticamente.

As preocupações em torno da oferta alastraram à maioria dos gabinetes das petrolíferas internacionais. James Mulva, CEO da norte-americana ConocoPhillips, e Christophe de Margerie, seu homólogo na francesa Total, manifestaram recentemente o seu pessimismo ao reconhecerem que a produção petrolífera mundial nunca irá ultrapassar a fasquia dos 100 milhões de barris/dia. É este o volume que a Agência Internacional de Energia estima ser necessário para satisfazer a procura mundial dentro de sete anos, a qual deverá disparar para os 16 milhões de barris/dia em 2030.

Mulva e Margerie, tal como um número crescente de executivos do sector e de ministros, estão cientes de que a era do “petróleo fácil” tem os dias contados e de que as barreiras políticas – como a instabilidade na Nigéria, o processo de nacionalização das empresas energéticas na Rússia e as tensões internacionais que, desde há duas décadas, vêm a mitigar o potencial energético do Iraque – têm impedido as empresas de explorar em pleno os 2.400-4.400 milhares de milhões de barris remanescentes.

As petrolíferas, em vez de se prepararem para o dia do “Juízo Final”, têm usado a tecnologia para extrair o crude que ainda existe nas suas velhas jazidas e procurado novas reservas em terrenos mais remotos e hostis. Mas sublinham que seria importante que os consumidores, habituados a depender do crude para tudo, não desperdiçassem este valioso recurso.

Os executivos da indústria reconhecem que as jazidas nos países desenvolvidos, como as do Mar do Norte e do Alasca, estão prestes a atingir o “pico”. (Segundo a Sanford Bernstein, a produção exterior à OPEP deverá atingir o pico já este ano). No entanto, lembram que a capacidade das jazidas não convencionais, como Alberta, no Canadá, ou a Faixa do Orinoco, na Venezuela, já ultrapassaram o número de barris de petróleo produzidos pela Arábia Saudita. Acontece que estas duas alternativas têm grandes desvantagens: a primeira por se tratar de uma exploração que obriga ao uso intensivo de água e energia, e a segunda por estar sob a alçada do Governo populista de Hugo Chávez, facto que leva muitas empresas a recear investir na Faixa do Orinoco.

Guy Caruso, presidente da Administração da Informação Energética (AIE) do Departamento de Energia dos EUA, acredita que o mercado tem poder suficiente para influir nas políticas dos governos e no comportamento dos consumidores e das petrolíferas. A AIE estima que as importações norte-americanas de petróleo irão diminuir ligeiramente nos próximos 22 anos. Ora, isto quer dizer que a dependência das importações de petróleo do maior consumidor mundial vai decrescer entre 60% a 50% até 2015, antes de voltar a crescer para os 54% até 2030. As razões para esta descida são a crescente eficiência energética nos automóveis, a redução da procura, o aumento do consumo de biocombustíveis e o crescimento da produção dos EUA em um milhão de barris/dia no Golfo do México até 2012. “Hubbert nunca poderia ter previsto que a tecnologia ia evoluir desta maneira. Que hoje se usaria a perfuração horizontal e se poderia extrair petróleo do oceano a 3.600 metros de profundidade”, sublinha Caruso.

Uma versão mais pessimista deveria incluir um declínio ainda mais acentuado e generalizado à medida que os países em desenvolvimento vergam sob o peso dos subsídios que são obrigados a pagar para suprir as necessidades energéticas e de alimentação da sua população. As opiniões de Jeremy Leggett, um geólogo convertido em empresário e autor de “Half Gone: Oil, Gas, Hot Air and the Global Energy Crisis”, vai ainda mais longe na sua parábola para o pior cenário: “Os preços da habitação colapsaram. Os mercados de acções entraram em ruptura… As empresas foram à falência… Primeiro centenas de milhar, depois milhões, de trabalhadores foram atirados para o desemprego. Onde antes havia cidades prósperas com cafés e esplanadas vêem-se hoje filas de pessoas na chamada ‘sopa dos pobres’ e um exército de pedintes nas ruas”.

Os executivos da indústria petrolífera rejeitam este cenário quase apocalíptico que, de tão corrosivo, tem o poder de deturpar políticas e decisões de investimento. Mas são visões como esta que levam as pessoas a agir e a usar a energia de uma forma mais eficiente. Os tocadores de gaita-de-foles e inseridos nas ‘Transition Towns’ são parte – ainda que pequena – da solução para as incertezas do futuro. Mesmo que o mundo nunca venha a viver a catástrofe que eles prevêem (Fonte: Diário Ecónomico/Financial Times, 2008-05-26).