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domingo, 19 de setembro de 2010

Petrobras: A gigante está prestes a tornar-se maior


A Petrobras prepara-se para fazer um dos maiores aumentos de capital da história mundial. A gigante do petróleo, controlada pelo governo federal brasileiro, pretende recapitalizar-se em até 25 mil milhões de dólares, numa operação que deverá estar concluída até ao final do mês de Setembro.


O objectivo é ajudar a financiar a exploração na camada pré-sal nos poços ultra-profundos na Bacia de Santos, como o Tupi, onde a Galp Energia também está presente. O Tupi foi a descoberta "offshore" mais promissora no continente americano desde o Cantarell do México, em 1976.


A Petrobras tem um plano de investimentos de 224 mil milhões de dólares até 2014, cerca de um terço dos quais serão aplicados ao longo deste ano. No âmbito do aumento de capital, a empresa está também a adquirir ao Estado os direitos de exploração em sete novos campos petrolíferos na Bacia de Santos. Em troca, o Estado, que já controla cerca de 32% do capital, recebe mais acções da petrolífera. O aumento de capital foi adiado em Junho, porque a empresa e o governo preferiram esperar para obter avaliações independentes acerca do potencial das reservas de exploração. Em causa estava o preço médio dos direitos à exploração de petróleo a ser usado no processo de capitalização da Petrobras.


E a decisão chegou na quarta-feira, ao fim de várias semanas de negociações entre a Petrobras e a Agência Nacional do Petróleo (ANP). A gigante vai entregar ao governo federal 42,5 mil milhões de dólares em acções em troca dos direitos de exploração de reservas que podem conter o equivalente a 5 mil milhões de barris de petróleo. Os 8,51 dólares por barril acordados entre as partes ficaram em linha com o intervalo previsto pelo mercado. E também em Portugal foi acompanhado de perto, já que o valor serve de referência para a avaliação dos activos da Galp no Brasil, que estão geograficamente próximos dos campos petrolíferos cujas licenças estão agora a ser negociadas.


As acções da Petrobras não têm tido vida fácil na bolsa desde o início do ano, acumulando uma queda de 22,7%. Mas o mercado aposta numa recuperação do título, agora que está a reduzir-se a incerteza em torno da recapitalização."Neste momento, acredito que a Petrobras conseguirá ter uma boa evolução dos lucros, principalmente com a tendência de alta nos preços do petróleo nos mercados internacionais", comentou Alcides Leite, um professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, citado pela agência IN.


Ainda assim, nos últimos meses, grandes investidores internacionais, como George Soros e o "private-equity" Blackrock despejaram acções da Petrobras. Entre os 17 analistas consultados pela Bloomberg, dez recomendam a entrada nas acções e sete aconselham manter os títulos. Nenhuma casa de investimento recomenda a venda. Os analistas estão, neste momento, inibidos pelo "período de silêncio" relacionado com o aumento de capital. (Fonte: Jornal de Negócios, 2010-09-07).

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Petrobras define crédito de US$ 10 bi com banco chinês


A Petrobras e o Banco de Desenvolvimento da China (BDC) assinaram ontem o contrato de financiamento de US$ 10 bilhões que serão utilizados no programa de investimentos da estatal brasileira. Segundo maior empréstimo individual obtido pela companhia, a operação eleva a captação de recursos nos primeiros cinco meses de 2009 a US$ 30 bilhões, um valor recorde, três vezes maior do que o registrado no ano de 2008. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou que os US$ 30 bilhões suprem as necessidades de financiamento da companhia pelos próximos dois anos. Além dos US$ 10 bilhões do BDC, a estatal obteve US$ 12 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), US$ 6,5 bilhões com um sindicato de bancos e US$ 2 bilhões com o Eximbank.


Segundo Gabrielli, a taxa de juros cobrada pelos chineses está abaixo dos cerca de 6,5% a 7% incidentes nas captações da companhia de prazo semelhante ao do empréstimos do BDC, que será pago em dez anos. O menor custo decorre do fato de que o empréstimo tem como garantia a receita da venda de petróleo da estatal brasileira para a chinesa Sinopec, também fechado ontem, com prazo idêntico.


A Petrobras fornecerá 150 mil barris de petróleo por dia neste ano e 200 mil barris/dia a partir de 2010, quantia que será mantida por nove anos. Isso significa que o financiamento não será pago por meio da entrega de petróleo, como se esperava inicialmente, mas está vinculado à venda do produto durante a vigência do contrato.


Com essas quantias, a Petrobras vai mais que triplicar o volume de exportações para a China, hoje em 60 mil barris/dia. As negociações para os dois acordos tiveram início em novembro de 2008. Os detalhes finais foram definidos em reunião que começou na manhã de segunda-feira e só terminaram às 6h30 de ontem, a tempo de os contratos serem assinados na presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hu Jintao.


A cerimônia ocorreu no Grande Palácio do Povo, em Pequim, depois de reunião de trabalho entre os dois presidentes e ministros. No total, foram assinados 13 documentos, entre os quais acordos de cooperação em diversas áreas.


Gabrielli afirmou que o contrato não está condicionado à compra de máquinas e equipamentos da China. Ainda assim, a empresa deverá realizar operações desse tipo. Segundo ele, várias fabricantes chinesas de máquinas e equipamentos manifestaram interesse de instalar plantas no Brasil para suprir a demanda da estatal, que poderia usar parte do financiamento para pagá-las.


Além da Petrobras, o BDC dará linha de crédito de US$ 800 milhões ao BNDES e de US$ 100 milhões ao Itaú BBA. Os dois bancos atuarão como agentes repassadores dos recursos a empresas brasileiras, com prioridade a projetos relacionados de alguma forma à China.


O BDC também fechou acordo com o Banco do Brasil (BB), que permitirá à instituição brasileira repassar recursos do banco chinês a clientes que tenham negócios com o país asiático. Segundo o gerente regional do BB na Ásia, Admilson Monteiro Garcia, as operações devem beneficiar importadores de produtos da China, mas não está descartada a concessão de crédito para a exportação e realização de investimentos (Fonte: Ultimo Segundo - IG/Agencia Estado, 2009-05-20).

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Petrobras pode estar se aproveitando dos preços altos


Diante da queda da cotação do petróleo no mercado externo, a Petrobras poderia reduzir os preços cobrados pelos combustíveis internamente, o que seria um fator de baixa para a inflação, entretanto, como aparentemente a empresa está com problemas de caixa, e também por não ter aumentado os preços quando a defasagem era inversa, é pouco provável que eles reduzam os preços no curto prazo. A avaliação é do economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto. "Apesar disso, ainda podem ocorrer efeitos benignos na inflação, decorrentes dos preços de derivados que são utilizados como insumos na indústria. Ou seja, mesmo sem a queda dos combustíveis, a baixa dos preços do petróleo reduzem custos de produção de determinados setores e bens", disse.

O gerente da mesa financeira da Hencorp Commcor Corretora, Rodrigo Nassar, aposta que o governo não vai reduzir os preços frente a uma inflação comportada. "A Petrobras é a 'galinha de ouro do governo'. O governo não vai abrir mão dessa fonte de captação, ainda mais em meio a crise", acredita.

No entanto, para Nassar, a redução dos combustíveis teria impacto pequeno na inflação, pois o corte não seria totalmente repassado ao consumidor. "Só um aumento iria influenciar, mas isso não deve ocorrer tão cedo. A menos que o petróleo sofra outra disparada significativa", avalia.

Em meio a especulações sobre uma possível queda do preço dos combustíveis, o mercado acompanha atentamente os resultados da Petrobras. Para muitos especialistas, a estatal ainda não promoveu o ajuste por conta de problemas financeiros. Em 27 de novembro, a companhia chegou a desmentir a imprensa, informando que Plano de Negócios 2008-2012 prevê investimentos de US$112,4 bilhões (média anual de US$ 22,5 bilhões), com necessidade de captações médias anuais de US$ 4,0 bilhões.

Por conta disso, desde então a companhia vem tomando empréstimos e também emitindo bônus - a oferta de US$ 1,5 bilhão em títulos do tipo "Global Notes" concluída quarta-feira pela Petrobras teve uma demanda 3,5 vezes superior ao seu volume final e foi destinada a mais de 230 investidores, a maioria oferecida ao mercado de renda fixa de empresas com grau de investimento (Fonte: Gazeta Mercantil / InvestNews, 2009-02-13).

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Para Gabrielli, presidente da Petrobras, não faltará dinheiro para pré-sal


A crise mundial no mercado financeiro poderá trazer um "pouco de trabalho" para a Petrobrás captar recursos para seus projetos no médio prazo, disse ontem o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, em entrevista após participar do encerramento da Rio Oil & Gas. Segundo ele, porém, a crise não deve se estender ao ponto de prejudicar o financiamento dos projetos do pré-sal, cujos desembolsos devem ser mais intensos na próxima década.


No curto prazo, disse o executivo, os investimentos já estão administrados e não há problemas. "É claro que ninguém é louco de captar recursos no momento", afirmou. Já no médio prazo, poderá haver necessidade de acessar o mercado. "Mas nossos projetos são bons e o mercado sempre está disposto a financiar bons projetos", frisou o executivo.


Em sua palestra na Rio Oil & Gas, Gabrielli traçou um cenário do mercado de petróleo e disse não apostar em mais nenhuma grande queda ou grande alta no preço no mercado internacional. "Os fundamentos são de aperto entre oferta e demanda, que é o principal componente dos preços altos que vivemos nos últimos tempos", analisou. Ele destacou que os contratos não comerciais de petróleo tiveram papel preponderante nas grandes oscilações do mercado nos últimos anos. "A especulação tem seu sentido porque os fundamentos não podem explicar como nesses três meses o preço do petróleo vai para US$ 147 e chega a US$ 91", comentou.


Na opinião do executivo, porém, não há mais espaço para que os preços caiam para níveis do início dos anos 2000, quando oscilavam abaixo dos US$ 30 por barril, por conta do crescimento da demanda maior do que a oferta e dos altos custos de insumos para o setor. O planejamento estratégico da companhia - que está sendo revisto e deve superar os US$ 112 bilhões previstos até 2012 - indica que os projetos são robustos com o preço do petróleo em US$ 35 por barril, valor que deve ser alterado na nova versão do plano, que será divulgada em outubro. Para o futuro, ele destacou o aperto entre oferta e demanda e as dúvidas a respeito do comportamento do mercado, que hoje é mais influenciado por países em desenvolvimento e de fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) do que no passado. Ele também citou a capacidade de expansão dos países tradicionalmente não produtores e os biocombustíveis. "Estamos entrando em um momento em que o futuro vai depender muito mais do desconhecido. A dinâmica de formação de preços e do mercado tenderá a se modificar."Além da pouca distância entre oferta e demanda, disse ele, a variação ocorre pela entrada e saída rápida de capital de outros mercados nas compras de petróleo.


Outros componentes nesse cenário serão as dúvidas a respeito do comportamento do mercado, que hoje é mais influenciado por países em desenvolvimento e de fora da Opep do que no passado, bem como a capacidade de expansão dos países não tradicionalmente produtores, de alternativas não convencionais ao petróleo e ao gás. Pela manhã, em cerimônia de batismo da plataforma P-53, no Rio Grande do Sul, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Sérgio Gabrielli destacou que a crise financeira internacional ainda não chegou a afetar a estatal diretamente. Ele observou que o mercado de crédito está se contraindo, mas avaliou que os projetos "que têm sustentabilidade sempre encontrarão financiamento". Mesmo que a oferta de crédito fique menor, o executivo avaliou que os projetos da Petrobrás são "bons e poderemos conseguir financiamento" (Fonte: Estadão, 2008-09-19).

Petrobras: preço do petróleo ainda não afeta, mas crise pode ameaçar investimentos


Os desdobramentos da crise de crédito que vem derrubando os mercados acionários começam a afetar as perspectivas operacionais das companhias. Vislumbrando um horizonte de grande volume de investimentos para a exploração das reservas do pré-sal, a Petrobras ( PETR4 , PETR3 ) já considera repensar seu plano de investimentos para a região.


No evento Rio Oil & Gas, em que a estatal expõe diversas opiniões a respeito de suas atividades, seus executivos comentaram a atual conjuntura econômica internacional de um ponto de vista cauteloso. Pedro Bonésio, gerente-executivo de Finanças da companhia, admitiu que a crise deve impactar as captações de recurso.


Ainda assim, deixou claro que o plano de investimentos da Petrobras não será afetado no curto prazo. Mas tendo em vista o horizonte estipulado para estes investimentos, o médio e longo prazo pode demandar uma alteração da estratégia.


Outra vertente que preocupa diz respeito à cotação do petróleo. O cenário de redução dos patamares de consumo em nível global tem acarretado expressivas desvalorizações aos contratos da commodity, fonte de receitas da estatal.


Petróleo ainda não incomoda


Após bater na casa de US$ 145 por barril em Nova York, o petróleo já opera abaixo de US$ 100 no mercado internacional. Segundo comentários de Bonésio à imprensa, os projetos da companhia suportam as variação no preço e os atuais patamares da cotação ainda não prejudicam os futuros investimentos previstos.


Comentários anteriores do presidente da companhia, José Sergio Gabrielli, já apontavam para a mesma direção. Gabrielli ressaltou que novas captações não serão necessárias no curto prazo, mas podem virar problema se a crise se estender, o que viria a limitar a capacidade de financiamento da estatal (Fonte: Yahoo Notícias, 2008-09-17).