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segunda-feira, 9 de março de 2009

Movimento quer criar comitês para discutir pré-sal


Criar comitês de defesa do petróleo e aproveitar as datas marcantes da vida nacional, como o 1º de Maio, foram duas das principais decisões da 2ª Plenária Nacional da Campanha "O Petróleo é Nosso", realizado ontem no Rio de Janeiro.


O movimento foi criado para defender o petróleo como um produto relacionado à soberania nacional. Os participantes da plenária também trataram dos trabalhos da comissão interministerial criada para discutir um novo marco regulatório para o petróleo na área do pré-sal.


Manuel Cancela, coordenador geral do Sindicato Nacional dos Petroleiros do Estado do Rio (Sindipetro), disse que é preciso dar prosseguimento ao movimento de modo a chamar a atenção para o problema e garantir a soberania nacional na exploração das novas jazidas de petróleo. Segundo ele, o movimento vai aproveitar as datas significativas do calendário nacional para promover mobilizações de conscientização do povo. "Tem um calendário de lutas: o 1º de Maio, o Dia Internacional da Mulher e o 1º de Abril, quando deverá haver ações em todo o Brasil relativas à crise financeira internacional, e que aproveitaremos para inserir também a questão do petróleo", disse (Fonte: Gazeta Mercantil / Investnews, 2009-03-03).

sábado, 31 de janeiro de 2009

Petróleo nosso, um afrodisíaco


Se olharmos o passado, a Petrobras nunca se meteu em aventuras. Sempre foi cautelosa em anunciar descobertas ou o aumento de suas reservas, de forma conservadora. O melhor exemplo disso é o comportamento adotado na questão do petróleo do pré-sal no litoral de Santos.


Em 2001, os levantamentos por satélite do Geological Survey dos Estados Unidos, já apontavam a localização de importantes jazimentos de óleo a grande profundidade na região da bacia de Santos, em volumes que podiam chegar a 30 bilhões de barris.


Desde então a Petrobras se dedicou a pesquisar com mais intensidade a área, atraindo discretamente parcerias privadas nacionais e estrangeiras, até que as perfurações exploratórias confirmaram a existência de óleo e gás em escala comercial.


Os primeiros anúncios oficiais datam de três ou quatro anos atrás, sempre com números conservadores em relação aos volumes mas hoje não é mais segredo que a soma das descobertas comprovadas está em torno de 80 bilhões de barris. Para se ter uma ideia, semana passada o presidente da Exxon (maior empresa mundial de petróleo), que se associou à exploração de uma pequena área de Tupi, deixou o Brasil calculando que tem lá entre 8 e 10 bilhões de barris. É algo equivalente ao que nós temos hoje em reservas.


Há quem levante dúvidas sobre nossa capacidade técnica e quanto às limitações financeiras para a extração, transporte e industrialização do óleo e gás em grandes profundidades e à distância de 200 ou 300 quilômetros da costa. A Petrobras apresentou um programa bem razoável de exploração, equilibrado, que vai atrair investimentos tanto nacionais como do exterior, estimulados pela demanda do setor nos próximos anos.


Quanto aos recursos tecnológicos, a Petrobras tem uma liderança mundial na exploração a grandes profundidades no mar e nossa indústria já alcançou um estágio de sofisticação que lhe permite atender à substanciais encomendas de equipamentos.


O certo é que vai ter uma demanda nova para a fabricação de equipamentos para o setor de petróleo que a nossa indústria terá que atender. Obviamente que uma parte das encomendas será suprida por fabricantes estrangeiros. Acredito que alguns terão que se instalar aqui para aproveitar as oportunidades de um negócio com enorme potencial de crescimento.


Joelmir Betting no jornal da TV Bandeirantes esta semana, com seu habitual senso de humor, referiu-se ao "efeito afrodisíaco" que plano estratégico da Petrobras para 2009/2013 vai exercer na economia brasileira. É uma boutade perfeitamente adequada, pois o programa do pré-sal tem tudo para se tornar o estímulo que faltava para a aceleração do crescimento pelos próximos anos, garantindo à atual geração de brasileiros que o processo não será interrompido nem por crises de energia nem por déficits em conta corrente.


Vai exigir trabalho inteligente - sem afobações ou surtos midiáticos - e paciência necessária para a maturação do programa que deverá atingir a "velocidade de cruzeiro" daqui a seis ou sete anos.


Não vai depender somente da Petrobras, mas principalmente de ajustes na política de juros, para reduzir as atuais taxas dos níveis indecentes que só o Brasil pratica, a alguma coisa próxima a 3% ao ano reais, como existe nos demais países (Fonte: Diário Comércia Indústria, 2009-01-30).

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Crise do crude vai acabar?


Depois de uma sessão de meditação colectiva e de alguns discursos, os presentes organizaram-se em grupos para discutir um pouco de tudo, dos transportes que não usam petróleo como combustível à estratégia a adoptar para persuadir os políticos locais a aderir ao mote do movimento das ‘Transition Towns’: reduzir a pegada de carbono em resposta às preocupações em torno do decréscimo das reservas de hidrocarbonetos e do aquecimento global.

Estes encontros foram, durante anos, considerados manifestações excêntricas. Grande parte dos executivos que trabalha na indústria petrolífera, dos governos, dos analistas e dos consultores rejeitou a teoria do “pico do petróleo”, que se baseia no trabalho desenvolvido pelo geofísico Marion King Hubbert nos anos 50, quando se encontrava ao serviço da Shell, e que defende que a produção de crude vai, em breve, entrar numa fase de declínio terminal. Os seus críticos alegam que descura aspectos como as reservas remanescentes, subestima o contributo dos desenvolvimentos tecnológicos e ignora o papel das forças de mercado, cuja influência pode determinar as futuras reservas.

Mas numa altura em que o preço do petróleo atingiu novo máximo histórico, 135 dólares por barril, isto é, mais mil por cento do que há uma década, os receios de que a era dos hidrocarbonetos está a chegar ao fim começa a contagiar todas as áreas do mercado. Muitos profissionais da indústria petrolífera aceitam hoje que os preços não se devem apenas ao forte aumento da procura, mas também às restrições da oferta. Os apelos a novos investimentos são cada vez mais uma constante e estiveram no topo da agenda dos ministros da Energia dos principais países consumidores e produtores de petróleo, na reunião que teve lugar o mês passado em Roma. Poucas semanas depois, os analistas da Goldman Sachs e de outras empresas de referência, bem como os ministros dos países da OPEP, chegavam a uma conclusão: os preços do petróleo podem atingir os 200 dólares/barril dentro de dois anos.

O facto de a produção petrolífera da Rússia ter decrescido perto de meio ponto percentual em Abril – a primeira quebra em dez anos – foi suficientemente alarmante para o mundo em geral e para a indústria em particular. Porquê? Porque até há cinco anos o segundo maior produtor mundial mantinha uma taxa de produção anual na ordem dos 12%. Mas há mais: alguns executivos da indústria petrolífera, como Leonid Fedun, vice-presidente da Lukoil, declararam entretanto que a produção russa já atingiu o pico.

Dias depois de Fedun ter feito esta declaração, a Arábia Saudita, o maior produtor e exportador mundial de petróleo, anunciou que suspendera os planos que visavam aumentar a capacidade de produção. O ministro saudita da Energia, Ali Naimi, realçou que as previsões para a procura não permitem expandir a produção além dos 12,5 milhões de barris/dia, limite a atingir no próximo ano, apesar de o reino saudita ter investido nos últimos anos mais de 12,9 mil milhões de euros no aumento da capacidade.

O problema é que ninguém sabe o que se passa no seio da indústria petrolífera saudita. Riad é um “segredo bem guardado”. Tão bem guardado que os analistas da Sanford Berstein, uma empresa de serviços financeiros, optaram por espiar via satélite as actividades de perfuração e extracção na maior jazida petrolífera do mundo, Ghawar, ao longo dos últimos nove meses, para confirmarem se houve, ou não, alguma alteração no padrão de exploração. E qual foi a sua conclusão? A Arábia Saudita terá de se esforçar mais do que aquilo que os seus engenheiros e geólogos haviam previsto em 2004, e explorar ao máximo a vertente norte de Ghawar.

Matthew Simmons, banqueiro de investimento na área das energias, mostra-se mais pessimista quanto à “saúde” de Ghawar. Por uma razão muito simples: se a Arábia Saudita não tenciona expandir a sua produção para 15 milhões de barris/dia, isso significa que está a fazer tudo para evitar o colapso das suas jazidas. Mas o mais dramático, na opinião de Simmons, é o mundo depender de um “punhado” de jazidas que hoje se encontram em acentuado declínio. Mais: desde a década de 70 que não se descobrem novas jazidas com igual capacidade. Um em cinco barris consumidos diariamente provém de uma jazida com mais de 40 anos. Nenhuma das jazidas descobertas nos últimos 30 anos tem capacidade para produzir mais de 1 milhão de barris/dia. Pior: a sua dimensão tem vindo a diminuir drasticamente.

As preocupações em torno da oferta alastraram à maioria dos gabinetes das petrolíferas internacionais. James Mulva, CEO da norte-americana ConocoPhillips, e Christophe de Margerie, seu homólogo na francesa Total, manifestaram recentemente o seu pessimismo ao reconhecerem que a produção petrolífera mundial nunca irá ultrapassar a fasquia dos 100 milhões de barris/dia. É este o volume que a Agência Internacional de Energia estima ser necessário para satisfazer a procura mundial dentro de sete anos, a qual deverá disparar para os 16 milhões de barris/dia em 2030.

Mulva e Margerie, tal como um número crescente de executivos do sector e de ministros, estão cientes de que a era do “petróleo fácil” tem os dias contados e de que as barreiras políticas – como a instabilidade na Nigéria, o processo de nacionalização das empresas energéticas na Rússia e as tensões internacionais que, desde há duas décadas, vêm a mitigar o potencial energético do Iraque – têm impedido as empresas de explorar em pleno os 2.400-4.400 milhares de milhões de barris remanescentes.

As petrolíferas, em vez de se prepararem para o dia do “Juízo Final”, têm usado a tecnologia para extrair o crude que ainda existe nas suas velhas jazidas e procurado novas reservas em terrenos mais remotos e hostis. Mas sublinham que seria importante que os consumidores, habituados a depender do crude para tudo, não desperdiçassem este valioso recurso.

Os executivos da indústria reconhecem que as jazidas nos países desenvolvidos, como as do Mar do Norte e do Alasca, estão prestes a atingir o “pico”. (Segundo a Sanford Bernstein, a produção exterior à OPEP deverá atingir o pico já este ano). No entanto, lembram que a capacidade das jazidas não convencionais, como Alberta, no Canadá, ou a Faixa do Orinoco, na Venezuela, já ultrapassaram o número de barris de petróleo produzidos pela Arábia Saudita. Acontece que estas duas alternativas têm grandes desvantagens: a primeira por se tratar de uma exploração que obriga ao uso intensivo de água e energia, e a segunda por estar sob a alçada do Governo populista de Hugo Chávez, facto que leva muitas empresas a recear investir na Faixa do Orinoco.

Guy Caruso, presidente da Administração da Informação Energética (AIE) do Departamento de Energia dos EUA, acredita que o mercado tem poder suficiente para influir nas políticas dos governos e no comportamento dos consumidores e das petrolíferas. A AIE estima que as importações norte-americanas de petróleo irão diminuir ligeiramente nos próximos 22 anos. Ora, isto quer dizer que a dependência das importações de petróleo do maior consumidor mundial vai decrescer entre 60% a 50% até 2015, antes de voltar a crescer para os 54% até 2030. As razões para esta descida são a crescente eficiência energética nos automóveis, a redução da procura, o aumento do consumo de biocombustíveis e o crescimento da produção dos EUA em um milhão de barris/dia no Golfo do México até 2012. “Hubbert nunca poderia ter previsto que a tecnologia ia evoluir desta maneira. Que hoje se usaria a perfuração horizontal e se poderia extrair petróleo do oceano a 3.600 metros de profundidade”, sublinha Caruso.

Uma versão mais pessimista deveria incluir um declínio ainda mais acentuado e generalizado à medida que os países em desenvolvimento vergam sob o peso dos subsídios que são obrigados a pagar para suprir as necessidades energéticas e de alimentação da sua população. As opiniões de Jeremy Leggett, um geólogo convertido em empresário e autor de “Half Gone: Oil, Gas, Hot Air and the Global Energy Crisis”, vai ainda mais longe na sua parábola para o pior cenário: “Os preços da habitação colapsaram. Os mercados de acções entraram em ruptura… As empresas foram à falência… Primeiro centenas de milhar, depois milhões, de trabalhadores foram atirados para o desemprego. Onde antes havia cidades prósperas com cafés e esplanadas vêem-se hoje filas de pessoas na chamada ‘sopa dos pobres’ e um exército de pedintes nas ruas”.

Os executivos da indústria petrolífera rejeitam este cenário quase apocalíptico que, de tão corrosivo, tem o poder de deturpar políticas e decisões de investimento. Mas são visões como esta que levam as pessoas a agir e a usar a energia de uma forma mais eficiente. Os tocadores de gaita-de-foles e inseridos nas ‘Transition Towns’ são parte – ainda que pequena – da solução para as incertezas do futuro. Mesmo que o mundo nunca venha a viver a catástrofe que eles prevêem (Fonte: Diário Ecónomico/Financial Times, 2008-05-26).

domingo, 26 de agosto de 2007

Secretário-Geral da OPEP visita Angola

O Secretário Geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), o líbio Abdalla Salem El-Hadri, está desde a madrugada de hoje em Luanda para uma visita de quatro dias, a convite do ministro angolano dos petróleos, Desidério Costa. Abdalla El-Hadri chefia uma delegação de técnicos da organização, que durante a estada em Angola vai tratar de questões relacionadas com o "Preço do Cabaz de Referência da OPEP", incluindo o crude angolano, de acordo com o programa de visita que a Angop teve acesso. O "Relatório de Monitorização da produção" e "Requisitos do Relatório da Produção Mensal", "Questionário e Boletim Estatístico Anual de 2006" e "Planos relativos a capacidade de produção da OPEP: Perspectivas a médio prazo" vão ser revistos durante a visita. Ainda de acordo com o programa do ministério angolano dos Petróleos, o secretário geral da OPEP deverá visitar a Sonangol Pesquisa e Produção, a Base de Apoio à Actividade Petrolífera (Sonils) e a Barra do Kwanza. Angola foi admitida na OPEP como 12º membro da Organização, no dia 14 de Dezembro de 2006, numa reunião extraordinária realizada em Abuja (Nigéria). Criada a 17 de Setembro de 1960 no Iraque, a OPEP é composta por países que retêm algumas das maiores reservas de petróleo do Mundo, como é o caso da Arábia Saudita, e tem como objectivo unificar a política petrolífera das nações membros.