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domingo, 30 de agosto de 2009

Venda de combustíveis bate recorde em julho

O consumo de combustíveis acelerou no mês de julho, em mais um sinal de retomada da atividade econômica no País. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), as distribuidoras de combustíveis venderam 9,365 bilhões de litros naquele mês, volume 2,14% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Trata-se de um recorde para o mês de julho, puxado por boas vendas de álcool e melhoria no mercado de diesel, responsável por quase 40% do mercado brasileiro de combustíveis.


As vendas de diesel, por exemplo, vêm se recuperando da forte retração no início do ano e já se aproximam dos níveis de 2008. Em julho, totalizaram 3,862 bilhões de litros, apenas 0,28% a menos do que no mesmo mês de 2008. Em fevereiro, por exemplo, a diferença chegava a 8,84%. "Houve forte parada da indústria no início do ano, mas já se vê um processo de recomposição de estoques, que gera movimentação de cargas", comenta o professor Edmar Almeida, do Instituto de Economia da UFRJ.


"O diesel é um produto muito aderente ao PIB (Produto Interno Bruto), ligado a setores que demandam transporte, como exportadores e agronegócio", reforça o vice-presidente executivo do Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o PIB do segundo trimestre no dia 11 de setembro, e o mercado espera já um resultado positivo, depois da queda de 1,8% no primeiro trimestre.


Segundo a ANP, o etanol continua sendo o carro-chefe do mercado de combustíveis este ano, com crescimento acumulado de 26%, atingindo um volume de vendas de 9,069 bilhões de litros. Em julho, o consumo do combustível foi de 1,374 bilhão de litros, alta de 22,78% em relação a julho de 2008. Os baixos preços incentivam a substituição da gasolina, cujo consumo tem caído durante todo o ano (-2,32%, em julho).


O mercado de querosene de aviação (QAV) também cresceu (4,25%) acompanhando o bom desempenho do setor aéreo em julho - quando a demanda por voos nacionais subiu 25,6%, maior alta desde setembro de 2005. Segundo os dados da ANP, as distribuidoras do combustível venderam 474 milhões de litros no mês passado. No acumulado do ano, porém, os números apresentam estabilidade com relação a 2008.


No acumulado do ano, diz a ANP, as vendas totais de combustíveis somaram 60,705 bilhões de litros, 0,6% a mais do que no mesmo período de 2008. "Pela maneira como o consumo vem se aproximando dos volumes do ano passado, podemos dizer que há uma clara tendência de recuperação." (Fonte: Estadão,2009-08-27).

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Pré-sal só é viável com barril a US$ 60, diz BP


A BP (British Petroleum), a segunda maior companhia petroleira europeia, afirmou que a exploração de petróleo em águas profundas no Brasil, como é o caso do pré-sal, é viável comercialmente apenas com o barril valendo ao menos US$ 60. A afirmação contrasta com as mais recentes declarações do governo brasileiro, que estima que o barril deva valer entre US$ 30 e US$ 40.


Nos últimos meses, com a queda na cotação do barril nos mercados internacionais, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, vêm afirmando que a exploração do petróleo do pré-sal é viável mesmo com o preço atual -que gira em torno de US$ 40. Em seu plano de investimentos para os próximos anos, a Petrobras usa como referência a cotação do petróleo a US$ 37 o barril.


A visão do grupo britânico, no entanto, é diferente da brasileira. Para a BP, o preço do barril precisa subir logo para que ela não precise se endividar para conseguir manter seu nível de investimento.


De acordo com ela, se a recuperação na cotação demorar a chegar, as empresas petrolíferas ficarão em uma situação cada vez mais desconfortável.


Para chegar ao nível desejado pela companhia britânica, o preço do barril precisaria subir cerca de 50% em relação à cotação atual. Não faz muito tempo que a commodity valia ao menos US$ 60: a última vez ocorreu no início de novembro do ano passado. O problema é que a cotação do produto, que chegou ao recorde de US$ 145,29 em julho do ano passado, vem despencando, após ficarem mais claros os sinais de que a economia mundial está em crise e que o consumo de combustível deverá cair. O FMI estima para este ano o menor avanço do PIB global desde 1945.


Uma das consequências na queda do preço do barril foi sentida no balanço das grandes empresas petrolíferas mundiais. A ExxonMobil, a maior petroleira com ações negociadas em Bolsa do mundo, teve uma queda de 33% no lucro do quarto trimestre. A sua principal rival, a Shell, teve um prejuízo de US$ 2,8 bilhões no período, e a BP perdeu US$ 3,3 bilhões, o primeiro resultado negativo em sete anos.


O recuo na cotação também é observado nos investimentos globais para a descoberta de novos poços e, consequentemente, a manutenção do fornecimento do produto. No final do ano passado, a AIE (Agência Internacional de Energia) alertou sobre que os gastos para a descoberta de petróleo estão abaixo do necessário, com vários projetos sendo adiados (Fonte: Gazeta Mercantil / Folha de São Paulo, 2009-02-06).

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Em Angola, empresas estão otimistas em relação à crise


Empresas que atuam em Angola encaram com otimismo 2009, apesar da crise e da queda do preço do barril de petróleo e de um cenário traçado pelo Banco Mundial que aponta para um recuo da economia angolana.


Olivier Langavant, diretor geral da Total-Angola, uma das mais importantes petrolíferas do país, disse que a sua empresa encara uma “situação de crise”, mas garantiu que “não estão em causa quaisquer cortes importantes” nos investimentos. “A realidade atual é que estamos numa situação de crise com os baixos preços do petróleo e estamos agora a ver de forma muito restrita todos os investimentos que temos”, declarou.


Contudo, Langavant afirmou que a Total-Angola não prevê “cancelar os investimentos maiores” e os de caráter social, embora esteja “a rever tudo como todas as companhias”. A produção de referência da Total Angola é acima de 500 mil barris/dia.


Langavant que os grandes investimentos, como o projeto Paz Flor, de cerca de US$ 9 bilhões, com dezenas de poços de petróleo que deverão começar a produzir em 2011, “não serão afetados”.



Contração

A economia angolana pode contrair-se em 2009, pela primeira vez nos últimos anos, devido ao recuo "dramático" das receitas petrolíferas, alertou o relatório de janeiro do Banco Mundial.


O estudo indica que a quebra nominal do PIB pode atingir 17% em relação a 2008, com a média anual do preço do petróleo a US$ 50 e o setor não-petrolífero crescendo 10% ao ano, e 23% num cenário do barril a US$ 40. "Em qualquer cenário", aponta ainda o BM, "o governo vai perder receitas em relação a 2008" e a quebra pode atingir os 50%, num cenário "pessimista" de petróleo a US$ 40 e um corte de produção de 13%.


Apesar deste cenário pessimista, José César Macedo, presidente do Conselho de Administração da Lactiangol, empresa de lacticínios angolana, o reflexo da crise na atividade da empresa “ainda não deu sinais”. “Pelo contrário", explicou Macedo, "o setor não demonstra sinais da crise porque, neste momento, a acompanhar um aumento constante da produção de leite em Angola, o preço da matéria prima importada tem baixado, ao mesmo tempo que o mercado nacional ainda apresenta uma procura superior à oferta” (Fonte: Agência Lusa, 2009-02-04).

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Angola: Crescimento do PIB abranda em 2009


O crescimento da economia angolana deverá abrandar para 5,1 por cento em 2009, metade do previsto para 2008, devido à quota de produção petrolífera da OPEP, segundo dados hoje divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

O crescimento real do PIB angolano "deverá abrandar em 2008 e 2009" para 11,5 por cento e 5,1 por cento, respectivamente, "à medida da travagem do crescimento da produção petrolífera, para 11 por cento e dois por cento, assumindo que o país cumpre a nova quota de produção petrolífera da OPEP [Oganização de Países Exportadores de Petróleo], de 1,9 milhões de barris diários".

Os dados constam do relatório "Perspectivas Económicas para África 2008", da OCDE e do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), hoje divulgado à margem da abertura da Assembleia Geral do BAD, em Maputo, Moçambique.

Para o país anfitrião da conferência, é previsto um ligeiro abrandamento da economia moçambicana - de sete por cento este ano, para 6,8 por cento em 2009 - e também da cabo-verdiana - de 7,6 por cento para sete por cento.

Segundo os dados da OCDE e BAD, a economia angolana creceu 19,8 por cento no ano passado, acelerando 1,2 pontos percentuais face a 2006.

Quanto ao sector petrolífero, OCDE e BAD sublinham a existência de "progressos" ao nível da transparência na gestão de receitas petrolíferas, "embora muito continue por fazer", nomeadamente a adesão ao mecanismo internacional Iniciativa para a Transparência nas Indústrias Extractivas, permitindo que Sonangol e Endiama continuem a ser usadas em operações do governo ou banco central.

O relatório sublinha o contributo positivo que as receitas petrolíferas têm tido para a economia angolana, mas também a "pressão" a que o governo está sujeito, para que o crescimento se traduza em benefícios no nível de vida da população.

"A incapacidade de disseminar os benefícios do crescimento pode causar um aumento das tensões sociais. A pressão política sobre o governo está a aumentar, especialmente com as eleições parlamentares e presidenciais, agendas para 2008 e 2009 e há muito adiadas", lê-se no relatório hoje divulgado.

"A prioridade", dizem BAD e OCDE, "deve ser dada à criação de um ambiente de negócios saudável para os investidores estrangeiros e domésticos, implementar reformas estruturais, continuar a reabilitar as infra-estruturas e melhorar a gestão da despesa através da descentralização dos investimentos públicos para o nível local".

OCDE e BAD sublinham ainda que "o mesmo grupo de pessoas" da elite angolana, nomeadamente os círculos "próximos" do presidente José Eduardo dos Santos, que até ao final da guerra civil tinha "total controlo da economia", continua a ser preponderante.

"Com a pacificação, o mesmo pequeno grupo de pessoas alcançou o acesso a activos anteriormente detidos pelo Estado e muitos pensam que continuam a ter acesso facilitado a licenças, concessões, crédito e oportunidades de negócio em geral", afirma.

Neste sentido, BAD e OCDE recomendam uma "abertura verdadeira da economia", salientando que apesar dos esforços que têm vindo a ser feitos, nomeadamente no campo legal, "fazer negócios em Angola continua a ser difícil", refere o relatório.

Não obstante, adianta, o sector não-petrolífero continua a crescer com "força" e a atrair investimentos. "Os elevados preços e aumento da produção petrolífera continuam a possibilitar altas taxas de crescimento do PIB, e o dinamismo do sector petrolífero atraiu uma grande diversidade de investimento relacionado, como nos serviços financeiros, construção e indústria. A agricultura também começou a mostrar um crescimento forte", nomeadamente "graças à melhoria da segurança nas zonas rurais", adianta.

Um sector cujo desempenho é considerado "decepcionante" é o diamantífero, com um recuo de produção na orgem dos três por cento no primeiro semestre do ano passado, atribuído a difíceis condições climatéricas.

Por outro lado, nos biocombustíveis Angola apresenta-se com potencial para se tornar "um dos mais importantes produtores", nomeadamente com o apoio brasileiro.

O relatório salienta ainda as "novas possibilidades de financiamento" abertas para Angola através do recente acordo com os credores do Clube de Paris, conjugadas com os superávites a nível fiscal e externo, importantes na actual fase de reconstrução (Fonte: Notícias Sapo, 2008-05-12).