terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Angola se torna maior fornecedor de petróleo à China


Angola se tornou o maior fornecedor de petróleo à China, ficando à frente da Arábia Saudita, afirma nesta sexta-feira o jornal China Daily, num suplemento especial de quatro páginas dedicado ao país africano.

“Angola ultrapassou recentemente a Nigéria como principal produtor de petróleo em todo o continente africano e há poucos meses tornou-se o maior fornecedor de petróleo à China, à frente da Arábia Saudita”, diz o artigo de abertura do suplemento.

No texto, intitulado “Crescimento mútuo marca parceria sino-angolana”, Angola é descrita como “um gigante africano que depois de muitos anos de guerra, alcançou a estabilidade e cuja economia tem crescido cerca de 20% (em média, ao ano)”.

Devido ao petróleo, Angola se tornou também o maior parceiro comercial da China na África e grandes empresas chinesas estão envolvidas no programa angolano de reconstrução nacional, que conta com um financiamento chinês estimado em US$ 5 bilhões (Fonte: Angonoticias, 2009-01-23).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Proprietários e inquilinos do mar Cáspio: Entre a fome, a sede e os carros (cap. III)

Em 1876, quando os irmãos Nobel instalaram sua companhia (Branobel) na cidade de Baku – capital do atual Azerbaijão – e iniciaram a exploração em larga escala do petróleo do Mar Cáspio, já se fazia notar o potencial petrolífero da região. Conhecida como “a capital do ouro negro” e responsável por 50% da produção mundial de petróleo no início do século XX, Baku teve o curso de sua história completamente alterado ao ser apropriada pelos soviéticos em 1920, o que naturalmente afastou toda a produção do Mar Cáspio dos grandes consumidores capitalistas. No entanto, esse afastamento não significou o esquecimento do tesouro oculto no maior lago do mundo. O próprio Adolf Hitler, após o fracasso em tomar Moscou, decidiu abrir uma nova frente em terras soviéticas para apoderar-se de Baku, mas acabou contido em Stalingrado.
Passados quase trinta anos do esfacelamento do bloco soviético, o Mar Cáspio volta à ordem do dia. Em seus mares – por vezes ultra-profundos – estima-se que haja em torno de 160 bilhões de barris a serem extraídos, o suficiente para um longo período de prosperidade e muito mais do que o necessário para reorganizar a dinâmica geopolítica global.
Apesar da elevada complexidade política da região, o Mar Cáspio ainda surge como uma alternativa menos incerta para o Ocidente do que os produtores filiados à OPEP. A mesma vantagem vale também para a China, que ainda conta com a segurança de manter seus fornecedores por perto. Para a Ásia Central e países periféricos (ex: Turquia), é a promessa de força política e consolidação econômica através dos dutos que cruzam seus territórios. Para a Rússia, é a possibilidade de aproveitar-se do considerável aumento de reservas em sua área de influência e de firmar-se como principal ponte entre a Europa e o Mar Cáspio.
No entanto, nem tudo são flores neste jardim. Com essa profusão de riqueza cada vez mais próxima, todos os países olham em torno com desconfiança, temendo perder suas vantagens para o vizinho. Assim as rivalidades se sublinham, os obstáculos vêm à tona e a situação assume formas indefinidas.
A divisão dos setores correspondentes a cada país é um primeiro problema. Quando o Mar Cáspio dividia-se apenas entre a Pérsia (Irã) e a antiga URSS, a demarcação parecia simples: a fronteira marítima deveria ser uma extensão natural da fronteira terrestre. Hoje, com cinco países envolvidos na partilha (são eles: Rússia, Azerbaijão, Cazaquistão, Turcomenistão e Irã), a situação é outra. Embora a atual divisão supostamente siga as avaliações de um tratado estabelecido entre Rússia, Cazaquistão e Azerbaijão – o qual divide o Mar Cáspio de acordo com a dimensão da costa de cada país ribeirinho – o Irã afirma desconhecer esse tratado e clama por uma divisão igualitária, de 1/5 para cada país (o que lhes favoreceria, pois o país conta hoje com a menor parte, algo como 13%).
O maior atrito causado por esta partilha ocorre entre Irã e Azerbaijão. Este último, por enquanto, tem tratado a questão com cautela, e promete não explorar as regiões em disputa até que se chegue a um acordo. No entanto, neste meio tempo o Azerbaijão estreita relações com os EUA e assiste o Irã aproximar-se da Armênia, seu adversário histórico e localizado a apenas 30 milhas da rota de escoamento do petróleo de Baku via Turquia. Os dutos, aliás, constituem-se em uma outra questão de fundamental importância geopolítica. De um lado, os maiores produtores (Azerbaijão, Turcomenistão e Cazaquistão) aguardam pelas melhores propostas; de outro, os países com maior força econômica/bélica (Rússia, Irã, China e EUA) ocupam-se do jogo político.
Em primeira instância, a Rússia se beneficia da vantagem de ser o fornecedor mais “direto” da Europa. Como todas as rotas de alguma maneira devem chegar ao continente europeu, o país pode ser considerado aquele com o maior potencial de domínio sobre esta riqueza. Sua forte influência sobre o Azerbaijão e o Cazaquistão também pesa a seu favor. Hoje, o principal duto russo é o de Baku-Novorossiysk, e existe a proposição de expandi-lo através do Mar Negro até a Turquia.
A Turquia é um país-chave nesta dinâmica geopolítica. Em seu território está construída grande parte da rota Baku-Cehyan, favorecida pelo governo e companhias americanas e também favorável aos interesses europeus (visto que desemboca no Mediterrâneo). Por outro lado, os turcos também abriram negociações com os russos, adquirindo cada vez mais poder de barganha. Uma nova ligação com Baku (passando pela Geórgia) e projetos envolvendo a exportação do gás iraniano também fazem parte dos planos da Turquia.O Irã vive o problema de estar isolado na política do Mar Cáspio. Embora tenha a vantagem de poder escoar seus recursos para o Golfo Pérsico – e apesar das relações amigáveis com Turquia e Turcomenistão – as desavenças com outros Estados e com o governo americano ainda impedem o país de despontar. O Irã poderia, por exemplo, exportar seu gás para a Índia, no entanto precisaria passar por Afeganistão e Paquistão, o que é dificultado por sua política agressiva com os aliados dos EUA.
Os americanos certamente não se colocam de fora desta partilha. Seu projeto mais ambicioso envolve a construção de um duto no Afeganistão ligando o Turcomenistão ao Mar Arábico, a partir de onde o petróleo seria repassado para o promissor mercado asiático sem ter que atravessar regiões mais distantes e conflituosas como o norte da China e o Golfo Pérsico.
A China, embora disponha da fronteira com o Cazaquistão – que sozinho possui mais da metade de todas as reservas estimadas – sofre com a questão da província separatista de Xinjiang. A região, que mesmo após o comunismo manteve-se firme em suas tradições, é um obstáculo considerável tanto para o consumo chinês quanto para suas ambições em relação ao mercado asiático.
Como fica evidente, o maior fator de complicação na dinâmica geopolítica do Mar Cáspio tem uma resposta simples: o grande número de países envolvidos. O inevitável jogo de interesses dos países envolvidos acaba fazendo emergir velhos e novos conflitos, que através de alianças ganham proporções perigosas. Recentemente, assistimos a uma séria crise de gás envolvendo a Rússia e a Ucrânia, quando os russos decidiram praticamente quintuplicar o preço do gás fornecido para a Ucrânia e, diante da recusa, cortaram o suprimento ucraniano em pleno inverno (ignorando o fato de que grande parte do gás exportado para o resto da Europa passa necessariamente pelo país). O perigo de se atravessar território estrangeiro com oleodutos e gasodutos é este, e no caso do Mar Cáspio torna-se um perigo necessário. Nas últimas semanas, a operação militar russa dentro da Geórgia foi mais do que apenas a conseqüência de um conflito local: foi uma demonstração de força de quem não pretende deixar de dar as cartas na região.
A verdade é que, embora a riqueza do Mar Cáspio seja inquestionável, o preço que esta riqueza custará e a maneira como será aproveitada ainda são bastante incertos. Com tantas fatias para repartir, o bolo pode não ser tão grande como na imagem que vemos dele (Fonte: Mauro Kahn & Pedro Nobrega - Clube do Petróleo - Leia outros artigos e os primeiros desta série acessando o site www.clubedopetroleo.com.br).

A Inflação dos Alimentos e o Meio Ambiente: Entre a fome, a sede e os carros (cap II)

Quando nos deparamos com alguma crise, nossa atenção tende sempre a recair sobre relações de causalidade direta. Ao se falar, por exemplo, na crise da água, é natural que transbordem campanhas apelando para a redução do consumo doméstico. No entanto, ao assumirmos este tipo de abordagem, ignoramos outros hábitos que, postos em números, demonstram-se muito mais prejudiciais. Neste artigo, nos dedicamos a analisar um deles – o alto consumo de recursos naturais para produção de carne bovina – que consiste em um pequeno capricho na nossa dieta, porém um grande impacto em nosso meio ambiente.

Pesquisas apontam para um explosivo aumento per capita no consumo da carne no lugar dos vegetais, e estima-se que até 2020 esse aumento seja de mais 50% (em especial graças às adesões de China e Índia aos hábitos alimentícios do Ocidente). Nossa razão para preocupação vai muito além de uma alimentação saudável: engloba os expressivos gastos envolvidos na produção da carne. Ainda permanecendo na questão da água, é suficiente lembrar que, para produzir-se 3 kg de carne bovina, gasta-se tanta água quanto uma pessoa tomando um banho diário de chuveiro, durante cinco minutos, por um ano.

A partir de estimativas do Conselho Mundial de Água, para produzirmos um quilo de batata gastamos de 100 a 200 litros de água (lembrando que é possível produzir mais de 23.000 kg por hectare de batata no Brasil). Entretanto, se desejamos carne bovina acompanhando a batata, devemos nos preparar para consumir em média 13.000 litros de água por quilo (com uma produção em torno de apenas 47 kg de carne equivalente-carcaça/ha). A situação se agrava quando analisamos a energia gasta através de todo o processo. Fora os gastos com combustível para transportar os grãos que alimentam o gado, é necessário manter em funcionamento tratores, caminhões e equipamentos para preparar o gado até ele chegar em nossas mesas. Ao confrontar estes aspectos, enxergamos com maior nitidez o impacto que o aumento do petróleo causa na inflação dos alimentos.

Outro ponto de interesse para nós é a poluição causada pela criação de gado. Segundo um relatório das Nações Unidas, o gado é responsável pela emissão de 18% dos gases poluentes. Além disso, a pecuária também apresenta altos índices de esgotamento do solo. Sabe-se, por exemplo, que um terço de todo o território próprio para cultivo dos EUA foi definitivamente perdido por erosão.

A poluição das águas é um caso à parte. Estima-se que a quantidade de resíduos gerados pela agropecuária (durante todos os níveis do processo) supere todas as fontes industriais e municipais combinadas. Segundo a Embrapa, a poluição gerada pelo gado entre os anos 1990 e 1994 praticamente igualou a poluição gerada pelo setor energético.

Embora não seja a pretensão de nossos argumentos criar uma sociedade vegetariana – seria exagero propor a exclusão da carne de nossa dieta – não é difícil constatar que existe um excesso em nosso consumo, desnecessário e prejudicial para todos: para nossa saúde, nosso meio ambiente e nossa economia. Percebam que, com a entrada no mercado de milhões de novos consumidores asiáticos, a situação se desenha de maneira perturbadora.

Se no passado muitas vezes não havia solução senão caçar (quando não era tempo de colheita, etc.) – e mesmo assim nossos ancestrais consumiam muito menos carne (além de não precisarem alimentar sua caça) – hoje temos uma vasta gama de possibilidades de nutrição, consideravelmente mais adequadas para a quantidade de pessoas que habitam o planeta e para os novos bilhões que habitarão em um futuro próximo. A plantação de frutas e vegetais em larga escala, os quais demandam gastos naturais mínimos e são compostos de um importante valor nutritivo, é um exemplo. Outros são a soja, o trigo e assim por diante. Em um mundo sem alimentos, fica a dúvida: é válido gastar 7 quilos de soja para gerar um quilo de carne? (Fonte: Mauro Kahn & Pedro Nobrega - Clube do Petróleo - Leia outros artigos e os primeiros desta série acessando o site www.clubedopetroleo.com.br).

Entre a fome, a sede e os carros (cap. I)

A partir da próxima segunda-feira, o Clube do Petróleo inicia uma série de artigos apresentando algumas tendências geopolíticas e ambientais que prometem marcar as discussões das próximas décadas e definir os rumos da nova organização mundial. Pretendemos, através de um compreensivo estudo, chegar a um modesto e objetivo rascunho do que acontece hoje à nossa volta, bem como traçar perspectivas futuras e, naturalmente, observar possíveis maneiras de lidar com esta nova realidade.
Em um primeiro momento, buscaremos analisar a questão do preço crescente dos alimentos – levando em conta seu vínculo (geralmente esquecido) com nossa própria cultura alimentar – e também expor o quanto pequenos sacrifícios em nossos hábitos alimentares já poderiam minimizar de maneira significativa a demanda dos recursos naturais necessários (incluindo a água e a energia gerada a partir do petróleo, vital para o processo de “produção” dos alimentos).
Outra temática será a água e seu desperdício, essencialmente devido ao uso inadequado, à má distribuição e à desastrosa e crescente poluição. Interessante observar como o maior potencial de água do planeta costuma estar devidamente preservado em regiões onde não se aglomeram grandes populações, em contrapartida com a água escassa e geralmente poluída das regiões mais densamente povoadas. O ponto de suma importância é exatamente pensar como faremos para reduzir a poluição e garantir que estes recursos hídricos fluam até os lugares onde a demanda é maior.
Teremos oportunidade de analisar também a crise energética mundial, explorando em especial a questão da balança de produção/consumo, a qual aparentemente acusa um desequilíbrio de complexa reversão, uma vez que, apesar do elevado preço do petróleo, a frota de automóveis mundial continua em rápida expansão (potencializada pelo aumento progressivo da frota chinesa e indiana). Tanto a China quanto a Índia, assim como os EUA, mantêm uma política de tributação sobre os derivados que vêm estimulando o consumo, evidentemente agravando a questão.
Outro foco de nossa atenção – assunto que não poderíamos deixar de analisar em se tratando de uma nova ordem mundial – será a evolução econômica da China e as maneiras como a nova potência poderá contornar os obstáculos gerados pela falta de recursos naturais finitos (entre eles a água) e sustentar sua expansão meteórica. Sabemos que hoje a potência emergente já coloca-se em busca de fornecedores de petróleo, gás natural e inclusive terras para a geração de alimentos em países do continente africano e até mesmo no vizinho Cazaquistão – o que conseqüentemente nos remete à complexa situação geopolítica envolvendo o Mar Cáspio, região que há muitos anos se apresenta como uma promessa de novas reservas de petróleo e gás suficientes para equilibrar o aumento do consumo mundial e amenizar os graves problemas energéticos do mercado europeu, da China e do Japão.
Será com estes temas e outros pontos em torno deste eixo que contamos poder identificar algumas das mais relevantes causas que limitam a humanidade em seu crescimento objetivo e que a levam a cometer equívocos e ignorar oportunidades relativamente simples de evitar a poluição do solo, da água e do ar. Enquanto esperamos o tempo passar, prosseguimos desperdiçando nossas energias não-renováveis e todo o potencial de nossa espécie (Fonte: Mauro Kahn & Pedro Nobrega - Clube do Petróleo - Leia outros artigos e os primeiros desta série acessando o site www.clubedopetroleo.com.br).

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Presidente da Opep espera que corte de produção ajude preços


A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) está fortemente comprometida com seu maior corte de produção da história, que deve ser suficiente para impulsionar os preços da commodity que chegaram a menos de 40 dólares o barril, disse o presidente do grupo à Reuters nesta terça-feira.


Em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo no começo do mês, Botelho de Vasconcelos também disse que a Opep não deve se reunir antes da próxima reunião formal do cartel, em 15 de março, em Viena. "Em março nós iremos nos reunir para avaliar os cortes acordados em dezembro. Mas eu acredito que se todos os cortes forem feitos dentro do prazo programado, haverá um impacto no mercado que levará a uma tendência positiva em termos de preços do petróleo", disse Vasconcelos, que também é o ministro do Petróleo de Angola. "Eu acredito que todos os cortes estão sendo realizados, apesar de nem todos países poderem aderir ao acordo de corte no primeiro dia."


Os ministros do petróleo da Opep concordaram no último mês em remover 2,2 milhões de barris por dia a partir de 1o de janeiro, em uma corrida para equilibrar o fornecimento ante o rápido declínio da demanda por combustível (Fonte: Reuters, 2009-01-20).

Petrobras é primeira em índice ético de suíços na área de petróleo


A Petrobras é apontada como a companhia com melhor reputação ética entre as multinacionais do petróleo e gás, num índice anual publicado hoje na Suíça. Só outra companhia brasileira aparece entre 541 multinacionais: a Vale, que fica em oitavo lugar entre as dez primeiras na área de mineração.


O índice anual de ética foi publicado pela empresa suíça Covalence, que há quatro anos mede responsabilidade social, desenvolvimento sustentável, investimento ético e reputação das companhias como maior capitalização nas bolsas.


Assim como existem Moody´s ou Fitch para classificar risco-país, a Covalence quer ser a agência de classificação social das empresas. Ela baseia seu índice em informações publicadas na Internet, originárias de oito mil fontes em inglês, francês, alemão e espanhol.


Essas informações são julgadas positivas ou negativas por uma equipe de analistas seguindo 45 critérios, como impacto ambiental da produção, promoção social, gestão de detritos, informação ao consumidor, inovação ecológica de produtos, presença internacional, riscos ambientais, padrões trabalhistas, política anticorrupção.

Segundo o diretor da Covalence, o índice vem sendo usado pelas próprias companhias, e é divulgado no setor financeiro pelas agências Bloomberg, Thompson e Reuters.

Este ano, o índice global de ética aponta como líderes este ano o banco britânico HSBC, a companhia americana Intel e a britânica-holandesa Unilever. Enquanto a situação da maioria dos outros bancos internacionais caiu, inclusive por causa das 293 mil demissões anunciadas no rastro da crise, o HSBC se sai bem, anunciando projetos ambientais e inovadores, segundo a empresa.


Entram na lista das dez primeiras a Xerox (5º), General Electric e DuPont (10º), substituindo IBM , Hewlett-Packard e Toyota.

A Petrobras aparece como líder entre as companhias de petróleo e gás, seguida pela canadense Suncor Energia e pela StatoilHydro da Noruega. No ano passado, Petrobras tinha ficado em sétimo lugar, que agora ficou com a BP britânica, que justamente tinha sido a líder em 2008. Globalmente, a Petrobras foi classificada em 38º posição na lista de 541 multinacionais mais éticas.


O diretor da Covalence explicou que os dados foram levantados até o mês de novembro. Portanto, não levou em conta a exclusão da Petrobras do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - índice financeiro para empresas que minimizam os impactos ambientais de suas ações -, por causa da polêmica sobre enxofre na gasolina. A Petrobras se retirou depois do Instituto Ethos.

Quanto a Vale, globalmente ficou em 201 posição. E no setor de mineração, sua posição é bem atrás das concorrentes como Alcoa, Rio Tinto e AngloAmerican, mas melhorou suas posições (Fonte: Valor Online/O Globo, 2009-01-20).

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Exxon faz descoberta de megacampo de petróleo na Bacia de Santos


Uma das notícias mais aguardadas nos últimos dias sobre exploração de petróleo na região do pré-sal nos últimos dias finalmente se materializou.



A ExxonMobil, maior petrolífera privada do mundo, notificou à Agência Nacional de Petróleo (ANP) a descoberta de petróleo no bloco 22 da bacia de Santos.



Trata-se de uma das áreas com mais potencial do pré-sal de Santos e que pode ter reservas do mesmo porte das encontradas no campo de Tupi, onde a Petrobras estima existir de 5 a 8 bilhões de barris de petróleo equivalente.



Qualquer que seja o volume, são grandes as chances de que a área abrigue um campo gigante. Mas nenhuma empresa é obrigada a detalhar estimativas de reservas neste estágio da exploração e o que a Exxon fez foi informar indícios à ANP.



O BM-S-22, que vem sendo chamado informalmente de "Azulão", é o único bloco do pré-sal operado por uma multinacional e também o único onde a Petrobras, que tem presença dominante na área, é sócia minoritária, com participação de 20%. (Fonte: Em Tempo Real, 2009-01-21).

PETROBRAS e PDVSA divergem por preço de petróleo


A Petrobras está encontrando dificuldades para fechar acordo com a estatal venezuelana PDVSA sobre o preço do petróleo que será fornecido pelo país vizinho para a refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, informou nesta quarta-feira o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.


Projeto em parceria das duas estatais, sendo 60 por cento para Petrobras e 40 por cento da PDVSA, a refinaria já tem acordo de acionistas e estatuto, segundo Costa, mas ainda não conseguiu fechar um preço para a compra do pesado petróleo da Venezuela que pelo contrato seria fornecido para a refinaria.


Segundo Costa, ao contrário da Petrobras, os venezuelanos não querem utilizar um parâmetro internacional como referência para o preço do petróleo. "Nós queremos preço de mercado para o contrato, a referência pode ser (tipo) Brent ou WTI, eles querem mais (valor maior)", disse ele a jornalistas após inauguração do centro de integração do Comperj, em São Gonçalo (RJ). "Já fechamos o acordo de acionistas, o estatuto, mas não fechamos o contrato de fornecimento de petróleo...a PDVSA não fez nenhum aporte na refinaria até agora, todo o dinheiro foi da Petrobras, estamos fazendo sozinhos", disse o executivo.

Ele explicou que a expectativa era de ter fechado acordo sobre o preço do petróleo no ano passado, porém não houve consenso. Costa garantiu no entanto a construção da refinaria mesmo que os venezuelanos desistam do investimento. "O projeto não vai parar, a intenção é fechar com a PDVSA...se demorar não vai parar o projeto, petróleo pesado nós temos o suficiente para fornecer", garantiu.


O executivo destacou que as propostas de licitações para a construção da refinaria já recebidas pela Petrobras ficaram acima das expectativas da empresa e serão canceladas para reavaliação, como ocorreu recentemente com as licitações das plataformas P-61 e P-63. "Vamos cancelar mais de um pacote da Abreu Lima por preço excessivo, vamos chamar as empresas para ver o que aconteceu e exigir uma redução significativa", afirmou ele, sem dar detalhes.


Já no caso do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), cujo Centro de Integração que visa qualificar e capacitar mão de obra local, o valor do investimento, de 8,5 bilhões de dólares, deverá ser revisto para cima no novo plano de negócios que a Petrobras divulga na sexta-feira, se aprovado pelo Conselho de Administração. Segundo Costa, o motivo seria o dólar baixo da época do projeto comparado ao atual.

BALANÇA
O diretor não quis antecipar o saldo da balança comercial da Petrobras em 2008, limitando-se a comentar que apesar do déficit de 1,3 bilhão de dólares acumulado até novembro, o mês de dezembro foi bom para a companhia por conta de um grande volume de exportações -recorde de 620 mil barris por dia- e a queda na importação de diesel com a economia menos aquecida. "Os números finais ainda não foram contabilizados, o que podemos dizer é que dezembro foi um mês muito bom para a balança de líquidos da Petrobras", disse Costa sem especificar se o volume de dezembro foi suficiente para zerar o déficit.


O diretor descartou ainda mudança nos preços da gasolina e do diesel no curto prazo, afirmando que a empresa vai manter a política de não transferir a volatilidade internacional para o mercado interno. "A Petrobras trabalha com horizonte de longo prazo e não passa para o mercado a volatilidade. Na hipótese desse preço estacionar na faixa de 30, 30 e alguns dólares, vamos fazer uma reavaliação...esse momento ainda não chegou", afirmou (Fonte: Reuters/O Globo, 2009-01-21).

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Angola sem aplicações em “produtos de risco”


O ministro das Finanças, Severim de Morais, garantiu que o país não tem aplicações em produtos de risco no mercado financeiro internacional e que a maior preocupação reside na queda dos preços do petróleo.“É evidente que temos boa parte dos nossos depósitos em bancos correspondentes no exterior, mas não estão aplicados em produtos de risco”, garantiu o ministro, acrescentando que “pode haver uma ligação indirecta com a crise, mas no preço do petróleo”.


O principal produto de exportação de Angola, responsável por mais de 90 por cento das exportações do país e 80 por cento das receitas do Estado, já desvalorizou-se 53 por cento, desde Julho, altura em que atingiu 147, 27 dólares em Nova Iorque. Ontem, o preço caiu para 69,95 dólares em Nova Iorque, o valor mais baixo desde Maio de 2007. “O nosso Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2008 foi elaborado com o preço do barril a 55 dólares e para 2009 temos um preço de 65 dólares. Por isso, ainda não é preocupante, mas estamos a seguir os acontecimentos com muita atenção, para podermos tomar as medidas correctivas necessárias”, garantiu o ministro.


Severim de Morais esclarece que o OGE para 2009 é bastante equilibrado, em termos de receitas e despesas, e visa dar corpo financeiro aos objectivos do programa de médio e longo prazo (2009-2013). O ministro desdramatizou os receios quanto à relação entre os bancos angolanos e a crise internacional. Explicou que o sector financeiro angolano é ainda bastante insípido, com uma bancarização da economia na ordem dos 6,5 por cento. “Isto, até certo ponto, funciona como uma certa protecção contra possíveis crises que surjam no mercado financeiro”, afirmou Severim de Morais, sublinhando que o Banco Nacional de Angola tem exercido forte intervenção no mercado interbancário, através de acções do Departamento de Supervisão Bancária.


Igual posição foi defendida pelo antigo ministro da Indústria e do Trabalho de Portugal, Luís Mira Amaral, durante uma conferência sobre o Acordo de Basileia e a Crise Financeira que decorreu, no princípio da semana, em Luanda, numa organização do Banco Bic. Mira Amaral, que tem o master em Economia e é actualmente presidente do Banco Bic português, disse que os efeitos da crise podem ser sentidos na economia real, com a redução das receitas provenientes do petróleo. Ainda assim, salientou que a queda dos preços das matérias-primas é uma questão conjuntural e que podem subir tão logo a economia aqueça e a procura aumente.


Especialistas afirmam que os preços das principais matérias-primas, incluindo o petróleo, seguem o mesmo movimento de sobe e desce das bolsas, desde que a crise de hipotecas nos Estados Unidos (subprime) atingiu o pico, em Setembro, arrasando os maiores bancos de investimento norte-americanos e espalha agora os seus efeitos ao consumo das famílias e à economia real.


O Banco Mundial prevê que os preços ainda vão subir e se vão manter em alta pelo menos nos próximos três anos, recuando a partir daí por acção das forças do mercado (Fonte: Jornal de Angola, 2008-10).

Petrobras diz ainda não ter comprovado comercialidade do BM-S-12


A Petrobras informou nesta quarta-feira que ainda não é possível confirmar a comercialidade da descoberta feita no bloco BM-S-12, na bacia de Santos, uma parceria da empresa com a Queiroz Galvão, que tem 30 por cento do bloco.


A Petrobras, operadora do bloco com os 70 por cento restantes, informou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis na segunda-feira que tinha encontrado indícios de hidrocarbonetos (petróleo e gás natural) no poço 1-SCS-13 (1-BRSA-617-SCS) do bloco BM-S-12.


Uma fonte da agência disse à Reuters que a Petrobras havia descoberto boa quantidade de óleo, após uma perfuração mais profunda no mesmo poço onde já havia descoberto pequena quantidade de gás no passado.


Segundo a empresa, no entanto, por problemas operacionais a sonda não terminou o trabalho e voltará para o local a fim de continuar as perfurações. "Embora a notificação de indícios de hidrocarbonetos seja um dado positivo, ela não implica em descoberta comercial de óleo ou gás. Isto só poderá ser avaliado com a conclusão do poço e a continuidade das operações no bloco BM-S-12", afirmou a companhia em um comunicado à Comissão de Valores Mobiliários.

"Após a conclusão da perfuração do poço e caso as avaliações subsequentes demonstrem relevância técnico-econômica, a Petrobras fará tempestivamente a divulgação simultânea à ANP e ao mercado", concluiu a nota (Fonte: O Globo, 2008-10-15).

Mais uma vítima da crise, petróleo deve continuar pressionado no curto prazo


A deterioração das condições econômicas nos últimos meses e a perspectiva de desaceleração de importantes centros consumidores deve pressionar ainda mais as cotações do petróleo no curto prazo. Basicamente, é essa a leitura que o Unibanco faz em seu relatório mensal sobre a commodity.


Segundo os analistas da instituição, desde a última publicação do release há cerca de um mês, as condições dos mercados pioraram de forma significativa em decorrência dos preocupantes desdobramentos da crise financeira internacional no período.

Em conseqüência, os temores de uma recessão em importantes economias, como a norte-americana, se ampliaram e exerceram forte pressão nas cotações das matérias-primas, principalmente tendo em vista os prováveis impactos de tal cenário na demanda pelo produto.

Dentro deste contexto, os contratos futuros de petróleo acumulam em 2008 expressiva desvalorização nos mercados internacionais. Em Nova York, o barril registra queda próxima a 23% no ano e é cotado a menos de US$ 75, menor patamar desde setembro do ano passado. Em Londres, a baixa no período é de quase 25%.

Volatilidade deve seguir no curto prazo
O Unibanco também cita o relatório publicado recentemente pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), no qual foram reduzidas as estimativas para o crescimento da economia global neste e no próximo ano. Frente aos novos números, a AIE (Agência Internacional de Energia) revisou para baixo suas projeções para o mercado do petróleo, lembra o banco.

No caso da demanda global pela commodity, por exemplo, a agência - que reúne os principais países consumidores de energia membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) - reduziu suas projeções para o crescimento em 2008 e 2009, piorando ainda mais as perspectivas para o já deteriorado cenário do setor petrolífero.

Desta forma, os analistas do Unibanco acreditam que a retomada da trajetória de ganhos para o petróleo está relacionada a uma melhora nas condições econômicas das nações consumidoras. No curto prazo, a expectativa é de que as cotações continuem apresentando forte volatilidade.

Ainda há espaço para correção
Outra instituição que divulgou as perspectivas de seus analistas para o barril do petróleo foi a Itaú Corretora, mostrando uma visão semelhante à do Unibanco para o rumo dos preços da commodity nos próximos meses.

A equipe da Itaú acredita que, apesar da queda de mais de 50% das cotações do produto desde que atingiram seus picos em meados de junho, ainda existe espaço para alguma correção adicional justamente em função do enfraquecimento da demanda por combustível.

Á exemplo do Unibanco, a corretora também afirma que os preços devem continuar marcados pela forte volatilidade no curto prazo. No entanto, espera que o barril volte à casa dos US$ 80 até o fim do ano e permaneça neste patamar durante os próximos meses (Fonte: Yahoo Noticias, 2008-10-16).

Roc Oil anuncia descoberta de petróleo em Cabinda


A empresa petrolífera australiana Roc Oil anunciou a descoberta de pteróleo no onshore de Cabinda, norte de Angloa, adiantando que novas perfurações serão necessárias para determinar se o achado tem valor comercial.


Em comunicado ao mercado de capitais, a Roc Oil, principal accionista e operadora da sociedade responsável pelos trabalhos de exploração, aponta que a descoberta, feita no poço "Massambala-1", consiste numa coluna de petróleo com 9,5 metros.


A empresa afirma que está prevista a ralização de um segundo furo, antes da sus´penão dos trabalhos devido à época das chuvas.


O petróleo de Massambalala é do tipo pesado e viscoso, em vez do valioso e mais "leve", característico dos países ocidentais africanos.


Em Massambalala, os dados disponíveis indicam a presença potencial de 170 milhoões de barris de petróleo "pesado".


Iniciados há um ano, os trablahos conduziram à identificação de duas reservas potenciais de pteróleo "pesado" ("Massambala-1" e "Côco-1"), cuja viabilidade comercial será testada entre o final deste ano e início de 2009.


Outro poço, "Sésamo-1", foi recentemente dado como "seco".


O consórcio operado pela Roc Oil Cabinda (paerticpação de 60%) integra ainda a Force Petroleum e a Sonangol, petrolífera estatal angolana, cada uma com 20% da sociedade (Fonte: Angonoticias/Lusa, 2008-10-09).

sábado, 20 de setembro de 2008

Angola: Avaria no campo Plutónio faz cair exportação de petróleo angolano


Uma avaria no campo Plutónio vai fazer com que as exportações de petróleo de Angola caiam 10 por cento em Novembro para o valor mais baixo dos últimos nove meses, informou a agência noticiosa Bloomberg.


A agência cita petrolíferas como a BP, Total, Chevron e outras que prevêem exportar um total de 1,76 milhões de barris diários em Novembro, abaixo do recorde de 1,96 milhões de barris previstos para Outubro.


A agência adianta que a previsão é a mais baixa desde Fevereiro deste ano, em que Angola tem exportado uma média de 1,9 milhões de barris diários, a quota atribuída pela Organização de Países Exportadores de Petróleo.


Angola afirmou-se este ano como o maior produtor petrolífero da África sub-saariana, ultrapassando a Nigéria, cuja produção tem sido afectada por ataques armados contra as infra-estruturas produtivas, nomeadamente da Royal Dutch Shell.


Para o aumento deste ano contribuem principalmente a subida das exportações dos campos Mondo (mais 93,6 por cento, para 122,6 mil barris diários) e Cabinda (mais 29 por cento, para 245,16 mil barris).


Segundo estatísticas da BP, no ano passado Angola produziu 1,72 milhões de barris de petróleo, atrás dos 2,36 milhões de barris diários da Nigéria (Macauhub, 2008-09-18).

São Tomé deve mudar lei para aceitar Galp, diz presidente


A entrada da Galp Energia na exploração de petróleo em São Tomé e Príncipe exige que se "dê um jeito" na lei do setor, que o atual governo está em condições de fazer, disse o presidente do arquipélago, Fradique de Menezes.


As declarações de Menezes foram feitas em Lisboa, durante a apresentação do Guia do Investidor para São Tomé e Príncipe, elaborado pelo Instituto da Terra da Universidade de Columbia, dos EUA.


A instituição também participou da elaboração da lei são-tomense do petróleo, afirmou que o objetivo "não é alterar" a legislação, mas apenas permitir "o tipo de negócios" pretendido pela petrolífera portuguesa, que pode passar por um ajuste direto, contornando a obrigação de licitações públicas.


Além da Galp, o consórcio poderá ainda integrar as petrolíferas estatais do Brasil e de Angola."Com a atual maioria parlamentar de que dispõe o primeiro-ministro, Rafael Branco, estão reunidas as condições para dar um jeito à lei. Não para alterar, não é isso que se pretende. (...) Espero que [o projeto da Galp] possa ir avante", afirmou o presidente são-tomense, sem adiantar que tipo de modificações podem ser introduzidas.



Propostas

Fradique de Menezes reclamou ter "batalhado" desde o início pela criação de um consórcio lusófono que incluísse também a Petrobras e a Sonangol, além da petrolífera são-tomense, mas lembrou que a obrigatoriedade de licitações públicas visa aumentar a transparência na adjudicação de licenças de exploração."Fomos muito rápidos, fizemos uma lei que ultrapassa as nossas possibilidades", afirmou o presidente de São Tomé e Príncipe.


O penúltimo governo são-tomense, chefiado por Tomé Vera Cruz, chegou a apresentar no Parlamento uma proposta de alteração da lei de receitas petrolíferas, que regula a atribuição de licenças na zona econômica exclusiva são-tomense.


A medida criaria um mecanismo de ajuste direto em casos excepcionais, tendo contado então com oposição de forças políticas como o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), do premiê Rafael Branco.


Branco contestava a forma como o processo foi conduzido, por um governo que considerava ter "os dias contados", e afirmava não ver "razões legítimas" para a alteração. Na apresentação do Guia do Investidor para São Tomé e Príncipe, o presidente do Conselho de Administração da Galp, Francisco Murteira Nabo, afirmou que o projeto está nas mãos da administração da petrolífera."Estamos disponíveis para fortalecer relações, [o projeto] é do interesse do governo português", afirmou Murteira Nabo, também represente do governo luso na petrolífera (Fonte: Agência Lusa, 2008-09-19).

Lula promete fortalecer Petrobras e critica privatização parcial


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou hoje a privatização parcial da Petrobras e prometeu fortalecê-la e prepará-la para a nova era energética do país. "Temos 62% das ações vendidas. O Governo só tem 38% das ações. Menos mal que não tiraram do Presidente da República o direito de designar o presidente da Petrobras e sua direção", disse Lula.


A companhia foi parcialmente vendida nos anos 90, durante o Governo de Fernando Henrique Cardoso (1994-2002), em meio a uma onda de privatizações na América Latina, que vivia uma crise econômica.


Segundo Lula, foi um erro se desfazer do patrimônio público em momentos em que o Brasil tinha problemas de balanço de pagamentos. "Em uma crise, não se deve vender nada porque vai vender mais barato. Nunca aceitei a idéia de que para resolver um problema seria preciso criar outro problema", disse o presidente durante um ato oficial em uma nova plataforma petrolífera da companhia.


O tema da propriedade acionária da Petrobras ganhou maior relevância nos últimos meses, quando a empresa anunciou descobertas de enormes jazidas de petróleo e gás natural na camada pré-sal.


Essas reservas poderiam chegar a entre 50 bilhões e 80 bilhões de barris, o que colocaria o Brasil entre as dez maiores potências petrolíferas do mundo na próxima década, segundo o Governo.


Duas destas jazidas, com até cerca de 12 bilhões de barris, foram descobertas por um consórcio formado pela Petrobras (40%), a portuguesa Galp e a britânica BG. "Não tenho nada contra a Petrobras ter ações na bolsa, mas a verdade é que é uma empresa estratégica para a construção da soberania de um país", ressaltou Lula.


O presidente ainda destacou que agora o país terá que fazer altos investimentos para extrair o óleo e o gás encontrados e transformá-los em mais emprego, saúde, ciência e educação. "Necessitamos fazer com que o resultado seja partilhado entre todos. Se não, uns ficam mais ricos e outros mais pobres", acrescentou o presidente, ao afirmar que as novas descobertas são uma oportunidade para corrigir erros históricos na distribuição da riqueza no Brasil. "Estamos só começando, mas vamos transformar este país. Vamos fortalecer a Petrobras e ter uma indústria petrolífera muito forte no mundo", prometeu o chefe de Estado.


Lula liderou a cerimônia oficial de lançamento da plataforma P-53, com capacidade para produzir 180 mil barris de petróleo por dia, armazenar dois milhões de barris e comprimir seis milhões de metros cúbicos de gás natural.


A gigantesca estrutura foi construída durante mais de dois anos no estado do Rio Grande do Sul, a um custo de US$ 1,3 bilhão.


Ela será instalada no campo Marlim Leste, na Bacia de Campos, a 120 quilômetros do litoral do estado do Rio de Janeiro, a principal província petrolífera do país.

Sua capacidade instalada equivale a 10% da produção atual de todo o Brasil e, segundo a Petrobras, será fundamental para manter a auto-suficiência do petróleo e deve começar a operar ainda em 2008, após ser gradualmente conectada a 13 poços produtores de petróleo e gás em águas de 1.080 metros de profundidade (Fonte: Globo, 2008-09-18).

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Brasil: Programa de capacitação para indústria de petróleo seleciona 42 mil em novembro


O Plano Nacional de Qualificação Profissional do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp) vai abrir, em novembro, seleção pública para capacitação de 42.402 pessoas para o mercado de petróleo e gás.


Os selecionados serão capacitados ainda este ano. O objetivo do Prominp, programa coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, é capacitar cerca de 112 mil profissionais nos próximos três anos.


A próxima seleção será em julho de 2009, quando serão abertas 22.545 vagas. As informações são do coordenador-executivo do Prominp, José Renato Ferreira de Almeida, que participou nesta quinta-feira (18) da Rio Oil & Gas, feira e conferência sobre petróleo e gás natural.


Almeida ressaltou que a capacitação é importante em função do crescimento do mercado de petróleo. Ele lembrou que, para o desenvolvimento das atividades do setor petróleo, no país, serão feitos investimentos de US$ 128 bilhões nos próximos quatro anos - US$ 97,4 bilhões da Petrobras e US$ 30,6 bilhões das demais operadoras.


O Prominp projeta que haverá um pico de demanda de 110 mil profissionais no mercado, até 2012, com as novas encomendas na área de petróleo e gás. "As indústrias brasileiras atendem 75% de nossas demandas. O que queremos é garantir que, com o aumento da procura, este percentual seja mantido", justificou.


Mesmo sem levar em conta as demandas do pré-sal, houve um crescimento de 42,8% na expectativa inicialmente prevista da demanda por mão-de-obra especializada. Inicialmente, esta expectativa de pico de demanda de profissionais era de 77 mil.


O coordenador apresentou um mapa geral de competitividade da indústria, onde o Prominp avalia que as indústrias de alta competitividade devem aumentar sua infra-estrutura e capacidade fabril, enquanto as de média competitividade - além de ampliar a infra-estrutura – precisarão investir no avanço tecnológico.


Almeida recomendou, ainda, que, para os bens que não são produzidos no Brasil - a exemplo de motores e turbinas a gás – hajam iniciativas no sentido de atrair indústrias estrangeiras ou de desenvolver fornecedores locais (Fonte: JC Online / Agência Brasil, 2008-09-18).

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Exploração do pré-sal se viabiliza com petróleo a US$ 70, diz estudo


A exploração do petróleo existente sob a camada de sal no Brasil, que exigirá pesados investimentos das companhias envolvidas, será viabilizada mesmo que a cotação do barril caia para o menor patamar de uma projeção de longo prazo, até 2035, feita pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).


Segundo o estudo da EPE, o piso para o barril nas próximas décadas, previsto entre US$ 70 e US$ 75, foi estabelecido considerando o custo do atual produtor marginal - ou daquele último que entra no mercado para equilibrar a oferta e demanda - e está acima do valor que permitiria a extração no pré-sal. "As informações que a gente tem da Petrobras é que (este piso) viabiliza. A Petrobras andou declarando que mesmo um preço de US$ 35 ou US$ 40 o barril deixa viável o pré-sal", declarou nesta quinta-feira (18) Giovani Machado, um dos autores da pesquisa, após palestra na Rio Oil & Gas.


Ele acrescentou ainda que toda companhia do setor trabalha com a visão do preço futuro. "Ela faz uma análise a um preço muito mais baixo, justamente para o caso de eventuais mudanças em todas as condições."


De acordo com Machado, as projeções de preços levam em consideração o tamanho da demanda, a estratégia da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e as restrições futuras para atender aquela demanda.


Projeções

A projeção da EPE indica que o petróleo fecharia na média anual em US$ 102 o barril, mas cairia nos próximos anos, especialmente com uma queda na demanda no principal mercado consumidor, os Estados Unidos, e também com uma mudança de estratégia da Arábia Saudita, que elevaria a sua produção.

O especialista afirmou que alguns documentos indicam que a Arábia Saudita, o maior produtor, tem 268 bilhões de barris no subsolo e não vai querer "morrer com petróleo na mão", na medida em que os preços estratosféricos registrados em julho passaram a impactar negativamente na demanda, ao mesmo tempo viabilizando o desenvolvimento de combustíveis alternativos e renováveis.

Os preços do petróleo atingiram em julho um pico próximo de US$ 150 por barril na bolsa de Nova York, mas perderam quase um terço de seu valor devido à contaminação da crise financeira nos mercados de commodites.

A turbulência, iniciada no setor hipotecário dos EUA, levou muitos especuladores do mercado de commodities, especialmente os bancos e os fundos de investimento, que apostavam numa alta de preços, a liquidarem suas posições para perder menos nos futuros (Fonte: Globo, 2009-09-19).

Portugal: Ministro quer ver preços dos combustíveis a reflectirem baixa das cotações do petróleo


O Ministro da Economia, Manuel Pinho, defendeu hoje que os preços dos combustíveis devem reflectir a redução das cotações do petróleo nos mercados internacionais.


Em declarações aos jornalistas à margem da Conferência sobre Energias Renováveis, na Fundação Oriente, Manuel Pinho considerou "positiva" a descida dos preços do petróleo, mas defendeu que ela deve ser reflectida nos preços dos combustíveis.


O ministro afirmou que "há alguma carga especulativa feita pelas petrolíferas internacionais" que tem impedido a redução dos preços dos combustíveis, apesar da baixa dos preços do petróleo.


O petróleo Brent, de referência para Portugal, abriu hoje em queda acentuada no mercado de futuros de Londres, com o barril para entrega em Novembro a perder 3,56 dólares. A descida, a mais importante dos últimos quatro anos, colocou o barril de Brent a 90,68 dólares.


Desde a semana de 08 de Julho, quando atingiu o máximo de 133,18 dólares (84,45 euros), que os preços do petróleo têm estado a cair nos mercados internacionais. Os preços dos cumbustiveis chegaram, em Julho, aos 1,51875 euros por litro a gasolina sem chumbo 95 e a 1,42225 o gasóleo [preços médios do mês de acordo com dados da Direcção Geral de Energia] e desdes então têm vindo a descer, mas mais lentamente que o preço do petroleo.

Os preços de referência na semana passada estavam em torno dos 1,38 euros por litro de gasóleo e 1,456 euros o litro da gasolina sem chumbo 95, que eram sensivelmente os mesmos de Maio, quando o preço do barril de crude estavam entre os 110 e os 120 dólares o barril [70 a 78 euros], segundo os dados da Direcção-Geral de Energia (Fonte: Sapo/Lusa, 2008-09-16).

Brasil: Campo de Iara pode ultrapassar concessão


O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou ontem que há indícios de que as reservas do campo de Iara, na bacia de Santos, ultrapassam os limites do bloco concedido à empresa. Nesse caso, disse, seria necessário fazer a unitização das áreas. "Dadas as informações que temos hoje, achamos que provavelmente em Tupi estaremos contidos dentro do bloco, e em Iara provavelmente estaremos fora do bloco", afirmou ele, no encerramento da feira Rio Oil & Gas, no Riocentro, na zona oeste do Rio.


Gabrielli não explicou, porém, se os limites do reservatório se estenderiam sobre áreas da União ou sobre outros blocos já concedidos. Nas proximidades de Iara estão os poços de Pirapitanga, Icarapiá, Tambaú, Uruguá e Tambuatá, operados pela Petrobras, e Atlanta e Oliva, operados pela Shell. A legislação brasileira prevê que, nesses casos, é preciso fazer a unitização das áreas. A ANP (Agência Nacional de Petróleo) ficaria responsável por determinar a participação de cada empresa no bloco.


Segundo Gabrielli, porém, os indícios mostram que o projeto piloto de Tupi, o primeiro que vai entrar em operação, não ultrapassa a área concedida. Ele disse que até agora foram concedidos 41 mil dos 112 mil quilômetros quadrados da área com características geológicas do pré-sal. Isso corresponde a 38% do total. "A nação precisa decidir o que fazer, porque 62% de área não concedida permite ao país aumentar a apropriação da renda petrolífera." Ele defendeu, porém, que as empresas que já arremataram blocos na região não sejam prejudicadas com as mudanças. "Elas assumiram riscos importantes e devem ser remuneradas pelos riscos que correram", afirmou o presidente da Petrobras (Fonte: InvestNews/ Folha de Sao Paulo, 2008-09-19)

Para Gabrielli, presidente da Petrobras, não faltará dinheiro para pré-sal


A crise mundial no mercado financeiro poderá trazer um "pouco de trabalho" para a Petrobrás captar recursos para seus projetos no médio prazo, disse ontem o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, em entrevista após participar do encerramento da Rio Oil & Gas. Segundo ele, porém, a crise não deve se estender ao ponto de prejudicar o financiamento dos projetos do pré-sal, cujos desembolsos devem ser mais intensos na próxima década.


No curto prazo, disse o executivo, os investimentos já estão administrados e não há problemas. "É claro que ninguém é louco de captar recursos no momento", afirmou. Já no médio prazo, poderá haver necessidade de acessar o mercado. "Mas nossos projetos são bons e o mercado sempre está disposto a financiar bons projetos", frisou o executivo.


Em sua palestra na Rio Oil & Gas, Gabrielli traçou um cenário do mercado de petróleo e disse não apostar em mais nenhuma grande queda ou grande alta no preço no mercado internacional. "Os fundamentos são de aperto entre oferta e demanda, que é o principal componente dos preços altos que vivemos nos últimos tempos", analisou. Ele destacou que os contratos não comerciais de petróleo tiveram papel preponderante nas grandes oscilações do mercado nos últimos anos. "A especulação tem seu sentido porque os fundamentos não podem explicar como nesses três meses o preço do petróleo vai para US$ 147 e chega a US$ 91", comentou.


Na opinião do executivo, porém, não há mais espaço para que os preços caiam para níveis do início dos anos 2000, quando oscilavam abaixo dos US$ 30 por barril, por conta do crescimento da demanda maior do que a oferta e dos altos custos de insumos para o setor. O planejamento estratégico da companhia - que está sendo revisto e deve superar os US$ 112 bilhões previstos até 2012 - indica que os projetos são robustos com o preço do petróleo em US$ 35 por barril, valor que deve ser alterado na nova versão do plano, que será divulgada em outubro. Para o futuro, ele destacou o aperto entre oferta e demanda e as dúvidas a respeito do comportamento do mercado, que hoje é mais influenciado por países em desenvolvimento e de fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) do que no passado. Ele também citou a capacidade de expansão dos países tradicionalmente não produtores e os biocombustíveis. "Estamos entrando em um momento em que o futuro vai depender muito mais do desconhecido. A dinâmica de formação de preços e do mercado tenderá a se modificar."Além da pouca distância entre oferta e demanda, disse ele, a variação ocorre pela entrada e saída rápida de capital de outros mercados nas compras de petróleo.


Outros componentes nesse cenário serão as dúvidas a respeito do comportamento do mercado, que hoje é mais influenciado por países em desenvolvimento e de fora da Opep do que no passado, bem como a capacidade de expansão dos países não tradicionalmente produtores, de alternativas não convencionais ao petróleo e ao gás. Pela manhã, em cerimônia de batismo da plataforma P-53, no Rio Grande do Sul, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Sérgio Gabrielli destacou que a crise financeira internacional ainda não chegou a afetar a estatal diretamente. Ele observou que o mercado de crédito está se contraindo, mas avaliou que os projetos "que têm sustentabilidade sempre encontrarão financiamento". Mesmo que a oferta de crédito fique menor, o executivo avaliou que os projetos da Petrobrás são "bons e poderemos conseguir financiamento" (Fonte: Estadão, 2008-09-19).

Petrobras: preço do petróleo ainda não afeta, mas crise pode ameaçar investimentos


Os desdobramentos da crise de crédito que vem derrubando os mercados acionários começam a afetar as perspectivas operacionais das companhias. Vislumbrando um horizonte de grande volume de investimentos para a exploração das reservas do pré-sal, a Petrobras ( PETR4 , PETR3 ) já considera repensar seu plano de investimentos para a região.


No evento Rio Oil & Gas, em que a estatal expõe diversas opiniões a respeito de suas atividades, seus executivos comentaram a atual conjuntura econômica internacional de um ponto de vista cauteloso. Pedro Bonésio, gerente-executivo de Finanças da companhia, admitiu que a crise deve impactar as captações de recurso.


Ainda assim, deixou claro que o plano de investimentos da Petrobras não será afetado no curto prazo. Mas tendo em vista o horizonte estipulado para estes investimentos, o médio e longo prazo pode demandar uma alteração da estratégia.


Outra vertente que preocupa diz respeito à cotação do petróleo. O cenário de redução dos patamares de consumo em nível global tem acarretado expressivas desvalorizações aos contratos da commodity, fonte de receitas da estatal.


Petróleo ainda não incomoda


Após bater na casa de US$ 145 por barril em Nova York, o petróleo já opera abaixo de US$ 100 no mercado internacional. Segundo comentários de Bonésio à imprensa, os projetos da companhia suportam as variação no preço e os atuais patamares da cotação ainda não prejudicam os futuros investimentos previstos.


Comentários anteriores do presidente da companhia, José Sergio Gabrielli, já apontavam para a mesma direção. Gabrielli ressaltou que novas captações não serão necessárias no curto prazo, mas podem virar problema se a crise se estender, o que viria a limitar a capacidade de financiamento da estatal (Fonte: Yahoo Notícias, 2008-09-17).

Importação de gás da Bolívia continua importante


O superintendente de Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Gelson Serva, considera que, mesmo com a elevação da produção de gás no Brasil a partir da exploração no pré-sal, a importação de gás da Bolívia continuará sendo importante para o país. Isso porque a produção de gás no caso do pré-sal ocorrerá associada à produção de petróleo, ficando sujeita à variação da exploração do óleo e a problemas técnicos de compressão, tratamento e separação do petróleo. Mas é certo, segundo Serva, que a dependência em relação à produção boliviana vai diminuir, até porque ela deixará de representar metade do consumo nacional, e passará a equivaler a menos de um quarto em 2017, quando a demanda interna (excluindo a região norte) deve chegar a cerca de 140 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
- Proporcionalmente, a dependência da Bolívia vai ser reduzida. Mas quando nós tivermos uma ampliação da oferta de gás do pré-sal, que é um gás associado à produção de petróleo, o gás da Bolívia vai ser fundamental para poder fazer o equilíbrio da oferta, pois existe uma variação natural no sistema de produção de petróleo. Então, nos próximos 20 anos, a importância do que é importado vai ser menor, mas será um elemento relevante para a estabilidade de mercado, garantindo os níveis de oferta, que foi o que efetivamente fez o mercado do Sudeste deslanchar - afirmou nesta terça-feira na Rio Oil & Gas.


O sócio diretor da consultoria Gás Energy Marco Tavares, que participou da mesma mesa de debates que Serva, criticou o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, que na semana passada disse que o país terá 60 usinas nucleares em 50 anos. Segundo ele, essa idéia contraria o planejamento desenvolvido pela EPE para os próximos anos e afasta ainda mais os investimentos para a construção de termelétricas a gás. Tavares criticou a visão de que as termelétricas devem ser acionadas apenas nos momentos de seca, para compensar a queda de geração de energia nas hidrelétricas.


- A concepção de que as termelétricas devem funcionar complementarmente às hidrelétricas não atrai investidores. O volume de gás que eu vamos ter no futuro é tão grande que temos que desenvolver um modelo para o gás. Não é para ele ser complementar à energia elétrica. Isso afasta investimentos e, assim, vamos continuar importando carvão, vamos construir 60 usinas nucleares - disse (Fonte: O Globo Online, 2008-09-16).

Pré-sal mais que dobrará demanda por aço e pessoal


A demanda por profissionais qualificados e por aço, importante matéria-prima para a construção de navios, refinarias e sondas de exploração petrolífera, mais que dobrará com o pré-sal, em relação ao atual plano de negócios da Petrobras, afirmou um especialista da estatal.
José Renato de Almeida, coordenador-executivo do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), chegou a essa conclusão fazendo uma simulação do impacto que os projetos já anunciados pela Petrobras terão para a demanda, em vistas das descobertas de petróleo sob a camada de sal.
"A necessidade passa de 1 milhão de toneladas de aço ao ano para 2,6 milhões de toneladas. A demanda de pessoas, como você tem projetos em lugares diferentes, é cumulativa. Então, a necessidade de qualificação, que era de 112 mil pessoas, tem um novo pico sinalizando cerca de 260 mil pessoas", disse Almeida a jornalistas, após sua conferência na Rio Oil & Gas.
De acordo com ele, essa demanda não inclui a necessidade que será gerada com a produção do petróleo na camada pré-sal e considera apenas atividades de exploração e refino já previstas.
A Petrobras já anunciou a construção de 40 sondas de perfuração (12 serão feitas no exterior), de 146 barcos de apoio, além de cinco refinarias - as duas premium (uma no Ceará e outra no Maranhão); a da Comperj, no Rio; a de Abreu e Lima, de Recife; e a ampliação da refinaria no Rio Grande do Norte.
De acordo com o coordenador do Prominp, a definição exata da demanda de equipamentos e profissionais poderá ser feita após o anúncio da revisão do plano estratégico da Petrobras, esperado para outubro deste ano.
"Quando a gente fala de pré-sal, envolve todo um plano de desenvolvimento da produção, o que estamos falando não tem plataforma", destacou ele, referindo-se aos cálculos feitos pelo Prominp.
Segundo ele, como a Petrobras precisa perfurar poços para delimitar os campos, ela já tomou a decisão de contratar a construção das 40 sondas.
A demanda por pessoal poderá variar dependendo da escolha dos locais para a construção de estaleiros, por exemplo.
"Os barcos de apoio, se forem feitos no Rio, já tem uma margem de pessoas, se for feito no Nordeste, tem que preparar gente nova", afirmou, lembrando que o tempo de construção também influenciará nos números.
"Temos uma infra-estrutura de formação profissional robusta. Na verdade, o nosso problema hoje é escala. Os trabalhadores que vamos precisar são os mesmos que a gente já tem, os equipamentos que vamos usar nas instalações, salvo algumas exceções, também... Mas o pré-sal significa aumento de escala."


INDÚSTRIA PEDE PLANEJAMENTO

A indústria de máquinas do Brasil diz ser capaz de atender boa parte das demandas para o pré-sal, mas avalia que há necessidade de um planejamento e de um estreitamento de relação entre a operadora petrolífera e as empresas produtoras de equipamentos.
"O que precisamos quando falamos do desafio de trabalhar em conjunto, e isso já está ocorrendo, é ter a informação antes da hora (sobre a necessidade de equipamentos)", afirmou José Velloso Cardoso, vice-presidente da Abimaq.
Cardoso disse ainda que a indústria de máquinas não teria problemas para ampliar a sua capacidade de produção, mas seria importante contar com mecanismos que permitam um maior capital de giro para as empresas. "A capacidade a gente resolve."
Ele concordou com a forte capacidade de geração de empregos traçada por Almeida, mas destacou que isso poderia ser ainda maior se o mercado de trabalho crescesse em atividades qualificadas como a de engenharia, e não apenas na indústria de cascos de navios.
Ricardo Pessôa, conselheiro da Abemi (entidade que reúne fornecedores), ressaltou que o setor nunca esteve tão "demandado", uma situação que supera a vivida na década de 70, em que o crescimento esteve acelerado.
"A indústria sempre antecipou as suas necessidades, mas jamais imaginou que iríamos chegar nesse ponto", declarou ele, reforçando que o governo tem que dar atenção especial para o desenvolvimento de tecnologias para o pré-sal. "Não temos engenharia para competir, isso tem que ser incentivado" (Fonte: O Globo Online, 2008-09-17).

Feira de tecnologias e serviços do setor de petróleo e gás é encerrada no Rio


O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, encerra hoje (18), às 16h, no auditório do Centro de Conferências do Riocentro, a 14ª edição da Rio Oil & Gas, feira de tecnologias e serviços do setor de petróleo e gás. Antes, às 14h30, o gerente executivo da Área de Negócios Internacionais da empresa, Samir Awad, fala no painel A Questão de Acesso de Reservas: Cooperação entre Companhias Nacionais e Internacionais de óleo. No mesmo horário, o secretário de Petróleo, Gás e Biocombustível do Ministério de Minas e Energia, José Lima de Andrade Neto, fala no painel Evolução da Regulação do Gás Natural: Impactos e Tendências (Fonte: Agência Brasil, 2008-09-18).

Os produtores africanos e seu melhor cliente*


A Indústria do Petróleo africana, que figura a cada dia mais importante geopoliticamente, caminha hoje entre o tênue fio que separa o potencial desenvolvimento de um país da submissão econômica. Seus produtores mais significativos são Líbia e Argélia (países do norte africano) e Nigéria e Angola (situados na costa oeste da África Subsaariana).

Altamente dependentes do petróleo, esses quatro produtores africanos respondem por estimadamente 9% da produção mundial, com uma produção diária de 8 milhões de barris. No que se refere às reservas, os quatro representam cerca de 8% das reservas mundiais, uma vez que estas totalizam 100 bilhões de barris. Dos quatro, somente Angola possui um R/P baixo. No quesito “consumo”, o quadro muda, pois quase todo o petróleo é para exportação. O consumo diário dos quatro produtores não totaliza sequer 1 milhão de barris/dia ( 876 mil por dia) – ou seja, cerca de 10% de sua produção. Entretanto, cabe ressaltar que este quadro poderá se modificar através das mudanças que certamente virão com as novas perspectivas econômicas e políticas.

Os caminhos de saída do continente africano favorecem os principais produtores. Enquanto Líbia e Argélia se beneficiam do Mar Mediterrâneo para atingir o mercado europeu, Nigéria e Angola têm à sua disposição o Oceano Atlântico, o qual lhes possibilita exportar com tranqüilidade também para as Américas (em 2007, as exportações de Angola para o Brasil praticamente duplicaram graças ao petróleo). O Egito, apesar de possuir reservas bem mais modestas, é largamente compensado por seu potencial logístico. Seu grande trunfo é o Canal de Suez, principal passagem africana para o mercado asiático. O canal detém tanto valor que chegou a ser o estopim para a segunda crise do petróleo (quando, em 1956, Gamal Nasser decidiu nacionalizar o Canal de Suez).

A situação dos dois principais “pares” de produtores é bastante distinta. Enquanto Líbia e Argélia estão posicionados entre os melhores IDHs do continente, Nigéria e Angola apresentam níveis baixos e sofrem com sérios conflitos internos (Angola vive em estado de paz nos últimos anos, o que torna as previsões mais otimistas). O único fio que realmente une estes países é a forte competição econômica envolvendo China e EUA, ambos investidores pesados do continente (a Índia, outro país em desenvolvimento, também investe, no entanto de maneira menos expressiva).

Dependendo das circunstâncias, esta competição pode ser saudável para a África. Na Líbia, país onde o nível de pobreza é baixo em comparação a países vizinhos, a força do Estado e a relativa consistência da economia impedem que os fortes investimentos americanos (e agora chineses) coloquem o país sob jugo estrangeiro e ao mesmo tempo garantem que os contratos internacionais sejam cumpridos. Na Argélia, onde a China ainda tem dificuldades para penetrar, a situação é semelhante, ainda que os EUA tenham bases militares instaladas no país.

Para os países subsaarianos, a situação é mais complexa. A Nigéria é um exemplo bastante ilustrativo: envolvida em conflitos internos, marcada pela pobreza e pela fragilidade da economia nacional, pode vir a tornar-se um alvo fácil para o domínio estrangeiro. Por ora, tanto a Nigéria quanto outros países subsaarianos vêm aproximando-se da China, aproveitando-se da postura chinesa de auxiliar na reconstrução do continente (ao mesmo tempo em que ocupa seu espaço no mercado africano). Em 2004, o crescimento do comércio entre China e África foi de impressionantes 50%, o que prova não ser por acaso a recente decisão dos chineses de injetar dois bilhões de dólares em Angola para a construção de infraestrutura offshore.

Apesar da expressiva produção, o consumo de petróleo dos países africanos é quase insignificante. Há poucas refinarias na África e a distribuição de combustíveis é limitada. Tomemos como exemplo a indústria automobilística: somando os quatro maiores produtores (Líbia, Argélia, Nigéria e Angola), não chegamos nem a quatro milhões de automóveis; com o mesmo número de habitantes (192 milhões de habitantes), a frota do Brasil é de quase 50 milhões de veículos.

É importante lembrar que a China, que tanto ambiciona o petróleo africano para atender sua demanda crescente (contribuindo para uma preocupante disparada nas cotações), também olha com atenção para o mercado consumidor africano. A China investe pesadamente em sua Indústria Automobilística e – com seus preços “tradicionalmente” baixos – poderá, em um futuro não muito distante, revolucionar a frota de automóveis africana. Isso sem contar com os investimentos destinados ao downstream, a ampliação da malha rodoviária, a geração de empregos e o aumento de renda (ou seja, tudo que é necessário para estimular o aumento da frota e, conseqüentemente, do consumo de derivados).

O aumento da frota mundial de veículos tende a crescer, e esta é apenas uma das ramificações de mercado a serem exploradas a partir do petróleo africano. Uma tendência que se pode apontar a partir da questão africana é a manutenção das elevadas cotações do petróleo. Esta tendência poderia ser freada se a produção mundial e o descobrimento de novas reservas viessem a aumentar consideravelmente, mas essas são situações que não dependem somente de questões técnicas e objetivas. Tudo dependerá de fato da geopolítica intercontinental, a cada dia mais complexa.


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Na próxima semana abordaremos as questões que envolvem a exploração e produção do petróleo na América do Norte, comentando particularmente os casos do Alasca (EUA) e do Canadá. Demonstraremos como, mesmo em uma região de grande tranqüilidade internacional, o petróleo ainda encontra obstáculos dentro da própria organização política, econômica e social do país produtor.


* Publicação e divulgação integral deste artigo estão autorizadas desde que sejam preservados os créditos de autoria e mantido inalterado o conteúdo.

(Fonte: Clube do Petróleo).

Exploração e Produção no Hemisfério Norte*

Em 1956, o geólogo da Shell M. King Hubbert previu durante uma conferência o auge e posterior declínio das reservas americanas a partir do final dos anos 60 e início dos anos 70. Com o passar das décadas, sua teoria comprovou-se na prática e os EUA passaram a temer o fim de suas reservas. Hubbert, no entanto, desconhecia o petróleo do Alasca, estado que hoje é a grande promessa dos EUA em termos de reservas. Embora a quantidade precisa de barris a serem explorados na região seja nebulosa e pouco divulgada por órgãos americanos, é provável que seja o suficiente para manter o nível de produção do país por mais algum bom tempo (os americanos permanecem como os terceiros maiores produtores do mundo). Apenas na National Petroleum Reserve a estimativa é de mais de 10 bilhões de barris.

No entanto, alguns obstáculos para que esse petróleo passe de fato a assumir um papel de destaque na produção nacional colocam-se no caminho. O principal deles diz respeito a questões ambientais. Cercada por reservas, a região já sofreu com o grave derramamento da Exxon Valdez em 1989 (até hoje considerado um dos mais traumáticos da História) e com mais um derramamento em 2006 (de menores proporções, mas suficiente para despertar a atenção dos órgãos de proteção ambiental). A pressão vem sendo muito forte por parte dos ambientalistas e – ainda que não impeçam o avanço nos projetos de coligação entre os dutos do Alasca e do Canadá – fazem com que investidores e políticos re-avaliem os benefícios de seguir por este caminho.

A pressão recai especialmente sobre os republicanos, acusados de querer aumentar a produção americana a qualquer custo. A escolha da governadora do Alasca Sarah Palin para integrar a chapa de John McCain é um indício das intenções republicanas, embora o atual governo esteja optando por investir no Golfo do México e fortalecer relações com o Canadá. Uma alternativa capitaneada pelos democratas para atenuar a demanda americana concerne o investimento em bioenergia. Por outro lado, apesar da capacidade americana de produzir o etanol a partir do milho, a quantidade de grãos necessária para produzir combustível de qualidade satisfatória é alta, o que leva a um aumento de preços preocupante para os criadores de gado e ativa os protestos de quem clama ser absurdo plantar energia no lugar de comida.

O Canadá vive uma situação semelhante ao Alasca em relação à questão ambiental. Extraído do arenito betuminoso, o mais promissor petróleo canadense (com reservas estimadas em 175 bilhões de barris) produz pelo menos cinco vezes mais dióxido de carbono, dentre outros danos relacionados ao ar, ao solo, às florestas e à água (a organização não-governamental Greenpeace posiciona-se como um dos mais ferrenhos adversários deste método de produção do petróleo). O gasto com gás natural também é extremamente alto; vale lembrar que os dispêndios atuais seriam o suficiente para alimentar 3,2 milhões de casas (isto se formos nos basear em dados atuais, desconsiderando o futuro aumento de produção).

Outra dificuldade para a extração do petróleo canadense é o custo de produção (o arenito betuminoso é mais caro de refinar e o aproveitamento do material bruto costuma ser menor). Durante muito tempo, devido à falta de tecnologia apropriada, a produção foi barrada por não gerar lucro. Mesmo hoje – quando o custo de extração baixou consideravelmente e o índice de recuperação saltou de 10% para 25% - existe a preocupação com a queda no preço do barril e com os altos investimentos necessários para habilitar uma infraestrutura capaz de suportar a produção em larga escala. O projeto canadense é produzir 4.8 milhões de barris/dia em 2020, o que lhes colocaria entre os 5 maiores produtores de petróleo do mundo.

Logisticamente, o Canadá não tem do que reclamar. Próximo de seu principal consumidor, os EUA, o país pode exportar facilmente seu petróleo através do Atlântico para a União Européia e, em um futuro próximo, poderá também transportá-lo até a China (falta ainda uma rede de dutos que leve o petróleo até o Pacífico). Hoje uma das principais discussões que envolvem o petróleo canadense é exatamente acerca do destino desse petróleo: enquanto alguns defendem que o Canadá se torne um exportador praticamente exclusivo dos EUA, apoiando-se na longa e fértil relação entre ambos os países, outros enxergam nas “areias oleosas” uma oportunidade de reforçar a independência econômica do Estado em relação aos vizinhos.

Como podemos constatar, o problema do petróleo no Hemisfério Norte – ao contrário da maior parte dos produtores – já não é a disputa com vizinhos ou as dificuldades de transporte (embora tais questões sempre existam). Daqui a algum tempo, com novos avanços tecnológicos, talvez nem mesmo a infraestrutura seja mais tão cara. E então o problema continuará sendo, acima de tudo, a responsabilidade internacional de dois países de primeiro mundo em buscar soluções para atender às suas necessidades e interesses, sempre de grande dimensão, sem causar um grande prejuízo ao planeta.


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(Fonte: Clube do Petróleo)